Capítulo 17 – Porque ela?

Porque ele tinha que dar tanta atenção logo a ela? Ok, eu havia saído do hospital há duas horas e estava louca para ter meu filho nos braços novamente e quando chego lá estava ele todo sorrisos, mas não para mim. Estava brincando com uma moça ruiva, que, aliás, eu nem fazia idéia de quem é, e só me deu atenção quando me viu entrando com o Daisuke

Quando ele finalmente me viu, se esticou na minha direção com os braços estendidos e as mãozinhas se abrindo e fechando. Pego-o nos braços me sentando no sofá e ele senta no meu colo, olhando a minha perna. Estava completamente imobilizada pelo gesso e a outra ainda tinha algumas talas. Depois ele se vira para mim olhando-me confuso

-Eu me machuquei amor – falo puxando a franja desarrumada dele para trás – Mas vou ficar boa logo, logo

Ele encosta a cabeça em meu peito e passa os bracinhos ao meu redor, me abraçando. Abraço-o com força. Era tão bom voltar a sentir seu corpo quente em meus braços, onde eu tinha certeza de que nada podia tirá-lo daqui

Vejo aquela garota ir andando, se alguém podia chamar aquilo de andar ela parecia estar dançando de tão graciosa, até a cozinha e parar em frente à Daisuke. Ele sorri pra ela e se abraçam. Hum... Devia ser com ela que ele se encontrava quando saia. Olho-a de cima a baixo. Até que ela é bonitinha... A quem quero enganar, ela parece uma super modelo daquelas de capa de revista internacional que você tem que ficar horas tentando achar algum defeito na aparência

Os cabelos de um vermelho chamativo tinham um corte de lua minguante que destacava muito o rosto, olhos azuis safira brilhantes, lábios cheios, pele clara quase no mesmo tom da dele apenas um pouco mais rosada, o corpo era modelado, com cintura bem feita, seios fartos e pernas grossas. Realmente ela parecia uma super modelo

-Iza, essa é a Tatsuhi – fala Daisuke sentando ao meu lado e ela senta do lado dele – Taty, essa é a Izayoi

-Oi – fala ela sorrindo. A voz dela era melodiosa e suave

-Oi – falo e forço um sorriso. Não sei o que deu em mim, eu mal a conhecia, mas não gostei dela

-Bom, as apresentações já estão feitas então agora eu vou comer – fala e volta para a cozinha. Escuto-o mexendo no armário e depois a geladeira abrindo e fechando. Ela se senta ao meu lado e Inuyasha segura uma das mãos delas brincando

-Ham... Você é modelo? – pergunto, sem me conter. Se bem que estava na cara que ela É modelo

-Não, sou técnica em tudo relacionado a sistemas mecânicos, elétricos, eletrônicos e digitais

-É que... Sei lá, você parece ser modelo – ela ri

-Eu não sou porque ele – ela desata o tênis e joga dentro da cozinha onde escuto um 'Epa!' – Não me deixou.

-Claro que não – responde Daisuke aparecendo com o tênis que ela jogou e atira nos pés dela, que ela levantou antes de bater sorrindo – Você têm namorados demais sem ser modelo, imagine sendo

-Chato – fala mostrando a língua e ele vira as costas

À noite depois do jantar, Tatsuhi se ofereceu para cuidar de Inuyasha e ele foi com ela todo feliz, acho que só faltava pular. Continuo acompanhando-os com os olhos até que ela some de vista ao virar a direita depois de subir as escadas

-Ela não fará nada com ele Iza – fala Daisuke e viro-me o vendo mexer no aparelho de som, uma taça de vinho na mão esquerda

-Eu sei só não me acostumei que ele vá com ela tão fácil

-Ela cuida dele desde que ele saiu do hospital. Acho que é meio normal, mas ele ainda ama você - uma música começa a tocar baixinho e suave; ele põe o copo em cima do som – Dança comigo?

