Atenção: Twilight pertence a SM e os Gêmeos são Patrimônio das Pervas.


We got some straightening out to do
And I'm gonna miss you like a child misses their blanket
But I've gotta get a move on with my life
It's time to be a big girl now

And big girls don't cry

Nós temos que ajeitar algumas coisas
E eu sentirei sua falta como uma criança sente falta do seu cobertor
Mas eu tenho que seguir em frente com a minha vida
Chegou a hora de ser uma garota crescida
E garotas crescidas não choram

Big Girls Don't Cry – Fergie


CAPÍTULO 34 – SEGUINDO EM FRENTE

BELLA POV

Eu ainda estava zonza pelo rodopio, mas meu coração deu um salto quando realmente comprovei o que meus olhos me mostravam. Edward estava mesmo na minha frente.

Seus olhos estavam presos em nós. Eu e Dr. James. Não entendia o que ele estava fazendo aqui, depois de tudo. O pior foi a raiva que senti em seu semblante. O que ele estava pensando? Com pequenos passos, decididos, Edward aproximou-se de nós e meu corpo arrepiou somente pela proximidade. Ainda estava muito vulnerável, mas as dúvidas martelavam na minha mente. O que tinha acontecido?

James acompanhou meu olhar e reconhecimento atravessou seu rosto. Como?

"Edward Cullen? Porra, eu não acredito!"

Edward olhou em sua direção, mas seu corpo não se mexeu mais. Eles se conheciam? Cristo, isso não estava acontecendo.

"Fala, James, tudo bom?"

Um novo tremor percorreu meu corpo. Eles se conheciam. Merda.

"ENFERMEIRAS DE PLANTÃO, CHOQUE DE VEÍCULOS NA RUA PRINCIPAL, TRÊS FERIDOS NA ÁREA DE PRONTO SOCORRO".

Levei um susto com o chamado. A voz do auto falante berrou sobre novos pacientes. Eu ainda estava de plantão. Meu corpo balançou diante do dilema da minha vida agora. Edward estava na minha frente, mas o dever me chamava. Nunca fraquejei diante da minha missão.

"ISABELLA SWAN, FAVOR DIRIGIR-SE AO PS URGENTE".

Eles me chamavam. Precisava trabalhar. Olhei para Edward mais uma vez sentindo a poderosa sensação de estar próxima a ele novamente, mas era inútil. Abaixei minha cabeça e fui em direção aos que precisavam de mim.

O serviço era igual a todos os outros. Atendendo pessoas feridas, mas meu corpo estava flutuando. O que Edward fazia aqui, do outro lado do país? Será que tinha acontecido algo em Forks? Eu tinha decidido abandonar a pequena cidade chuvosa, mas me incomodava o fato de ele estar tão próximo.

Ainda estava aplicando medicamentos quando a minha assistente direta veio falar comigo.

"Olá, Isabella. Tudo bem?"

Dei um pequeno sorriso e assenti para ela. "Você poderia pegar mais gaze para mim, Kate? Tenho mais alguns ferimentos aqui".

"Sim, mas eu queria lhe perguntar algo".

Arqueei a sombracelha para ela, insistindo no meu pedido.

"Ei, estou pegando." Ela sorriu e saiu correndo. Poucos segundos depois, ela, esbaforida, me entregava uma grande quantidade de material.

"Aqui... está." Rolei os olhos para a sua atitude. O que ela queria, afinal? Kate balançava o corpo, esperando minha atenção.

"Deseja algo, senhorita Kate?"

"Oh, sim... sim. Desculpe, mas diga por todos os santos que você conhece o deus grego que estava conversando com o homem mais bonito deste hospital".

Fechei os olhos para o seu comentário. Ela quicava de ansiedade para saber. Um ciúme insano se apoderou do meu corpo e rangi os dentes para me controlar. Era óbvio que estavam falando de Edward e James. Eu ainda estava abalada pela sua aparição e essa louca vinha justamente me perguntar sobre ele. Essas funcionárias pervertidas me tiravam do sério, mesmo que nós nem estivéssemos mais juntos. Uma dor profunda se instalou no meu peito.

"Não quero conversar sobre isso com você, senhorita Kate. E aconselho, para o seu sucesso profissional, que não fique falando assim de homens alheios. Você pode encontrar uma mulher raivosa que não vai gostar de saber que está assediando seu homem".

Seu olhar assustado me fez perceber que eu tinha jogado pesado, mas não retiraria o que disse. Bufei novamente em sua direção, fazendo-a procurar algo para fazer bem rapidamente. Elas poderiam até começar a desconfiar de James e eu, mas eu não queria que essas cadelas no cio ficassem em cima de Edward. Ele podia não ser meu agora, mas ele que arrumasse uma bem longe de mim.

Ainda estava completamente dominada pelos pensamentos sobre Edward, pois o restante do atendimento começou a ser entediante. Aqui em Phoenix existia muito mais recursos e profissionais do que em Forks. Lá eu estava acostumada a trabalhar muito mais antes de ter uma folga durante o plantão. E agora eu me encontrava balançando meu corpo no PS, procurando o que fazer. E, lógico, como eu não tinha o que pensar, minha mente vagou para o que tinha acontecido a pouco tempo atrás. Será que Edward ainda estaria aqui? E a questão mais importante: Como, por Deus, ele conhecia James?

Bufei para os meus pensamentos. Você é madura, Bella, pare com isso. Mas não custava nada perguntar para James de onde eles se conheciam, certo? Provavelmente dos tempos de faculdade, afinal eles trabalhavam com a distância de um continente. Mas médicos sempre se conheciam e eles eram pediatras. Poderiam ter participado dos mesmos seminários.

"Pare já com isso e vá perguntar a ele!"

Briguei comigo mesma. Eu estava ficando paranóica igual às outras enfermeiras que suspiravam pelos corredores. Não sou assim e vou tirar essa história a limpo agora.

"Ei, Kate, pode segurar as coisas por aqui? Tenho que conversar com o Dr. James".

Antes que eu saísse do OS, vi que ela me olhou um pouco assustada. Sorri para o seu medo. Em Forks todas suspiram por Edward, mas elas sabiam que estávamos juntos. E aqui, além delas não saberem que eu e ele tínhamos uma história, eu ainda tratava meu chefe por Dr. James, coisa que Carlisle sempre reclamava. Kate e os demais deveriam achar que eu tinha pirado, e nesse momento eu comecei a desconfiar disso também. Eu não queria mais nenhuma intimidade com meus colegas de trabalho, pois depois de tudo o que vivi em Forks, eu não sobreviveria a mais nada. Nem com Edward rondando meu novo emprego? Droga, minha vida era um carrossel de emoções conflitantes!

Assim que cheguei à porta do escritório do meu chefe fiquei receosa. O que eu perguntaria, afinal? Essa não era eu. Eu tinha que seguir adiante, não importando mais o que Edward fizesse da sua vida. Mas antes que minha covardia me levasse para longe, James saiu pela porta com um olhar curioso.

"Aconteceu algo, Isabella?"

"Er... sim. Você tem um tempinho?"

"Claro, entre aqui na minha sala".

Ele abriu a porta e me recordei de como cheguei aqui há poucos dias. Eu estava quebrada e sem perspectivas e James viu em mim a profissional que eu era, coisa que nem eu acreditava mais. Mesmo que eu tenha tomado uma decisão que poderia ser vista como precipitada aos olhos de todos, eu sabia que não poderia continuar em Forks. E o olhar dele assim que me recebeu aqui e me aceitou como sua enfermeira me deu forças para continuar e provar para todos que minha vida seguia em frente. Por isso, eu o considerava muito, a um patamar próximo ao destinado a Rosalie na minha vida.

Percebi que ele me olhava curioso. E só. James era um homem muito bonito. Loiro, com covinhas e um sorriso que poderia molhar calcinhas, assim como Edward. Imaginei como seria ter esses dois homens trabalhando no mesmo lugar e, claro, o índice de ataques cardíacos em mulheres jovens seria a doença mais comum na redondeza.

"Sinto muito em te atrapalhar, Dr. James".

"Isabella, pode me chamar só de James. Eu me sinto um velho assim".

Sorri para ele, que matinha um sorriso singelo em seu rosto. Definitivamente essa preocupação ele não tinha, tenho certeza. Ele poderia ter a mesma idade de Edward e ser tão bonito quanto ele, mas Edward tinha um olhar profundo, que tirava a minha roupa. Droga, Bella, pare de pensar nesse homem!

"Ainda não me acostumei... desculpe... James".

"Assim é bem melhor." Ele sentou na ponta da sua mesa e cruzou os braços. Bom, eu tinha que perguntar, certo? "O assunto é pessoal, Isabella?"

Mordi meu lábio inferior. Óbvio que ele tinha desconfianças, mas será que ele sabia?

"Hum... sim." Cruzei os braços no peito, tentando criar coragem. "Sei que não me deve nenhum tipo de explicação, Dr. James, mas estou muito curiosa..."

Ele levantou uma sombracelha, ainda com um meio sorriso. "Sim?"

"E sei também que você me aceitou aqui sem quaisquer perguntas sobre a minha saída de Forks e tudo mais..."

Uma ligeira gargalhada saiu dos seus lábios, me deixando confusa. James saiu de cima da sua mesa e sentou no banco atrás dela. Cruzou as mãos sobre a mesa, mantendo o olhar risonho em minha direção. O que ele estava pensando, afinal?

"Isabella. Eu sei que você quer perguntar. É sobre o Dr. Edward Cullen?"

Somente ouvir o nome dele me deu uma leve vertigem. Pensar em Edward, xingá-lo, ou até mesmo continuar a amá-lo fazia parte da minha mente doentia. Mas ouvir outra pessoa perguntar por ele, falar o seu nome em voz alta era uma emoção diferente. Eu ainda estava absorvendo sua pergunta, enquanto um olhar curioso voltou em minha direção. Deus, desde quando eu tinha me transformado nessa mulher insegura?

"Eu... bem... sim. Sabe, eu não saí nas melhores condições de lá e pensei..."

Assentindo lentamente, vi que James me analisava. O que ele estava pensando? Será que eu tinha arruinado as coisas com ele? Eu não queria que ele me achasse uma enfermeira vadia, que dormia com os médicos dos hospitais. Suspirei passando uma das minhas mãos através dos meus cabelos presos.

"Ele disse que estava visitando o hospital." Suas palavras me pegaram de surpresa. O que Edward tinha vindo fazer aqui do outro lado do país? Será que ele...?

"Eu o conheço dos tempos da faculdade. Estudamos juntos. Sabia que tínhamos o mesmo projeto do tratamento das crianças com câncer? Isso desde o primeiro semestre. Acho que por isso seu irmão gêmeo se especializou em pesquisas de células cancerígenas. Apesar de serem irmãos idênticos, eu via que Robert o tratava quase como um ídolo. Você conheceu o seu gêmeo? Idêntico, não é verdade?"

