Capitulo 15

(Fim)

Sasuke não via nada, somente o cinza da rua à sua frente. O sangue em suas veias pulsava somente de pensar em colocar as mãos em aquele que fizera sua Hime sofrer, tanto no passado quanto nos segundos que pareciam escorrer rápidos demais desde o fim da aula. "Onde fica essa bendita rua!" Pensou ele amassando o papel e tentando se concentrar o suficiente para ler as placas de indicações.

Após benditos trinta minutos rondando sem saber direito onde seus pés, que tantas vezes o levaram aonde queria, o estavam encaminhando; Sasuke distinguiu a primeira forma se mexendo baixo as gotas de chuva à esquina. Arrastando o pé e de maneira tortuosamente lenta, a figura se aproximava, e ao reconhecer com o que se parecia, o coração do garoto reagiu violentamente dentro de seu peito, o que fez sua reação ser mais lenta do que o normal: semicerrando os olhos para confirmar sua miragem, ele somente teve certeza do que via quando ouviu um murmúrio na voz que tão bem conhecia:

-S-sasuke-kun... é você?

Ao ouvir isso, o Uchiha correu até ela e a abraçou, permitindo que ela finalmente desmoronasse em cima de algo macio; e seguro. Molhados, e sentindo finalmente aquele hormônio do esforço físico sendo substituído por aquele do coração; ambos os corpos se encaixaram e as almas se reconheceram. Nunca em sua vida haviam sentido tanta cálidez, e nunca a quiseram tanto quanto naquele misero instante.

A moça dos orbes perolados detinha sua cabeça no ombro do moço dos orbes onyx, e este respirou profundamente, aproveitando cada partícula daquele cheiro único que provinha dela.

-Hinata, você está bem? –A felicidade de tê-la em seus braços finalmente subsidiou frente à questão de onde estivera. –O que aconteceu?

-E-eu... –Após uma leve hesitação, ela o abraçou mais forte, como se nunca fosse soltar. –Obrigada por estar aqui, Sasuke.

-Sempre estarei por perto, sua boba. –Respondeu-lhe com a voz mais afetiva que podia fazer. Ele foi pegar-lhe as mãos, quando sentiu algo áspero, e um gemido de dor: os pulsos de sua amada jaziam desfigurados. –O que é isto?

-Eu... fiz o melhor que pude, para fugir. Por favor, me leve embora daqui – A voz da moça fraquejava, no entanto ele conseguiu distinguir o terror que fazia a menina querer se distanciar daquele local.

Mas ele queria ir até lá, queria encontrar o desgraçado que a deixou nesse estado, e... ele nem sabia mais o que sentia. Um furor descontrolado parecia invadir cada orifício de seu corpo, seus braços tremiam levemente, seus punhos pareciam se fechar sozinhos e suas pernas ardiam da vontade de correr em direção à algo. Cada membro de seu corpo queria... vingança.

-Sasuke, não. –Hinata abriu e levou aqueles seus orbes repletos de inocência ao encontro dos ônix escurecidos ainda mais pela raiva. –Somente... vamos. –Disse fechando os olhos e baixando a cabeça, em uma leve suplica de que fosse ouvida.

O moreno ainda ponderava o que fazer, os sentimentos que o pulsavam ainda fortes demais para serem ignorados quando ouviu as sirenes. E logo viu as luzes. Um festival de azul e vermelho, que logo chegaram próximos e cercaram o armazém. Homens e mulheres saíram apontando armas ao armazém e gritando para que os inquilinos do local se entregassem sem resistência. Ao ver isso, Sasuke suspirou, "o Suna é quem deve tê-los avisado", pegou Hinata no colo com um leve sorriso de lado ao ouvir o pequeno 'gh!' da moça e virou em direção ao outro lado. Havia um hospital não muito longe dali.

-Você ganha Hime.

A Hyuuga se aconchegou em seus braços, encostou a cabeça em seu peito, e por sua vez soltou um suspiro de alivio ao mesmo tempo que enrusbecia. Se sentia segura, e desta vez, satisfeita consigo mesma. Rapidamente, adormeceu. Sasuke percebeu, pois teve, com muito esforço, que tentar impedir sua cabeça de cair sem usar as mãos e logo sentiu a necessidade de murmurar no ouvido dela:

-Não há como alguém ter mais orgulho de você do que eu neste instante.


-Não! Esperem todos do lado de fora! Ela fará somente um exame e será dispensada! – Gritava a enfermeira enlouquecida com aquela trupe de adolescentes na frente de seu hospital.

