Capitulo 3

De volta à Hogwarts

Lily tinha gritado muito naquela manhã. As crianças acordaram tarde, Harry ainda não tinha arrumado seu malão totalmente e a cada saída ao portão, alguém havia esquecido alguma coisa. Primeiro, a capa de invisibilidade, depois o mapa do maroto, e então, a varinha de Brian, e por ultimo, a coruja de Sophie. Inteiramente irritada, Lily fez com que as crianças se conformassem em mandar uma carta se tivessem esquecido qualquer outra coisa, que ela mandaria para eles. Felizmente, eles não tinham esquecido mais nada. Sirius estava empolgado para levar a família Potter e a sua para a estação. Fazia anos que não levava o filho para a volta a Hogwarts por conta dos serviços de auror que o mandavam para longe. Mas dessa vez, ainda com um resto de férias, ele ia feliz levar o garoto, na garupa da moto escandalosa. Lene preferiu ir de carro com os Potter, quando soube que Tiago tinha solicitado um do ministério para levar a família toda.

Os Weasleys e as meninas foram com aparatação – acompanhada, no caso das meninas – e as famílias chegaram com pouca diferença de adiantamento. Claro, os Potter chegaram primeiro.

- Minha ruivinha! – Harry rumou em direção à Gina de braços abertos. – Um mês, e não via a hora de te ver de novo!

Gina abriu os braços e um sorriso encorajador. Mas se reparasse bem, o sorriso era diabolicamente maroto.

Quando estava a ponto de ser abraçada pelo menino de cabelos arrepiados, ela desviou e abraçou Matt, que sorria mais maroto do que nunca. A expressão horrorizada, chocada e indignada de Harry foi o motivo das gargalhadas escandalosas de todos.

- Voce... – ele murmurou, ainda descrente. – Voce me trocou! Por um Black, ainda por cima!

- O que voce tem contra Blacks, menino? – Sirius perguntou, engrossando a voz teatralmente. O deboche, misturado com um quê de "óbvio" tomou conta de Harry.

- Os Potter sempre são melhores do que um Black. – ele retrucou.

- Não sei quem te ensinou isso, Harry. – implicou Sirius, olhando de canto para Tiago. – Mas ensinou errado. Um Black é sempre mais desejado do que um Potter.

- Eu discordo! – rebateram Tiago, Harry, Lily e Lene.

Sirius olhou espantado para Lene.

- Posso saber o que significa? – ele perguntou inquiridor.

Lene sorriu amarelo.

- A Lily não escolheu voce, Sirius, meu bem.

- Isso porque eu nunca quis ela na verdade. Senão, ela tinha caído aos meus pés, sem nem mesmo lembrar quem era Tiago Potter.

Tiago ergueu uma sobrancelha.

- Ok, vamos parar com a monotonia, que isso está me cansando. – resmungou Tonks aparecendo do nada atrás das famílias.

A conversa logo foi desviada, mas não por muito tempo, que foi interrompida pelo apito do trem.

- Olha só, vocês ficam enrolando a gente, agora teremos um trabalho enorme pra achar uma cabine pra nós todos! – resmungou Matt, claramente irritado. – Mães e suas conversas chatas...

Não pode completar a frase porque Lene o puxou para um abraço carinhoso e, na opinião de Matt, meloso demais.

- Mãe... – ele murmurou, desconcertado. Também não pode reclamar, porque Sirius o puxou para um abraço breve porém forte.

- Apronte todas, meu filho, que eu escondo as cartas da querida Minnie da mamãe. – ele aconselhou, com um sorriso elegante, respondido com um maroto do filho.

- Mas é claro, pai, não precisava nem avisar. – Matt sorriu de lado, fazendo Sirius rir baixinho.

- É assim que se fala.

- Eu quero que as cartas diminuam, que as detenções acabem e que as notas evoluam! – exigia Lily, em uma voz nem um pouco baixa.

- Sim, mãe. – Harry respondia, mecanicamente, sem dar muita atenção ao que a mãe dizia.

- E também, que Dumbledore não me chame esse ano para me informar que o meu filho, que devia ser um exemplo, abaixou a calça de um colega da Sonserina. – Harry abriu a boca para reclamar, mas ela não deixou. – Não importa de qual casa for, Harry Potter, eu não quero ver voce metido nisso.

