O dia do meu casamento

Se ainda reclamam de sogra, é porque ainda não tiveram Atena como uma. Ela é um pesadelo, literalmente.

Disclaimer: Quem dera o Percy fosse meu... ;9

Sim, era o meu dia de casamento. O que não era novidade veja bem, eu namoro Annabeth há cinco anos, e durante esses cinco anos, eu era diferente, e foram os cinco anos mais felizes de toda a minha curta e turbulenta vida. Um casamento seria o mais apropriado, visto que nosso relacionamento estava começando a esquentar (graças aos Deuses – que Atena não ouça isso.) e com um quarto do Olimpo observando-me de perto – conta-se: meu pai, Zeus, Atena, Afrodite, Hera (eu acho) não era uma boa eu ir para um canto escuro com Annabeth, e passar algumas horas ali. Não me levem a mal, era o que eu mais queria fazer, mas se eu despurificasse a queridinha da deusa que não confiava nenhum tantinho em mim, eu estava em apuros, com a certeza muito certa.

Annabeth estava cada dia mais bonita, se é que é possível. Era incrível como o tempo passou e eu continuo caído por ela, ou caído até demais. Não que eu seja um bobo perto dela – longe disso – mas eu era quase um bobo, e Clarisse fazia questão de irritar, sempre que podia, dizendo que eu era um Bobo-Apaixonado-Mané e que a Sabidinha devia mesmo me fazer de sola suja de sapato velho. Já disse o quanto eu gosto de Clarisse, não é? Tão meiga carinhosa e falsa...

Voltando ao meu casamento – um ato glorioso, segundo Hera, fofo por Afrodite, e babaca, Ares – ele estava de bom para ótimo. Nós nos casaríamos na Colina Meio-Sangue mesmo, e Quíron seria o regente da cerimônia. É claro que nos casamos no cartório mortal normal mais cedo e agora seria apenas a simulação, com Annabeth vestida de noiva, e eu como um pingüim. Detesto pensar no como vou parecer mais idiota – na visão da Clarisse – com aquela roupa engomada branco e preta.

Os Deuses do Olimpo – é claro que excluindo os que não gostavam de mim, exceto Atena – estariam no meu casamento, e era a primeira vez que eles desciam todos juntos na Colina. Apolo me prometera um discurso fabuloso e rimático para mim. Annabeth só faltou me estrangular quando disse que não respondi à frase de Apolo, mas o que eu poderia fazer? Não é bom contrariar um Deus, e ela sabe disso. Falando em temperamentos, Annabeth esteve maluca nas ultimas horas, correndo de um lado para outro com o rosto desesperado. Não acho que se casar comigo seja um ato tão desesperador, pois ela passou cinco anos esperando – acho – por esse pedido...

Voltando ao pensamento inicial, Atena é sim um pesadelo, e é sim literalmente falando. Se voce acreditar que eventualmente ela entrava nos meus sonhos - geralmente quando eu estava sonhando com a filha dela – e acabava totalmente com a minha noite, pressionando e me apavorando em relação à Annabeth, voce é um bom entendedor de Atena. Talvez, só talvez, seja sorte que ela nunca me pegou em um sonho comprometedor, já que Annabeth às vezes me provocava. Certa vez recorri ao meu pai, logo no começo do namoro, que pedisse educadamente para Atena que parasse de entrar nos meus sonhos, e não sei realmente se meu pai pediu educadamente como eu pedi a ele, mas sei que Atena não me deu folga, quando achava que ela não invadiria mais, logo ela aparecia por lá.

"Saiba que ainda não confio em voce, filho de Poseidon, e sei muito bem o quanto os heróis têm quebrado corações de gerações de garotas" ou às vezes um lembrete "Lembre-se do beneficio da dúvida, meio-sangue".

Nos últimos anos eu já estava acostumado com sua presença, mas ela fez questão de começar a me pressionar, mostrando o que poderia fazer comigo se eu magoasse a sua filha, ou se cogitasse a idéia disso. Também vi, dessa vez foi meu pai muito divertido, mandando um flash da discussão entre Afrodite e Atena, no qual EU era o assunto principal. Algo como Afrodite reclamando de interferir no curso dos acontecimentos, e Atena lembrando o quanto heróis são infiéis e meu pai, rindo das duas, que só faltaram lançar seus poderes – no qual acho que sairia corações-zinhos de Afrodite e raízes numéricas de Atena – e acabarem uma com a outra, sentado folgadamente em seu trono lá em cima. Zeus logo interveio, e a diversão do meu pai acabou.

