Ai, que sono. Nunca mais acordo ás cinco da manhã sem um bom motivo mesmo! Estou neste momento comendo meu café da manhã, um sanduíche de presunto e vinho. O porquê do vinho? Bem, meus pais saíram enquanto eu ainda estava dormindo – Eita família que acorda cedo – e a tapada aqui não consegue achar o suco de uva que estava na geladeira ontem á noite antes de eu dormir! Eu gosto de tomar alguma coisa antes de cair na cama.

Opa! Lembrei-me que ontem eu bebi todo o suco de uva da jarra... Por isso que a jarra estava limpa, sequinha e bonitinha lá no armário...

- Ai! – E é claro que a tapada aqui deve escorregar no tapete da cozinha e levar o maior tombo... De novo. Eu já tinha caído quando tinha entrado na cozinha no mesmo pano.

Levanto me apoiando na geladeira que tinha um bilhete pregado com ímãs na porta, o bilhete que dizia que meus pais só voltariam lá pelas oito da noite.

Espera! OITO DA NOITE? Que ótimo, terei que fazer o almoço sozinha. Pelo menos vou poder fazer batata frita! Eu sei, já tenho agora 18 anos e sou uma adulta... Mas eu já disse que ás vezes acho que vivo um conto de fadas, daí a criança dentro de mim desperta!

Deixe-me ver que dia é hoje. Sábado. Acho que todos sabem o que isso quer dizer: Piquenique no jardim da Sango!

Abri o maior sorriso, finalmente algo que salve o meu dia solitária nesta casa que cheira a tulipa, uma das flores do jardim.

Saí toda alegrinha e saltitante como uma criancinha, tentei subir as escadas pulando também e vocês já podem imaginar o que aconteceu.

Nota mental: Nunca tentar subir as escadas pulando, se você não for uma criança de verdade.

Troquei a minha nova camisola que eu ganhei da Sango, quando ela comprou para mim a roupa do Baile de Máscaras por uma calça jeans e uma blusa branca com rendinhas na manga. Falando no baile...

Fui para a janela do meu quarto. O dia estava lindo, tinha chovido de madrugada e um belo arco-íris despontava no céu. As nuvens brincavam de fazer formas, ás vezes esquisitas e outras mais reais. Respirei o ar puro da manhã e o soltei bem lentamente. As lembranças daquela noite ainda estão muito claras para mim. Foi a noite em que conheci ele.

Também foi um dia inesquecível para os meus pés. Eles nunca doeram tanto. Coitados!

Sorri ternamente, me lembrando também das doze badaladas...

– Que romântico. – Dei um riso de ironia.

Mas chega de lembranças, hoje me ocuparei com o piquenique no jardim da Sango.

Desço para a cozinha com minha mochila amarela e faço alguns sanduíches de queijo, coloco na mochila ele já estava quase abrindo a porta da frente quando sinto um cheiro de vinho muito forte no ar. Volto correndo para a cozinha e vejo meu precioso vinho holandês todo sendo desperdiçado ao entrar em contato com o chão frio. Eu tinha me esquecido de guardá-lo no café da manhã, devia ter o deixado aberto e bati o braço sem querer enquanto preparava os sanduíches de queijo. Mas que raiva!

Com o pé, pego aquele mesmo pano que tinha escorregado já duas vezes hoje e tento secar todo o vinho desperdiçado. Mas é claro que eu tinha que escorregar na primeira tentativa de secar o vinho e levar outro tombo.

Maldito pano. Já é a terceira vez só nesta manhã.

Levanto-me e finalmente consigo secar o vinho, coloquei o pano na máquina de lavar e quando eu chegar colocaria o pano para secar, já estou atrasada.

Antes de sair ainda coloco outro bilhete na geladeira, onde dizia que iria sair e estava par ao piquenique na casa de Sango.

A casa de Sango fica perto da minha, uns quatro quarteirões á esquerda. Vou praticamente correndo até lá e aperto a campainha.

Momento de suspense. Será que ela se esqueceu que hoje é dia de piquenique e saiu? Se for eu mato ela.

- Kagome! Que bom que você chegou! Só faltava você! – Ufa! Ela está em casa, e pelo jeito não se esqueceu.

- Oi Sango! Sabia que você salvou meu dia? Meus pais saíram cedo e só voltariam de noite, eu teria que ficar em casa sozinha sem nada pra fazer. – Comentei sorridente.

- Não precisa agradecer, agora entrei e vá para o jardim! Os meninos estão nos esperando lá. Vou dar para a minha mãe esses sanduíches, já vou! –

- Ah! Meninos? Então... Ele veio? – Mordi meu lábio de baixo.

- Sim Kagome! Ele disse que agora nós é que somos os verdadeiros amigos dele, e não poderia faltar em uma "reunião" de amigos. –

Ah! Ele veio! Está bem, eu sei que já faz um tempo e nós já tínhamos saído antes bastante, tornamo-nos bons amigos e tudo o mais, mas eu ainda estou sobre o efeito do encanto dele. É meio estranho, é a verdade. E a Sango sabe disso!