Tiago não dizia nada, apenas piscava, pelas costas de Lily, toda a vez que o filho o fitava. Lily ia falar mais, mas foi interrompida pelo garoto.

- Mãe , monólogos depois, senão perderei o trem. – Lily abraçou-o, e soltou rapidamente, não antes de dar um beijinho no rosto e um puxão forte na orelha. "Ai", Harry fez uma careta engraçada, antes de Tiago puxá-lo para um abraço também.

Muitos adeus e abraços foram distribuídos, fazendo com que quase todos eles perdessem o trem. Pulando rapidamente pra dentro da cobra vermelha, eles acenaram pela ultima vez para mães que tinham os olhos cheios de lagrimas, e sumiram para dentro dos vagões.

- Tenho certeza de que vão se comportar, Lily. – murmurou Molly para a ruiva, que era abraçada pela cintura por Tiago.

- Tenho certeza que não. – contradisse Sirius, sorrindo expectativamente.

- Podem ter crescido, mas não duvido que ainda tenham o espírito maroto. – respondeu Lene.

- Não há meios de segurá-los. – sorriu Tonks.

- E sim, lírio, eles vão aprontar muito esse ano.

- Espero definitivamente que não, Tiago. – a ruiva respondeu com um sorriso saudoso, antes de virar-se e beijar levemente os lábios do marido. Este, pigarreou como se fosse importante, inchando levemente o peito.

- Preciso ir, meus caros, o dever me chama. – sua pose pomposa fez com que Sirius gargalhasse, sorrindo malicioso depois.

- Sei sim, Pontas. Voce está de folga essa semana, que eu sei. – os adultos se entreolharam. – Vai aproveitar a casa enquanto não tem crianças lá. E dá um trato na Lily, que parece estar sentindo sua falta.

Molly e Lily corou, enquanto os outros riam.

Logo após muitos movimentos, a plataforma voltou a sua solidão melancólica.

No trem, não havia nada melancólico. Muito pelo contrario, havia muita falação, abraços e gritinhos de garotas que se reencontravam.

Rapidamente, as meninas acharam uma cabine vazia e se instalaram nela, sem dar espaço para os meninos entrarem também.

- Ah, qual é! – reclamou Matt, olhando com aquele olhar pidão para Gina. – Não vamos achar uma cabine vazia, deixe a gente ficar aqui com vocês!

Harry sorria debochadamente para Gina, que relutava em deixá-los ali justamente pela companhia grátis do maroto de olhos verdes.

- Sinceramente, eu não sei o que vocês têm contra nós. – resmungou Rony olhando severamente para a irmã mais nova.

- Nada, - respondeu Emily risonha. – É contra ele que ela tem. – ela apontou Harry e olhou para Gina.

- Voce sabe o quanto ele a irrita, Rony. – interveio Hermione, erguendo a cabeça do livro e olhando diretamente para ele. – Harry não deixa Gina em paz, talvez mereça isso.

Rony deu de ombros, já entrando na cabine e acomodando-se em um lugar, seguido por Teddy, que estava calado desde que elas entraram na cabine.

Matt ainda olhava pidão para Gina que não parecia mudar de idéia.

- Por favor, ruivinha, não nos deixe a beira da deriva... – ele juntara as duas mãos, ajudando no teatro de pedir um lugar ali.

Gina suspirou profundamente, deu as costas aos dois e sentou no canto da janela.

- Eu te amo, ruivinha! – comemorou Matt, sentando entre Emily e Lucy. – Eu sou um afortunado! Estou entre duas lindas donzelas, e frente a mais duas!

- Onde voce aprendeu a falar, Matt? – debochou Harry, sentando-se – felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista – ao lado de Gina.

- Em casa, quando tinha meu um ano de idade. – respondeu Matt, sarcástico. – Eu li, em algum livro lá de casa.

- Maravilhoso! Agora voce já pode conversar com o Teddy. – Harry rebateu, fazendo todos ali rirem, exceto Gina. Ela se remexeu no banco, incomodada com a presença do moreno. Ele percebeu isso. – Voce não vai se livrar tão fácil de mim, ruivinha.