Mas nesse momento, eu estava parado à porta onde Annabeth estava se trocando, se preparando para ser a minha noiva. E, para minha desgraça, Atena estava lá dentro utilizando toda sua sabedoria e raiva contra mim, tentando fazer Annabeth mudar de idéia quanto a se casar comigo.

No dia anterior, nos últimos momentos nossos como solteiros, Annabeth deixou seu boné Yankees comigo e me disse que usasse se fosse preciso. Talvez, esperta como ela é, estava imaginando minha curiosidade em saber o que Atena diria a ela.

E era isso o que eu estava fazendo agora mesmo. Bisbilhotando conversa alheia.

Pois é, pode me recriminar o quanto quiser, mas duvido que se voce estivesse no meu lugar, não iria querer saber o que sua sogra, - tão amável sogrinha que te odeia – estaria falando e mexendo com a cabeça da sua noiva.

E não eram coisas leves, a velha estava pegando pesado comigo.

"- Annabeth, eu não julgava voce tão insensata assim, querida" – e eu jurava que o 'querida' dela saiu meio desesperado. "Este menino, pelo amor de Zeus, ele é herói, Annabeth, quantas vezes eu vou ter que repetir? Não é confiável voce casar com ele. E quando eu pego a determinação de desconfiar de alguém, só uma coisa muito importante acontecer para mudar meu julgamento!"

"- Acalme-se mãe." Eu escutei a voz de Annabeth, e podia jurar um sorriso em sua voz. "Eu amo Percy, e sei que ele me ama. É natural, é simples o nosso sentimento." Eu simplesmente amei essa frase dela. Ela nunca disse algo tão profundo e verdadeiro assim – pelo menos pra mim não.

"Annabeth, eu detesto não estar de acordo com qualquer filho meu, e detesto confundir alguém, mas voce já está confundida, Afrodite te cegou, meu bem. Ele vai te magoar, assim como Zoe, como Ariadne, Thalia, e como tantas outras foram enganadas... E eu não quero ver voce, minha filha preferida, sofrer"

Um frio congelou meu estomago. Eu sabia que a palavra "preferida" ia pegar Annabeth. Atena nunca dissera isso antes. Já podia sentir a hesitação de Annabeth antes mesmo da frase da Atena terminar.

"- Mãe, eu não vou sofrer. Percy é meu, e eu sou dele. Não há nada que a senhora possa fazer para mudar isso e..."

"- Não me diga que já desonrou antes do casamento, Annabeth Chase...!"

"- Não me olhe com esse olhar tão reprovador, mãe. Voce mesma teve a mim fora do SEU casamento e ainda por cima, com um mortal. E não, Percy e eu ainda não fizemos nada comprometedor..."

Ainda...

"- Fico um pouco mais aliviada com isso, se quer saber. Mas ainda reprovo essa união, e voce sabe que não será de todo uma beleza, porque Hera não gostou de suas palavras alguns anos atrás, e ela é a deusa do casamento..."

"- Mas ela gosta, ou talvez não seja contra Percy, mamãe. É o que importa. Se ela estiver abençoando ele, eu estarei na benção em si, ele se casará comigo!"

"- Voce sabe também que se aquela garota não fosse o Oráculo, ele teria duas opções, não é?"

"- Não me fale dela, mamãe. Eu pude respirar mais aliviada em relação à Percy assim que ela se tornou um templo de Delfos. Ela não pode ter relacionamentos, e assim, eu tive meu caminho desimpedido até ele."

Eu sabia que aqueles ataques de raiva quando Rachel estava perto era ciúmes. Não sei como não percebi na época. E parecia que Atena tinha ficado sem argumentos.

"- Poseidon teve muitas namoradas, Annabeth, o que dirá que Percy não terá outras?"

Ledo engano.

"- O importante é não namorar em seu templo, não é mesmo? Não vamos querer outra Medusa à solta por aí..."

Às vezes, só às vezes, eu adoro o humor negro dela...

"- Estou falando sério, Annabeth" como sempre, minha sogrinha virando minha noiva contra mim.