Ele estava compartilhando parte do seu passado com Edward comigo. Eu cheguei a viajar no tempo e ver dois jovens idealistas, e lindos, é claro, estudando com afinco e pensando nas crianças. Eu sempre soube do amor de Edward pela sua profissão. Mas nunca imaginei essa cena na minha mente. E ainda tinha Robert. Meu Deus, era tão estranho saber como o mundo era pequeno. Não importava para onde eu fosse, a vida de Edward sempre era entrelaçada à minha. Como eu poderia esquecê-lo desse jeito?

"Sim, eu o conheci".

"Mas..." Ele continuou. "Eu realmente não entendo o que ele veio fazer aqui. Apesar de papai Carlisle fazer parte da comissão médica do governo, que libera verbas hospitalares para grandes projetos. Como o pai não pode vir..." Ele deu de ombros. "Acho que Edward veio cumprir o papel, correto? Afinal, ele não tinha nada o que fazer por aqui além de verificar as instalações. Edward Cullen é o ser mais obstinado que conheço. E eu o admiro por isso".

Um brilho de felicidade ultrapassou seus olhos. No mesmo instante eu percebi. Lógico, Edward estava aqui pelo projeto. Ele era um defensor ardente do tratamento de crianças, seja com câncer ou não. Eu ainda me lembrava da sua dor ao perder pacientes e o vazio que ele sentiu ao transferir Daniel. Eu estava dividida. Apesar de ter orgulho por seu envolvimento, me senti quebrada por não ter sido por mim.

"É verdade. Acho que ambos são bastante obstinados, Dr. James." Minha voz quase saiu sussurrando. "Imagino como deveriam ser os dois na faculdade." Tentei desviar o assunto.

"Oh, mais é claro, mas nunca deixe Edward ouvir isso. Eu tive que perder muitas festinhas na faculdade para estudar. E, claro, a minha recompensa foi somente no final, onde terminei minha graduação em primeiro lugar, deixando Edward em segundo. Acho que foi o primeiro golpe no ego dele na vida".

Um sorriso saudoso varria o semblante do meu chefe, enquanto eu imaginava novamente a cena de um Edward possessivo, perdendo para ele. Sorri com a ideia do quanto ele deve ter puxado aqueles cabelos. Suspirei. Eu nunca mais seguraria aqueles cabelos novamente.

"Deve ter sido ótimo para o seu ego então".

"Sim, e não vou mentir. Eu e Edward tínhamos uma relação saudável, mas não éramos amigos. A nossa disputa era silenciosa. Até mesmo entre garotas. Mas, enfim, ele se formou e foi trabalhar no hospital do pai. E acho que ele é o melhor pediatra do estado de Washington, muito melhor do que eu, que virei um burocrata. Mas é a vida, não é?"

Assenti, tensa demais para falar qualquer coisa. Era estranho ouvir sobre o passado de Edward.

"Mas, fora isso... ele não disse nada, Isabella. Você não precisa se preocupar com quaisquer comentários sobre sua vinda para cá. Edward Cullen não citou o seu nome em nenhum momento. Eu acho que foi tudo superado".

Meus olhos me traíram. Eu quase sucumbi à dor pelas suas palavras. Edward não tinha vindo me ver. Essa constatação foi mais dolorosa do que eu pensava.

"Sim... tudo foi superado." Desviei o olhar dele. "Bom, acho que vou terminar o meu plantão. Obrigada, Dr. James".

"Não precisa me agradecer. Estarei sempre aqui pronto para conversar com você." Percebi que ele se levantou e se aproximou de mim. "Quero que se sinta em casa aqui, Isabella. Você é uma das melhores profissionais que eu já contratei".

Assenti e abri a porta sem olhar em seus olhos. Sim, eu tinha que seguir em frente.

Os corredores nunca foram tão opressores. Meu coração ainda martelava pela dor da certeza que ele não me queria mais. Todo o sentimento que vivi, quando Edward saiu pela minha porta, voltava em ondas dolorosas. Ele não me amava. Eu era somente mais um corpo para ele. Eu acreditava que amor envolvia confiança e dedicação e ele não conseguia me dar isso. Eu queria o conto de fadas e Edward se viu incapaz de fazer isso por mim.

Voltei à realidade do final do plantão com a pequena luz piscando no corredor. O trabalho em Phoenix era muito mais calmo, o que era bom. Ou não. Eu tinha muito tempo para ficar pensando nele e isso não estava sendo bom para mim. Principalmente agora, depois que ele apareceu para visitar o hospital.

Meu celular começou a vibrar. Meu corpo tencionou e olhei o identificador. Voltei a respirar ao ver que era minha amiga.

"Estou esperando você vir aqui e me bater, Rosalie".

Uma pequena gargalhada me fez sorrir. "Bella, eu gostaria muito de estar aí com você, mas eu tive alguns projetos loucos que apareceram por aqui e tenho clientes me ligando a todo instante. Sinto muito, amiga, mas agora eu realmente não posso".

Senti certo alívio ao perceber que a nossa 'conversa séria', como ela tinha me dito ontem, seria por telefone. Eu não estava preparada para ouvir o sermão da minha amiga ao vivo.

"E a nossa conversa será por telefone, certo?"

"Isabella Swan, ontem eu estava consternada, pois sua voz parecia ainda de um coelhinho assustado, mas quero saber o que o maldito gêmeo que era do bem fez para você correr de Forks".

Olhei para os lados e resolvi entrar na minha sala. "Espere eu entrar na sala." Assim que entrei e tranquei a porta, lágrimas saltaram aos meus olhos.

"Você tem certeza que quer ouvir tudo, Rose? Nem eu sei se vou conseguir falar sem desmoronar".

Ela suspirou. "Deus do céu, amiga, eu não sei mais o que quero nesse momento. Se Emmett entrando por essa porta agora, ou ir até onde você está e te abraçar muito, ou ir até Forks e cortar o pau desse filho da puta".

Por mais triste que estivesse, eu tive que rir com o seu comentário. "Emmett não está aí? O que houve?"

"Não te liguei para contar a minha frustrada vida sexual neste momento, mas meu marido está preso no seu escritório montando uma defesa que vai lhe dar muito dinheiro." Sorri. "Tudo bem que ele me prometeu muito sexo e um diamante do tamanho do meu mamilo, mas nada se compara a ele aqui comigo".

Sentei e fechei os olhos. Eu queria ter um relacionamento assim com Edward. Cumplicidade total, independente da nossa personalidade ou vida profissional.

"Sei o que está pensando, Bellinha. Você vai encontrar alguém como eu. Mas, conte-me tudo. Desde o começo. O que exatamente aconteceu para você estar aí com o doutor delícia? O que aquele imbecil fez dessa vez?"

Funguei, segurando as lágrimas. "Ele não confia em mim, Rose".

"Deus do céu, Bella, me conte".

Comecei a contar tudo para ela. Desde o momento em que ele bateu na minha porta, depois que saí da casa de Ângela. A ligação de James. Minha decisão em partir. E o que aconteceu com Masen e o meu surto em ficar o mais longe possível.

"Amiga... por favor. Esse cretino não vale isso. Se você soubesse o quanto eu gostaria de matar esse i-"

"Eu quero um romance especial. Quero uma vida igual a que você tem com Emm, pertencendo a uma família. Eu quero o conto de fadas..."

"Bella..."

"Rose, ele disse que queria meu corpo... que até me amava, mas que não confiava em mim. Eu me senti uma vadia que tentava conquistar o príncipe e ele joga na sua cara que o que eu tenho não serve pra ele".

"Isabella Marie Swan. Porra. Pare com isso agora, ele não te merece, entendeu? Sei que você o ama e tudo mais, mas você é linda. Inteligente. E perfeita para um homem que realmente te mereça. E ele não serve pra você! Como ele pode dizer essas merdas pra você? Edward está pensando com o próprio pau, amiga, além do que ele não admite que você fodeu com o irmão dele. Isso é puramente egoísmo de macho que não se garante na sua foda. Mas que merda! Eu gostaria imensamente que assassinato não fosse crime, ou que esse comedor de merda não fosse meu cunhado. Eu iria tranquilamente para cadeia".

"Pare com isso, Rose... não gosto nem de lembrar sobre isso. E não sou isso tudo, me sinto um lixo nesse momento".

"Lixo? De onde você tirou isso? Meu Deus, eu só não tenho inveja de você porque sei que sou linda. E eu conheço você a muito tempo, Bella. Sei como os homens babavam em cima de você desde a faculdade. Lembra de quantas vezes Emmett teve que fingir que comia nós duas para espantar os otários do campus, amiga? Você é tudo isso e muito mais. Você é minha melhor amiga. Eu não continuaria a amizade com uma qualquer, querida. Saiba disso".

Mesmo chorando eu tinha que rir de Rose. Deus, somente ela para me falar essas coisas.

"Sabe que te amo, né? Tenho saudades da nossa vida na faculdade".

Rosalie respirou profundamente. "Bella, você é como uma irmã pra mim. Minha família que não tenho. Gostaria de poder fazer mais por você, mas tudo o que eu disse é verdade. Volte a viver, dedique-se a essa profissão que você faz lindamente. Sei que coisas boas vão acontecer. Tenho certeza disso".

"Obrigada... foi por isso que vim para cá".

"Hum... pensei que tivesse sido pelo médico gostosão. Como é o nome dele mesmo?"

"Rose!" Minhas bochechas se inflamaram. "Ele é meu chefe".

"E daí? Amo meu marido e ele me fode como ninguém, mas meu sogro já invadiu meus sonhos eróticos e nem por isso me sinto culpada. E o cara estava de quatro por você quando fui aí. Conheço o olhar que ele te deu. Fala logo".

"Se Esme sabe disso..." Sacudi a cabeça e sorri. "Você vê pornografia em tudo, Rose. E o nome dele é Dr. James, sua louca".

"Hum... Jaaamesss." Ela arrastou a voz. "Soa bem nos lábios. Gemendo deve ser melhor".

"Rosalie Halle Cullen! Cala a sua boca pervertida." Acabei gargalhando. Eu amava minha amiga.

"Agora é sério. Compre um vibrador. Observe e, se puder, use o corpo magnífico do seu chefe para gozar futuramente. E siga em frente. Tenho certeza que sua vida será melhor em Phoenix".

"Obrigada".

"Mande beijos para papai e mamãe Swan. Diga que estou sentindo falta deles".

"Eu direi sim".

"Eu te amo, Bella, nunca se esqueça disso".

"Eu também, louca. Para sempre".

Assim que ela desligou, abri um sorriso. Somente Rose conseguia fazer isso por mim. Mesmo com as coisas que ela me falava, eu me sentia melhor.

Saí do hospital e fui direto para minha casa. Há muito tempo Phoenix não era mais o meu lar, mas nos últimos dias era meu porto seguro. Meu pai foi me buscar no aeroporto quando cheguei, mas nunca me perguntou sobre a minha decisão repentina. A única coisa que ele havia me dito era 'Fique o tempo que quiser'. Eu sabia que precisava voltar a Forks e me desfazer da minha antiga casa e sair oficialmente do hospital. Mas eu tinha que me reerguer primeiro.