-Claro, mas... – olho para minha perna engessada

Ele apena sorri e se aproxima, me ajudando a ficar de pé. Põe as mãos na minha cintura e passo as minhas ao redor do seu pescoço. Não dançávamos exatamente, apenas nos balançávamos levemente

-Viu dá pra dançar com a perna engessada – fala ele sorrindo, mas não chegou aos olhos. Ele parecia tenso

-Se chama isso de dançar

-Iza eu tenho que te contar uma coisa – o rosto dele fica mais sério – Não vou pedir que para não fique com raiva porque sei que vai ficar

-Pode falar

-Bom, sem nenhum rodeio, seu marido está vivo

-O... O que? Que brincadeira é essa? – meus braços caem e dou um passo atrás. Ele não podia... Não tinha como, mesmo que alguém pedisse ajuda... Afasto-me dele, uma das mãos na boca

-É verdade, eu acabei encontrando ele quando procurava pelo seu bebê. Achei que devia ter me enganado, mas quando nos encontramos ele disse que te conhecia, falou tudo

-... Ele... – dou outro passo atrás e caio sentada no sofá. Sinto meus olhos se encherem d'água. Daisuke dá um passo vacilante, talvez pensando se devia se aproximar mais

-Ele estava aqui no incêndio, ia te ver no hospital todos os dias e vinha aqui ficar com o Inuyasha depois que ele levou alta

-Por quê? – pergunto sentindo as lágrimas descerem livremente – Porque não me contou antes?

-Eu tinha que saber se era ele mesmo, se ele iria voltar pra você. Não queria te dar falsas esperanças e você acabar ficando em depressão

Em parte o que ele disse era verdade, mas a raiva que eu tinha agora dominava, mas do que a compreensão. Eu não queria estar aqui, não queria vê-lo

-Eu devia ter contado isso antes, mas...

-EU TE ODEIO DAISUKE! – grito levantando-me e subo as escadas o mais rápido que posso. Tranco a porta e encosto-me nela; minhas pernas fraquejaram e minhas costas deslizam pela porta à medida que eu caia sentada no chão. Abraço minhas pernas chorando

Narração Tatsuhi

Havia acabado de colocar Inuyasha pra dormir quando ouvi passos, rápidos, mas interrompidos e segundos depois uma porta batendo violentamente. Verifiquei Inuyasha mais uma vez, dormia profundamente na minha cama de casal entre dois travesseiros enormes

Desço as escadas depressa e ao chegar na sala encontro Daisuke em pé perto da janela, segurava uma taça de vinho quase vazia com a mão esquerda e passava a ponta dos dedos da outra mão pelas bordas da taça. Aproximo-me e ponho a mão em seu ombro

-Sabia que isso aconteceria – fala ele ainda olhando pela janela e bebe o que tinha na taça num gole

-Dai...

-E acho que agora ela vai embora e acaba tudo

Viro-o de frente pra mim e o abraço. Queria ao menos suavizar a dor que ele sentia

-Não fique assim – ponho a palma da mão em seu rosto, nunca havia visto tanta tristeza naqueles olhos – Ela ainda vai te perdoar, talvez não hoje nem amanhã, mas um dia irá – ele sorri levemente

-Obrigado – ele passa os braços ao meu redor, envolvendo minha cintura

-De nada

-Vou dormir – fala abruptamente e segura meu queixo com uma das mãos e dá um beijo em minha testa – Boa noite

-Boa noite – respondo deixando meus braços caírem ao lado do corpo

Ele coloca a taça em cima do som e sobe as escadas. Isso não pode ficar assim, não vai. Subi um tempo depois dele e entrei no meu quarto. Inuyasha ainda dormia. Seguro-o com delicadeza nos braços, apoiando-o no lado esquerdo e vou até o quarto do lado esquerdo do corredor. Dou duas batidas leves na porta

-Izayoi? – ela abre a porta, estava com os olhos vermelhos e as faces molhadas – Ele acabou de dormir. Posso colocá-lo no berço?

-Pode sim, entra – a voz dela estava embargada. Ela deu um passo para o lado e entro.

O quarto dela não é muito diferente do meu, exceto por uns toques aqui e ali e claro o berço. Coloco Inuyasha no berço e cubro-o. Izayoi estava sentada na cama, podia sentir seus olhos sobre mim

-Posso te perguntar algo Izayoi? Não é da minha conta e não precisa responder se não quiser

-Pergunte

-Bom... Que castigo você vai dar ao Daisuke? – perguntei fingindo arrumar o lençol de Inuyasha

-Como assim? – me viro e vejo-a com os olhos levemente estreitados. Sento ao seu lado na cama

-Bom... Eu não sei bem o porque mas você e o Daisuke brigaram não é? – ela confirma com a cabeça – E eu tenho quase certeza de que é algo que ele fez ou disse

-Como você sabe?