"- Mãe, o pedido de casamento de Percy foi a coisa mais linda e fofa que ele disse para mim, e eu o amo..." Atena cortou a fala dela.

"- Nem parece uma filha minha, parece filha apaixonada e crente demais no amor como as de Afrodite." Resmungou a velha briguenta. Devo dizer que revirei meus olhos?

Annabeth gemeu.

"- Mãe, por favor, hoje é o meu casamento, tem como ser mais amável com Percy, apenas hoje?" não tente fazê-la virar minha amiguinha, Annabeth, não vai funcionar.

"- Sinto muito, querida, mas hoje é o dia que eu menos gosto desse rapaz, e voce sabe disso"

"- Sua teimosia é tão incrível quanto a sua sabedoria." Devolveu Annabeth com um suspiro.

"- E voce devia ter herdado mais dos dois do que herdou." Atena disse, e ouvi passos. Afastei da porta, no momento exato que ela abria e Atena espiava para fora. Não deu tempo para eu espiar em Annabeth e ver como ela estava, pois Atena fechou rapidamente a porta, e voltou a falar com a filha. "Ainda há tempo de desistir, filha. Não há ninguém vigiando, e eu te ajudo, se desistir."

Entrei em choque. Atena estava tentando MESMO isso? Eu mal podia acreditar, até que ouvi a voz de Annabeth outra vez.

"- É verdade, mãe? Não tem ninguém no pátio aí fora?" Ela talvez adivinhasse que eu estava ali, mas eu tive um pensamento horrível: e se Atena havia conseguido mudar os pensamentos de Annabeth e ela quisesse fugir? Eu não podia deixar, eu não ia deixar ela fugir, não depois de tantos anos de namoro, e brigas, e beijos...

Voltei correndo pro meu chalé, onde eu estava esperando a hora de me trocar. Peguei o primeiro papel e caneta, só que não consegui escrever com ela porque era Contracorrente – virou espada instantaneamente. Vasculhei meu quarto, deixando a bagunça – que já estava ruim – ainda pior. Achei uma caneta vermelha – eu na verdade queria uma azul – e rabisquei rápido no papel.

"Te espero no altar, Annabeth Chase.

Eu te amo.

PJ."

Eu sei que isso é constrangedor, mas eu vou dizer: eu fiz corações em volta do bilhete – ou seria lembrete? – e saí pra fora do chalé 3 novamente, rumo ao 6 para enfiar o bilhete debaixo da porta. Uma idéia me ocorreu: se eu apenas deixasse ali, Atena podia ver e dar um sumiço no papel antes mesmo de Annabeth perceber, então resolvi dar uma batidinha na porta. E assim o fiz. Fiquei esperando o que elas iam comentar. Por um tempo – tortuoso, tortuoso – eu esperei que Atena ou Annabeth dissesse alguma coisa, mas nenhuma das suas falou nada.

Já estava a ponto de bater novamente na porta, quando Atena suspirou.

"- Esse garoto é mesmo impertinente. Justo quando eu estava quase conseguindo..." e Annabeth e cortou.

"- Não estava nem perto de conseguir, mãe. E o bilhete só serviu para provar para voce o quanto ele gosta de mim. E eu o amo mãe, e vou continuar dizendo, até voce acreditar, ou desistir de importunar Percy."

"- Eu serei um infortúnio para ele até o momento em que achar que ele realmente não irá te abandonar e merecer minha confiança."

- Coisa que vai demorar. – respirei. Eu disse isso alto?

"- O que foi isso?" perguntou Atena. Não diga nada, Annabeth, não diga nada, não diga nada...

"- Parece a voz do Percy" acho que uma conexão empática com Annabeth seria bom.

"- O que ele estaria fazendo aqui perto?" perguntou Atena, com a voz mais desconfiada do mundo.

"- Talvez tentando ver como eu estou?" arriscou Annabeth.

"- E Hera diz que se o noivo ver a noiva antes do casamento, dá azar. E talvez seja isso o que ele queira" Atena disse, com a voz irritada. Qual era a daquela Deusa? Ela me queria como genro ou não? Eu estava quase falando isso alto, quando Annabeth riu.