Ela bufou.

- Somos da mesma casa, nossos pais são amigos, todos os dias a gente se encontra, e somos apenas separados por um ano de diferença. – ele continuou dizendo, e ela, revirando os olhos de tédio. – Nosso destino estar juntos para sempre.

- Me poupe, Potter. – ela olhou fuzilante para ele. – Não agüento mais ouvir sua voz, então fique quietinho para a gente poder gostar um pouco de voce.

Harry ficou sem palavras por alguns segundos. É claro que as palavras ásperas não o afetaram.

- Sei um jeito de ficar caladinho, só que voce tem que participar também. – ele falou no ouvido da menina, malicioso, sem perceber o arrepio que percorreu o corpo dela.

Ela corou de raiva e empurrou-o para longe.

- Cai na real, idiota. Eu não vou sair com voce, vê se me erra! – ela bufou e levantou dali, indo sentar espremida – novamente – perto da porta da cabine, onde Teddy lia um livro calmamente. Para Matt, que já estava rindo do desenrolar da história, a careta sem-graça de Harry foi a coisa – quase – mais hilária que ele já tinha visto na vida.

Após alguns minutos de silencio, em que quase todos ali estavam perdidos na paisagem lá fora, ou perdidos em pensamentos, Matt revirou os olhos e decidiu quebrar o silencio.

- Isso aqui está ficando muito repetitivo. Não gosto do silencio.

- Então saia daqui, Black. Ninguém te convidou mesmo. – Lucy cortou-o, analisando suas unhas perfeitas.

Todos olharam espantados para Lucy. Já haviam visto-a ser direta e grossa com garotos, mas ela não tinha falado sério, de todas as vezes que se dirigia a Matt, como dessa vez. Matt ergueu as sobrancelhas, tendo o mesmo pensamento que todos ali. Mas rapidamente voltou ao normal.

- Ninguém precisa me convidar, Lucy querida, eu sei que todos me querem por perto.

- Bom, eu não. – ela rebateu, sorrindo maliciosamente. – E fico feliz em saber que sou a primeira, gosto de ser exclusiva.

- Eu sei que no fundo, voce quer sim a minha presença, só se faz de difícil. – ele disse arrogantemente. Os outros observavam a cena, ora prendendo o riso, ora virando o rosto para rir mesmo.

Lucy olhou para o teto, entediada.

- Agora que conseguiu quebrar o silencio, Black, o que pretende fazer? – seu tom monótono irritou Matt.

- O único silêncio que eu gosto é quando voce está com a boca grudada na minha, então se não quer ficar quieta desse modo, sugiro que converse comigo. – ele disse debochadamente, mas seu tom era levemente exigente.

- Voce não é homem pra mim, Black. – ela retrucou, agora risonha. – Ainda é um garoto mimado.

- OK, vamos parar por aqui, não é mesmo ? – interrompeu Harry quando viu Matt abrir a boca. Este fez um bico enorme por ter sido cortado. – Que a paz prevaleça sobre nós, irmãos.

- Sempre soube que voce tinha vocação para padre, Potter, mas não imaginava que chegava a tanto. – Lucy brincou, e Harry fez uma careta, enquanto os outros – exceto Gina – diziam "Amém".

Teddy fechou o livro de repente, como se fosse um robô programado. Olhou para os amigos, e abriu um sorriso maroto.

- Hora da diversão, marotos! – os garotos levantaram excitados. As garotas se entreolharam confusas.

Teddy voltou a explicar.

- Chegou a hora da reunião dos monitores, da qual eu vou participar.

- Infelizmente. – adicionou Matt rapidamente, com uma careta e expressão raivosa ao mesmo tempo.

- E sempre, durante esse momento, é a hora de atacarmos nossos amigos Sonserinos e relembrar os bons tempos. – completou Harry orgulhosamente.

Hermione fez uma cara de quem reprovava o ato.

- E o melhor de tudo: sem ninguém pra distribuir detenções! – Rony também sorriu maroto, enquanto os outros três se preparavam para sair da cabine.

- E quem é o alvo mais cotado de hoje? – perguntou Gina, curiosa.

- Mais especificadamente, Malfoy. – respondeu Harry.