Logo após Sasuke ter avisado Gaara do acontecido, pouco a pouco foram chegando seus colegas de escola, e agregados.

Haviam todos querido entrar, mas conforme foi se juntando um grupo grande demais para a pequena sala de espera modesta do local, a enfermeira sem piedade mandou todos para fora; inclusive Sasuke que foi o primeiro a ocupar um espaço na sala. E que estava altamente indignado e de mau-humor.

No momento que pensava entrar sim ou sim, Naruto chegou ao seu lado:

-Teme, relaxa aí. Ela nem foi internada...

-Mas deveria ter sido!

-Ela sabe o que faz. Espere tranquilo. E... você fez bem, deixando a policia cuidar dos larápios... Mas não sei como você se controlou! Se eu estivesse lá, eu teria entrado e dado um soco aqui, e outro ali, e um chute no outro cara ao mesmo tempo...! – O loiro continuou falando, cada vez mais alto e com mais emoção, e quando estava ofegante de tanto vociferar; parou pois percebeu que seu amigo não o estava ouvindo.

Sasuke tinha se sentado na grama, um pouco mais longe dos outros, as pernas cruzadas e os cotovelos apoiados em cada. As mãos entrelaçadas em frente de sua cabeça, escondendo as linhas de sua boca. Seu olhar vagava, sem realmente ver nada, e Naruto entendeu que seu melhor amigo se encontrava em pensamentos profundos.

Mas ele não conseguiria ver ou simplesmente imaginar o turbilhão de emoções que se passavam dentro do moreno, e que lhe impediam de ver claramente, de pensar com cuidado...

Alivio e felicidade pela Hinata estar sã e salva, e ao seu alcance. Entretanto, preocupação pelo seu estado físico e mental o atormentavam. Raiva e frustração devido ao fato de não ter podido fazer nada contra o individuo que a machucara torturavam seu espirito, e o faziam se sentir inútil. Ele odiava se sentir inútil.

-Hey, ela está chegando! –Gritou Ino para que todos calassem a boca. Discernia a morena chegando, com curativos em ambos os pulsos.

A Hyuuga foi avançando lentamente com cautela, olhando para aquela pequena multidão de conhecidos, e se perguntando porque estariam todos eles ali, somente por ela. Em seus punhos jaziam gazes brancas, e seu pé estava inteiramente enfaixado. Andava apoiando-se em muletas.

-E-eto... –Ao passar pela porta, sentia que devia dizer algo devido a todos aqueles olhares e no grande silencio, mas não sabia o quê.

A primeira a se manifestar foi Ino, que se aproximou e logo a abraçou, demonstrando um cuidado nada usual, e com uma voz apertada sussurrou:

-Graças aos deuses você está bem.

Aquelas palavras fizeram Hinata parar, e olhar para todos. Cada um que estava ali carregava um olhar de carinho, ternura ou simples alivio ao sorrir. Ela então entendeu que eles estavam lá porque tinham se preocupado com ela... E uma lagrima caiu de seu olho. Antes que percebessem, ambas as moças estavam tremendo, e se abraçando ao deslizarem ao chão, pois suas pernas e muletas não eram mais o suficiente para sustenta-las. Ino também lacrimejava, e quando a soltou daquele enlace, começou a rir:

-Sua boba! Não chore, já passou!

E todos riram, e foram querendo consolar a menina. Kiba soltou Akamaru ao seu lado correndo, que logo foi recebido nos braços de Hinata com carinhos correspondidos com lambidas no rosto. Shino lhe deu um tapa nas costas e a ajudou a levantar (não era homem de muito contato nem de muitas palavras), Naruto uivava como uma criança, Temari e Tenten sorriam e falavam, Shikamaru sorria enquanto declamava "Mas que bobeira..." no seu canto, Sai somente olhou, lançou um aceno e partiu.

Quando Hinata recuperou o folego, criou toda a coragem para dizer alto o suficiente:

-Muito obrigada! P-por terem vindo...

-Você precisa agradecer principalmente o Gaara, ele que nos organizou para sua busca. –Declarou Ino apontando para o ruivo que se encontrava mais atrás.

O olhar dele se encontrou com o de Hinata, e ela não pode deixar de perceber o carinho que ele tinha por ela. Ela entendeu. Aproximou-se dele, e o abraçou: 'Obrigada'. Ele não pode se impedir de sorrir, mesmo na frente de todas aquelas pessoas, e nada mais disse. Entretanto, a morena conseguiu decifrar as palavras por trás dos intensos olhos verdes.