"- Ora, mamãe. Mesmo que ele me visse, Afrodite abençoou nosso amor"

"- Nem me fale naquela..." Eu senti que Atena estava se controlando para não difamar Afrodite. "Voce está com o comportamento realmente muito diferente, querida. Voce não é uma menina de falar muito em amor, e amar."

"- Sempre dizem que no dia do casamento, todos se transformam. Até o mais duro fica amolecido."

Mas acho que Atena é uma exceção à regra. Eu também estranhei o comportamento de Annabeth, e ela realmente estava parecendo uma filha de Afrodite. Ela bem que podia ser sempre assim, mas nunca temos tudo o que queremos, infelizmente.

"- Eu ainda tenho de falar de Calipso, Annabeth. Ele ainda vai na varanda para cheirar a flor?"

"- Ele apenas gosta do aroma dela, mãe." Respondeu Annabeth, mas sua voz era incerta. Agora sim ela estava pegando no calo.

"- Voce não conhece Calipso, querida. Ela é bonita, doce e gentil."

"- Eu posso ser assim, se eu quiser"

Atena ficou em silencio por alguns minutos.

"- E Luke, Annabeth?" Agora eu tinha desejos de entrar dentro do chalé delas, e esganar Atena. Eu detesto, D-E-T-E-S-T-O quando falam de Luke com esse assunto. Annabeth tinha uma quedinha por ele, só isso. Ela ama a MIM, não a ele.

"- Eu amava Luke como irmão, mamãe."

"- Eu não tenho tanta certeza"

"- Ele gostava de Thalia, mãe. E eu gostava e gosto do Percy"

Eu amo as cortadas dela...

- Espiando, Percy?

Dei um pulo de susto. Para a minha sorte – ou talvez azar, era Grover. Cinco anos que eu mal o via fez diferença no sátiro. Ele estava mais alto, e agora os pêlos do seu queixo eram grossos. Era um grande e forte sátiro e estava sorrindo para mim.

- Eu... ah...

- Tudo bem, eu não vou te dedurar, se quiser. – ele piscou. Suspirei aliviado. – Atena ainda tenta separar voce de Annabeth.

- Minha sogra não vai muito com a minha cara, voce sabe.

- Eu vim te chamar, porque seu casamento começa em meia hora, e voce não está pronto ainda.

Puxa vida, era isso mesmo! Eu ia me casar em menos de uma hora, e ainda não estava pronto.

- Espere. – eu murmurei para ele, que já andava um pouco na minha frente. – Como voce me encontrou?

- Eu sinto seu cheiro, e a conexão empática também ajuda, Percy. – ele riu, e continuou andando, parando de repente. – A propósito, sua mãe está vindo te encontrar no chalé, ela vai te ajudar com a aparência.

Devo ter resmungado alguma coisa.

- Não que vá fazer alguma diferença...

O estranho era Grover ter adquirido uma pose adulta, sem tremer de medo, e também um péssimo hábito de humor nada sadio para mim, porque todas suas brincadeiras - de algum modo - eram para zombar de algo que eu fiz.

- Muito engraçado, Grover. Pan também tinha senso de humor assim, e passou para voce, ou voce que escondia esse lado artístico tão bem que nem era demonstrado?

Seu sorriso esvaiu, e ele deu de ombros, seguindo para meu chalé. Ele apenas abriu a porta para mim, e saiu em direção ao bosque. Olhei por todo o chalé, e lembrei de tantas coisas que eu havia passado. Tirei o boné de Annabeth e joguei-o em minha cama. Fui em direção ao espelho, e fiquei mirando a mim mesmo, e relembrando tudo, toda a minha vida. E foi assim que a minha mãe me encontrou ali.

- Olá, querido. – ela me chamou suavemente, do vão da porta. Eu desviei meus olhos para ela, e ela estava linda. Seu cabelo estava preso, com alguns fios soltos, e o seu sorriso caloroso era aquele que eu mais gostava quando criança, e era como se ela fosse chegar perto de mim, bagunçar meus cabelos, e me abraçar forte do mesmo jeito que costumava fazer quando chegava da doceria. Mas agora ela não era vendedora de uma loja de doces, ela era uma escritora, com livros famosos publicados, bem vendidos, e era casada com Paul Bayck, o Sr. Baiacu, como eu e meu pai o chamávamos.

