Ola minhas amigas! Aqui estou eu com uma nova adaptação e dessa vez ela é brasileira, um livro de Pedro Bandeira muito lindo e dramático ^^

Espero que gostem...

Inuyasha e sua turma não me pertencem, são de Rumiko Takahashi
Essa história também não me pertence, é de Pedro Bandeira.

Livro: A Marca de uma Lágrima

Autor: Pedro Bandeira

Adaptação: Lory Higurashi

Sinopse

Com o amor no coração... e com a morte na alma.

Kagome se acha feia. Será mesmo? Feia ou não, ela é uma garota genial e acaba escrevendo lindos versos para ajudar o namoro de Ayame, sua melhor amiga, com Kouga, seu grande amor.

A morte da diretora da escola — terá sido mesmo suicídio? — vem alterar sua vida e precipitar os acontecimentos. Kagome foi testemunha de uma cena muito suspeita e se sente ameaçada. A idéia da morte começa a tomar conta de seu cérebro, enquanto seu coração se despedaça pelo amor de Kouga...


I — Paixão que nasce

1 — Uma gota de sangue


Aquele era o seu pior inimigo. O mais cruel, o mais cínico, o mais sem piedade. Um inimigo que falava a verdade. Sempre. Sempre a verdade. Toda aquela verdade que Kagome conhecia muito bem e que nunca a abandonava.

Ainda com a escova de cabelo na mão, ela não podia deixar de encará-lo. Lá estava ele, encarando Kagome de volta, com os próprios olhos da menina. De um lado, eles estavam molhados. Do outro, refletiam-se gelados, vítreos, impiedosos.

— Feia...

Kagome sufocou um soluço.

— Gorducha...

Uma lágrima formou-se na pontinha da pálpebra.

— Que óculos horrorosos...

Como um bichinho que foge, a lágrima saiu da toca e foi esconder-se no aro dos

óculos.

— Você plantou uma rosa no nariz, é?

— Cale a boca... por favor...

Já mais grossa, a lágrima livrou-se dos óculos e escorreu pelo rosto de Kagome.

— Sabe que essa rosa vai ficar amarela? Amarela e grande... A lágrima penetrou-lhe pelos lábios e Kagome reconheceu aquele gosto salgado, tão comum e tão amargo em momentos como aquele.

— Por favor... me deixe em paz...

— Você vai espremer a rosa amarela. O seu nariz vai inchar... Os lábios de Kagome apertaramse, molhados, sem palavras. Aquela garota que sempre tinha resposta para tudo, sempre uma gozação na hora certa, uma tirada de gênio que deixava qualquer provocador sem graça, não sabia o que dizer quando seu grande inimigo apontava sadicamente cada ponto fraco que havia para apontar.

—... e você vai ter vergonha de voltar às aulas na semana que vem...

— Cale a boca!

A raiva foi tanta que a escova de cabelo voou com força, acertando o inimigo em cheio, bem na cara.

— Kagome! Venha cá. Morreu aí no banheiro, é?

A voz penetrou-lhe os ouvidos como uma campainha de despertador. A voz irritante da mãe. Estridente como uma campainha. Devia estar com enxaqueca, é claro. Na certa ia reclamar de alguma coisa, exigir que a filha respeitasse pelo menos sua dor de cabeça, queixar-se de...

O combate com o inimigo estava suspenso, por hora. Kagome sacudiu a cabeça, como se despertasse, e esfregou o rosto, apagando as marcas da luta.

Uma última olhada para o inimigo. Ele a olhou de volta, agora com uma rachadura de alto a baixo.

"Sete anos de azar!", pensou Kagome. "Ah, o que são sete, para quem já viveu quatorze dos anos mais azarados do mundo?''

— Kagome! — ainda mais irritada, a voz da mãe invadiu o banheiro. — Não me ouviu chamar?

"Quatorze anos de azar!" ainda pensava a menina ao abrir a porta. "Será que a minha mãe quebrou dois espelhos quando eu nasci?"

O0o0o0o0o

Com as mãos, a mãe apertava as têmporas, como se a cabeça fosse cair, se ela a largasse.

— Você sabe que eu não posso gritar, Kagome. Você devia...

— Está bem, mãe. O que você quer?

