Capítulo IX

Kagome rolou para o lado e atendeu o telefone com voz sonolenta.

_ Kagome, é Izayoi.

Ainda sonolenta, ela se virou na cama e passou a mão pelo rosto, tentando despertar. O som do chuveiro ligado lhe chegou aos ouvidos enquanto ela olhava para o relógio sobre a mesinha-de-cabeceira. Ao notar que já havia amanhecido, sentou-se de repente na cama.

_ As meninas estão bem?

_ Sim, estão ótimas. Estou ligando para perguntar a Inuyasha se elas podem ficar mais um ou dois dias comigo. As netas da minha vizinha estão vindo visitá-la e já que elas são colegas de Asagi e Ayame, achei que seria bom deixá-las se divertirem mais um pouco. Ele está por aí?

_ Só um momento.

Kagome saiu da cama, envolta pelo lençol e abriu a porta do banheiro.

_ Isso é o som de um chuveiro? _ Izayoi perguntou.

_ Sim.

_ Kagome... _ Izayoi hesitou, mas acabou não resistindo à curiosidade. _ Você está no quarto dele?

Kagome também hesitou, mas acabou decidindo por dizer a verdade.

_ Eu... Sim, estou.

_ Graças a Deus.

_ Izayoi! _ Ela começou a rir.

_ Menina, se você não consegue perceber que vocês nasceram um para o outro, talvez um pouco de intimidade a ajude convencer disso.

Kagome riu alto. Adorava a mãe de Inuyasha.

_ Você é mesmo impossível, Izayoi taisho!

Inuyasha colocou a cabeça para fora do Box e franziu o cenho. Kagome estendeu o telefone na direção dele.

_ É sua mãe.

Inuyasha pegou o aparelho, mas antes de dizer qualquer coisa, puxou o lençol de Kagome e molhou-a com algumas gotas de água, provocando-a. depois de ouvir o que a mãe lhe dissera ele respondeu:

_ Sim, elas podem ficar. Não, nós estaremos aqui. _ Puxou Kagome para si e beijou-a nos lábios. _ Sim, mamãe. Eu amo Kagome.

Ela sorriu e moveu apenas os lábios ao dizer.

_ Eu também te amo.

_ Sim, eu pretendo _ continuou ele. Então afastou o telefone da orelha e olhou para Kagome. _ Quando os pontos de Ayame terão de ser removidos?

_ Amanhã será um bom dia para fazer isso _ respondeu ela.

_ Tudo bem se o médico da minha mãe fizer isso? _ Quando Kagome assentiu, ele voltou a falar ao telefone: _ Sim, tudo bem, mamãe. Nos veremos dentro de alguns dias. um beijo.

Inuyasha desligou o telefone e colocou-o sobre a pia do banheiro. Então puxou Kagome para o chuveiro e fez com que a água morna a molhasse também enquanto a beijava.

_ Bom dia _ murmurou junto aos lábios dela.

Pegando o sabonete, começou a deslizá-lo sobre os seios dela, em movimentos circulares. Kagome fechou os olhos por um instante, imaginando como seria possível ainda terem energia para aquilo. Então gemeu quando Inuyasha retirou o sabão com a água e começou a acariciar seus mamilos com a boca, sugando-os com quem toma um néctar. Ela gemeu, sentindo as pernas trêmulas.

Inuyasha se ajoelhou em seguida e ensaboou as coxas e as nádegas firmes de Kagome. Uma breve onda de tristeza a assaltou quando ela pensou que em breve não teria mais aqueles momentos especiais ao lado dele. Mas logo o pensamento foi substituído por uma nova onda de prazer, quando a língua e os lábios de Inuyasha se apoderaram de sua doce intimidade.

Depois de provocá-la até quase fazê-la chegar ao clímax, Inuyasha ficou novamente de pé e, encostando-a em uma das paredes, penetrou-a, deixado o jato de água morna incidir entre eles.

_ Oh, Inuyasha... _ ela gemeu.

_ Temos anos de atraso para colocar em dia, meu anjo _ murmurou ele, com voz rouca. _ Anos.

_ E você pretende fazer isso em um único fim de semana?

_ Acho que seria preciso toda uma vida _ respondeu ele, movendo o quadril com sensualidade. _ Talvez nem isso fosse suficiente.