- Mãe. – eu sorri, e ela me abraçou. Ela murmurou algo para mim, mas eu não ouvi, estava perdido no seu abraço, porque faziam mais de dois anos que eu não a via e estava preso no acampamento.

- Fiquei tão feliz quando mandou a carta dizendo que agora era importante que ajudasse Quíron com os campistas mais novos, mas a saudade apertou tanto, e logo voce mandou uma carta dizendo que havia pedido Annabeth em casamento, e que eu poderia aparecer, voce não imagina como me senti... Meu garotinho, meu Percy já vai se casar... Oh, deuses...

- Sally, Percy vai se atrasar, querida. – alertou Paul, fora do meu chalé. Ele tinha impressão de que tudo que relacionava Poseidon ele não era bem-vindo, e era por esse motivo que ele não estava dentro do chalé comigo. – Olá Percy. Feliz dia de casamento pra voce. – me desejou rindo, quando minha mãe fungou.

- Seu pai ainda não veio te ver, querido?

- Ainda não mãe, acho que ele esta esperando para me ver no altar. – eu sorri. Meu pai, eu sabia, que por mais que ele se mostrasse distante, ele me amava e queria estar sempre por perto. Todos os deuses eram assim.

- Bom, então vamos a transformação. – eu acho que minha mãe se referia a minha troca de roupa, mas percebi que quando terminei, ela havia passado gel no meu cabelo, eu estava perfumado, e tenho que admitir, muito diferente de quando entrei ali. Eu entrei em um torpor, apenas pensando em como Annabeth estaria linda. Para mim.

Lembrei de Atena, e suspirei pesadamente.

- Atena tem sido difícil, meu bem?

- Ela sempre foi difícil, mãe. Hoje mesmo, ainda tentava mudar a atitude de Annabeth, levando-a a desistir de... – eu ia falar de mim, mas mudei – de se casar comigo.

Minha mãe olhou nos meus olhos, e eu senti sua confiança passando para mim.

- Annabeth nunca daria ouvidos à Atena, Percy. Ela te ama, e ela nunca te deixaria.

- Eu espero que voce esteja certa mãe, senão eu estou morto.

Ela sorriu, e eu percebi que ainda faltavam cinco minutos para a minha hora que estar no altar em espera. Não estava ansioso pelo chá de cadeira que a Annabeth – assim como todas as noivas – ia dar em mim. Peguei Contracorrente e coloquei no bolso da calça. Era mais como um hábito do que precisar.

Passei silenciosamente pelo chalé 6, mas não ouvi nenhuma voz dali de dentro. Fechei os olhos e deixei que meu corpo entorpecido me levasse até todos ali. Caminhei lentamente até a frente e olhei para todos aqueles rostos conhecidos. Meu pai, Hades, Zeus, Perséfone, Hera, Hermes, Hefesto, Afrodite, Dionísio, Ariadne, Atena, Apolo, Ártemis, Nico, Clarisse, Thalia e as Caçadoras, todos os campistas novos, minha mãe, Paul, a Sra. Chase e os meio-irmãos de Annabeth, as ninfas do bosque, sátiros, os irmãos centauros de Quíron, e algumas náiades do lago também. Eram tantos rostos que eu não conseguia focar nenhum.

O tempo estava passando, e eu não conseguia mais sustentar meu sorriso. Estava quase saindo correndo dali em busca de Annabeth, quando ouvi o som de varias flautas – os sátiros se voluntariaram – tocando a marcha nupcial. Meu estomago gelou, e eu prendi a respiração.

A primeira coisa que eu vi foi o Sr. Chase, num bonito terno cinza, com um braço dobrado, onde estava a mão branca – com luva – de Annabeth.

Assim que eu a vi, todo o resto desapareceu. Eu só via ela e seu pai caminhando lentamente em minha direção. E ao olhar para o rosto dela, eu não pude não sorrir. Ela caminhava para mim, num vestido branco extremamente bonito, e o sorriso mais maravilhoso que eu já tinha visto ela dar.

Tudo para mim.

O tempo passou mais devagar, e mesmo assim, ela alcançou a mim, eu a tomei dos braços do pai, acenando firmemente para ele, que retribuiu com um sorriso, e voltei-me para Quíron, que estava sorrindo amplamente para nós. Eu nem sequer vi os rostos do resto que estava ali, eu só conseguia olhar bobamente para ela.