-A gente se conhece desde pirralhos, e eu sei melhor do que ninguém algumas manias terríveis que ele tem como a de achar que fez algo certo e depois levar um toco. Ele sempre fazia isso comigo e eu meio que castigava ele. Podia ser qualquer coisa, quebrar algum brinquedo, ignorá-lo

-Porque você fazia isso?

-Pra ele aprender que não pode controlar a vida de outras pessoas. Era bem útil, ele ficava um bom tempo quietinho no canto dele. Por isso quero saber se você vai fazer algo

-E se eu fizer? O que você tem a ver? – ela tinha uma expressão desconfiada

-Vou lhe apoiar completamente, mesmo que você não faça nada – respondo sinceramente e levanto-me – Era só isso. Boa noite

-Boa noite – responde ela antes de eu fechar a porta

Nos três dias que se seguiram, Izayoi não falava nada com Daisuke fora do necessário e ele estava cada dia mais quieto. O marido dela ligava todos os dias e disse que vinha buscá-la no domingo pela manhã. No sábado à tarde, ajudei ela a fazer as malas. Ela já havia tirado o gesso e andava normalmente apesar de mancar as vezes

-Acho que acabou – fala ela fechando uma das 3 malas que tinham as coisas dela e de Inuyasha

-Nossa não achei que encheria três malas grandes e ainda uma de mão – falo sentando no chão e vejo Inuyasha sentado do lado de uma mala e batendo as mãos na mesma e rindo abertamente

-Nunca vi pra gostar tanto de fazer barulho – fala Izayoi e pega-o nos braços sentando com ele no colo. Ela fica batendo palmas cantando o que ele imitou ainda rindo bastante

Não pude evitar não sorrir. Eles pareciam tão felizes. Escuto um barulho baixo de motor

-Daisuke voltou

-É? – pergunta olhando-me com curiosidade – Você ouviu o motor do carro também?

-Sim, mas quase num faz barulho. Você vai falar pra ele que vai embora amanha?

-Vou, mas não agora. Avisarei amanhã antes de sair

-Você quem sabe

Escuto passos bem baixos, ele não queria ser ouvido e olho para a porta a tempo de ver Daisuke passar para o quarto dele

-Ele não parece bem – murmuro alto o suficiente para que ela ouvisse

Levanto-me e vou para o quarto dele. Bato uma vez na porta e entro em seguida. Ele estava desabotoando a camisa de costas pra mim

-Oi Taty

-Oi. Você tá bem?

-O Inutaisho me ligou, disse que só poderia vir buscar a Izayoi as 10 e não as 8

Droga! Ele soube antes dela contar

-Você sabia não é? – ele havia se virado, a camisa desabotoada deixando a mostra parte do peito

Confirmo e vejo-o suspirar. Ele tira a camisa e vai pro banheiro. Sento na cama, olhando para a porta fechada. Não queria que ele descobrisse assim, agora ia ficar arrasado. Preciso pensar em algo para impedir isso. Deito, fecho os olhos, uma das minhas mãos massageando a têmpora. Pensa Tatsuhi, pensa. Parecia que eu havia lido um livro de 700 páginas em 30 segundos. Minha cabeça latejava. Pensar demais não é bom. A cama afundou do meu lado, abro os olhos e vejo Daisuke deitado olhando

Por uma fração de segundos vi que ele estava magoado por eu não ter contado, triste porque ela provavelmente iria embora, confuso sobre a que ponto ela confiava em mim e irritado por não ter se acostumado com a idéia de que cedo ou tarde ela iria. Era estranho como não precisávamos falar pra saber o que acontecia

-Dai

-Que?

-Nunca vi seus pensamentos tão tumultuados – falo e seguro sua mão, entrelaçando nossos dedos

-Consegue ler minha mente? – pergunta fechando os olhos sorrindo ironicamente

-Não, seu rosto denuncia

-Tenho que fazer ele parar de me entregar

-Eu não me importo eu pare ou não. Não preciso de expressões para saber o que você pensa – ele abre os olhos e olha para nossas mãos

-Por quê?