— Ai, ai. Tia Mizuki acabou de telefonar. È o aniversário do Kouga e ela faz

questão que você vá.

— Kouga? Que Kouga?

— O seu primo, ora. Não se lembra do Kouga? Vocês brincavam tanto...

— Ah, mãe! Isso já faz um século...

— É, faz tempo mesmo. Também, Mizuki foi casar-se com um homem que não pára em nenhum lugar! Não sei o que tanto tem aquele sujeito de mudar-se de cidade. Mas parece que desta vez vai sossegar. Ele está bem de vida, agora. Montou uma casa que é uma beleza. Mizuki vai fazer uma festa para o Kouga que...

— Que droga! Aniversário de criança!

— Kouga faz dezesseis anos, Kagome.

— Eu não quero ir.

— Não discuta, Kagome. Minha cabeça está me matando...

O0o0o0o0o0o0

— É claro que eu vou! — concordou Ayame, do outro lado da linha. — As férias estão no fim mesmo, e os programas andam raros. Acho até gozado: sempre sou eu quem tem de arrastar você para alguma festa. Você sempre arranja uma desculpa, tem sempre que estudar...

— Acontece que eu não quero ir sozinha, Ayame — desculpou-se Kagome, como se estivesse convidando a amiga para uma sessão de tortura. — Minha mãe exige que eu vá. É o aniversário do Kouga, um primo que eu não vejo há anos. Dizem que sempre foi o melhor aluno da classe. Um chato! E o pior é que ele foi transferido para o nosso colégio. A partir de segunda-feira vou ter de conviver com o chatinho a vida inteira. Faltam só dois dias... A festa deve ser tão chata quanto ele. A gente fica só um pouquinho e...

— Já disse que vou, Kagome. Uma festa é uma festa. E esta não deve ser mais chata do que as outras...

O0o0o0o0o0o0o0o

Lá estava ele de novo. O inimigo, agora rachado de cima a baixo, dizendo para Kagome que ela ficava medonha com aquela blusa, que seu cabelo estava um lixo, que todo mundo ia rir dela na festa...

— Todos riem, não é? Só que eu nunca dou tempo para que riam de mim. Eles têm de rir do que eu digo. Têm de rir comigo, na hora que eu quero que eles riam. Todo mundo ri do que eu digo, não é? Kagome, a grande gozadora! Kagome, a contadora de casos. Vamos, riam todos com Kagome!

Levemente, seus dedos tocaram a face fria do inimigo, bem na rachadura. Lentamente, seus dedos percorreram a rachadura, tateando como um cego que procura reconhecer alguém.

— Todos riem... Mas eu não queria tantos risos. Eu queria um sorriso apenas. Um só. Queria estar quieta e ver alguém aproximar-se, olhando nos meus olhos... sorrindo... Eu sorriria de volta, e nada mais precisaria ser dito...

Kagome deixou as lágrimas correrem fartas pelo rosto. Foi aí que o inimigo resolveu feri-la mais fundo e cortou-lhe o dedo com a borda da rachadura. Num gesto maquinai, a menina levou o dedo à boca, chupando o ferimento. Na rachadura, no peito do inimigo, ficou uma gota de sangue.

O dedo não doía quase nada.

Era ali que doía.


2 - Lindo como um deus


Que cheiro bom, Ayame! Que perfume você está usando? — Deixe de besteira, Kagome. É o mesmo que o seu. Ayame estava linda, como sempre. Linda como de propósito para humilhar Kagome.

Era mesmo uma beleza a casa da tia Mizuki. O que não parecia uma beleza era a própria tia Mizuki. Recebia os convidados como se ela própria estivesse fazendo dezesseis anos. E o pior é que estava' vestida como se fizesse dezesseis anos.

— Kagome! Há quanto tempo! Como você está crescida... Está uma mocinha perfeita!

"E a senhora não está uma mocinha perfeita!'', pensou Kagome, enquanto aceitava os beijinhos da tia.

— E essa lindeza, quem é?

— É Ayame, minha amiga. Pensei que a senhora não se importaria se...

— Oh, mas é claro que eu não me importo! Você fez muito bem em trazê-la. Kouga vai adorar mais uma menina bonita na festa. Mas entrem, entrem!

De fora, Kagome já podia ouvir o som ligado naquele volume chega-de-papo. Monotonamente, o surdo da bateria reboava como se dissesse:

— Não entre... não entre...