"- Voce está maravilhosamente perfeita" eu sussurrei para ela, e ela corou.

"- Estamos reunidos aqui..." – começou Quíron, e apenas metade do meu cérebro prestava atenção nele. A outra metade estava concentrada em Annabeth, em seu vestido que marcava todas as curvas perfeitas, e seu cabelo loiro cacheado preso num coque charmoso, e um perfume muito bom, que estava me deixando ainda mais entorpecido. "- Para celebrar a união de dois jovens amantes, que enfrentaram tantos desafios, perigos e tentações para estarem hoje aqui, de mãos dadas e aguardando um evento de palavras que modificará e fortificará o relacionamento dos dois. O quão bonito é um acontecimento assim, muitos podem não saber, mas a alegria de estar junto à pessoa amada não existe tamanho. É de conhecimento geral que o amor pode fazer-nos as melhores pessoas do mundo, e também as piores. No entanto, o amor para se viver junto é a coisa mais bela e natural que poderia existir. O amor que ultrapassa limites, e que nem a morte apaga. O amor sincero e verdadeiro que os leva a dar esse grande passo em relação um ao outro." Quíron tomou uma pausa para respirar, e eu aproveitei para olhar de esguelha para todo mundo. Minha mãe chorava, assim como a madrasta de Annabeth. Afrodite e meu pai tinham um grande sorriso no rosto, e os olhos de Hera brilhavam. Atena estava indiferente. " Para este casal, a vida não teria sentido viver sem a companhia um do outro, e por esse motivo é que estamos aqui, testemunhando o acontecimento mais importante da vida deles. É de grande valia o que será dito aqui, porque ficará guardado por anos e anos, e sempre que as coisas estiverem mau, eles se lembrarão dessas palavras. Porque não importa o que passamos, ou o que passaremos, o que realmente importa é que eles terão um ao outro, e sempre será assim. Percy Jackson, voce aceita viver com Annabeth Chase para toda a vida, na alegria, na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou não doença, nos dias claros ou escuros, na dificuldade e na simplicidade, até que a morte prevaleça?

- Sim, eu aceito. – eu respondi. Era tudo o que eu mais queria, não é? Viver ao lado de Annabeth. O meu problema era ouvir a resposta dela. E se ela me fizesse de bobo?

- Annabeth Chase, voce aceita viver com Percy Jackson, receber seu sobrenome, e estar com ele para toda a vida, na alegria, na tristeza, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença, nos dias claros ou escuros, na dificuldade e na simplicidade, até que a morte os separe?

- Sim, Quíron, é o que eu mais quero. Eu aceito.

"Se alguém tem algo contra essa união, fale agora ou cale-se para sempre." Eu olhei instantaneamente para Atena e Annabeth para Hera. A Deusa da Sabedoria olhava-me com os olhos faiscantes, dizendo claramente o quanto ela desaprovava aquela união, mas eu mantive meu olhar nela, para ver se ela falaria alguma coisa. Annabeth focou Hera, que parecia tranqüila, e não tempestuosa como minha sogra. Houve um momento em que só houve silencio. Quíron abriu a boca novamente. A partir daí, eu ouvi apenas um murmúrio fraco de "Então pode beijar a noiva" e abracei Annabeth com toda a minha força, beijando sofregamente seus lábios.

Não pude curtir muito tempo assim, porque ela se separou de mim, e o povo gritou: "Viva!"

Por que as pessoas têm de separar a noiva do noivo, no momento em que eles mais querem ficar juntos? Acho que eu nunca vou entender. Eram mortais, meio-sangues e deuses nos felicitando por estarmos casando.

Alguém pôs as mãos no meu ombro, e quando virei, deparei com Afrodite.

- Eu os abençôo. Seja feliz durante seu casamento, Percy. – e assim ela saiu em direção à Annabeth, no momento em que Hera veio em minha direção.

- Que seu casamento seja o mais feliz possível, filho de Poseidon. – ela nem me tocou e já saiu em direção. Braços fortes me puxaram para um abraço, e quando me libertou, era meu pai.

- Parabéns, filho. Foi a melhor escolha que voce fez durante sua vida. Estou muito contente. – e de todos os elogios que eu recebi do meu pai – talvez um elogio ou dois – esse foi o que eu mais gostei. E o que não precisava ser dito também, porque eu já sabia. Hoje foi o primeiro dia que vi meu pai sem as roupas de pescador.

