Presente de aniversário para Pinky-Chan2.


A história acontece entre o primeiro e o quarto volume do mangá.


Home Cooking

By Doks


-É verdade que para o coronel Mustang e sua trupe havia muito o que fazer para revolucionar o país, mas nesta noite uma família tinha outra coisa em mente...

– Mamãe! – Gritava Elísia com todo o entusiasmo dos seus seis anos – é verdade que vai ter festa aqui em casa amanhã?

Gracia estava lavando a louça do jantar quando ouvira as palavras de sua filha e imediatamente olhou para o homem que estava logo atrás de Elísia com um sorriso sem graça no rosto.

– Não, querida – e enxugou as mãos num pano de prato – não sei o que seu pai está planejando, mas eu já avisei que não quero nenhuma festa de aniversário. Ouviu, Maes?

– Eu não estava planejando nada. – Balançou a cabeça e as mãos no sentido de negação e já emendou a explicação – Elísia só ouviu sobre a festa que terá no QG amanhã, não tem nada a ver com seu aniversário. – Ele se aproximou para beijá-la no rosto e depois correu atrás de sua pequena filha que já havia saído da cozinha ligeiramente.

Maes Hughes pegou Elísia no colo planejando levá-la para dormir, não sem antes fazê-la escovar bem os dentes e passar o fio dental.

– Elísia – Maes começou sussurrando – amanhã é o aniversário de sua mãe, você sabe. O que acha de fazer uma surpresa para ela?

– Mas eu pensei que a mamãe não queria festa, ela vai ficar brava. – Elísia disse sonolenta.

– Ah, mas não vai ser uma festa. Que tal fazermos um café da manhã especial para ela? – A menina logo abriu os olhos quando seu pai falou.

– De verdade, papai? Vamos fazer um monte de coisa que a mamãe gosta. Biscoitos, bolos, tortas – os olhos da menina brilharam ao lembrar das guloseimas que sua mãe sempre fazia, sem imaginar que nenhum dos dois tinha idéia de como preparar tudo aquilo.

– Bem, querida, eu estava pensando em algo mais simples, só um chá e algumas torradas. Talvez eu possa pegar o livro de receitas da sua mãe e tentar fazer aquela torta de maçã... – Ele estava um pouco encabulado, não tinha a menor idéia do que fazer para agradar a filha e a esposa. Pelo menos não quando o assunto era cozinhar. – que tal você me ajudar?

– Sim! – a menina gritou, mas logo depois seu sorriso murchou – eu vou ter que acordar cedo? Mas amanhã é sábado!

– Bem, sim... Mas será divertido! Está decidido, amanhã eu te acordo cedo e – colocando o dedo indicador nos lábios – não diga nada para sua mãe. É surpresa.

A menina concordou com a cabeça e se ajeitou na cama. – Boa noite, papai.

– Boa noite, querida. – Ele levantou-se da cama e andou até a porta para apagar a luz e sair, enquanto aproveitava o momento para observá-la mais um pouco.

Gracia catava as bonecas espalhadas pelo chão quando encontrou Hughes saindo do quarto da pequena Elísia. Assim que o viu, sorriu como se pedisse ajuda no trabalho e ele prontamente obedeceu ao olhar se abaixando para pegar as bonecas que faltavam.

– Hoje ela estava mais elétrica que o normal. Por acaso você deu café pra ela? – Ele riu da própria piada enquanto arrumava as almofadas que estavam espalhadas no chão.

– Ela está cada dia pior, Maes. – Gracia sorria, ato que contradizia as próprias palavras. – Bem, eu vou tomar banho. – E saiu andando enquanto Hughes a observava sumindo pelo corredor escuro. Ele sentou no sofá e começou a folhear o jornal até que ouviu os passos de sua mulher novamente.

– Quer vir? – Hughes não esperou que ela perguntasse novamente.

Ainda estava escuro quando Maes se levantou com passos suaves indo em direção ao quarto de Elísia. Quando chegou lá, ficou com pena de acordá-la, estava dormindo tão tranquilamente...

Quando se virou para sair do quarto a menina deu sinal de que tinha acordado murmurando um "já está na hora?" sonolento e dramático. Ele confirmou com a cabeça e acendeu a luz do quarto.

– Vamos, nós temos uma torta pra fazer! – Correu para a cozinha com Elísia nos braços e, ao chegar, abriu a gaveta em que sua mulher guardava os livros de receitas. Ele abriu o primeiro livro e procurou na letra A por "Apfelstrudel", leu os ingredientes alto para que Elisia pegasse tudo o que era necessário:

– Uma xícara de água; Uma gema de ovo; 300g de farinha de trigo... – E continuou até que tivesse todos os ingredientes em cima da mesa. – Agora é hora de colocar a mão na massa, querida, vá lavar as suas mãos. – Ele disse enquanto olhava com curiosidade o livro de receitas, tentando se lembrar de como se metera naquilo.

– Pronto, papai! – E começaram a preparar a massa. Porém, quando terminaram, o que deveria ficar liso e mole acabou cheio de protuberâncias e com a sensação de que iria escorrer pelos dedos. Depois de acabar com a mistura, Hughes descobriu que já não tinha muito tempo até que sua mulher acordasse por isso decidiu abrir a massa de qualquer maneira sem se importar com a espessura fina que a receita recomendava.

Quando terminou de colocar a massa no forno, ele começou logo com o recheio. Mas enquanto tirava as sementes da maçã, Elísia deu um gritinho antes de derrubar um saco de trigo, espalhando-o por toda a cozinha ao subir a fumaça branca.