Dito isso, os quatro saíram da cabine, onde Hermione puxou o braço de Teddy, separando-o dos amigos.

- Voce não está pensando em participar, não é? – o olhar decepcionado de Teddy já quase a respondeu.

- Por mais que eu quisesse, não daria. Eu tenho reunião também, não é mesmo?

Hermione concordou com a cabeça.

- A diversão é toda deles. – e com um suspiro pesaroso, ele acenou para os amigos continuarem sem ele, e seguiu com Hermione pelo lado contrario, em direção à cabine dos monitores.

- Eu tenho a leve impressão de que eles irão encontrar alguma garota assanhada para relembrar os passeios de Hogsmeade. – comentou Gina com Emily, estranhamente sozinhas naquela cabine vazia.

- Incrível, mas eu tive a mesma impressão que voce, Gina. – Emily respondeu, com sua voz calma, porém a careta dela denunciava.

Gina se levantou, suspirou e pôs a cabeça pra fora da cabine. Por um momento, não reparou no garoto que quase tinha visto-a. Dino parecia procurar por alguém, e ela sabia que esse alguém era ela. Fechou a porta rapidinho e baixou a cortinha da porta.

- O que foi? – Emily perguntou, aflita.

- Dino. – Gina respondeu simplesmente. Emily a olhou, reprovadora.

- Ainda não resolveu seu problema com ele?

- Não queria terminar por uma carta, é covardia. – defendeu-se Gina, olhando Emily um pouco ofendida. – Mas não tenho coragem de terminar com ele cara a cara. Não conseguiria olhar para o rosto dele. Ele gosta de mim, sabe. Não quero ver sofrimento estampado no rosto dele.

- Então não termine. – sentenciou Emily, como uma solução fácil.

Gina suspirou.

- Mas eu não gosto dele, como ele aparenta gostar de mim.

- Então termine.

Gina revirou os olhos.

- Acho que voce já entendeu minha situação, Em, não preciso dizer mais nada.

- Eu não acho sua situação complicada, Gina. – Emily olhou-a calmamente, como se avaliasse a reação da menina antes mesmo de falar. – Voce não gosta de um menino, mas tem pena de acabar o pouco relacionamento que tem com ele. E voce tem uma atração por alguém que só te irrita, mas que, por trás das brincadeiras, é louco por voce. Voce se esconde atrás da raiva, para – talvez – não se machucar, se ele não a quiser sério. Tudo é simples: voce termina com o cara que não gosta, dá uma chance ao menino que te irrita, vê se pára de implicar com ele, dá uma chance para si mesma de tentar. Quem não tenta não se contenta.

Gina olhou para a amiga, como se ela fosse louca.

- O que voce tem na cabeça, Emily?

De repente, Emily já não era mais calma, e sim exasperada.

- Voce não tem que conviver com alguém, gostando dele, e saber que ele só te vê como uma amiga, como uma irmã talvez. E todas as vezes, vendo-o junto com outras garotas, se imaginar no lugar delas, mas no fundo, saber que jamais irá acontecer com voce! E não ter coragem o suficiente para chegar no menino e dizer que é apaixonada por ele! Gina, voce tem tudo para dar certo, só é burra o suficiente para não tentar.

Os olhos de Gina estavam saltados para fora.

- Não sabia. – ela murmurou. – Nunca reparei que Teddy a olhava como uma irmã.

Emily desviou os olhos para a janela; fazia um tempo claro ali, mas por dentro, ela estava chorando. Nem amiga dele ela conseguia ser, por conta da vergonha.

- Nós vamos superar tudo, juntas! Nós quatro somos forte, e somos uma força quando estamos juntas, umas para as outras. – disse Gina, com a voz certeira. – Nós vamos superar esses meninos, e vamos ser unidas mais do que já somos!

- Não fala besteira, Gina. – murmurou Lucy, entrando na cabine de repente. Nem ao menos tinham visto-a sair. – Mais unidas do que somos, impossível. Mais fortes? Impossível. Agora, gostar desses garotos? Idiotice! E sim, Emily, voce é amiga sim de Teddy, só não conversa muito com ele. Harry seria menos idiota se voce conversasse mais com ele, Ronald perderia a vergonha de Hermione, se ela falasse menos do que fala. Teddy só precisa de um incentivo, e vai ver o quanto voce é maravilhosa, Emily.