Meu pai tinha me emprestado seu carro, já que ele ia trabalhar com o carro da minha mãe. Eu me sentia culpada por atrapalhar suas vidas, mas não tinha para onde ir agora. Eu estava mesmo precisando de colo assim que cheguei e isso tinha que mudar.

Entrei em casa e vi que meu pai estava sentado no seu grande sofá, lendo um jornal. Sorri para a cena. Ele tinha a mesma postura séria da minha época de menina, mas com as minhas manhas habilidosas eu conseguia arrancar quase tudo dele. Exceto quando minha mãe não deixava.

"Vai ficar aí parada na porta, Bella?" A voz profunda do meu pai surgiu enquanto ele abaixava o jornal. Sorri e fechei a porta, indo na sua direção.

"Seria muito ruim pedir colo agora?"

Um sorriso sincero, cheio de rugas no canto dos olhos, quase me fez chorar. "Venha, minha pequena, também tenho saudades de te afagar no meu colo".

Seus braços abertos foram mais do que convidativos. Eu amava muito meu pai. Joguei minha bolsa no chão e quase corri para o seu colo. Assim que senti seus braços me envolvendo e seu corpo me embalar, como na minha infância, foi impossível segurar as lágrimas.

"Eu te amo, papai".

Um grande suspiro e um forte abraço foi sua resposta. Eu poderia estar me comportando como uma menina perdida, mas eu precisava disso agora. Minha vida sentimental estava tão bagunçada, que eu gostaria de acordar e voltar à época em que as dificuldades da vida eram acordar cedo e ir para escola.

"Eu também te amo muito, minha filha, mas acho que você já sabe disso".

Assenti, ainda embalada pelo seu cheiro e seu abraço. Era bom me sentir assim. Pensei no relacionamento dos meus pais. Eles eram perfeitos um para o outro. Minha mãe era meio louca, muito parecida com Rose. Tanto que as vezes eu achava que Rosalie era sua filha. Mas meu pai não. Ele era doce. Centrado. Companheiro. E um homem que um dia eu gostaria de encontrar na pessoa da minha alma gêmea. Alguém que pensei que Edward pudesse ser.

"Pai?"

"Sim?"

"Posso perguntar uma coisa?"

"Lógico".

Levantei meu rosto e olhei em sua direção. "Como você sabia que a mamãe era para toda vida?"

Ele olhou em meus olhos e afagou meu cabelo. Após um longo suspiro ele se ajeitou e ficou procurando a resposta. "Não precisa responder se não quiser, pai".

"Na verdade, não é isso. Simplesmente não posso te responder porque eu não sabia que era para toda vida".

Franzi o cenho. "Como assim?"

"Bella, por mais que o romantismo exista e que me dói imaginar minha vida sem sua mãe, nunca parei para pensar sobre questão de tempo. Os relacionamentos são feitos no dia a dia".

"Mas você sabia que queria ficar com ela para o resto da sua vida?"

"Bom... sim. Eu acho. Eu e sua mãe nos casamos cedo, Bella. E não vou dizer aqui que nossa vida foi, ou continua sendo, um mar de rosas. Por muitas vezes brigamos, ao ponto de ela me mandar embora de casa sempre. Isso é uma relação. Não dá para ser perfeito. Não existe o conto de fadas na vida real, filha".

Suas palavras me pegaram desprevenidas. Era exatamente isto que eu tinha pedido a Edward e ele me negou. Assustada, resolvi abordar outro aspecto da minha separação.

"Mas a confiança tem que existir, certo?"

Meu pai me olhou longamente. Comecei a morder meus lábios com receio das suas palavras.

"Se você está querendo fazer um paralelo entre o meu relacionamento com sua mãe e o seu com esse rapaz que fez você voltar para casa, você está cometendo um engano, filha. Todos somos pessoas diferentes, com experiências e sentimentos individuais. Mas não se engane. Se o seu coração ainda bate forte por ele e o dele também, não deixe que mal entendidos atrapalhem a sua felicidade, minha filha. Eu vi, quando você esteve aqui me visitando, você tinha um brilho nos olhos que agora vejo ofuscado pela dor. Não faça isso a si mesma".

"Mas pai... ele não confia em mim".

"Vocês conversaram? Digo, sem a emoção do problema, ou sem essa dúvida que paira entre vocês? Caso não, ficar se martirizando não fará você ficar melhor, filha".

Ele estava certo. Mas como falar com Edward? Eu ainda estava quebrada, e eu não tinha nenhuma vontade de ir atrás dele. O que eu poderia fazer?

"Não fique com essa dúvida. As coisas sempre dão certo no final, e se ainda não deu é porque ainda não chegou ao fim".

Abracei meu pai suspirando o seu cheiro. "Obrigada, pai".

"Eu já estava com saudades da época em que você sentava no meu colo e me pedia conselhos." Escutamos a porta abrir. "E acho que sua mãe acabou de chegar".

"Oh, meu Deus! Deixa eu tirar uma foto, vocês estão tão lindos!" Sorri com a minha mãe. "Bella, não se mexa!"

Minha mãe correu até o seu quarto e tirou não só uma, mais várias fotos nossas. Tinha muito tempo que eu não tinha esse momento família. Durante nosso jantar, eu ficava pensando nas palavras do meu pai e ele tinha razão, mas era difícil não pensar que eu já estava no final do meu romance quase perfeito. Eu não confiava que ainda teríamos o nosso 'final feliz', como meu pai me fez acreditar. Depois de algumas horas, tomei um banho e fui dormir, afinal, amanhã eu tinha plantão novamente.

Acordei mais disposta e fui direto para o hospital. O dia parecia um pouco nublado, diferente do clima normal de Phoenix e muito parecido com Forks. Eu tentava não lembrar tanto de como era aquela cidade chuvosa, mas era difícil. Não conseguia esquecer Edward.

Ainda era cedo e descobri que James estava resolvendo sobre uma transferência de um paciente especial. Eu gostaria de saber como ele poderia se envolver tanto com o hospital e ainda ser tão simpático? Ok, Bella, sem pensamentos sobre seu chefe! Minha amiga Rose definitivamente não tinha boas ideias para colocar na minha cabeça.

Sorrindo pela lembrança da minha louca e pervertida amiga, assustei-me com a vibração do meu celular. Assim que olhei o visor, quase caí dura ao reconhecer o número do meu grande e sumido amigo.

"Emmett? Meu Deus, por isso Phoenix está sem sol! Você está me ligando?"

Uma gargalhada forte ecoou do outro lado do telefone. "Assim você me ofende, Bella, afinal, ainda sou seu amigo, e apesar de não ligar muito para você pessoalmente, acompanho sua vida através de Rose. Ela nunca me deixa esquecer você".

"Eu imagino, sabe que sua esposa é muito louca, certo? Você nem imagina as coisas que ela me disse ontem..." Sorri sozinha, enquanto entrava na minha sala. "As vezes ela me assusta profundamente e olha que é por telefone. Eu imagino o que você vive, amigo. Sem ofensas, mas você é quase meu ídolo".

Outra gargalhada e dessa vez ouvi a voz dela ao fundo um pouco irritada. "Eu ouvi isso, Bella".

Dessa vez quem gargalhou fui eu. "Nossa, que saudades de vocês dois, sabia? Eu nunca imaginei que você se tornando um advogado tão famoso me faria perder meu amigo".

"Bella, você está me magoando assim. Eu sou o melhor promotor do estado de Washington e minha esposa quase me mata por ficar tantos dias ausente. O que ela vai pensar de mim?"

"Que se você não fodesse tão bem, querido, eu já tinha te largado." A voz de Rose, apesar de distante, foi bem clara. E óbvio que fiquei extremante vermelha com as insinuações da vida sexual deles. "Vocês podem, por favor, não falar sobre o sexo entre vocês?"

"Ah, Bella, o que é isso? Vergonha? Você já nos viu fazendo sexo algumas vezes, sem contar que já me viu pelado também, então sem pudor aqui".

Se eu pudesse ficar mais vermelha, esse era o momento. Eu nunca esqueci as vezes em que entrei no meu quarto na faculdade, flagrando Rose e Emmett transando. Aliás, eles eram bem sonoros. "Se vocês me ligaram para me constranger, já conseguiram".

"Deve estar toda vermelhinha, hein, Bella?" Mostrei a língua para o telefone. Patético, eu sei. "E não mostre a língua pra mim viu?" Sorri de novo. "Mas eu liguei mesmo para saber como você está, Rose me disse que ligou para você ontem".

Franzi o cenho. "Hum... dada as circunstâncias, acho que estou legal".

"Sabe que essa declaração ambígua, dada para um advogado insistente como eu, gera muita especulação, certo? Quero algo mais concreto, Isabella Swan".

"Acho que você já sabe de tudo, afinal, segredo nunca foi o forte no relacionamento entre você e Rose. Sabe que estou aqui por causa do seu irmão".

"Sim, isso eu já sei, Bella, não perguntei onde está e sim como está. E então, irmãzinha, conte-me tudo, como estão as coisas por aí? Como está se sentindo... longe dele?"

Suspirei. "Emmett... eu estou... quebrada. Eu sinto que meu coração foi arrancado do meu peito... então, por favor, não me pergunte mais pelo seu irmão." Meus olhos se encheram d'água.

"Bella... não fique assim".

"É verdade, Emmett. Seu irmão... eu ainda o amo, mas... não dá mais".

Ele suspirou. "Bom, você sabe que sou a favor da justiça e que todos têm o direito de ouvir os dois lados. E se... hipoteticamente falando, é claro, ele fosse até você e quisesse conversar?"

"Não estou entendendo, Emmett." Meu coração se apertou.

Um forte suspiro e logo o telefone passou para as mãos da Rose. "Deixe-me falar com ela." Eu quase sorri com eles. "Rose, espere..." Escutei o barulho de um tapa. "Emmett, quer uma greve de sexo?"

"Vocês estão brigando?"

"Bella... não escute o Emmett. Nós só ligamos para saber como você está".

"Hum... tudo bem".

"E, amiga, agora é sério. Por mais louca que eu pareça e fale tudo envolvendo sexo, eu quero o seu bem sempre. E se..." Ela suspirou. "Se você precisar colocar tudo pra fora e conversar com o... gêmeo do bem, será melhor, e assim você realmente pode continuar sua vida... ou entender tudo o que aconteceu e voltar a viver do jeito que você vivia".

Hã? Ela estava defendendo Edward?

"Você está pedindo para eu fazer as pazes com Edward, mas ontem...?"

"Eu não disse isso... eu só quero... droga." Ela suspirou. "Eu queria dizer algumas coisas para você que não disse ontem, por isso eu liguei".

Fiquei muda esperando suas palavras.

"Na verdade, Bella, eu lembro o que te disse ontem e não sou conhecida por ser calma e sensata, mas não é melhor colocar toda a história em pratos limpos? Porque vocês mais foderam do que conversaram sobre o que aconteceu. Amiga, você saiu praticamente fugida de Forks e no calor do momento... Não estou dizendo que você agiu errado, mas talvez a distância e o tempo longe do gêmeo do bem tenham lhe dado outra perspectiva da situação. Sei lá, ver com mais clareza tudo que aconteceu e ele também. Só queria me certificar, antes de cortar o pau dele fora, se realmente não há mais nada a fazer".