– Elísia! Meu deus, você está bem? – seus olhos incharam quando se deu conta da bagunça na cozinha – Gracia vai me matar! Só temos uma hora agora, não dá pra limpar! Coloque ao menos essas coisas no lixo, Elísia – Ele disse, mostrando os ovos e as cascas das maçãs. Ela não ousou desobedecer e fez o que uma criança de seis anos poderia fazer para organizar a bagunça. É claro que depois disso tudo, tirar as sementes das maçãs se tornou desnecessário.

Ao terminar o recheio, Maes resolveu deixar as mãozinhas de sua filha lambuzarem a massa e acabar logo com a tal torta.

Já passava das sete horas quando terminaram e Hughes agradeceu aos céus por sua esposa não estar acordada ainda, já que ela costumava estar de pé às sete. Aproveitou a "folga" e deu um banho em sua filha, que estava consideravelmente mais suja que ele próprio. Depois colocou uma roupa de festa na menina e arrumou os cabelos dela também. Era como se estivesse ao mesmo tempo limpando a participação dela na preparação da torta. Sabia que alguém iria pagar pelo estrago feito na cozinha.

– Agora vamos levar a torta dela numa grande bandeja e surpreender a mamãe, ? – Ela gesticulava com entusiasmo e abriu um lindo sorriso quando o pai confirmou.

– Eu vou preparar a bandeja, espere na sala sem fazer barulho! – Ela apenas assentiu com a cabeça e sentou no sofá. Seu pai a observou bobamente por uns dois segundos, o suficiente para pensar que sua filha parecia uma princesa e queria tirar uma foto naquele momento, mas não dava tempo, então apenas correu de volta para a cozinha.

Quando voltou tinha nos braços a bandeja e, para enfeitar, um copo com algumas margaridas dentro.

– Vamos! – E ela desceu rapidamente do sofá, seguindo-o para o quarto onde sua mãe dormia.

Chegando ao quarto onde os pais dormiam, Elísia, sem nenhuma hesitação, pulou em cima da mãe alegremente. O que a menina não esperava era que a Gracia acordasse sobressaltada, quase a derrubando no chão.

– O que houve?! – E ficou surpresa ao ver o marido sorrindo e sua filha se juntando a ele num sorriso cúmplice. A expressão da mulher mudou ao ver o que havia nas mãos de seu marido. Um singelo sorriso agora pairava nos lábios dela. – Maes... Uma torta?

– Não está tão boa quanto a sua, mas eu e Elísia queríamos fazer uma pequena surpresa – Ela levantou para beijar levemente os lábios do marido e a testa da filha. – Vou cortar um pedaço pra você – Gracia assentiu levemente enquanto via Hughes colocar a bandeja em cima do criado-mudo ao lado da cama. – Não precisa comer tudo se não estiver bom. – Ele riu e ofereceu o pedaço de torta.

– Vamos ver... – Gracia não precisava de uma segunda mordida para ter certeza que aquilo não dava pra comer, mas para não desanimar, principalmente a filha, decidiu comer o pedaço inteiro.

– Viu, papai, ela gostou! Ela gostou! – a menina repetia alegremente – me dá um pedaço também? – Hughes se apressou para cortar um pedaço pra ela também. Porém a reação da menina foi de completa rejeição. Maes conseguiu inclusive ver algumas lágrimas da menina depois de ter posto pra fora o pedaço que tinha mordido.

– Ah, não pode estar tão ruim assim, Elísia – E experimentou também, mas a reação foi parecida com a da filha. Engoliu relutantemente – Desculpe, Gracia – e tristemente levou o resto da torta para a cozinha.

– Elísia, querida, não fique triste. Amanhã eu prometo fazer uma só pra você, certo? – e o sorriso voltou aos lábios da menina.

– Papai! – ela gritou quando viu Maes entrar novamente no quarto, com um pano de prato no ombro – mamãe disse que amanhã vai fazer uma torta só pra mim! E vai dar pra comer dessa vez. Você cozinha muito mal, papai – julgou, rindo da própria brincadeira.

– Vou recompensá-la. Hoje vamos almoçar fora e dar um passeio. O que acha? – viu a mulher se aproximar para abraçá-lo e dizer que era perfeito.

– Eu só quero tirar esse gosto horrível da boca, vou beber água... – ela fez uma careta antes de sair do quarto. Mas logo Elísia e Hughes ouviram um grito vindo da cozinha. Olharam um para o outro em desespero, mas não tinha para onde correr, o jeito era encarar a fera.

Horas depois, Gracia terminava de se arrumar após um banho, enquanto Maes terminava o serviço na cozinha. Louça lavada, chão limpo e o lixo já estava lá fora. Não faltava nada, ele já poderia também tomar um banho e esquecer a idéia genial que tivera.

– Ah, agora minha cozinha está melhor – ele viu sua esposa parada na porta, sorrindo para ele. Maes olhou para ela murmurando que era o mínimo que poderia fazer. Depois se levantou e abraçou-a.

– Ano que vem eu prometo não fazer isso... – Ele disse no ouvido dela.

– Mas você pode fazer, desde que deixe minha cozinha limpa. Mesmo assim... Eu gostei da surpresa. – e sorriu assim que se viu beijada.

Ao separar-se de sua mulher, Hughes foi tomar seu banho para que pudessem sair. Elísia também já estava arrumada, só faltava ele. No entanto, não demorou muito e ele já estava com roupas limpas, pronto para o passeio.

– Vamos – Segurou a mão esquerda de Elísia, observando sua mulher segurar a mão direita da menina.

FIM


N/A: Mais um presente para Pinky (Gabi) e eu espero que ela goste. Eu espero escrever mais algumas fanfics de presente, porque ela é a única que me faz escrever XD Também quero agradecer à Fran, que revisou a fanfic pra mim (se tiver algum erro, podem culpá-la!).

Sobre o título: Eu peguei emprestado dos 100 temas royai. Esse é o tema 31.