- E o Matt? – perguntou Gina, sorrindo maliciosamente para Lucy.

- O Black é apenas um ser arrogante, que quer todas aos seus pés.

- E exatamente igual a voce, na versão masculina. – rebateu Emily, sorrindo.

Lucy não respondeu. Nem queria responder. Ela sabia que era improvável e impossível ela e o Black estarem juntos algum dia. E claro, ela nem ao menos era interessada por ele, e ele, muito menos por ela. Era totalmente diferentes, opostos lados de um imã.

Enquanto isso, elas ficaram perdidas em pensamentos, e os marotos longe, aprontando alguma coisa com Malfoy e seus seguidores gordos.

- Está com a capa? – perguntou Matt, olhando de esguelha para um grupo de Sonserinos que estavam parados na porta da cabine do Malfoy.

- É obvio, idiota. – respondeu Harry, também olhando para o grupo.

- Voce trouxe os detonadores-chamariz que Fred te deu, Rony? – perguntou Matt ao ruivo, que estava meio escondido atrás deles.

- Deu nada, tive que pegar escondido do quarto deles, mas está aqui. – ele respondeu, contrariado.

- Ótimo. – respondeu Harry. – Vamos fazer uma pequena confusão aqui.

- Hora dos verdinhos lembrarem que ainda tem alguém que se lembre deles. – completou Matt, sorrindo malevolamente.

O trem inteiro pode ouvir cinco explosões simultâneas, que vinha diretamente do compartimento sonserino. As garotas – sonserinas ou não, pois os vagões eram próximos – gritaram assustadas, e os rapazes da cabine congelaram, enquanto os das outras cabines estavam sentando no trem de rir. Todos os verdinhos estavam com cara assustada, enquanto pequenas explosões e barulhos ainda eram presentes ali. Com um feitiço abafador por baixo da capa, os marotos riam até perder o fôlego.

Malfoy e os amigos nem viram o que os atingiu, mas no momento seguinte, estavam com roupas de bailarina trouxa, com fru-fru e pompons nas mãos, totalmente rosa bebê, e os sapatinhos delicados, delineando os pés e as pernas – momentaneamente cobertas pela meia-fina branca, mostrando alguns pelos por baixo desta. Malfoy, por ser magro, foi o mais marcado com curvas.

Indo para trás, os marotos se despiram disfarçadamente da capa, aparecendo na porta do compartimento para zombar dos garotos, que ainda se olhavam espantados.

- Olha que pena! – exclamou Harry. – Loiras não fazem o meu tipo, Malfoy, sei que fez isso para me impressionar.

- E eu acho que impressionou, mas não do modo que voce queria. – disse Rony para Harry, segurando fortemente o riso ao ver o rosto do loiro ficar vermelho de ódio e vergonha.

- Este compartimento foi separado especialmente para meninas, - intrometeu-se Matt. – Só porque vocês não têm pinto, não lhes dá o direito de estarem aqui. – terminou ele, com olhar de desdém.

- Isso aqui é culpa de vocês! – acusou Blásio, que ficava estranho de rosa por ser moreno.

- Prove. – disse Harry com cara impertinente.

- Não tem como provar, Harry. – debochou Matt, aproximando-se do Malfoy-bailarina. – A não ser que ele tente pegar nossas varinhas pra ver nosso ultimo feitiço.

- Sou monitor, Black. Eu tenho esse direito. – impôs ele, fazendo um gesto arrogante e mandão, que acentuou a pose bailarinesca dele, fazendo os próprios companheiros da casa soltar um ronco de riso. – Acham isso engraçado? – perguntou ele, voltando-se para os amigos que trataram de esconder qualquer sinal de humor do rosto. – Qualquer movimento e estarão em detenção antes mesmo de chegarem a Hogwarts. – Voltando-se para os marotos, ele ordenou. – Desfaçam o feitiço agora!

- Sinto muito. – negou Harry com a cabeça. – O frufru combinou exatamente com a sua pele e seu corpo curvilíneo.