-Cadê o teme? –Perguntou Naruto do nada.

Hinata já ia fazer a mesma pergunta, mas imaginou que ele não iria querer fazer parte da grande reunião... Que ele estaria esperando um momento mais tranquilo...

-Aqui, baka. –E que lhe daria uma bela entrada, mesmo que não fora pensando nesse efeito que ele a fez. Apareceu atrás dela, e a pegou em seus braços, e a beijou ali, no meio e na frente de todos. Hinata enrijeceu e ficou vermelha que nem um tomate; mas nada fez para pará-lo. E surpreendeu-se ao ouvir o barulho das muletas caindo pelo segunda vez no chão: havia soltado-as para botar as mãos no pescoço de seu teme.

-Ok, ok. Depois arranjem um quarto. Agora... Hinata você precisa ir à delegacia. –Itachi acabara de chegar de carro em frente ao hospital.

-Itachi, ela precisa mesmo ir? Fazem somente algumas horas... –Sasuke pergunta, realmente incomodado.

-Ela precisa fazer seu depoimento. Mas relaxe, ela não precisará vê-lo, somente reconhece-lo em fotografia e contar o que aconteceu. Você pode acompanhar.

-Mas ainda assim...

-Eu vou. Você não precisa ir se não quiser... Sasuke-san –Ela o interrompeu com um sorriso. E ele não pode se impedir de corresponder, :

-Desde quando você é tão corajosa?

-Desde que aprendi que preciso cuidar de mim mesma.

E assim, ambos se despediram de todos, com a promessa de se verem na escola no dia seguinte, e entraram no carro de Itachi até a delegacia.


-Oh Sasuke, querido! Que historia horrível... E como foi na delegacia? –Mikoto descascava umas maças em cima da pia enquanto seu filho jazia sentado na mesa encarando um pedaço de pudim e cutucando-o com a colher. "Ugh, odeio coisas doces".

-Ela... foi incrivelmente corajosa. Quase nem gaguejou ao contar sua historia à policial. –Mikoto sentia a surpresa e o leve tom de admiração na voz dele. –Não demonstrou medo em nenhuma hora. Ainda não acreditei direito quando ela disse que conseguiu quebrar a janela...

-Igualzinha a mãe... Força de espirito e vontade incríveis! –Declamou Mikoto, admirando. –E você não vai ir ficar com ela hoje?

-Não... –"Bem que eu queria..." –Seu pai e Neji voltaram há uma hora. Hanabi vai dormir com ela... e sobretudo, estão todos alertas.

-Que bom querido... Agora vá dormir você também. Se ela vai para a escola, você tem que estar em forma para escoltá-la!

Sasuke recolheu-se ao seu quarto, aliviado de não precisar terminar sua sobremesa, e como era de costume, jogou-se em cima da cama. Pôs os braços atrás da cabeça e se encontrava olhando através de sua janela. As flores da arvore do seu jardim nunca pareceram radiar com tanta beleza quanto naquela noite. Elas tinham florescido, com força e vitalidade. "Exatamente como ela".


-Bom dia Sasuke!

-Bom dia Hime. –E apenas terminara de dizer isto, a beijara rapidamente, pois Neji já aparecia na soleira da porta.

-Por que você está vermelha? Sasuke, o que você fez!

-Eu? Nada que não tenho direito com minha namorada.

-Seu sem-vergonha!

E assim começara mais um dia. Ambos os homens brigando o caminho inteiro, Hinata rindo. O caminho à escola nunca fora tão gostoso. No portão, ela se separou deles para se juntar à Ino e Tenten, que falavam sobre besteiras. Elas conheciam já Hinata bem o suficiente para saber que ela preferiria isso à questionário sobre o ocorrido. E a morena ainda podia olhar de relance o trio briguento –pois Naruto se juntara -, e ficou extremamente surpresa ao ver Gaara se juntando a eles. E se enturmando bem. "Que bom... ele não precisa mais ser solitário." E com essa alegre noticia, voltou à conversa sobre o novo ator maravilhoso do seriado que nunca havia visto.

O dia percorreu normal, Kakashi apenas lhe comentou discretamente que estava feliz em vê-la bem. Somente Sasuke se encontrava levemente insatisfeito pois não conseguia ter um momento de paz com ela... Mas estava contente de não ter havido mais nenhum incidente. Até a hora do almoço.

-Onde está Sakura? Não a vi o dia inteiro... –Murmurou Naruto quando procurava um lugar para se sentar.