Kagome o fitou nos olhos enquanto ambos continuaram a se mover com sensualidade. Não foi preciso muito tempo para que êxtase final os arrebatasse às alturas da plena satisfação.

Enquanto se entregava à paixão, Kagome não pôde deixar de pedir ao destino que lhe desse mais algum tempo ao lado do homem que ela amava. Mas seria isso possível?

Inuyasha havia saído para cuidar dos cavalos fazia mais ou menos vinte minutos quando a campainha tocou.

Kagome foi atender à porta e recebeu um envelope de um carteiro uniformizado. Assinou o papel que ele lhe entregou, notando que a correspondência era para ela.

O envelope continha suas contas, enviadas por Sango, abrangendo desde o período em que ela desistira do apartamento na Geórgia, no último semestre da faculdade.

Ao somar a quantidade de contas acumuladas, levou a mão à testa, preocupada. Deus, será que algum dia conseguiria terminar de pagar tudo aquilo? O banco havia lhe emprestado apenas uma parte do dinheiro. Seu carro não valia muito para ajudá-la a pagar as dívidas. Teria de pagar as contas com o dinheiro de seu salário como médica, mas ainda nem havia começado a trabalhar!

O pensamento deixou-a abatida, como ela sempre ficava quando começava a pensar muito naquele assunto. Aquilo a fazia ter noção de quanto ela tinha pouco e de como sua vida se tornava difícil. Tudo que lhe restava eram as contas, um carro caindo aos pedaços e alguns móveis guardados na casa de Sango. Não era muito para uma mulher solteira de usa idade, concluiu.

Olhou para a cozinha espaçosa em torno dela e suspirou. Iria sentir falta do tempo em que ficara ali, pensou, com um nó na garganta. Ouviu a máquina de lavar desligar e foi para a lavanderia, tirar as roupas dela e iniciar outro processo de lavagem. Ao pegar algumas peças de roupa das meninas, seus olhos se encheram de lágrimas. Seria muito difícil ficar longe delas.

De súbito, o barulho do telefone a fez se sobressaltar. Respirando fundo, foi atendê-lo.

_ Olá, srta. Kagome!

_ Ayame! Como você está?

_ Como você sempre consegue acertar qual de nós está falando? Nem vovó consegue isso!

Kagome sorriu, sentindo os olhos se encherem de lágrimas mais uma vez.

_ Deve ser coisa de médico _ respondeu.

Ayame deu um risinho, do outro lado da linha e falou.

_ Nós montamos Bullet e Peso hoje.

_ São cavalos, certo?

_ Isso mesmo _ confirmou Ayame, com outro risinho.

Seguiu-se um ruído diferente no aparelho e Kagome reconheceu a voz de Asagi.

_ Srta. Kagome, Ayame pulou com o cavalo!

Kagome estremeceu.

_ Ayame o quê?

_ Asagi! Não era para você contar! _ ralhou Ayame.

_ Mas você pulou mesmo! _ protestou a irmã dela.

Deus, Ayame pulara um obstáculo montada em um cavalo?, pensou Kagome, preocupada.

_ E o que sua avó disse?

_ Foi ela quem me ensinou _ respondeu Ayame, como se ela já devesse saber daquilo.

Kagome gemeu.

_ Seu pai sabe a respeito disso?

_ Hum-hum _ Ayame murmurou.

_ Oh, então não há problema. _ Kagome forçou um sorriso.

_ Já é coisa de família. Oh, Ayame, estou tão orgulhosa de você! Eu nem consigo sentar direito em uma sela, se você quer saber,.

_ Oh, papai pode lhe ensinar. Não é difícil...

Kagome continuou ouvindo a menina falar, mas olhou para as contas em cima da mesa e não conseguiu mais prestar muita atenção à conversa.

Depois de desligar, continuou segurando o aparelho junto ao peito durante algum tempo. Quando o colocou de volta na base, duas lágrimas rolaram por seu rosto. Amava Inuyasha, amava as meninas, aquela casa... Mas não poderia ter tudo ao mesmo tempo. Uma carreira, uma casa e uma família.