-Ela pediu pra que eu não contasse

-Devia ter me contado antes

-Eu não podia

-Não sabia que você era de obedecer aos outros

-E não sou ela apenas pediu e não sou de deixar um amigo na mão

-Então eu sou o que? – ele olhava nos meus olhos

-Você é tudo o que eu tenho, sabe disso

Abraço-o. Ele fica parado um segundo e me abraça com força

-É eu sei. Sinto muito – fala ele nos meus cabelos. Após algum tempo, seus braços afrouxam o aperto ao meu redor. Olho-o e vejo que ele cochilava. Seguro seus ombros e balanço-o, ele abre um pouco os olhos

-Não vai jantar?

-Amanhã

-Mas amanhã será café da manhã

Ele não me escutou, estava dormindo

Narração Izayoi

Estava na porta do quarto de Daisuke. Havia ido ver se ele estava mal mesmo ou se era algo da Tatsuhi. Apesar de estarem falando baixo, pude ouvir toda a conversa. Volto para o meu quarto e encosto a porta. Mesmo que ele estivesse mal, ela cuidaria dele muito bem, penso com raiva

Depois de arrumar a mim e Inuyasha, desci para jantar. Yuzuki tinha posto a mesa e quando me sentei ela disse que iria para casa, pois seu turno havia acabado. Falando um "Até segunda" ela saiu pela porta da frente. Quando começo a comer, Tatsuhi desce

-Como ele está?

-Exausto – fala sentando em frente a mim – Acho que não vem jantar

-Posso te fazer uma pergunta?

-Faça

-Você é a namorada do Daisuke?

-Namo...? Claro que não, ele não deve ter contado a você, mas não o culpo – a expressão dela era pensativa, parecia que ela escolhia se devia me contar ou não – Bom, pode-se dizer que somos irmãos ou quase isso. A mãe dele é minha madrinha. E sobre namorada... Bom, ele tinha uma, na verdade noiva

-Tinha? Eles terminaram?

-Não. Ela morreu num assalto. Foi quase instantâneo, bala na cabeça

-Coitada. Ele deve ter ficado arrasado

-Arrasado não chega nem perto da poeira do chão onde ele pisou. Eles se amavam muito sabe. E ela morreu no dia em que ele pediu ela em casamento, estava no banco quando o assalto começou

Toda a raiva que eu sentia dele desapareceu quase num piscar de olhos dando lugar a tristeza, pena, compreensão. Por isso ele cuidava de mim, havia passado quase a mesma coisa

-Faz quanto tempo?

-Uns dois anos

-Eu não imaginei...

-Ele não conta a ninguém. Só os mais próximos sabiam

Ficamos em silêncio até o fim do jantar, enquanto Inuyasha brincava batendo uma colher com um garfo

-Tatsuhi

-Sim?

-Posso perguntar mais uma coisa?

-Claro

-Hum... Quantos anos o Daisuke tem?

Ela me olha intrigada e ao ver que eu realmente não sabia diz sorrindo

-Ele faz 25 amanhã

Fui deitar pensando nisso. Apesar de que não sabia muito que pensar, então me deitei e dormi quase instantaneamente. Acordo com Inuyasha fazendo barulho e levanto, devia ser perto de cinco da manha pra ele estar acordado. Tiro-o do berço e vou para a cozinha. A casa estava muito silenciosa, até para um dia de domingo a essa hora da manha. Perto das nove e quarenta, Tatsuhi estava na cozinha comigo tomando café

-Deixa eu ficar com ele – fala ela e estende os braços pra Inuyasha, que imita o gesto e vai pros braços dela – Acho que você quer falar com alguém

-É, quero sim

Começo a subir as escadas. Não tinha idéia do que ia falar afinal ele já sabia e segundo Tatsuhi estava ainda mais triste. Não fazia sentido bater na porta então entrei sem fazer barulho. A cama estava desarrumada, ele dormiu mas deve ter se levantado. A porta de vidro que levava a varanda estava aberta

Aproximo-me e vejo-o largado no que parecia um sofá. Abaixo-me e quando estava no braço do sofá onde estava sua cabeça cubro seus olhos com minhas mãos

-Não começa Taty eu já disse que... – ele para ao afastar minhas mãos dos olhos e me ver – Izayoi – ele senta

-Am... Posso te dar um abraço?

-Pode, claro que pode

Sento no seu colo e o abraço. Ele passa os braços ao meu redor, o queixo apoiado no meu ombro

-Você sabe que eu vou não é?