"Tudo bem... eu acho".

"Não está tudo bem. Eu queria ter a oportunidade de falar com ele, Bella. E deixar bem claro o quanto me incomoda que ele pense com seu pau, mas nada disso vai fazer as coisas melhores para você, pois serei eu. E não você. Acho que não é certo. Você tem que dizer essas coisas. E só você pode fazer isso".

Meu coração martelava no meu peito. Essa conversa estranha estava acabando comigo. Não era a primeira pessoa importante na minha vida que dizia que eu precisava resolver a minha vida com Edward, mas eu sempre me lembrava do nosso último encontro. Ele foi embora. Ele desistiu.

"Ele desistiu, Rosalie, ou você esqueceu? Eu não tenho que falar com ele. Se ele quiser... bom, eu posso até dar essa oportunidade, tudo bem? Mas se ele vier a mim".

"Essa é a minha garota".

Eu podia estar enganada, mas ouvi os dois suspirando. Definitivamente eles estavam estranhos. E isso me deixou muito curiosa.

"Posso perguntar uma coisa?"

"Lógico." Rose respondeu.

"Está no viva-voz? Eu não quero repetir a pergunta".

"Sim." Ouvi os dois falando.

"Edward falou com vocês? Ou vocês souberam de algo sobre ele vir aqui?"

"O QUÊ? Lógico que não, Bella, de onde você tirou isso?" Emmett respondeu, mas nem pude falar nada. "E você sabe que eu não morro de amores pelo meu cunhado, jamais mandaria ele ir aí. Por quê?"

"Eu não quero vocês interferindo sobre isso!"

"Pode deixar, afinal, sou promotor, e não um mentiroso." Emmett quase me convencia com seu discurso politicamente correto.

"Advogados mentem." Sorri.

"Apenas omitem, Bella. E sempre por um bem maior".

Sacudi a cabeça. Eles ainda me enlouqueceriam um dia. O barulho do hospital me trouxe de volta à realidade.

"ISABELLA SWAN, COMPARECER AO PRONTO SOCORRO URGENTE".

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, escutei a voz de Emmett. "Acho que o dever te chama, depois nós conversamos. Venha nos visitar um dia, Bella".

"Ok".

Assim que desliguei fui correndo para o meu trabalho, afinal, meu dramas sentimentais não tinham nada a ver com a vida dos pacientes.

O resto da manhã passou quase correndo, não tinha tantos pacientes quanto Forks, mas alguns médicos eram muitos mais exigentes. Em alguns casos eu me sentia como uma enfermeira recém formada. Mas não me incomodava.

Depois do almoço, me senti estranha. Era uma sensação de que algo mudaria, ou que minha vida estava em uma encruzilhada. E isso não estava me agradando. Assim que peguei o celular para ligar para os meus pais, escutei James me chamando pelo som do hospital.

"ISABELLA SWAN, FAVOR SE DIRIGIR AO CTI INFANTIL".

James nunca me chamou assim. Larguei tudo e fui correndo para o CTI. O que estaria acontecendo?

Assim que cheguei, meu coração deu um salto. Uma criança ligada a aparelhos, com o rosto coberto com máscara de oxigênio e um batalhão de pessoas em volta era o centro das atenções.

"O que houve, Dr. James?"

"Recebemos essa transferência. Por favor, ajude-me com os procedimentos para interná-lo".

"Mas... desculpe. Por que eu?" Eu não queria questioná-lo, mas tinha muitas enfermeiras muito mais acostumadas a este tipo de procedimento do que eu.

Ele me olhou nervoso e virou o rosto para o menino. "Você não o reconhece?"

"O QUÊ?" Olhei assustada para a criança e não sabia do que ele estava falando.

"Ele..." James suspirou. "Ele era paciente do Dr. Cullen, Isabella. O seu nome é Daniel".

Meu Deus. O paciente de Edward!

"Mas... mas por que ele está aqui? Ainda não inauguraram... a... a ala infantil." Minha voz falhava à medida que a ficha caía. Daniel estava aqui em Phoenix agora. O que tinha acontecido?

"Ele estava muito longe da família e sem recursos médicos necessários para o seu tratamento, e quando me pediram não tive como negar".

"Mas?... E agora?"

"Eu preciso da sua ajuda, Isabella".

Meu modo profissional assumiu. "O que posso fazer?"

Ele olhou para mim e seu rosto ficou um pouco vermelho. Eu não estava entendendo.

"Sei que pode ser muito para você, mas eu gostaria que você entrasse em contato com o Hospital de Forks e falasse com o médico dele. Eu preciso que você ligue para o Dr. Edward Cullen".

Eu fiquei paralisada. "Como?"

"Ele fazia todo o acompanhamento dele, mas acho que o Dr. Carlisle autorizou a transferência, pois além dessa cidade ser mais próxima da família, aqui tem mais recursos tecnológicos. E por mais que eu tenha uma cópia do seu prontuário, informando o histórico do seu tratamento, gostaria de discutir o caso com o médico que descobriu a doença e ninguém melhor do que Edward Cullen para me colocar a par da situação, certo?"

Eu não tive reação diante do pedido do meu chefe. Claro que Edward sabia tudo dessa criança, afinal, Daniel era um paciente especial, principalmente porque hoje eu acreditava que se Rob estivesse com ele, eles teriam ajudado o menino. Mas, depois de tudo, ligar? Pedir ajuda? Por Deus, eu não teria coragem. Eu estava com medo.

Diante da minha incerteza, James pegou no meu braço e sussurrou no meu ouvido.

"Não é hora para isso, Isabella. A vida de Daniel é mais importante do que o seu passado".

Fiquei alerta com as palavras de James. Ele estava certo. Não podia deixar a vida de uma criança inocente ser prejudicada pelos meus dramas amorosos. Novamente meu lado profissional foi mais forte e por impulso saí do CTI e peguei meu celular. Com os dedos tremendo, comecei a discar o número dele.

O telefone tocava insistentemente e meu coração dava saltos no meu peito. Por que Edward não atendia seu telefone?

Quando eu estava quase desistindo, escutei o barulho ecoando do outro lado. Fiquei estática.

"Alô?"

"Edward?"

Minha respiração travou ao ouvir sua voz. Mesmo por telefone ele conseguia diminuir minha sanidade.

"Be-Bella?"

"Sim. Me-me desculpe ligar agora." Sua voz parecia um pouco tensa. "Você está ocupado?"

"Eu?" Sua voz ficou mais firme e meu corpo tremeu. "Bella, nunca estou... quero dizer, não estou ocupado".

"Bem... er." Droga, seja adulta, Bella!. "Eu preciso falar algo urgente com você".

"Estou a sua disposição." Sua voz saiu mais rouca. Deus, eu ainda vou enlouquecer!

"Bom, não é nada sobre nós... digo, eu... droga." Suspirei. "Estamos precisando dos seus conhecimentos médicos aqui em Phoenix".

"O quê?" Uma risada rouca saiu dos seus lábios e vergonhosamente minha calcinha ficou úmida. "Eu pensei que James fosse um excelente pediatra".

"Sim, ele é!" Minha voz saiu quase ríspida, pois senti necessidade de defendê-lo. "Mas o problema é sobre alguém que você conhece".

"Sério? Eu estive aí, Bella, e me recordo, muito bem, de conhecer somente você." Ele tinha que fazer essa porra de voz sexy? "Mas, como eu disse antes, estou a sua disposição. Para o que você me quer?"

Eu não queria entender o significado das suas palavras, mas meu corpo não pensou assim. Deus, somente por telefone ele estava me fazendo arfar.

"Bom... não sou eu. É sobre um paciente".

"Sim... que paciente?" Sua voz ainda vibrava no meu ser, mas o modo médico estava ali também. Quase sorri. Eu precisava falar logo, antes de soltar alguma merda ao telefone.

"Eu estou ligando a pedido do Dr. James, pois acabamos de receber seu antigo paciente, Daniel. Lembra dele?"

Um grande suspiro ecoou no telefone. "Edward?"

"Você está querendo me dizer que o Daniel que eu tratava em Forks está aí em Phoenix? Por quê?"

Mordi os lábios, nervosa. "Sim... sua família mora nas proximidades da cidade e o hospital daqui dispõe de melhores recursos tecnológicos para o tratamento da doença dele... além de estarmos em processo de implantação de uma ala para tratamento especializado em oncologia infantil... bom, por isso ele está aqui".

"E você me ligou para...?" Sua voz estava trêmula.

"Dr. James gostaria de saber se não poderia discutir a melhor conduta clínica para o caso do Daniel com você e saber se não poderia dar algum tipo de orientação quanto à condução do tratamento, visto que foi você quem descobriu a doença." Nossa, pensei que nunca conseguiria falar isso!

"Não!"

O QUÊ? "O que disse, Edward?"

"Eu disse não!"

"Você não vai ajudar?" Eu não estava acreditando nisso! "Mas...?"

"Eu estou dizendo não para dar orientação... por telefone." Eu arfei. "Estou indo para Phoenix agora".

"O QUÊ?"

'"Bella, se James acha tão importante as minhas opiniões, diga para ele que estarei aí para ajudar pessoalmente".

"Mas... eu..."

"Fale que só preciso pegar umas coisas e já estou chegando..."

"Não tem necessidade de você vir pra cá!" Eu estava quase histérica. "Por que não me fala por telefone?"

"Porque, Isabella Swan, eu não faço nada pela metade. Eu estarei em Phoenix mais cedo do que imagina".

Antes que eu pudesse retrucar, o barulho tinha cessado. Eu olhava de boca aberta para o meu celular, sem acreditar nas coisas que ele tinha dito. Edward estava vindo até aqui. Novamente. E agora?

"Isabella?"

Olhei assustada para James. Eu ainda não tinha percebido que ele estava na minha frente, o que me fez gaguejar. "O-oi, Dr. James".

Ele me olhava curioso. "Conseguiu falar com ele? Com o médico do Daniel?"

Assenti levemente e olhei para o celular novamente. "Sim... eu acho".

"E por que você está com esse semblante assustado? Ele disse algo sobre o menino?"

"Não, Dr. James... ele..." Respirei profundamente. "Dr. Cullen está vindo pra cá".

Confusão varreu seus olhos. "Como assim?"

"Bom, ele disse que se você precisa da sua ajuda, ele a fará pessoalmente." Eu quase me encolhi com as palavras.

Um pequeno sorriso surgiu no rosto do meu chefe. Olhei para ele sem entender. Do enigmático sorriso surgiu quase uma gargalhada, deixando-me ainda mais confusa. Do que ele estava rindo?

"Não fique assim, doce Isabella." Sorrindo ele apoiou uma mão no meu ombro. "Edward continua a mesma pessoa obstinada que conheci." Depois ele cruzou os braços e lambeu os lábios. "E lógico que eu sabia que ele não demoraria a voltar aqui, correto?"

"Eu... bem..."