O rosto do loiro tornou-se avermelhado, misturado de raiva e vergonha. Quando ia erguer a varinha, Matt fez um movimento preguiçoso com a dele, fazendo a varinha do inimigo ficar alguns metros acima da cabeça dele.

- Sou monitor, e ordeno que parem com isso! – repetiu ele.

- Sinto muito, Malfoy. – repetiu Matt as palavras de Harry. – Voce ainda não está em Hogwarts, não pode nos dar uma detenção, e suas palavras não tem valor algum aqui. E mesmo que tivesse, cumpriríamos mais uma detenção, não é nada do que já não tenhamos passado.

- Falarei com Snape, ele aplicará algo rigoroso...

- Pode falar até com Dumbledore, bailarina. Não vai adiantar muita coisa. – rebateu Rony, fazendo os dois morenos rirem.

- Vocês se acham muito espertos, mas não imaginam o quanto são idiotas, vocês vão ver...

- Vão ver o que? – zombou Matt. – Ver voce rodopiar delicadamente ou graciosamente para nós?

- Eu diria desajeitadamente. – respondeu Teddy, aparecendo atrás dos meninos.

Os quatro desataram a gargalhar.

- Ora, foi por isso que não apareceu na reunião dos monitores hoje, Malfoy? – perguntou Teddy, sorridente. – Preferiu ficar com um frufru e impressionar meus amigos? Se soubesse, teria vindo mais antes!

- Hora de tornar as coisas mais engraçadas. – determinou Matt, chacoalhando a varinha, murmurando claramente "Tarantalegra", e no mesmo instante, os pés grandes de Draco ficaram na posição de uma bailarina profissional e começaram a rodopiar. O braço ergueu para cima, e os pés giraram, fazendo o frufru erguer e ele parecer uma perfeita bailarina. Harry também chacoalhou a varinha, fazendo uma musica em volume médio começar a tocar, e pelo trem todo, como se tivesse caixinhas de som ao longe dele. Muitas pessoas vieram saber o que estava acontecendo, e riram ao se deparar com a cena. Um garoto loiro de frufru, rodopiando como uma bailarina trouxa, e os marotos gargalhando descontroladamente, e os amigos sonserinos riam baixo, as vezes soltando roncos de risos reprimidos.

- Que musica é essa? – perguntou Emily, desencostando o rosto do vidro da janela e olhando para todos os lados, aparentemente procurando o que resultava naquele som delicado.

- Acho que isso é obra dos marotos. – disse Lucy, e no mesmo instante entrou Hermione afobada na cabine.

- Meninas, corram comigo, eu vi pra que lado o Teddy foi, e é pra lá que todos nesse trem estão indo. Dessa vez eles se superaram! – o tom dela era exasperado, mas elas sabiam que não ia distribuir detenções para eles.

Andaram praticamente correndo, e quando viram o tamanho do amontoado de gente ali, quase desistiram.

- Façam fila, saiam calmamente. Para que todos vejam, por favor tenham organização! – ouviram a voz de Matt, e logo as pessoas fizeram uma fila, e logo outra, dos que tinham visto e iam embora para suas cabines. Todos que passavam retornando para as cabines voltavam vermelhos, de tanto rir, observaram as meninas.

Quando finalmente chegaram para ver, a reação de cada uma foi diferente, no entanto, resultou num fim igual. Hermione empalideceu consideravelmente, pela gravidade da situação, Emily corou, Lucy arregalou os olhos, e Gina cobriu a boca com uma mão. Mas no segundo seguinte, desataram as quatro a rir.

- O que exatamente, vocês fizeram com ele? – Hermione perguntou, assim que recuperou o fôlego.

- É! Qual foi o feitiço? – perguntou Lucy, empolgada.

Os marotos se entreolharam, estranhando o comportamento das duas.

- Bom, podemos dizer que foi uma mistura de feitiços... – começou Harry, humildemente. As garotas não acreditaram que ele falava humilde, principalmente Gina.

- Mas como somos os marotos, a coisa se tornou realmente bela. – completou Matt, sorrindo um sorriso divertido, não arrogante. Elas estavam realmente impressionadas.

- Hey, saiam daí, garotas. Nós também queremos ver! – reclamou alguém atrás, e as meninas tiveram que retomar o caminho de volta, sempre rindo e comentando.