Kagome apertou a mão de Ayame e arrastou a amiga atrás da dona da casa.

As dimensões do salão perdiam-se nos cantos escurecidos pela iluminação precária, cheia de clarões piscantes, destinados a excitar os espíritos.

No meio do salão, corpos sacudiam-se ao ritmo de um som frenético, meio misturados numa massa multicor que formava um bloco único, anônimo, como a representação de um inferno alegre, alucinante...

Tia Mizuki falava sem parar, apontava para todos os lados e ria muito, mas nenhum som humano poderia sobrepor-se àquela loucura.

— A senhora é mais ridícula do que eu esperava! — disse Kagome, rindo também pela oportunidade de acobertar a franqueza debaixo daquele som infernal.

— Hein?

— Eu disse que a senhora é ridícula!

— Desculpe, querida, mas eu não ouço nada com essa música... Da massa confusa de dançarinos, uma figura destacou-se.

Foi como se os mais ousados sonhos de Kagome tivessem tomado corpo e forma.

Corpo e forma de sonho.

O sonho dos sonhos de Kagome.

Ele se aproximou, com aquela luz maluca fazendo brilhar seus dentes e o branco de seus olhos.

E que dentes!

E que olhos!

Tia Mizuki ria mais ainda e apontava o rapaz, papagueando sempre. Pouco ou nada dava para entender, por mais que a tia berrasse. Mas Kagome praticamente adivinhou, praticamente leu nos lábios a palavra chave daquele discurso:

—... Kouga... Kouga! Aquele era Kouga!

Na memória de Kagome, só havia o registro distante de um primo entre outros, talvez um daqueles moleques briguentos, que só pensavam em futebol. Mas o moleque tinha se transformado.

— Como é mesmo o nome daquele deus grego? — raciocinou Kagome em voz alta, acobertada pelo som da festa. — Dionísio? Apoio? Não importa. Vou chamá-lo "sonho"!

— Hein?

Tia Mizuki berrava para o filho e apontava as duas amigas. Kouga disse alguma coisa, bem-humorado, e abraçou Ayame, apertadamente. Tia Mizuki sacudiu a cabeça várias vezes e indicou Kagome. O rapaz falou novamente, rindo sempre, e voltou-se para a garota certa.

Kagome sentiu-se enlaçada por aqueles braços, e o rosto do rapaz colou-se ao dela.

— Oi, prima. Como você ficou linda... — bem próxima ao ouvido de Kagome, a voz quente de Kouga envolveu-a, claramente, distintamente, fazendo-a surda a qualquer outro som.

— Linda?! — sussurrou a menina, surpresa e enlevada. — Eu? Sou linda? Você disse que eu sou linda?

Mesmo colado a ela, Kouga não entendeu o sussurro. E, como se fosse um confeiteiro colocando uma cereja como um toque final de gênio sobre a torta mais apetitosa, o rapaz beijou o rosto de Kagome com força, fazendo estalar os lábios.

As luzes, as cores e o sangue de Kagome misturaram-se numa vertigem gostosa, e o ímpeto da menina foi fechar os olhos e colocar-se na pontinha dos pés, oferecendo os lábios a Kouga.

Mas, em vez disso, o que fez foi rir alto, dizendo qualquer coisa, como se fosse a piada mais engraçada do mundo.

— Kouga, era você que eu estava esperando a vida toda... Como se aquilo fosse um jogo, o rapaz falava também, rindo, sem entender nada do que ouvia.

— Sonho. O meu sonho. Você é o meu sonho feito homem... Ainda segurando os ombros de Kagome, Kouga ria muito.

— Eu nasci para amar você, meu sonho...

Naquele instante, a fita chegou ao fim, e a palavra "sonho" ressoou claramente pelo salão.

— Hein? Sonho? O que você disse?

— Nada, primo...

Os acordes de uma música lenta, romântica, iniciaram uma nova seleção, preparada para secar o suor dos dançarinos. Kagome esperou novamente o calor do abraço de Kouga, pronta a deslizar pelo salão ao seu comando, não importa aonde ele a guiasse. Ao infinito, talvez...

— E esta beleza aqui, quem é?

— Hã? Ah! É Ayame, minha amiga...