"Não se preocupe. Vamos nos preparar para receber o Dr. Cullen aqui. Eu espero que a ala feminina deste hospital se comporte." Após um tapinha nas minhas costas e sorrindo de forma enigmática, James se afastou me deixando zonza.

O que estava acontecendo, afinal? Por que ele estava fazendo essa cara?

O resto do plantão foi... diferente. Eu ficava calculando quanto tempo demoraria para que Edward fosse aparecer. Será que ele me procuraria? O que eu devia fazer?

Eu estava nervosa. Literalmente. Totalmente. A sensação era de que eu receberia o convite do baile de formatura do ensino médio do príncipe da escola. Ou seja, patético. Um sorriso se espalhou pelo meu rosto. Será que ele também se sentia assim? Afinal, Edward tinha confessado que me amava, só não confiava em mim, certo? Eu sabia o que faria. Meu relacionamento com Edward seria estritamente profissional. Eu o chamaria pelo seu título. E, claro, esperaria que ele viesse até mim.

Meu plantão sempre terminava no meio da noite. Nunca tirava uma escala pesada igual a que eu tinha em Forks, conforme as palavras de James ao me contratar, mas sabia que ele não me deixaria ir embora. Entretanto, por vias das dúvidas resolvi procurá-lo.

Já era tarde da noite e deixei recado com meus pais, avisando do turno noturno e fui em direção à sala do meu chefe. Assim que cheguei, vi uma pequena aglomeração próxima à sua porta. O que estaria acontecendo?

A primeira pessoa que reconheci foi minha assistente, Kate, que, obviamente, já deveria ter ido embora. Suspirei e ajeitei meu rabo de cabelo e minha franja. Com os braços cruzados e a impaciência me dominando, resolvi abordá-la.

"O que está acontecendo aqui, senhorita Kate? Acredito que seu plantão já terminou".

Surpresa e medo varreram seu rosto. Levantei a sobrancelha em sua direção, esperando sua resposta. Percebi também nesse gesto que o público ao meu redor era totalmente feminino.

"O-oi, senhorita Isabella... eu... estava aqui, com as meninas... conversando e..."

"Na porta da sala do Dr. James?"

"Sim e..."

"Acredito que a área de descanso é suficientemente espaçosa para mexericos".

As outras pessoas que estavam ao redor começaram a se afastar. Minha postura austera e os braços cruzados devem ter dado razão às minhas palavras. Quase sorri com o medo estampado em todas.

"A senhora tem razão... sinto muito".

"E se, por acaso, deseja trabalhar além do seu horário, acredito que deveria estar no PS e não por aqui, estou correta?"

Vergonha. Foi isso que vi em seu semblante. "Desculpe, estou indo pra lá agora".

"Muito bem".

Ela assentiu e foi rapidamente para onde eu tinha dito. Com uma respiração profunda eu me preparei para bater na porta de James, mas a mesma abriu no mesmo instante. E, claro, quem ficou sem palavras fui eu, pois nesse momento, Edward e James saíam da sala conversando quase animadamente.

"... sendo assim, James, quero vê-lo nesse instante".

Ele estava lindo. Como sempre. O rosto tinha o semblante sério do seu modo médico. E, porque não dizer, ele estava extremamente sexy com o jaleco do hospital. Meu olhar varreu seu corpo, o que me deixou envergonhada, pois percebi que ambos os médicos me encaravam profundamente. Ótimo, Bella, que atitude idiota!

"Senhorita Isabella".

Meu chefe falou comigo me trazendo à realidade. Nesse momento, enfiei minhas mãos no bolso do jaleco, para me trazer segurança. "Pois não, Dr. James?"

"Queria mesmo falar com você. Acho que não preciso apresentá-la ao Dr. Edward".

Meu corpo tremeu, mas mantive a serenidade. "Boa noite, Dr. Edward".

Dessa vez foi o seu olhar que varreu meu corpo. Eu estava em chamas por dentro.

"Olá, Bella".

"Bella?" Meu chefe franziu o cenho. Droga!

"Aqui todos me chamam de Isabella, Dr. Edward. É assim que gosto de ser chamada agora".

Seu olhar se estreitou para mim, mas não disse nada.

"Hum... Isabella. Eu gostaria de lhe pedir para dobrar o seu plantão... tudo bem? O caso do Daniel inspira cuidados e você é minha melhor enfermeira".

"Claro... já avisei meus pais que não irei para casa." Não conseguia olhar para Edward, mas sentia que ele não tirava seus olhos de mim. Minhas mãos continuavam nos bolsos, mas tive que fechar meus punhos tentando trazer uma confiança que eu sabia não ter.

"Ótimo, vou levar o Dr. Edward até o paciente".

"Bell... quero dizer, Isabella irá conosco?". Sua voz soou irônica e não gostei. Virei meu rosto em sua direção.

"Eu cuido do OS, Dr. Edward, mas caso seja necessária a minha presença, não hesite em me chamar. Dr. James, posso me retirar?"

Era impressão minha ou ele estava segurando um sorriso? James estava muito estranho ultimamente. "Claro, Isabella, se houver necessidade, eu ou... Dr. Edward, mandaremos lhe chamar".

Assenti, tensa. "Senhores." Fiz uma reverência para ambos. "Com licença".

"Claro." Ambos responderam, mas com tom de voz diferente. Edward estava sério, quase... aborrecido. James estava sorrindo.

Virei as costas e somente voltei a respirar quando entrei em minha sala e fechei a porta. Mas que merda! O que eu vou fazer agora com ele aqui?

Agora eu entendia o tumulto na porta. Edward já tinha chegado ao hospital e a população feminina tinha visto. O ciúme correu meu corpo, mesmo a contragosto. Eu estava uma pilha de nervos, sem saber como me comportar próximo a ele. E isso não era nada bom.

Eu não tinha entrado em minha sala havia dez minutos, recuperando minha respiração e sanidade, quando escuto alguém batendo a porta.

"Isabella?"

Deus, era ele! Treinando minha respiração, resolvi abrir a porta. E claro, sua visão quase me fez derreter.

"Oi... Dr. Edward. Deseja algo?"

Seu olhar malicioso me fez ficar vermelha. Droga de palavras com duplo sentido.

"Desejo muitas coisas, mas nesse momento gostaria da sua ajuda".

"Sim?"

Um grupo de mulheres sorridentes passou por nós nesse momento e, lógico, meu olhar se estreitou para todas. Meu Deus, essas cadelas tinham esquecido que estávamos em um hospital?

"Eu tinha me esquecido como é intimidade um hospital com tantas mulheres estranhas. Elas são sempre assim?" Edward comentou incomodado.

Sorri para o seu comentário. Quase fiz uma dancinha da felicidade por ele estar reclamando do assédio feminino.

"Só quando a concentração de homens bonitos ultrapassa o limite aceitável".

Seu sorriso torto me fez perceber o que eu disse. Deus, eu o chamei de bonito?

"Obrigado por elogiar a minha beleza." Eu sabia. Cerrei os olhos em sua direção e cruzei os braços. Essa atitude protetora já estava incomodando até a mim, mas era o modo de me afastar dele.

"Dr. James já está acostumado, por isso elas não o incomodam".

"Isso é um jogo pra você... Isabella?"

"O que disse?"

"ISABELLA".

Ambos olhamos meu chefe me chamando, vindo em minha direção. "Você disse que estaria no PS".

Olhei para os dois homens à minha volta. "Entrei na minha sala primeiro".

"Dr. Edward vai precisar de uma assistente e eu disse para ele pedir ajuda de alguém da UTI e ele insiste que seja você".

"Não posso abandonar o PS." Rebati na mesma hora, fazendo James sorrir. "Mas entendo que o Dr. Edward possa estar intimidado com o excesso de atenção feminina." Dessa vez, Edward sorriu.

Eu posso dizer, neste momento, que estava gostando dessa pequena disputa entre eles. Porque, posso ser devagar com muitas coisas, mas não tinha como não ver o nível alto de testosterona me cercado. E isso estava ficando... interessante. Sorri em direção aos dois.

"Dessa forma não sei o que posso fazer para ajudar a ambos." Dei de ombros, fazendo minha melhor cara de inocente.

Quase uma atriz.

"Então... como seu chefe, eu sugiro que você continue no plantão do PS." James chegou mais próximo de mim. "Mas concordo que Isabella deverá preparar a melhor substituta para lhe acompanhar... Edward." Ele disse olhando para o meu objeto de desejo.

Edward ficou observando a proximidade entre eu e James. Eu também estava incomodada com a possessividade dele.

"Não estou gostando do assédio feminino do seu hospital, Dr. James. As mulheres em Forks são mais profissionais." Dessa vez Edward cruzou os braços. "E como conheço o trabalho e seriedade da Isabella, gostaria que ela me ajudasse".

James rangeu os dentes. "Entendo sua preocupação... e concordo com você." Ele olhou em volta e observou a quantidade de mulheres circulando nos corredores. Quase sorri ao seu olhar aborrecido. Edward tinha razão.

Eu chamei a atenção deles. "Er... bem, acho que tenho uma solução para o impasse." Ambos me olharam. "Como Dr. Edward está... intimidado no Memorial e o PS está tranquilo, eu posso auxiliá-lo hoje." Edward sorriu. Ele não sabia de nada. "Mas já fui informada que a enfermeira mais experiente do hospital está retornando de férias amanhã e poderá ficar com ele".

Eu estava jogando pesado. Em todos os momentos eu jogava a balança para cada lado e isso estava mesmo divertido. Olhei para ambos esperando aceitarem minha sugestão.

"Como ela é?" Edward não tinha gostado.

"Muito profissional, isso eu garanto." Dessa vez James respondeu.

"Eu não a conheço, mas ela é a melhor daqui, Dr. Edward. Estive observando suas rotinas nos plantões e fiquei muito impressionada".

Como ele não tinha escolha, seus ombros caíram, apresentando a derrota. Quase fiquei com pena dele.

"Então está bom para você, Edward?" James estava mais animado agora. "Isabella fica com você hoje, e amanhã quando a Rafaela voltar de férias, ela cuidará das suas necessidades".

O olhar que Edward me deu, deixou-me ansiosa, me fazendo morder meus lábios. Ele parecia perdido e sem saber o que fazer.

"Sim." Ele olhou em volta, procurando algo e voltou para mim. "Você poderia me mostrar o alojamento e me acompanhar no CTI? Apesar de James ter me mostrado, eu ainda estou confuso por aqui".

Percebi que agora eles não utilizavam mas os seus títulos antes dos nomes. E isso era uma coisa boa, certo? Mas mesmo assim, eu continuaria mantendo distância. Para o bem do meu machucado coração.

James me deu o famoso tapinha nas costas e apertou a mão de Edward. "Qualquer problema, não hesite em me chamar... mesmo que eu esteja em casa".

"O senhor já está saindo?"

"Sim, Isabella, estou exausto." James me olhou sorrindo. "Mas você tem todos os meus contatos e qualquer coisa me ligue. Venho correndo para lhe ajudar".

Edward estava tenso ao meu lado, enquanto minhas bochechas ficavam vermelhas. "Claro, Dr. James".