Eles voltaram para os sonserinos, estes com caras de horror, enquanto viam a fila de alunos que iam e vinham como um exposição.

- Ah, que isso! – exclamou Teddy olhando para os dois gorilas, Crabbe e Goyle. – Vocês tiveram a decência de por sapatilhas? – os outros três o olharam, confusos. – Merecem saltos finos! Quantos centímetros? – Teddy perguntou, já erguendo a varinha.

Murmurando entre si, Matt determinou mais alto.

- Sete.

Com um aceno na varinha, as sapatilhas dos dois foram trocadas por saltos finos rosa-berrantes, e fazendo com que eles se perdessem no rodopio, desabando pesadamente no chão do trem. Mais gargalhadas foram ouvidas, os marotos sorrindo divertidos.

- Acho que já está na hora de sair daqui. – resmungou Rony depois de alguns minutos olhando a cena.

- Também acho, enjoei de ficar olhando as lindas aí rodopiarem.

Quando deram as costas, ouviram a voz do loiro mais uma vez.

- Hey, onde pensam que vão? Não vão retirar o feitiço?

Harry olhou pra trás, avaliando a questão.

- Hm, não. Divirtam-se com a baladinha aí.

E assim, saíram daquele vagão, sem nem mesmo olhar pra trás para ver a careta de Draco.

Mais pra frente, Matt conjurou um gorro vermelho com uma bola branca felpuda na ponta, arrancou um saquinho minúsculo – magicamente diminuído – e com um aceno da varinha, ele tornou a ser do tamanho uma sacola normal, aparentando um saco de presente de papai Noel ligeiramente menor.

- HOHOHO, Papai Black chegou mais cedo esse ano. Crianças e meninas venham receber as balinhas do Black Noel!

Teddy, Rony e Harry olharam para ele, pasmos. Matt piscou e entrou numa cabine de garotinhas que aparentavam estar no segundo ano.

- Minhas menininhas! – ele exclamou, sentando-se ao lado de uma loirinha que ficou extremamente vermelha. – Quer sentar no colinho também? – perguntou ele, com um toque de malicia na voz. A menina negou com a cabeça freneticamente, instantaneamente sem fala. – Este ano o Noel chegou mais cedo, mais jovem, muito mais bonito e mais legal. Trouxe balinhas, porque vocês foram lindas meninas ao nascer. – e ele falava sério. Naquela cabine, tinham meninas que prometiam ser lindas quando crescessem. – E, podem confiar, as balas serão as melhores do mundo, as melhores balas que chuparão na vida.

Harry encostou-se ao batente da porta, enquanto Rony colocava a cabeça pra dentro da cabine e Teddy sorria, encostado na parede do trem, pelo lado de fora da cabine.

Tirando as balas do saco, Matt mostrou aos amigos. As balas eram três vezes maiores que uma bala normal, e eram rosa choque. As garotas estavam desconfiadas, mas ao verem a bala inocentemente rosa, mudaram as expressões. Matt sorriu.

- Se quiserem mais, é só me procurarem, garotas! – já ia levantando, quando a loirinha envergonhada o chamou. Matt voltou-se para ela, curioso. – Sim?

- Obrigada. – ela agradeceu, seus olhos brilharam de inocência. Matt hesitou antes de responder.

- Por nada, loirinha.

Quando pôs os pés pra fora da cabine, foi abordado por Teddy.

- Aquelas balas não tem nada dentro né? São realmente balas, e não truques dos gêmeos? - o olhar acusativo de Teddy fez Matt encolher.

Com uma expressão de culpa, ele respondeu.

- Bom, fiquei realmente com dó da loirinha, - ele encolheu os ombros, como mudo pedido de desculpa ao Teddy. – a dela era realmente uma bala, mas as outras eram balas que deixam as pessoas nas mais variadas cores.

A boca de Teddy escancarou de descrença; Harry maneou a cabeça e Rony sorriu.

Teddy fechou os olhos, respirou fundo e apertou a base no nariz com o dedo indicador.

- Queria poder te passar um sermão, Matt, mas eu sei que não vai surtir efeito. – resmungou Teddy, voltando a andar. Matt sorriu.