Entre outras felicitações, Apolo pediu silencio.

- Um haiku para o casal, com licença.

Algumas pessoas – e deuses também – gemeram. Acho que eu fui um deles.

O sol ilumina o dia e a vida

Todos vivem com sabedoria

Eles são tolos.

Muitos podem não ter entendido, mas Apolo piscou assim que terminou seu haiku para nós. Para mim, ele quis dizer que Atena era uma enxerida chata, e que se nós algum dia ligássemos para o que ela dissesse para nós, eu e Annabeth seríamos tolos. Mais tarde, quando disse à Annabeth o que eu entendi, ela me deu um soco. Não entendi o motivo, eu não falei nada além da realidade.

Hoje era o único dia liberado para Dionísio deixar ser servido vinho no acampamento. E ainda assim, os menores de idade não conseguiam beber nada alcoólico.

Mais uma vez naquele dia, meu pai veio até mim.

- Como se sente?

Eu me virei para ele – estava observando Annabeth dançar com Nico, enquanto eu a esperava para decidirmos onde passar um tempo na nossa Lua-de-Mel.

- Ah, voce sabe, - eu disparei. – Estou muito feliz, mesmo que Atena não aprove o casamento, e toda essa coisa. Agora eu não entendo como pude demorar tanto para pedir Annabeth em casamento, foi a coisa mais certa que eu fiz até agora.

Meus olhos vagaram novamente em Annabeth, que agora conversava com Thalia. Era estranho ser mais velho que ela, e ela ainda tinha a aparência de quinze anos. Vi que Zeus olhava discretamente para ela.

- Thalia andou reclamando com Grover sobre ele colocar Jesse McCartney nas musicas de valsa. – meu pai riu, ao ver que Thalia gesticulava rapidamente com as mãos para Annabeth, que ria.

- Ele teima em querer escutar The Best Day Of My Life como uma musica de valsa. – eu respondi, ainda rindo. – Thalia ainda deve gostar de rock.

- Acho que sim. – meu pai riu.

- Percy! – minha mãe veio em nossa direção, mas congelou ao ver meu pai ao meu lado. Ele deu um sorriso sem-graça, porque Paul estava do lado dela.

- Bem, eu acho que esta é a minha hora de ir, - meu pai murmurou, dando dois passos, antes de se virar. – Feliz... Feliz casamento, Percy. Tudo de bom para voce.

- Uh... – eu murmurei, e virei para minha mãe.

- Desculpe interromper a sua conversa, Percy. – minha mãe se desculpou. Ela tinha a expressão sofrida.

- Esqueça isso, mãe. Queria me falar algo?

- Bem, querido... – agora ela parecia constrangida. – Eu não sei se voce já arranjou algum lugar para ir... Voce sabe, para sua Lua-de-Mel... – eu senti meu rosto esquentar, e congelei meu sorriso.

- Ainda não escolhi, mãe.

- Eu e Paul resolvemos que nosso presente seria uma passagem, e... bem, escolhemos o lugar também, tem alguma importância? – ela me perguntou, sua voz tímida.

- Não mãe, imagina, voce não precisava, como...? – eu disparei, confuso.

- Resolvemos comprar passagens de avião para Atenas. – respondeu Paul, com um sorriso.

- A-Atenas? – perguntou a voz suave de Annabeth chocada atrás de mim.

- Oh, sim, querida. Achei que iriam gostar. – novamente, minha mãe tinha voz culpada.

- Gostar? – perguntou Annabeth, agora abrindo um sorriso. – Nós amamos, obrigada Sra. Jackson.

- Agora voce também é Jackson, querida. E o certo seria Sra. Bayck, mas pode me chamar de Sally, voce é da família agora.

Annabeth sorriu e abraçou os dois. O "nós amamos" dela significa ela e apenas ela. Com a minha sorte e o amor que Atena tem por mim, alguma estrutura da cidade vai cair em cima da minha cabeça.

- Venha, Percy. – Annabeth me puxou pelas mãos. – Vamos nos despedir do pessoal.

Eu virei para minha mãe, desapertei um pouco a gravata. Ela sorriu para mim. Paul piscou para mim, e eu devo ter devolvido um sorriso safado, porque minha mãe corou e não sorriu mais.