"Edward." Ele fez uma reverência. "Obrigado pela sua prontidão em nos ajudar." Ele olhou para mim mais uma vez e saiu pelo corredor.

Eu estava observando James sair, com medo de olhar diretamente para Edward.

"Vocês já se conheciam?"

A pergunta de Edward me pegou de surpresa. Eu não estava preparada para conversar com ele ainda.

"Como?"

"Digo... antes de vir pra cá, você já conhecia James?"

Movi meu corpo em direção ao alojamento dos médicos, indicando com minha cabeça que ele deveria me seguir. O que Edward queria saber com essa pergunta?

"Acha que não tenho capacidade profissional de arrumar um emprego bom em um hospital como esse?" Olhei sobre meus ombros, enquanto caminhava. "Ou você esqueceu que seu pai me contratou antes de me conhecer?"

"Deus, não! Não foi isso que eu quis dizer..." Ele segurou um dos meus braços e a corrente elétrica pulsou entre nós. "Sei da sua capacidade profissional." Ele suspirou. Eu também. "Só queria entender essa... intimidade de vocês. Quer dizer, parece que ele tem uma consideração muito grande por você".

"Não que eu lhe deva satisfação, mas sim, eu o conhecia." Sorri. "Quando vim ficar com meu pai, durante a sua recuperação, eu tive uma síncope e caí literalmente nos seus braços e ele cuidou de mim".

Soltei meu braço e continuei andando, chegando à porta do alojamento médico. Edward ficou mudo, somente me seguindo e me observando.

"Ah... então você deve sua vida a ele." Sabia que ele não tinha esquecido isso.

"Nem tanto, mas ele é uma excelente pessoa".

"Sei".

Suspirei e coloquei uma mão na cintura. "Se estiver insinuando qualquer coisa no meu relacionamento com o meu chefe, Edward, quero lhe informar que está me ofendendo profundamente".

Ele ficou me olhando e riu. "Já que não tem mais formalidade com meu nome, posso voltar a te chamar de Bella?"

"Não".

"Por quê?"

"Porque não estamos mais em Forks... Dr. Edward. Eu vim para cá para recomeçar. E estamos em um ambiente de trabalho, ao qual ainda estou me adaptando. Por favor, respeite isso pelo menos".

"Eu não quis te desrespeitar... desculpe".

"Tudo bem".

"Mas eu q-"

"ISABELLA SWAN, FAVOR COMPARECER AO PS URGENTE. TRÊS FERIDOS GRAVEMENTE".

Olhei em sua direção. "Sinto muito. Aqui é o alojamento, mas tenho que ir. Posso te procurar depois?"

"Estarei sempre te esperando... Isabella".

Sem me prender muito ao amor da minha vida, corri em direção ao meu trabalho. Os feridos eram um pai e duas crianças. O momento mais tenso foi encaminhar a criança mais nova para o centro cirúrgico, deixando o pai muito nervoso. Eu não tinha filhos, mas meu peito doeu com a dor dele. Nesse momento pensei em Edward, que tinha vindo até aqui por Daniel. Imaginei o que ele deveria estar passando nesse momento. A nossa incapacidade em não poder salvar todos muitas vezes acabava comigo. E eu era simplesmente uma enfermeira, imagino o médico fazer o possível por alguém e todo o esforço ser em vão.

Era doloroso.

Fiquei pouco tempo com os feridos. Não tinha muito a fazer nesse momento, o que me permitiu ir atrás de Edward. Fui diretamente ao CTI pediátrico, procurando por ele e o encontrando sentado ao lado de Daniel.

Ao me aproximar, ele virou o rosto em minha direção. E o que vi, fez meus olhos piscarem. Derrota. Foi a primeira palavra que pensei e isso me desmontou.

"Tudo bem?" Falei baixinho, com medo de alguma reação negativa.

Edward suspirou e virou o rosto para o menino, que parecia dormir tranquilamente.

"Assim que recebi o prognóstico do Daniel lá em Forks, mesmo com a fraqueza exacerbada, um nível muito alto de febre, sangramento e até mesmo esquimoses*, eu estava empolgado sabia?"

*Esquimose: sintoma da Leucemia. É caracterizado pela infiltração de sangue nos tecidos do corpo humano, parece um hematoma, mas é mais grave.

Olhei confusa em sua direção. Ele assentiu e me olhou. "Eu sabia que tinha uma probabilidade muito grande de ele estar apresentando um quadro de mielóide aguda*, o que já é complicado no seu caso. Mas comecei a pensar em Rob... e suas pesquisas".

*Mielóide aguda: é um tipo de leucemia aguda. As leucemias são classificadas como agudas e crônicas. As agudas caracterizam-se por um grave defeito de maturação, induzindo a um acúmulo de células imaturas (blastos), ou seja, há falha na produção de glóbulos brancos diferenciados na medula. As crônicas, se não tratadas, podem transformar-se em leucemias agudas e ser fatal. Oitenta e cinco por cento das leucemias em crianças são da forma linfóide aguda (LLA), 10% mielóide aguda (LMA) e 5% Mielóide Crônica (LMC). O transplante de medula óssea é indicado para leucemias agudas de prognóstico ruim.

Eu não conseguia respirar.

"Lógico que eu tinha esperança que o seu quadro reverteria, pois quando se trata de leucemia, tudo é possível. Mesmo o seu quadro clínico não sendo um dos melhores, eu tinha confiança que ele melhoraria." Ele suspirou. "Parece egoísmo... mas eu me liguei a esse menino e vi que sua doença talvez... mesmo que na época fosse um sonho distante, poderia trazer Rob de volta".

Meus olhos encheram d'água.

"Mas... não foi assim. Eu fui incapaz de fazer as duas coisas. Trazer Rob para as pesquisas e... ajudar o Daniel. Seu quadro se complicou muito e após muitas buscas de HLA* compatível não conseguíamos encontrar nenhum doador em sua família ou grupo de amigos para fazer o transplante de medula**. A partir desta negativa, Daniel começou a passar pelo doloroso processo da quimioterapia e a ser usuário de medicações muito fortes para o seu já frágil organismo".

*HLA: quando um paciente recebe diagnóstico de leucemia, é feita a pesquisa de HLA, informação genética que avalia a compatibilidade entre o paciente e irmãos e às vezes também pais e filhos. Quando não é encontrado doador compatível na família, procura-se então em um banco de medulas nacional e internacional. Uma pessoa que quiser ser doadora de medula óssea pode procurar um centro de hemoterapia para coletar sangue para que seu "HLA" seja cadastrado nestes bancos.

** Transplante de medula óssea: é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como leucemia. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável.

"Edward... eu..."

"Eu me sentia tão impotente. Nada funcionava. Daniel nunca reagiu bem à quimio. E hoje ainda me sinto um covarde por tê-lo abandonado, e culpado por não ter conseguido tirá-lo dessa. Tantas promessas a esse garoto de uma possível melhora que nunca veio. E agora Daniel está aqui. E eu não sei mais o que fazer..."

"Por favor... não se culpe".

"Não consigo, Bella..." Seus olhos brilhavam pelas lágrimas presas. "Eu vou fazer o possível para aliviar seu sofrimento e tentar... mas..." Ele olhou o menino. "Eu tenho quase certeza... não sei..."

"Edward." Aproximei-me dele, pegando em suas mãos. "Você é o melhor pediatra que já conheci em toda a minha vida. E até meu chefe concorda com isso, sabia?" Um sorriso triste surgiu em seus lábios, mas, mesmo assim, ele continuava olhando o menino. "E tenho certeza que você vai conseguir..."

"Que bom que você confia em mim... eu não..." Ele me olhou. "Seria muito antiético dizer a você que estou com medo?"

"Não... claro que não." Puxei uma cadeira e sentei ao seu lado. "Somos humanos, Edward... e temos sentimentos. Mas, mesmo assim, confio cegamente no seu trabalho e tenho certeza que, independente do seu resultado aqui, isso não o fará menos profissional do que você já é. E tenho muito orgulho de você. E acredito que Daniel também tenha. Saiba disso".

"Obrigado." Ele me olhou por um tempo. "Significa muito para mim o que você está me dizendo".

Eu poderia estar louca, mas fiquei com uma grande vontade de abraçá-lo. Não o homem da minha vida, mas o profissional maravilhoso abalado pelo estado critico do seu paciente. E sem pensar, levantei e coloquei meu corpo entre suas pernas, aproximando sua cabeça da minha barriga. Edward não disse nada e me apertou, respirando profundamente.

"Obrigado".

"Não precisa".

O momento durou segundos, e então no mesmo instante ele levantou e me olhou em expectativa.

"Está pronta para passar a noite acordada e me ajudar na administração das drogas?"

Sorri pela sua atitude. "Estou às suas ordens, doutor".

"Ótimo... então vamos. Chega de lamentações".

As próximas horas foram de muito trabalho. Por mais que meu coração estivesse acelerado o tempo todo pela proximidade. Edward foi extremamente profissional. Lógico que ele me olhava com desejo em alguns momentos e via a duplicidade de algumas das suas ordens. Eu até já sorria, pois era a forma de trazer leveza para a situação.

O dia amanheceu e Daniel não apresentava nenhuma instabilidade clínica, porém, parecia um paciente em estado vegetativo, que não reagia a nenhuma das nossas intervenções. Edward sempre ia até a família e os colocava a par do que estava acontecendo, apesar de sempre voltar arrasado. Eu o animava e fazia algumas piadas de médicos e enfermeiros. Mas eu também estava no meu limite.

O hospital era tranquilo, mas nas primeiras horas da manhã eu já estava esgotada. O cansaço sob meu corpo era muito visível. Eu tinha mandado Edward cochilar várias vezes, mas o total não deve ter sido mais do que duas horas durante a noite. Eu e ele estávamos acabados.

"Bella?" Virei meu corpo em direção a Edward.

"Sim?"

"Você precisa descansar. Já amanheceu".

Fiz uma massagem no meu pescoço e senti meus olhos cansados. "Sim, eu sei. Estou esperando a sua nova enfermeira chegar primeiro, Edward".

Ele me olhou e sorriu. "O quê?"

"Fico feliz que depois da primeira noite juntos, as formalidades tenham acabado".

Minhas bochechas ficaram queimando. "Tudo bem, doutor. Mas, por favor, não faça disso um hábito aqui, tudo bem? Tenho uma reputação a zelar." Sorri. "É o nosso segredo".

Ele riu um pouco mais. "Estou me sentindo especial assim. Esse segredo é extensivo a outros lugares então?"

"Como assim?"

"Bom..." Ele se aproximou. E muito. "Se eu posso te chamar de Bella. Sempre. Onde eu quiser." Meu cansaço foi embora rápido, já que comecei a arfar. "Afinal, você acabou de me dar mais liberdade... então..."

"Não se empolgue, Dr. Cullen. Ainda estamos no hospital".

"Isso é um convite?" Deus, por que ele é assim? E por que as drogas das borboletas no meu estômago voltaram à vida?

"O quê?"

Ele se abaixou e respirou no meu ouvido. "Quero saber se estou autorizado a te levar em outros lugares".