- É claro. – respondeu simplesmente. – HOHOHO, venham todos, o Black Noel está aqui! – anunciou mais uma vez, e ouviram risadinhas atrás deles. Um grupinho de garotas estava ali, rindo do gorro de Matt, e coraram, rindo mais uma vez quando ele olhou sorridente para elas e piscou.

Entraram numa cabine onde só tinha garotos, que estavam jogando Snap Explosivos e pareciam estar no terceiro ano.

- O que quer aqui, Black? – perguntou um dos garotos, do cabelo cor de chocolate, os olhos faiscando.

- Calma aí, baixinho. Eu vim em paz. Trouxe balas! – ele respondeu, chacoalhando o saco vermelho.

- Ainda não esqueci do que voce fez a mim. – acusou o menino, com olhar desconfiado. Os colegas apenas assistiam a briga do garoto.

- Olha, eu não vim aqui pra brigar, e se quer saber, eu realmente não lembro do que eu fiz pra voce. Eu mudei, e estou aqui pra fazer acordo de paz com todos nesse trem. Vai querer me ouvir ou não?

O garoto permaneceu calado em seu silencio raivoso e Matt considerou como um sim. Mais uma vez, sentou-se no banco. Antes de falar qualquer coisa, Harry disse, com a voz risonha.

- Porque não deixa eles enfiarem a mão no seu saco e pegar as bolas? Ops, balas?

Matt fez uma cara feia para Harry, fazendo ele e os outros dois rirem.

- Hoje eu vim aqui como um acordo de paz, como eu disse, pra me redimir com vocês. Aceitam as balas, como prova da minha amizade?

Os garotos pegaram as balas vagarosamente, olhando todos os lados, e possíveis buracos. Não encontrando defeitos, eles voltaram o olhar para Matt, já não receosos mais.

Exceto o garotinho do cabelo chocolate.

- Qual é o seu problema, Saul? – perguntou um dos colegas dele, de olhos azuis muito claros.

- ELE é o meu problema, o que voce acha? – apontou ele para Matt, que revirou os olhos. A frase do garoto relembrou Harry, que era uma frase que Gina usava quando eram crianças.

- Deixa de ser idiota, ele já pediu desculpas! – rebateu outro amiguinho, de cabelos rastafári.

Matt quis rebater, dizer que não pediu desculpas, mas recebeu um olhar reprovador de Harry. Compreendeu que mancharia sua reputação se dissesse que não, e estragaria a façanha.

Dando de ombros, ele levantou.

- Bom, se voce ainda quiser a bala, vou deixá-la aqui. Senão quiser, qualquer outro que quiser, voce dê para ele.

O pequeno assentiu, ainda desconfiado.

Saíram rapidamente, mas não tanto antes de ouvir exclamações dos garotos, e um raivoso "Eu sabia".

Gargalhando, eles partiram para outras cabines, surpreendendo garotas e garotos, até decidirem que já estava na hora de voltar e atazanar as meninas de novo. Harry foi o mais empolgado com a volta.

- Diga, voce está gostando dela. – acusou Teddy, com o irritante ar sabe-tudo dele. Matt revirou os olhos.

- Lógico que não. – respondeu Matt.

- Não sei. – respondeu Harry ao mesmo tempo.

- O que? – viraram Rony, Teddy e Matt para o moreno de óculos, que pareceu diminuir gradativamente com aqueles olhares inquisidores.

- Eu... Eu disse que eu não sei. E-Ela é bonita, inteligente e divertida...

- E as outras? E as nossas saídas? E os encontros, quase vinte a cada 15 dias? – perguntou Matt com um toque de drama.

- É, cara. – completou Rony. – Ela é a minha irmãzinha.

- Eu não sei, ok? – resmungou Harry, irritado. – Ao mesmo tempo eu quero ela, ao mesmo tempo eu quero continuar sendo o que eu sou.

- Ainda bem que voce sabe que não tem um caminho só, e sim dois: o que o leva até Gina, e o que o leva à vida que sempre levou. – disse Teddy, olhando sugestivamente para Harry.

Harry fitou Teddy por um instante, e depois fitou Matt. E ele não sabia qual dos dois ele queria parecer mais.

E Rony tinha uma leve impressão do caminho para qual Harry estava caminhando devagar, inconscientemente.