Nos despedimos de todos os convidados, Atena nem mesmo me dirigiu um olhar, apenas olhando fixamente Annabeth. Esta não lhe deu atenção. Grover veio até mim, e passou um braço em torno do meu ombro.

- E agora, companheiro? Algumas semanas em Atenas, sem mim pra acompanhar nessa aventura!

- Pois é Grover, com a minha sorte, a cidade inteira vai desabar sobre mim.

- Não me dê idéias, meio-sangue. – Atena disse atrás de mim.

Eu não disse nada, e Grover apenas sorriu, saindo rapidinho de perto daquela Deusa. Eu baguncei meus cabelos e saí devagar dali, esperando que ela não me seguisse. Nico me abordou dez passos depois.

- Parabéns Percy. – ele me cumprimentou, sorrindo. – Agora voce vai dar um trato em si e em Annabeth. – senti meu rosto esquentando novamente. Ele me deu um tapinha nas costas e saiu rindo.

- Zeus! – lembrei dele assim que o vi saindo do acampamento. Ele se virou para mim, e esperou que o alcançasse. – Minha mãe me deu passagens de avião e eu gostaria de saber se eu voar, voce não irá jogar a mim e a Annabeth de lá.

Ele me olhou por um tempo com aqueles olhos eletrizantes, e cheguei a pensar que eu diria algo como "saia daqui, ou eu te pulverizo".

- Apenas desta vez eu o deixarei, meio-sangue.

E assim, virou as costas para mim e saiu.

Paul nos deu uma carona até o aeroporto onde tinha comprado as passagens, me despedi mais uma vez de minha mãe e dele, e embarcamos no avião.

Assim que nos aconchegamos nas poltronas, Annabeth – já com roupas trocadas, e eu também – encostou sua cabeça no meu peito.

- Quanto tempo ficaremos por lá, Percy? - ela me perguntou, com a voz manhosa.

- Eu não sei, minha mãe não disse se comprou passagens de volta também. – eu respondi, indo pegar o canhoto da passagem. Procurei por todos os cantos. Não, ela não tinha comprado, apenas a passagem de ida. Havia um bilhete no bolso da minha calça.

"Assim que quiser voltar, me informe. Eu lhe darei condições. Esse é o meu presente. Seu pai."

Olhei aturdido para o papel, e Annabeth o arrancou da minha mão.

- Acho que ficaremos um bom tempo por lá, então. – ela disse, sorrindo para mim.

- Acho que vou gostar disso. – eu sorri para ela, e lhe dei um beijo. Ela se aconchegou em mim, e dormiu facilmente. Já eu, não. A expectativa do que me esperava ao chegar no hotel não me deixou nem ao menos fechar os olhos.

Annabeth que me aguarde. Oh, deuses!

É, olha eu aqui com mais uma short! DHAUIHSOIDHAIUSHDIUAHISUHD'

Como eu disse, Percy Jackson tornou-se um vicio em minha vida, e é tão mais fácil de escrever que Harry Potter. *u*

Essa short veio assim, do nada. Eu estava tomando um banho quente – e muito gostoso, por sinal – e o Percy falou, bem assim na minha mente: "Se ainda reclamam de sogra, é porque a deles não é Atena. Ela é um pesadelo, literalmente."

E eu decidi fazer a short, porque simplesmente o Percy não parava de contar seu casamento para mim, e eu não conseguia mandar ele calar a boca. E agora me sinto em paz, porque escrevi tudo o que ele me contou. Não é feitio dele, mas ele anda querendo contar como foi a noite dele, e eu disse para ele que só escreveria a NC se as leitoras e leitores quisessem. Isso fez ele se calar, mas eu tenho certeza que se eu disser que as (os) leitoras (es) quiserem, ele vai voltar a falar. Espero que tenham gostado da short e queria muito (lê-se: muito MESMO) que vocês apertasse aqui em baixo em REVIEW e deixassem qualquer linha ali. Elogios, críticas, entre outros J

Eu, assim que puder, vou responder aos comentários de Lucky, porque eu ainda me sinto perdida na HSAUHDIAOHDUAHDIUAHSD'

É isso aí, até uma próxima short, ou quem sabe, a NC bônus se vocês comentarem (uiui-

Beijos ;*