"Edward... por favor..."

"Deixa?" Ele continuou a me deixar louca, pois seus lábios estavam passeando pelo meu pescoço. Sem encostar. "Quero conversar com você... muito. Tenho tantas coisas pra dizer".

"Oh... mas..."

"Eu estou com saudades de você, Bella".

Eu já estava fechando os olhos e abrindo os lábios, já que a proximidade com a sua boca era cada vez maior. Uma pequena parte do meu cérebro gritava, dizendo que era errado, mas meu corpo não me obedecia. Eu também estava louca de saudades dele.

"Isabella?"

Ambos pulamos ao som do meu nome. Meu rosto queimou de vergonha, mas eu ainda estava com sorte. James me chamava de um corredor, e Edward tinha me levado, sem eu perceber, para uma parede em outro acesso, longe dos olhares. Olhei para ele agradecidamente, o que o fez piscar para mim convencido. Cretino.

"Sim, Dr. James. Estamos aqui".

Ele apareceu ao lado de uma morena muito bonita. Longos cabelos pretos e lisos, com um olhar muito profissional. A princípio fiquei com ciúmes, lógico, mas eu tinha gostado do seu jeito sério ao parar perto de nós, mesmo após uma avaliação bem discreta em cima de Edward. Quem não olharia, bom Deus?

"Isabella e Edward. Bom dia. Como foi a noite?"

Olhei em direção a Edward e seu semblante que estava mais leve, ficou mais sério.

"Ele não apresenta nenhuma instabilidade clínica, James, mas isso pode mudar a qualquer momento. Eu e Isabella ficamos a noite toda acordados, acompanhando de perto a administração das medicações e verificando rigorosamente as variações do seu quadro clínico. Mas..."

James olhou em direção à porta e soltou um suspiro de derrota também. "Eu sei... mas por favor, não fique preocupado. Estamos aqui fazendo o possível, junto com você".

"Obrigado por acreditar em mim, James".

Meu chefe sorriu em direção a ele. "Você é o melhor, Edward. Eu sei disso." Vi o que James estava fazendo. Consolando Edward no caso da perda de Daniel e isso me emocionou. "E, por falar em melhores, quero te apresentar a enfermeira que a Isabella comentou ontem." James a fez se aproximar ainda mais. "Esta é Rafaela, sua enfermeira a partir de agora".

Eles se cumprimentaram. Formalmente. Eu acho.

"Acabei de voltar de férias, Dr. Cullen, mas já estou aqui pronta para o trabalho. O que precisar é só me chamar".

Ainda era formal. Eu acho.

"Muito obrigado. Eu já deixei as prescrições das dosagens com a Isabella. Vou descansar um pouco, mas daqui a uma hora você pode me chamar no dormitório? Estou morto aqui".

"Precisa descansar, Edward. Assim como você, Isabella. Vá para casa. Inclusive, chamei um táxi para te levar, pois você não tem condições de dirigir. Estou preocupado." Meu chefe era muito bom.

"Claro... obrigada, Dr. James".

"Pode deixar, Isabella. Vou cuidar dele para você." Ela agora disse séria.

Pronto. Agora não foi formal. E isso me deixou puta.

"Não se preocupe. Dr. Edward dormiu um pouco também. Não o deixei ficar vagando a noite toda pelo hospital".

Ela levantou a sombracelha. "Eu estava falando de Daniel".

Puta merda. Eu sou uma idiota! "Ah... sim..." Olhei para Edward e vi que ele segurava um sorriso. "Então vou indo... todas as informações que o Dr. Edward passou estão na sala. Estou tão cansada que estou ficando incoerente".

"Também acho, Isabella." Meu chefe começou a me puxar pelo braço. "Vamos que seu cansaço está mesmo visível".

Ainda olhei para trás e vi os dois começando a conversar. Suspirei e voltei a caminhar ao lado do meu chefe. "Que horas eu volto, Dr. James?"

Ele sorriu e me puxou pelos ombros, já que eu estava quase tropeçando nas pessoas. O hospital estava um pouco cheio agora. "Vá para casa e durma. Muito. Quando acordar você me liga".

"Ok." Eu estava sem forças. "Pode deixar".

Entrei no táxi e fui para minha casa. A sonolência era forte e quando percebi já estava na minha cama e fechando os olhos suspirando.

Quando acordei eu estava meio zonza. As cortinas estavam fechadas, não me dando nenhuma indicação se ainda era dia. Meus músculos estavam descansados, mas a minha mente estava demorando a me atualizar. Como eu cheguei em casa mesmo?

Um estalo surgiu. Daniel. Eu precisava correr para o hospital novamente. Não me preocupei em ligar para saber se era meu plantão ou não, tomei uma ducha e me arrumei rapidamente, agora consciente que já era final de tarde. Passei quase oito horas dormindo e me sentia envergonhada por isso.

Assim que cheguei ao hospital, o clima estava tenso. Mesmo que precisasse assumir o PS, meus olhos buscavam o CTI pediátrico. Não localizei James na sua sala e em nenhum dos lugares que eu estava acostumada a encontrá-lo. Passei, um pouco escondida, pelo dormitório e pelo CTI e também não encontrei Edward ou James. Onde estavam todos?

"Senhora Isabella?"

Virei o rosto em direção a enfermeira. "Olá, Rafaela, tudo bom?"

Ela sorriu e se aproximou. "Procurando pelo Dr. Cullen?"

"Er... sim." A maldita queimação no meu rosto gritou. "Estou um pouco preocupada, devido à situação do Daniel. Ele... bem, não estava muito confiante com o quadro do menino ontem à noite".

Ela suspirou e olhou em direção à sala do CTI. "É verdade, percebi isso durante o dia. Agora a pouco ele me pediu que solicitasse mais um mielograma** no paciente. Mas vi que isso o chateou".

*Mielograma: exame de grande importância para o diagnóstico (análise das células) e para a avaliação da resposta ao tratamento, indicando se, morfologicamente, as células leucêmicas foram erradicadas da medula óssea (remissão completa medular). Esse exame é feito sob anestesia local e consiste na aspiração da medula óssea seguida da confecção de esfregaços em lâminas de vidro, para exame ao microscópio. Os locais preferidos para a aspiração são a parte posterior do osso ilíaco (bacia) e o esterno (parte superior do peito). Durante o tratamento são feitos vários mielogramas.

Assenti, preocupada com Edward. Onde ele estaria agora? Eu ainda não conhecia todo o hospital e não poderia ficar procurando por todos os prédios. Mordi meu lábio, nervosa, sem saber o que fazer. Olhei para o lado e senti a enfermeira me analisando.

"Você quer vê-lo, senhora Isabella?"

"O quê?"

"Deseja vê-lo?"

"Quem? Daniel?" Sacudi os ombros. "Fico muito sensibilizada quando entro e vejo aquele menino lutando para viver".

Ela sorriu para mim e segurou meu ombro. "Não, senhora. Agora estou falando do Dr. Cullen".

Mas que droga! Como ela consegue fazer isso?

"Sabe onde ele está? Quero dizer, Dr. Edward não conhece muita gente por aqui... e sabe..."

Ela sorriu ainda mais. "Percebi. Inclusive a população feminina do hospital o deixou bem constrangido durante o dia. Tive que escondê-lo em alguns momentos. Se não fosse pela situação complicada, diria até que foi divertido".

A potência do meu ciúme foi ao auge. Não sei se pelo grau de intimidade deles ou pelo assédio absurdo. Resolvi não comentar nada. Ainda.

"É verdade".

Ela olhou para baixo e quase sussurrou. "Ele perguntou bastante pela senhora e disse que nunca conheceu uma enfermeira igual. Um dia gostaria que um médico da importância dele reconhecesse o meu trabalho também, afinal, somos muito desvalorizadas".

Sorri em sua direção, entendendo seu ponto. "Concordo, é mesmo difícil." Ela não me contaria onde ele estava?

"Bom... se deseja falar com Dr. Edward, acho que ele foi em direção à capela".

"Obrigada".

Ela assentiu e foi para dentro do CTI. Nesse momento uma dor se instalou no meu peito. Normalmente médicos não se apegam a orações, confiando na sua capacidade profissional. Se ele foi até lá...

Quase corri pelo hospital. Senti que Edward poderia estar precisando de mim nesse momento. Nada, nem mesmo os motivos da nossa separação, ou a minha dificuldade de aceitar seu jeito machista, me fez sentir esse sentimento. Eu estava com medo de perdê-lo também, de verdade. Era estranho, mas o caso de Daniel também estava mexendo comigo. E caso o menino viesse a óbito, minha maior preocupação era que Edward sucumbisse, ou, até mesmo, nunca mais se recuperasse. Eu ainda o amava e faria de tudo para ajudá-lo agora.

Assim que localizei a capela, voltei a respirar. A construção era simples, mas ao mesmo tempo bonita. Passava tranquilidade, até do lado de fora. Fui entrando lentamente, fazendo uma pequena oração, pedindo forças para que eu pudesse ajudá-lo. Sempre.

Localizei Edward sentado na frente, próximo à grande cruz no altar. Eu nunca fui religiosa, mas a cena me comoveu. Ele, um médico, capaz de salvar a vida com suas mãos, fazendo um pedido a algo além da nossa compreensão. Acreditando em um milagre.

Sentei ao seu lado e Edward suspirou. Não olhei em sua direção e nem falei nada. Eu queria somente passar confiança, mesmo através do silêncio.

"Nunca entrei na capela do Hospital de Forks, Bella".

Continuei em silêncio.

"Nunca senti essa necessidade, sabe." Senti seu corpo virar em minha direção. "Mas nos últimos dias, tenho acreditado em ajuda divina... ou seja lá como chamam".

Assenti, ainda em silêncio. O que eu poderia dizer?

"Quando você me ligou, eu achei que era essa ajuda divina para mim... eu precisava tanto falar com você... e..." Sua voz ficou embargada e meus olhos molhados. "E agora estou aqui, pedindo novamente essa ajuda, mas não sei bem por que..."

Olhei em sua direção e vi suas lágrimas. Óbvio que não consegui segurar as minhas.

"Eu amo tanto você, Isabella... tanto..." Ele pousou suas mãos no meu rosto, limpando minhas lagrimas com o polegar. "E estou me sentindo horrível porque estou aqui com você à custa da saúde de Daniel".

"Edward... por favor..." Meu corpo estava trêmulo com suas palavras.

"Não sei se Daniel vai sobreviver, Bella... hoje o dia foi tão difícil. Mas ainda pior porque você não estava do meu lado. Eu estou me sentindo tão impotente. Perdi você e estou perdendo o Daniel".

Eu queria dizer a ele que nunca me perdeu. Sempre estive ao seu lado, mesmo por pensamento. A frágil saúde do menino e a dedicação de Edward por ele me fizeram repensar muitas coisas. Como eu viveria sem ele também?

"Eu não quero perder tudo, Bella... por favor".