-Esquece ela baka. –Suspira Sasuke.

-Ah, olha ela ali. Ela está indo... falar com Hinata?

A essas palavras confusas do loiro, Sasuke levantou rápido a cabeça e procurou a cena. De fato, a Haruno se aproximava da Hyuuga, que estava sentada com Tenten, Temari e a Yamanaka.

-Hinata. –Sakura postou-se a frente de quem chamava a atenção.

-Sakura, acho que você não deveria estar aqui, nós somos capazes de...

-Cala a boca Inoporca, deixe-me terminar de falar.

Hinata somente levantou o olhar para a rosácea que carregava um cerne de pura determinação. Ela aguardou, suas feições em pura expectativa.

-Eu... eu sinto muito pelo que aconteceu. –A voz dela fraquejou um pouco, mas logo retornou com seu vigor usual, esforçava-se para manter o olhar reto. –Isso me fez abrir os olhos em relação ao tipo de pessoa que demonstrei ser a você... e outros. Pensei muito no que você me disse o outro dia, e estou disposta a tentar algo diferente. Me... me desculpe. –E antes que Hinata pudesse responder, ela se virou e saiu num passo apressado da sala, sentindo o olhar de todos em suas costas. Somente Sasuke que se encontrava o mais perto da saída viu a lagrima de vergonha que percorreu o rosto da garota. "Quem sabe ainda há esperança para ela..."

E de relance, percebeu que Hinata lhe lançava um olhar esperançoso.


-Você não tem que ir ao treino?

-Nah. –Sasuke decidiu faltar naquele dia para poder acompanhar Hinata e ter um momento a sós com ela: Neji e Naruto não tinham coragem de encarar a raiva de Yamato. Ele próprio tinha que admitir que temia antecipadamente a bronca longa que o treinador iria lhe dar na próxima vez. –O que aconteceu com o curso de culinária?

-Ayame está doente, então cancelaram as atividades desta semana. –Suspirou. Queria muito ter uma aula para relaxar. Ansiava uma receita com tomates, que era a comida favorita de um certo moreno.

Eles andaram um pouco mais em silencio.

-Vo-você... falou com a Sakura, não? –Sasuke a encarou, na duvida sobre o que responder. –Eu sei que somente o que eu disse e o acontecido não podem ter feito ela mudar assim. Você lhe disse umas...

-Verdades na cara. –Hinata sorriu um pouco.

-Fico feliz, acho que ela vai se encontrar. Quem sabe Naruto não consegue o que sempre quis?

-Hmpf. Ela vai demorar um pouco mais tempo para achar as qualidades do baka. –Disse franzindo o cenho, e logo relaxou para completar: -Mas é, poderia ser bom.

Eles andaram lado a lado na rua. Hoje Hinata estava usando uma simples saia azul marinho com uma camisa branca. Diferente do normal, mas Sasuke estava positivo que lhe ia incrivelmente bem. "Tudo lhe vai bem, não importa o traje." E tentou se controlar para impedir pensamentos impuros invadirem sua mente.

-Sasuke... –Hinata interrompeu o rumo que sua mente estava tomando, fazendo suas orelhas esquentarem levemente, e ficar com uma cara de uma criança que foi pega no ato. –Eu falei com meu pai ontem.

-Sobre Hidan? O que vai acontecer com ele?

-Oh, ele está preso. Eles tem evidencia o suficiente para prendê-lo pelo sequestro e ataque a um menor. Vão deportá-lo de volta aos Estados Unidos, ele estava sendo procurado por vários pequenos negócios suspeitos em que seu nome está envolvido. E mesmo depois de cumprir a pena, ele nunca mais poderá voltar aqui.

-Hmpf, ele merecia pior que uma simples cadeia. –Sasuke fitava o ceu, tentando calmar sua raiva. Ainda estava insatisfeito de não ter podido dar a lição que esse cara precisava. Hinata sorriu um pouco ao vê-lo assim.

-Mas não, não foi sobre isso. Eu... criei coragem para dizer ao meu pai que eu não quero ser a herdeira dele na empresa.

Ele parou de andar, e a encarou, demorando a assimilar o que esta acabara de lhe dizer.

-Hinata... isso... isso é ótimo! Como ele reagiu?

–Ele tentou segurar sua raiva, em visto do acontecido. Tentou me disser que eu... eu estava ainda presa pelo choque e que não sabia o que estava dizendo. –Ela abaixou os olhos e fitou o cimento. "Droga, ela deve ter perdido a coragem..." Pensou Sasuke, olhando-a com cautela. –Mas eu disse que não. Q-que faz tempo que eu sei disso...