-Sei

-Eu vou sentir sua falta – ele me puxa mais pra perto

-Eu sei. Também vou sentir

-Por favor, não fique assim. Devia estar feliz por conseguir se livrar de mim

-Não sei se posso

-Vou me preocupar se tiver que ir e você continuar assim – afasto-me um pouco, olhando-o diretamente nos olhos – Não quero eu sofra por minha causa

-Eu não me importo

Mordo o lábio inferior. Ele não estava mentindo. Passo a ponta dos dedos por seu rosto. Tatsuhi grita do andar de baixo dizendo que tinham vindo me buscar

-Tenho que ir – falo levantando-me

-Não precisa ir. Você pode ficar aqui – fala ele se levantando e segura minhas mãos – Pode ficar comigo

-Não – minha voz não foi nada convincente. Estava completamente dividida. Queria ficar, mas também queria ir

-Por favor. – seus olhos estavam cheios de súplicas – Por favor, fica

Fecho os olhos acenando negativamente. Senti lágrimas começarem a se formar. Não conseguiria olhá-lo, então fitei meus próprios pés

-Entendo – fala ele baixo soltando minhas mãos – Melhor você ir logo

-É... Melhor

Ando até a porta que separava o quarto da varanda e giro a maçaneta. Não queria que isso acabasse assim. A decisão já estava formada antes mesmo de eu virar. Corro até ele e puxo-o para mim encostando nossos lábios. Ele ficou surpreso, mas depois me abraçou retribuindo com doçura

Separo nossos lábios. Ele me olha por um segundo. Sinto uma de suas mãos subir até minha nuca, e nossos rostos ficam mais próximos. Eu não oferecia resistência, não conseguia. Ele me beija mais lenta e profundamente, abraçando-me com mais força colando mais nossos corpos

-Eu te amo – falo quando ele afasta o rosto poucos milímetros

-Eu te amo mais – responde sorrindo brandamente – Você tem que ir – fala ele afastando mais o rosto ao ouvir Tatsuhi chamar por mim, dessa vez a voz dela parecia mais próxima, mas o topor que envolvia minha cabeça não me deixava pensar claramente

-É. Eu.. Eu acho que tenho – meus braços, que estavam ao redor do seu pescoço caem ao meu lado. Ele ainda tinha um dos braços na minha cintura

-Pode vir quando quiser. Será sempre bem vinda – fala levantando meu queixo com a mão livre, me fazendo olhá-lo. Ele parecia mais feliz – Daqui a pouco a Taty vai acabar entrando no quarto – ele estava mais sério – Me mande notícias – diz e beija-me rapidamente

-Claro – vou até a porta e quando chego no corredor me viro lembrando – Ei. Feliz aniversário

-Como você...

-Segredo – encosto o indicador nos lábios e dou uma piscadela – Tchau

Saio do quarto, desço as escadas correndo e ao chegar à porta de entrada encontro Inutaisho com um Inuyasha adormecido num dos braços

-Oi – fala ele sorrindo

-Não começa – respondo brincando e abraço-o. Ele passa o braço livre ao meu redor

-Desculpe então – responde rindo e abre a porta traseira do carro

-Tá bom, desculpado – entro e seguro Inuyasha

-Não esqueceu nenhuma mala?

-Você conta? – sorri inocentemente

-Hum... É, acho que conta

-Então falta só você

-Acho que posso me carregar – ele senta no lugar do motorista e liga o carro

Olho para trás para o lugar que fora minha casa durante pouco mais de um ano. Tatsuhi acenava freneticamente na porta e antes de sair, tive a impressão de ver Daisuke aparecer na janela do 1° andar que dava de frente pra entrada da casa. Continuei olhando para a mansão até o momento em que ela se misturou com a paisagem

Narração Tatsuhi

Subo até o quarto do Daisuke depois que o carro desapareceu de vista. Ele não estava lá, mas sim no meu na varanda, os braços apoiados na sacada olhando para a rua onde passavam vários carros

-Sabe, se você tivesse insistido um pouco mais acho que ela teria ficado

-Ouvir atrás da porta é feio

-Você não se importa – coloco meus braços na sacada e vejo-o sorrir – Porque não tentou?

-Por mais que eu a ame, não quero que ela fique sabendo que ela vai sofrer. Quero que ela seja feliz mesmo que não seja comigo

-Você é muito decente

-É, acho que esse sempre foi meu maior defeito