Inuyasha parou na varanda, do lado de fora, avistando Kagome através da janela da cozinha. Sentiu um aperto no peito ao vê-la chorando. Amava-a com todas suas forças, mas sabia que ainda havia uma espécie de nuvem ameaçando a felicidade de ambos. Mas não queria vê-la triste daquele jeito. Não queria ser o responsável por ela estar se sentindo pressionada, mas não tinha como evitar isso. Queria ter Kagome para si e, no íntimo, queria também que ela o considerasse mais importante do que a careira dela.

Os soluços abafados de Kagome lhe chegaram aos ouvidos, torturando-o ainda mais. Amaldiçoou as circunstâncias e a teimosia que ela insistia em manter com relação ao futuro. E chegou à conclusão de que precisava fazer algo quanto a isso. E logo.

Naquela noite, ela a fez esquecer de todo o resto. Encheu-a de atenções, oferecendo-lhe champanhe e morangos mergulhados em chocolate, antes de levá-la para nadarem nus na piscina. Amou-a sob as luzes das estrelas até deixá-la lânguida e completamente saciada em seus braços. Quando a levou para o quarto, fez com que ela adormecesse bem junto dele e continuou abraçando a ela durante toda a noite, com receio de acordar e não encontrá-la mais a seu lado.

Kagome entrou no estábulo e foi logo falando:

_ Tudo certo, patrão. Dei água aos cavalos e alimentei as galinhas. O que terei de fazer agora?

_ Quer rolar sobre o feno? _ sugeriu Inuyasha, quando ela se aproximou mais.

Kagome se encostou na parede e ficou observando Inuyasha mover o feno com um forcado. O jeans justos moldava-lhe as nádegas firmes e a camiseta preta evidenciava os músculos rijos de seus braços e de suas costas. Kagome teve vontade de fazer amor com ele mais uma vez, mas lembrou-se de que tinham tarefas a cumprir, já que os empregados estavam de folga naquele dia.

_ Oh, ainda falta alimentar os porcos _ disse a ele.

Inuyasha olhou para ela.

_ Tome cuidado.

_ Pode deixar. Deixarei o pote de comida para ele e sairei correndo.

Ele sorriu, imaginando a cena cômica.

_ Está bem. Mas não se esforce demais porque tenho planos para mais tarde.

_ Algo que vai me agradar? _ provocou ela.

Inuyasha lançou-lhe um olhar cheio de desejo.

_ Até agora você não reclamou.

_ Seu convencido.

_ Não foi o que me disse esta manhã.

Kagome enrubesceu. Havia acordado excitada, em meio a um sonho erótico com Inuyasha, mas assim que abrira os olhos se dera conta de que o que estava sentindo não era exatamente um sonho.

_ Você tirou vantagem do meu estado _ disse a ele.

Ele arqueou uma sobrancelha.

_ O que mais eu poderia fazer, vendo-a deitada nua e com o corpo colado ao meu? Não resisti à tentação.

Ao ouvir aquilo, Kagome teve vontade de provocá-lo mais uma vez. Nunca parecia suficientemente saciada de ser amada por Inuyasha.

_ Quanto tempo ainda vamos demorar aqui? _ perguntou a ele.

_ Mais uma hora talvez.

Ela olhou para o relógio.

_ Irá me encontrar na varanda para o almoço?

Inuyasha olhou-a de alto a baixo.

_ Até lá, já estarei faminto.

_ Eu não estava falando de comida.

_ Nem eu.

Com um sorriso sensual, ela saiu do estábulo e foi alimentar o restante dos animais. Em seguida, voltou para casa e tomou um banho refrescante. Vestiu um short e uma blusa folgada, e calçou um par de sandálias confortáveis. Cheia de expectativa pelo dia que teria pela frente, ao lado de Inuyasha, preparou um almoço leve e se pôs a esperá-lo.

Porém, a espera demorou mais do que ela previra. Franzindo o cenho e olhando para o relógio, decidiu ir até o estábulo. No meio do caminho, ouviu um barulho estranho e começou a correr até lá.

Encontrou Inuyasha em um dos compartimentos do estábulo, com uma égua que, pelo visto, havia entrado em trabalho de parto.

_ Tudo bem _ disse a ele. _ Está perdoado por haver se atrasado. Quer que eu ligue para o veterinário?

Inuyasha não levantou a vista para ela.

_ Eu já liguei. Mas não sei se dará tempo. _ Somente então ele olhou para Kagome. _ Preciso de sua ajuda aqui, querida.

