Cap.- 1 – Eu viro faxineiro.

Nada melhor para comemorar uma vitória do que um baile à fantasia certo? Errado.

Quem resolveu tudo foi o Sr. D. Ele disse que precisávamos urgentemente de uma festa para animar aquele lugar. Como andara lendo umas revistas de adolescentes (eu disse a Quíron que não era uma boa ideia deixá-lo com aquelas armas mortíferas femininas.) foi a primeira coisa que sua mente festiva planejou.

A ideia de um baile animou todos os filhos de Afrodite, obviamente. O Chalé de Apolo ficou encarregado da música, o de Hefesto de construir todas as coisas que pudessem para deixar a festa o mais moderna possível e o Chalé de Afrodite tomou conta da decoração juntamente com o chalé de Deméter com os inúmeros enfeites que os filhos de Hermes "conseguiram".

O chalé de Atena era o menos animado com essa história. Algumas garotas até pareciam um pouco entusiasmadas, mas os garotos realmente pareciam deslocados. Meu chalé ou o de Ares até poderiam ser os primeiros colocados no quesito "Odiando-terrivelmente-essa-baboseira-toda" mas Tyson estava tão completamente animado com isso que era como se ele representasse 500 garotas histéricas e os filhos de Ares realmente viram isso como uma oportunidade para mostrar às filhas de Afrodite o quão românticos podiam ser (me dê uma garantia de 1000 dólares e ficarei convencido.) As filhas de Ares só ficaram um pouco animadas. Competindo entre si quem iria conseguir quem na tão esperada noite.

Não agüentava mais Tyson tagarelando sobre os tipos de smoking que poderíamos usar, então disse que precisava encontrar Grover (seu amor pelo garoto-bode ainda não está lá em cima.) e fui andar pelo acampamento.

Numa escola ou internato, geralmente anunciam os bailes com 1 mês de antecedência, num acampamento cheio de meio-sangues poderosos, Dionísio nos dera menos de uma semana para nos prepararmos. Deixei meus pés me guiarem e parei em frente ao chalé de Hermes.

Era estranho pensar que, um dia, morei naquele lugar e o quanto me senti sozinho quando fui reclamado por Poseidon. Estranho pensar que tanta coisa aconteceu em 5 anos. Parecia tão mais. Podia jurar que fazia, pelo menos, uma era desde quando conheci Grover, Quíron e Annabeth. Annabeth. Pensei. Ultimamente, o seu nome fazia meu estômago dar um salto mortal pra trás. Pensar nos cachos loiros, nos olhos tempestuosos e (não que eu tenha reparado muito nisso, ok?) no seu corpo perfeito ou na maneira como sempre fica linda mesmo sem se esforçar muito, fazia todo o meu corpo esquentar. Desde a última vez que nos encontramos, não consegui fazer meus pensamentos irem a outra direção. Tudo levava à loira estressante e espertalhona.

No meio do ano, Annabeth resolveu passar um tempo com seu pai, o que, claro, não me deixou satisfeito. Ela simplesmente olhou pra mim, me beijou daquela maneira indescritível e disse "não sinta muito a minha falta, cabeça de alga, está bem?" Sequer respondi. Só consegui ficar olhando ela entrar no Táxi e ir embora e torcendo para conseguir lembrar como sugar ar para os pulmões.

Tinha acabado de chegar ao acampamento e recebido a notícia no baile, quando perguntei por Annabeth. Quíron disse que eu deveria me acalmar, pois já tinha perguntado aquilo mais de 12 vezes em 7 minutos e que Annabeth deveria chegar daqui algumas horas.

- Percy! – ouvi uma voz familiar chamando e logo fui atacado por um abraço descomunal. – Você cresceu, não é? Tem uma espinha na sua testa.

Rachel Elizabeth Dare estava na minha frente, ainda com os braços ao meu redor. Vi que tinha cortado o cabelo na altura do ombro e portanto, o ondulado das pontas quase não era visível, seus olhos verdes divertidos pareciam mais cansados, mas ainda não perdiam seu brilho artístico.

- Olá para você também, Rachel. – Sorri – Como vão as coisas? Prevendo muitas tragédias? Aprendendo muitas regras de etiqueta?

- HaHa – Ela deu um sorriso duro para mim e ajeitou seus cabelos ruivos para trás da orelha – Na verdade, as coisas estão indo bem. A nova escola não é tão ruim. Já sabe que fantasia vai usar no baile? Eu sei. – Ela disse lançando aquele olhar superior que eu realmente prefiro ignorar. Rachel tinha ficado um tanto irritante depois de ter se acostumado com o novo "dom".

- Na verdade, eu estava pensando em não ir. Nunca fui muito bom com essas festas. – declarei, ignorando o comentário sobre a filha de Deméter. – Vou combinar Annabeth para um passeio aquático, talvez.

- Ah. Certo. – ela disse sem muito entusiasmo, parecia estar se decidindo a contar algo. – Bem, eu tenho que me encontrar com Quíron, depois tenho que te mostrar meu novo lar na casa grande. Até mais tarde.