-Hinata, pare de dizer bobeiras e vá dormir! Está claro que este acontecimento afetou muito você. Descanse. –Hinata podia sentir o tremor na voz de seu pai, que estava fazendo um esforço tremendo para não se alterar.

-N-não pai, –"Pare de gaguejar sua estupida, você tem que fingir ser forte!" Murmurou a si mesma. Suas mãos tremiam, então ela as escondia atrás de si, entrelaçadas para que dessem força uma à outra. –isto só me fez ver como eu realmente não quero assumir as empresas Hyuuga. Eu nunca vou ter a sua visão empresarial! Nunca terei coragem de tomar decisões que podem destruir famílias... Eu não vou poder manter a sua herança.

-Você não sabe do que está falando! As melhores universidades podem mudar isso, você aprenderá, é inteligente... –Ela o interrompeu antes que continuasse, levemente abatida pelo elogio.

-Eu não posso. Nunca fui interessada pelo seu trabalho. E-eu... quero fazer o que mamãe me dizia. Ser médica. –Nisso, Hiashi se levantou de trás de sua mesa de escritório e bateu com as mãos na mesa! Hinata deu um passo atrás de susto, mas tentou manter-se firme.

-É a tradição Hinata!

-Tradições podem ser quebradas! –Agora suas mãos jaziam de cada lado de seu corpo, lhe dando mais coragem. –Já está na hora de seguirmos novas regras. Hanabi é muito mais dotada do que eu, e sempre foi ela que seguiu você nas reuniões, que se interessa pelo que você faz. E Neji, ele já sabe como tudo funciona, pode tomar as coisas quando você se aposentar até Hanabi querer assumir. Eles merecem essa honra muito mais do que eu. Eles a veriam assim e eu... e-eu somente veria isso como um sofrimento.

-Hinata...

-Pai, eu não vou assumir as empresas. Não estou fazendo um pedido. É a minha decisão. Estou pedindo... o seu apoio. –Ela havia conseguido encará-lo com determinação até aquele momento, mas em sua ultima frase não pode evitar desviar o olhar. Tinha medo da expressão que seu pai poderia ter.

De relance, ela pode vê-lo se sentando de volta na cadeira, e a girando. Ficou de costas a sua filha, e encarava seriamente a janela. Ela entendeu que a conversa estava encerrada, e que estava sendo dispensada. Suspirou com tristeza por não ter conseguido feito seu pai entender. Lentamente, ela se retirou do recinto. Quando estava fechando a porta do escritório,

-Sua mãe ficaria orgulhosa de vê-la assim.

-Você acha que isso significa que ele aceita?

-E-eu não sei... mas acho que é um bom si


nal. De qualquer jeito, minha mãe me deixou uma conta própria que terei acesso aos meus 18 anos. Posso usar isso para me sustentar se conseguir entrar com uma bolsa na universidade.

-Quando você voltar aos Estados Unidos...? –Sasuke desviou o olhar, para que ela não visse o medo que pregavam seus olhos ao fazer a pergunta. Ela sorriu docemente.

-Eu não vou. Quero estudar aqui.

Isso fez a cabeça do moreno virar subitamente e fita-la. Ele a encarou por alguns minutos, como se ainda estivesse absorvendo o dito... e pegou logo um de seus braços e a puxou para si. O sorriso maroto da garota foi substituído por um O de surpresa, e Sasuke finalmente ganhou o controle de volta.

-S-sasuke-kun!

-Sabe, tem uma ótima escola de medicina perto da minha de administração.

-E-eu sei, já dei uma olhada nos requisitos.

E com isso, ele soltou aquele seu sorriso de canto, e a beijou intensamente. Hinata adquiriu uma cor rubra intensa, mas retribuiu com o mesmo fervor. Sem separar seus lábios, ele a pegou nos braços como à uma noiva, e ela passou os braços ao redor de seu pescoço.

-Hime, agora você nunca vai poder fugir de mim.

-Eu nem sonharia em tentar.

The End. - Capítulo Final de Romances Escolares.


(Eu sei que demorou para chegar aqui, mas encerremos o projeto.)

Muito obrigada a todos que usaram de seu tempo para ler estas palavras e todos estes quinze capítulos,

Qualquer review sobre a historia ou comentários/criticas sobre a própria escrita serão bem-vindos!