Kagome pestanejou, olhando dele para a égua.

_ Só pode estar brincando.

Ele balançou a cabeça negativamente.

_Vamos lá, Kagome. Você é médica. Sabe como fazer isso.

Ela pegou um avental pendurado a um canto e começou a vesti-lo, com ar preocupado.

_ Preciso que me diga o que fazer _ avisou a ele.

_ Minhas mãos são muito grandes e ela precisa de ajuda.

Kagome assentiu e se ajoelhou para examinar a égua. Fazia alguns minutos que ambos estavam tentando ajudar o animal quando ouviram o ruído de um motor e passos apressados se aproximando.

_ Sr. Rayburn? _ A veterinária o chamou da porta do estábulo.

Inuyasha foi ao encontro dela e a conduziu até onde se encontrava a égua. Inuyasha apresentou a dra. Janna McLean a Kagome, antes que a veterinária começasse os procedimentos necessários.

_ Muito bem, Belle _ disse Janna à égua. _ Está se saindo muito bem, menina. _ Depois de apalpar o ventre da égua e ajeitar o potro da melhor maneira possível, ela completou: _ Agora é com você. _ Enquanto trabalhava, olhou para os dois. _ Podem ir, se quiserem. Eu e Belle ficaremos bem por aqui. Meu assistente já deve estar chegando.

Inuyasha assentiu e tomou a mão de Kagome, conduzindo-a em direção à casa. Ao passarem pela porta, ele a levou para o escritório, em vez de ir para a sala de jantar.

Surpresa, Kagome se perguntou o que ele estaria tramando, mas não perguntou nada, ao notar que Inuyasha pretendia lhe fazer uma surpresa. E conseguiu.

Sobre a mesa dele, Kagome encontrou uma maleta médica fechada por um lindo laço azul. Ela levou a mão aos lábios e olhou para ele como os olhos cheios de lágrimas.

Inuyasha sorriu.

_ Por seu desempenho profissional nos últimos dias, doutora.

Em silêncio, ela se aproximou da maleta e leu o cartão preso à fita.

"Eu sabia que você conseguiria", era o que estava escrito com a caligrafia firme de Inuyasha.

_ Obrigada, Inuyasha. Mas pensei que você não gostasse de minha carreira.

Ele arqueou as sobrancelhas.

_ Não é nada disso, Kagome. _ Aproximando-se, abraçou-a pela cintura. _ Não imagina como estou orgulhoso de você. Muito poucas pessoas tem a sua determinação.

Ela riu.

_ Teimosia, você quer dizer.

_ Isso também _ admitiu ele, também rindo. _ Acariciando o rosto dela, tornou-se mais sério. _ Eu te amo, Kagome. Quero ter um futuro com você. Mas você já deve saber disso a essa altura dos acontecimentos.

_ Sim, creio que sim. _ O olhar dela procurou o dele. _ Só não acho justo fazer com que você e as meninas compartilhem minhas responsabilidades.

Ele franziu o cenho.

_ Está se recusando até a considerar a possibilidade?

_ Não, não _ respondeu ela. _ Mas estamos falando de pelo menos três anos, Inuyasha. Esse período da minha carreira será o mais difícil.

_ Faz sete anos que estamos nesse dilema e meus sentimentos por você não mudaram, Kagome. Pelo contrário. Tornaram-se mais fortes. _ Uma sombra de desapontamento surgiu nos olhos dele. _ Pensei que houvesse acontecido o mesmo a você, mas, pelo visto, eu me enganei.

_ Não, não se enganou _ Kagome se apressou em dizer.

_ Então só pode se medo isso que a está impedindo de querer compartilhar sua vida comigo _ falou ele. Desfazendo o laço que envolvia a maleta, ele completou: _ Eu sei o que quero, Kagome. Espero que você também saiba.

Dizendo isso, ele deu meia-volta e se retirou.

Kagome olhou para a maleta, sentindo uma lágrima rolar por seu rosto. Somente então viu no meio dela uma plaqueta com letras gravadas onde se lia: Dra. Kagome Rigorashi


anny-chaan ' : Muito obrigada pelo review, vc e muito querida espero que acompanhe até o fim ! beijoxx bom final de semana!