Dirijo-me para o jardim de Sango, é um belo e grande jardim. Tem muitas flores e alguns bonsais em vasos pelo local, e ás vezes tem um ou dois passarinhos que fazem casas nos galhos de algumas árvores pequenas. O jardim é ao ar livre.

Logo avisto os meninos sentados em um lençol debaixo de uma árvore. Miroku me viu e acenou:

- Ei! Kagome! Aqui! – Perguntou ele.

- Eu sei Miroku! Eu venho aqui todo sábado – Respondi entre risinhos.

- É que eu não perco o hábito! – E sorriu sem graça.

Logo que cheguei, ele me olhou. Nosso mais novo quarto integrante do piquenique de sábado.

- Er... Oi, InuYasha! – Sorri sem graça para ele, que devolveu um mais sem graça ainda.

- Oi, - Ele olhou para Miroku maliciosamente – parece que Miroku vai fazer uma surpresa para Sango hoje! –

- Verdade? Diga-nos Miroku! – Questionei-o.

- Ah não vem não! O InuYasha também vai fazer uma surpresa! – Miroku não disse para quem era a surpresa. Olhei para o dito cujo.

- InuYasha? – Sorri pedindo explicações.

- Surpresa é surpresa! Na hora certa nós revelaremos. – Disse InuYasha meio desconcertado e com tom de brincadeira.

- Gente! Cheguei! – Disse Sango se sentava e colocava as gostosuras no meio do lençol.

- Ótimo! Estava com fome! – Disse InuYasha com os olhos brilhando de alegria ao ver as coisas do piquenique.

A tarde foi bem animada, conversamos, contamos piadas e histórias de terror e demos boas risadas. Miroku e InuYasha enrolaram até o fim do dia, que com muita pressão e vergonha finalmente revelaram a surpresa: Miroku puxou uma caixinha preta enveludada, a abriu e disse:

- Sango, esta é a minha surpresa. Aceita usar esse anel de compromisso, para provar que você é só minha e de mais ninguém? – Apesar do ar de riso, Miroku estava sério. Ele é assim mesmo, quando se trata da Sango ele é de todo coração.

- Miroku, eu não acredito! É claro que sim! – E Sango, emocionada pulou em cima de Miroku, que a apalpou o traseiro e levou um tapa na cara, como sempre.

- Agora é minha vez! – Disse InuYasha. Ficou na minha frente e olhou nos meus olhos – Kagome, aceita me dar a honra de outra dança? – Disse encantador, como sempre, apesar do ar de brincadeira.

- Mas é claro, InuYasha! – Sorri e começamos a dançar como dois loucos pelo jardim, que na verdade parecia mais uma brincadeira que uma dança. Claro que eu tive que escorregar na GRAMA no meio da dança, eu ainda não sei como fiz isso, mas ele me segurou. Quando cansamos, ele disse:

- Mas ainda não acabou! – Puxou minha mão, se abaixou em posição de quando um homem pede a mulher em casamento e sussurrou divertido – Gostaria de me dar a honra de tê-la sempre para dançar comigo e só comigo? – Ele sorriu corando.

- Você está me pedindo em... – Se eu entendi isso foi uma direta indireta.

- Sim! – ele me cortou rindo.

Juro que meu coração começou a acelerar como na vez que nos encontramos. O tempo parou e eu me perdi nos olhos dele. Apesar dos risos e ar de brincadeira, ele estava falando sério.

Miroku e Sango olhavam atentamente para mim, esperando o momento da minha resposta. Foi então que resolvi finalmente responder.

- Sim, mas com uma condição. – Todo mundo quase capotou, porque uma vez bem que a Sango me disse que já estava na cara que eu e o InuYasha estávamos apaixonados um pelo outro. Então, esperavam um ataque de alegria como a Sango deu agora a pouco.

InuYasha se recompôs na pose tradicional e completei:

- Você também iria me dar a honra de tê-lo sempre para dançar comigo e só comigo! Você é o um dos poucos que não deixam meus pés doloridos, então quero isso só pra mim! Sabe como é, sou muito ciumenta com as minhas coisas... – Disse entre risos, pela cena de todo mundo quase capotando.

Ele aceitou a condição, caímos em gargalhadas e no fim da tarde ele me deixou em casa. Meus pais apareceram na janela – Vai saber o que eles foram fazer, vai ver escutaram algum barulho e pensaram que eu tinha chegado - bem da hora em que ele se despediu com um beijinho na bochecha, que já me deixou toda corada.

Ah, meus pais são MUITO mesmo maliciosos. Não quero nem imaginar eles na adolescência. Vai ser complicado explicar para aquelas mentes maliciosas que já o conhecia faz tempo e tudo o mais, talvez se eu demorar um pouco e entrar de fininho...

Quando achei que tinha já dado a hora, entrei em casa, e meus pais me barraram com sorrisos maliciosos de mais para o meu gosto. Engoli em seco e disse oi.

- Kagome... Queremos que nos explique tudo! Parte por parte! – Disse minha mãe com um sorriso maníaco, ou era demoníaco? Tanto faz, os dois me dão medo vindo dos meus pais.

- Ops! -