— Então vamos nos apresentar, Ayame.

E foi Ayame que aqueles braços envolveram e carregaram para misturar-se à nova massa que se formava, agora numa forma lenta, arfante.

Tia Mizuki já desaparecera. A música desta vez não encobria a voz, e foi num murmúrio que Kagome falou:

— Ayame, devolva o meu sonho...

O0o0o0o0o0o0o

Maquinalmente, tinha apanhado um copo de uma bandeja que alguém lhe estendera. O líquido estava amargo demais para um refrigerante e aquele já devia ser o terceiro copo que Kagome aceitava. Ou talvez fosse o quarto.

Tinha escapado silenciosamente pela porta-janela que dava para o jardim e agora estava na penumbra, sozinha, com seu copo, vendo de fora o grupo de dançarinos consumir, uma após outra, as músicas da seleção romântica. Com aquela iluminação, não era possível distinguir ninguém, mas Kagome via, em todos os casais, um só par de namorados.

A moldura da porta-janela era como uma tela de cinema. Sozinha, no escuro da platéia, Kagome assistia àquele filme, imaginando a história, criando cada fala, cada cena.

Interrompendo o filme, na tela iluminada surgiu uma silhueta que não fazia parte do enredo.

A silhueta caminhou até ela.

— Oi. É uma festa particular? Por que não me convida?

A luz do salão iluminou o rosto do rapaz à sua frente, que a olhava nos olhos, sorrindo.

Kagome desviou o olhar e, por um momento, odiou aquele rapaz que vinha distraí-la em sua sentinela.

— Eu sou o Inuyasha. E você?

— Eu? Sou a ilusão...

— É um nome estranho para quem está sozinha. A ilusão nunca está sozinha...

— Pode me chamar de cretina, então. É o meu apelido.

— Cretino é aquele que crê em tudo o que ouve. Você acredita em tudo?

— Eu? Não. Só naquilo que me ilude.

— Acreditaria se eu dissesse que é a garota mais linda da festa?

— Não. Eu diria que você está me gozando. E o esbofetearia.

— Seria uma nova experiência ser esbofeteado por uma ilusão.

— Ou por uma cretina...

— Você tem resposta pra tudo, não é?

— Não. Só pra gente que tem pergunta pra tudo.

Kagome entornou rapidamente o resto do copo e o líquido escorreu quente, queimando tudo por onde passava.

— Quer outro refrigerante? Vou buscar.

Inuyasha afastou-se e Kagome aproveitou para internar-se ainda mais no jardim, escondendo-se na sombra.

Pela porta-janela saía o vulto de um casal abraçado. Impossível reconhecê-los sob a pouca luz do jardim, mas Kagome adivinhou. Eram eles. Viu quando a moça ergueu o rosto e viu o rapaz envolvê-la num beijo longo, definitivo.

Dentro da cabeça de Kagome, os vapores da bebida explodiram, lançando fogo através de todas as veias e artérias. O mundo oscilou de repente, e a menina sentiu a terra úmida contra o rosto.

Não perdeu os sentidos, mas não conseguia mover-se. Tudo sentia, porém. Parece até que sentia mais do que nunca. Sentia a grama a picar-lhe o rosto e sentia os braços fortes que começavam a levantá-la.

— Kouga... você veio...

Abraçou-se fortemente contra o peito que a amparava. O calor daquele corpo forte deu-lhe febre e seus lábios espremeram-se loucamente contra aquela pele quente, com cheiro de colônia.

Uma correntinha roçou-lhe o rosto e ela ergueu a cabeça, oferecendo os lábios úmidos, ávidos, desesperados.

Uma boca maravilhosa colou-se à dela, enquanto a força daqueles braços a apertava com loucura. Sentiu-se morrer de felicidade e o mundo apagou-se com o nome adorado estourando em sua cabeça como um coro de anjos.

— Kouga... meu amor...


Esta ai o primeiro e segundo capitulo, espero que tenham gostado.

Esse livro é dividido em 3 parte e subdivido em capítulos, por isso estarei postando 2 capitulos por parte pra não ficar pequeno de mais.

Agora se querem fazer uma escritora/adaptadora feliz cliquem nesse lindo botãozinho verde ai em baixo e deixem um comentário ^^

Beijos

Ja ne

Lory Higurashi