Minhas lágrimas estavam incontroláveis, mas eu ainda permanecia em silêncio. "Vamos conversar? Depois de tudo? Mesmo que eu fique um dia, mês, ou ano cuidando do Daniel, eu... eu quero falar tudo pra você..." Ele fechou os olhos e suspirou. "Eu preciso m-".

"DR. EDWARD! DR. EDWARD!"

Ambos olhamos para trás e vimos o desespero da enfermeira. E eu soube. Daniel. Edward nem piscou e saiu correndo junto com ela. Eu fiquei, sem chão e totalmente desesperada. Meu Deus... será...?

Mesmo sem perceber, me ajoelhei no chão e chorei ainda mais. Meu peito doía muito! Eu queria tirar todo o sofrimento do meu amor. Queria que ele pudesse salvar Daniel, ajudar o seu gêmeo. Ser feliz.

Eu queria Edward de volta.

Meu desespero era tanto que meu corpo tremia. Não sabia mais como eu viveria nas próximas horas. Perdi a noção do tempo, pensando em como eu tinha chegado até esse momento. Todas as minhas escolhas e minhas falhas. E Edward tinha parado a sua vida para ficar aqui. E ele ainda me amava.

Eu estava muito confusa.

"Isabella?"

Olhei para trás e vi James. Eu ainda estava ajoelhada e chorando, mas seu semblante me confirmou o que eu não queria saber.

"Ele... ele..."

James sentou ao meu lado e suspirou. "Sinto muito, Isabella, mas Edward não pode fazer mais nada agora." Sentei no banco e segurei minha cabeça com as mãos. "Daniel acabou de falecer".

Nunca fiquei tão abalada por causa de um paciente. Lógico que sempre sofremos um baque, afinal é uma vida que se perde. Mas Daniel era especial, por causa de Edward. Não só por toda a sua história e o sofrimento que ambos viveram, mas a transferência do menino para Phoenix e a vinda de Edward, fizeram todo o meu sentimento reprimido pela mágoa gritar no meu peito. Mas e agora? Como conversaríamos novamente?

"Eu quero que vá para casa e descanse. Você não me ligou para que eu a liberasse e voltasse para o plantão".

"Mas... e Edward... eu preciso-".

"Isabella." Meu chefe puxou meu rosto e me olhou fixamente. "Nesse momento ele precisa ficar sem você. A vida de vocês está muito bagunçada agora para que um possa apoiar o outro".

"Como?"

Ele sorriu e colocou meu cabelo atrás da minha orelha. "Você acha que eu não perceberia?"

Meu rosto voltou a queimar novamente. "O quê, Dr. James?"

"Desde a primeira vez que Edward apareceu aqui, eu vi o olhar dele sobre você. Eu conheço aquela expressão. O amor é quase contagioso quando se é recíproco".

Minhas sobrancelhas levantaram em surpresa. Então ele sabia?

"Eu... bem..."

"Assim como o seu olhar para ele. Não tem como negar, Isabella. É muito visível. Também tenho que admitir: era muito divertido assistir vocês dois".

Coloquei as mãos no rosto novamente, escondendo ainda mais a minha vergonha. Eu não conseguia falar nada em minha defesa. Ele estava coberto de razão.

"Isabella?"

"Deixe-me ficar só mais um pouquinho na minha bolha... acho que vou morrer de vergonha aqui".

"Não se envergonhe por isso." Ele retirou as mãos do meu rosto. "Quando contratei você, eu via a sua dor. E quis ajudar. Mas o amor de vocês é muito maior do que qualquer coisa e vi isso nas últimas horas que trabalharam juntos. Porém, você precisa primeiro colocar pra fora essa mágoa que a fez vir pra cá. E o mais importante, saber o que Edward quer..."

"Como assim o que Edward quer?"

"Ele nunca veio visitar o hospital aquele dia, Isabella. Ele veio atrás de você".

Prendi a respiração, nervosa pela revelação. "Como você soube?"

"Simples." Ele sorriu e olhou para frente. "Liguei para o Dr. Carlisle".

"Oh".

"Mas isso não é o importante agora. As coisas mudaram um pouco com a morte de Daniel. Ele está fragilizado sim, mas nesse momento a sua presença vai fazê-lo fraquejar..."

"Eu... mas... como você sabe disso?"

"Edward me pediu para mandá-la para casa." Ele suspirou. "Foi o seu pedido mais incisivo, assim que ele chegou ao CTI".

Olhei chocada para o meu chefe, mas resolvi não questionar. Sabia que Edward estaria envolvido demais com a situação do menino e percebi que esse não era o momento para termos nenhum tipo de conversa.

Levantei e fui me arrastando até o meu carro. Acho que eu não estava conseguindo nem pensar. Eu só sentia. A dor, a tristeza, a ansiedade, a fraqueza e, claro, o amor que sentia por ele. Era tudo uma confusão de sentimentos. E ao mesmo tempo, eu os sentia separadamente. E foi assim, nesse torpor, que cheguei em casa e me arrastei até minha cama, chorando por um longo tempo até a exaustão.

Acordei sobressaltada. Eu não tinha noção de que horas seriam, mas meu corpo doía pela falta de uso. E isso só tinha um significado. Dormi muitas horas.

Mesmo que a minha consciência gritasse que as coisas não estavam normais, eu precisava seguir em frente. Principalmente em relação à minha higiene e alimentação. Não me recordava a última vez que tinha feito uma refeição.

Tomei um longo banho, escovei meus cabelos. Depois que me vesti, desci a cozinha e verifiquei que já havia passado da hora do almoço. Do dia seguinte. Eu só não fiquei mais espantada porque meu estômago venceu a batalha com meu cérebro, já que minha mãe guardou uma suculenta macarronada.

Eu mal tinha acabado de comer e escutei batidas na porta da frente. Ainda estava na névoa da felicidade induzida pelos carboidratos quando fui atender a porta.

No momento que a abri, fiquei completamente surpresa. Esme e Carlisle estavam na minha frente. Ela sorria gentilmente para mim, mas foi a voz do meu ex-chefe quem me chamou a atenção.

"Olá, Bella Swan. Está na hora de você voltar para casa".


Olá amores, tudo bom?
Capitulo repleto de emoções certo?
Muita gente acertou sobre quem era ao telefone...rs.
Eu chorei muito com o que aconteceu com o Daniel, mas a leucemia é uma doença grave e nem sempre é possível salvar o paciente.
E o que aconteceu com ele vai impulsionar a fic para alguns caminhos.
Mas teve partes boas... rs. A disputa entre James e Edward foi engraçada... Mas no final, como vocês viram, James queria somente ajudar

Boooom... agora noticias meio tristes.
Como vocês devem lembrar, a fic está acabando =/ (meus olhos estão marejados aqui). Estive em Manaus esses dias, com a Neni e conversamos muito sobre o final do nosso bebe.
Não quero antecipar muito, mas acredito que não devemos chegar a 40 capítulos. na verdade, talvez tenha menos de 5 daqui pra frente...
Ainda não estamos acreditando que uma história que surgiu em msn pudesse criar vida e se tornar essa coisa maravilhosa...
Obrigado de verdade a todas que contribuíram para o sucesso da fic...Eu simplesmente amo cada comentário de vcs.

Mas, como toda fic que faz sucesso, temos que enfrentar alguns obstáculos pelo caminho...
Nunca me importei com críticas. Jamais. Acho válido, pois a vida seria muito chata e sem graça se todos gostassem das mesmas coisas... mas, a boa educação e o discernimento das pessoas terminam quando há ofensas... isso eu não tolero.
Eu, Titinha, escrevo fic por diversão... trabalho muito e não tenho tempo. E mesmo que tivesse todo tempo do mundo, qualquer história precisa ter inspiração. Mas até tudo bem... Posso agüentar as reclamações sobre a minha falta de habilidade para escrever ou que eu não sei conduzir uma história, ou que existe fanfics melhores do que as minhas. E se eu quiser, posso parar de escrever a qualquer momento, afinal, não ganho para isso. Mas, gostaria imensamente que não ofendessem as leitoras da fic Entre Irmãos. Gosto é igual bunda, ou seja, cada um tem a sua. E, o mais importante de tudo: ninguém é obrigado a ler o que eu ou a Neni escreve.
Desculpe amores, por esse desabafo... eu fiquei muito chateada com algumas palavras de uma pessoa que sabe exatamente do que estou falando.
Não tem nada a ver com os pedidos lindos pelos gêmeos perfeitos que vocês fazem... sei que vocês pedem pela história porque gostam...
Se não posto mais vezes é porque não consegui terminar... e a Neni a mesma coisa.

Obrigado novamente gente e por favor, deixem suas reviews?
Estou louca pra saber o que vcs acharam

Para saber mais sobre a doença: www2 .inca .gov .br /wps /wcm /connect /tiposdecancer /site /home /leucemia /definicao {retire os espaços}


Oi meninas,

adorei esse "capitulão" e espero que vcs tenham gostado. Foi tão bom planejar tudo.

Eu não sei se vcs sabem, mas essa fic é praticamente escrita pela Titinha, eu somente ajudo na parte de planejamento e em idéias. Alguns dos primeiros capítulos foram escritos por mim, com a ajuda dela, é claro, mas eu desanimei em alguns momentos e perdi a inspiração, mas a minha parceira não. Eu resolvi então continuar a ajudar com a história e continuei a traduzir fics, que é algo que eu faço com facilidade.

Originalmente a fic foi uma idéia que eu tive e conversei com ela no msn e ela se animou pra escrever minha idéia. Foi muito divertido. Nós duas estávamos DESEMPREGADAS e tínhamos o DIA TODO para escrever pra vcs. Quando começamos escrevíamos até dois capítulos por semana e todos sempre foram gigantes, mas a vida evolui, muda, melhora e COMPLICA.

Hj eu sou formada, trabalho e a Titinha tbm. Temos nossos super empregos que nos consomem e além de tudo, como seres humanos normais, temos nossa vida pessoal.

Eu acho que nem sequer deveria estar dando satisfações, pq nunca recebemos um centavo por estar escrevendo EI, mas estou falando isso em consideração as nossas super leitoras, que as más línguas chamam de um nome ridículo.

Obrigado meninas, as pessoas que compreendem que escrever fics é um hobby e não uma obrigação.

Obrigado as pessoas que nos acompanham e passam horas conosco no orkut debatendo sobre a fic, conversando e se inteirando conosco.

Obrigado às nossas leitoras DE VERDADE.

Se você acha que existem autoras melhores e fics melhores: Vá ler essas fics, se vc achar na internet, já que as autoras citadas sumiram e ainda apagaram todas as fics da internet do dia pra noite.

Eu e Titinha sempre nos esforçamos para não abandonarmos a fic, mesmo com tantos problemas no caminho. Minha parceira é guerreira demais, e eu a admiro muitoooo. Esse fds que ela passou aqui comigo só serviu para firmar mais ainda nossa amizade e ainda de quebra, falar do final de EI, que está bem perto. E também serviu pra eu, Ju e Titinha deixarmos a Rafa louca sobre a fic (como se ela não fosse antes)

Ai meu Deus, um livro!

Curtam o capítulo e em breve o POV Rob!

Irene, ou "Acre".