Ela saiu correndo. Difícil comparar a garota ruiva com aquela múmia antiga que antes ocupava o posto de oráculo.

Continuei andando até parar no Punho de Zeus. Observei as marcas de bandeiras que sempre eram fincadas lá e lembrei-me de quando fui reclamado. Durante meu primeiro jogo de Captura à Bandeira. Saí de lá e fui andar mais um pouco mas acabei batendo a cabeça em alguém.

- Desculpe, eu... – Deixei minha fala morrer. Annabeth me encarava com uma careta de dor e esfregando a testa de maneira teatral.

- Provavelmente é mais do que alga o que tem aí – Disse, sorrindo. Seu cabelo estava mais comprido e preso em um rabo de cavalo. Se possível, estava ainda mais bonita. – Você sabia que estão planejando um Baile à fantasia? Provavelmente isso foi coisa do Chalé de Afrodite, eles...

Sem esperar mais, eu tomei seu rosto nas mãos e a beijei. Ela correspondeu e passou as mãos ao redor de meu pescoço.

- Também é bom ver você. – ela disse rindo um pouco. – Eu disse para não sentir muito minha falta.

- Você ficou mais convencida, ou o que? – Eu puxei seu rabo de cavalo de leve e depois ri. – Como foi em São Francisco?

Ela franziu a testa e mexeu em seu colar de contas.

- As coisas estão meio tensas. Quando meu pai disse que era importante, ele não estava brincando. Ele está tendo uns estranhos apagões. Uma hora se lembra do que aconteceu 1 minuto atrás, outra hora não. O médico disse que era só um pequeno AVC, mas eu tive um mau pressentimento. – Ela olhou pra mim. – Estou esperando, cabeça de alga.

- Hein? – Percebi que estava olhando para sua blusa um pouco apertada por tempo demais. – Esperando o que?

- Ai, deuses... - Ela balançou a cabeça. – Você não vai me convidar para o baile?

- Você quer ir? Eu pensei que não gostasse desses eventos. – Perguntei confuso.

- É claro que eu gosto, Cabeça de alga! E então? Vai me convidar ou terei de procurar um dos filhos de Apolo para me acompanhar?

A imagem de Annabeth dançando a noite toda coladinha com um Filho de Apolo não me agradou nem um pouco. Limpei a garganta e tomei coragem. Olhei para o chão.

- Então? – Ela me olhou com um ar um pouco divertido. Acho que adora me fazer passar vergonha.

- Ok, hum... Annabeth Chase, filha de Atena, gostaria de ir ao baile... Comigo... Só... v-você e eu...sozinhos...dan-dançando...num baile...- Aquilo sequer pareceu uma pergunta.

Eu pensei que ela fosse explodir em gargalhadas, mas simplesmente me abraçou e disse em meu ouvido:

- É claro que sim, Cabeça de alga. Você fica tão engraçado quando está envergonhado.

- É, claro, claro – Eu segurei sua mão e fomos juntos almoçar.

- Aos deuses! – Quíron pronunciou, e ergueu sua taça aos céus.

Repetimos a bênção, como era costume. Ofereci um grande pedaço de frango à Poseidon e implorei por uma ajuda com o Baile.

Depois do almoço, procurei Grover por toda parte. Annabeth disse que iria passar um tempo com os irmãos. Quando estava entrando no meu chalé, fui surpreendido com uma voz desconhecida feminina, bem aguda:

- Percy! Percy Jackson! – Me virei e olhei a garota. Era uma filha de Apolo. Já devo tê-la visto umas duas vezes. Estava ofegante. – Oi. Eu sou Camille Howard, muito prazer.

Ela estendeu a mão. Apertei meio relutante, mas sem perder a simpatia.

- Olhe, eu soube que você vai participar do baile e vim te dar as possíveis opções de contribuição. – Contribuição? Ninguém me avisou nada, pensei.

- Er, eu não sabia que precisava... – Deixei a fala morrer quando vi a lista na minha frente. Todas as opções já estavam riscadas com o nome de cada pessoa. Annabeth ia organizar as mesas com o nome de cada Chalé, Grover ia acabar com as latas que jogassem no chão, Tyson ia servir ponche e a única que tinha sobrado... Limpar todo o Grande Salão depois da festa.

- Sinto muito. – ela fez uma cara de pena. – Pelo menos você estará livre durante a festa! Foram ordens do Dionísio. Ele disse que toda boa festa exige organização e contribuição individual. Enfim...tenha um bom dia Percy, foi um prazer conhecê-lo.

Algo me disse que esse "Foi um prazer conhecê-lo" na verdade significa "Espero que não morra de tanto trabalhar".

Depois de ter salvado o acampamento e a civilização ocidental, lutado contra inúmeros monstros, passado por tantas coisas... Vai ser um alívio ser um mero faxineiro. Eu estava tranquilo no momento. Não sabia que o que eu ia encontrar, era pior do que enfrentar um Minotauro. Acredite, meio-sangues sabem como fazer bagunça e quando se animam, é praticamente impossível realizar a minha tarefa.