Pós mangá


Departure

by Doks


Winry estava ansiosa para reencontrar sua família depois de duas semanas se separação. Edward e Úrsula foram para a cidade central tratar de providenciar todos os papeis para a viagem. Mesmo com toda a burocracia, Edward conseguiu em duas semanas os documentos que demorariam pelo menos um mês para sair. Era claro que ele ainda tinha influência no Estado.

Desde muito pequena, Úrsula se interessou pela habilidade do tio Al de criar, consertar e quebrar objetos por meio da alquimia. Porém, foi apenas depois de uma visita ao tio em Xing que ela entendeu para o que realmente servia o poder seu tio.

Alphonse era médico na cidade onde morava. Logo depois de fazer a sua viagem para "conhecer o mundo", Al decidiu que queria ajudar as pessoas de um jeito bem mais concreto que seu irmão. Decidiu estudar medicina e, com o apoio de Mei, conseguiu aprender meios de aplicar seus conhecimentos de alquimia na área médica.

Quando Úrsula tinha 14 anos, ela e sua família foram passar as férias de verão em Xing. Foi então que a menina teve uma boa visão do que seu tio fazia e decidiu que queria ajudar as pessoas da mesma forma que o tio. Ficou ainda mais animada quando sua mãe lhe contou que essa era também a profissão dos seus avós maternos.

Edward nunca pensou que pudesse ensinar alquimia a alguém mesmo não podendo realizá-la. Foi um pedido estranho que sua filha o fez, mas não havia como recusar. Ele lembrava vagamente do começo de seu treinamento com Izume e logo descartou a possibilidade de imitar sua mestra depois das primeiras recordações que teve.

Winry não gostou muito de saber que sua filha se interessou por alquimia e gostou menos ainda de ver a determinação nos olhos da menina. Ela conhecia muito bem aquele olhar e sabia que não demoraria muito até ter que despedir dela na estação, como já fizera outras vezes com seu marido.

Edward, por outro lado, estava extasiado com a habilidade da filha. Não conseguia pensar em outra coisa.

Como já era previsto por Winry, três anos de treinamento com Edward e Úrsula havia aprendido tudo que podia com seu pai. Agora ela tinha buscar conhecimento mais específico, o que não era possível na cidadezinha que morava com sua família. Aos 17 ela fez o pedido mais doloroso à sua mãe: ela queria ir para Xing aprender alquimia com seu tio Al. Mas, diferente de seu pai, ela não prometeu voltar.

E é onde Winry se encontra. Esperando para se despedir de sua filha caçula que iria fazer não-sei-o-quê num lugar distante onde só havia o Al e Mei de família. Não era que não confiasse nele, mas... era sua filha.

Foi no meio deste pensamento que Winry viu os dois descendo do trem e acenou para que fosse vista. Edward, com alguns fios brancos que quase não eram notados por causa da cor de seu cabelo, a recebeu com um abraço um leve beijo na boca.

Olhando para a Úrsula com um jeito meio triste, Winry deu também um abraço na filha e desejou boa viagem. Não tinham muito tempo, pois o trem que tinha acabado de desembarcar era também o que a levaria para Xing.

Olhando para os lados atrás de Winry, Edward perguntou onde estava seu outro filho, que prometera chegar a tempo da despedida.

− Ele já deve estar chegando. Victor foi para a cidade comprar algumas peças que ele precisava... – Winry falou olhando para a porta em que ele deveria passar em alguns instantes.

Enquanto Winry recomendava coisas demais, Úrsula continuava falando para a mãe que "tudo iria ficar bem" e que "sim, iria ligar todos os dias" e "sim, duas vezes por dia".

Edward apenas ria da situação ao ver Winry tão preocupada, enquanto Úrsula estava tão tranquila. Foi quando Victor, em seus 20 anos aparecia ofegante perto de sua irmã se desculpando pela demora.

− Ainda bem que você chegou, já está em cima da hora... – Úrsula disse para seu irmão enquanto o abraçava.

− É, eu sei, eu sei – ele disse com o sorriso herdado pelo seu pai e com a mão direita na nuca.

Foi quando o último apito do trem tocou. Winry olhou ansiosamente para Edward e depois voltou seu olhar para sua filha caçula. Tristemente, ela dá o último abraço em Úrsula e logo se aninha no corpo de seu marido.

E assim o trem saiu levando mais uma vez o coração de Winry.

− Bem, eu acho que já vou. Tenho que terminar um automail hoje ainda. Vocês vão ficar aí? – Victor disse não colaborando com a dor de sua mãe.

− Pode ir na frente, nós vamos dar um tempo aqui ainda – Edward respondeu na frente. Winry estava estranhamente calada e se perguntou se ela ficava assim também quando ele partia, principalmente no começo do casamento.

E assim o filho mais velho sai, deixando o casal na estação novamente vazia.

Ficaram abraçados alguns minutos ainda depois que o trem desaparecera no horizonte. Edward entendia o motivo de sua mulher ficar tão magoada pela ia de sua filha, mas não podia concordar. Ele estava muito orgulhoso em ver que ela teve coragem de abandonar a cidadezinha em busca de conhecimento e aventura. E estava prestes dizer isso quando...

− Eu sei que você está feliz. E que eu deveria estar também, mas eu não posso evitar. Ela é tão jovem...

− Ela sabe se cuidar, Winry. E não é como se você nunca mais fosse vê-la. Ela vem visitar e nós também podemos tirar uma folga e irmos à Xing. Nós podemos até ter uma quarta lua de mel. – Disse a última parte apertando ainda mais cintura de Winry.

− Talvez – disse dando um beijinho em seu pescoço – Mas não vai ser a mesma coisa, você sabe disso.

− É, mas mudança é bom. E prepare-se para perder o Victor também. Logo ele se casa e vai embora. Aí você vai ter que se contentar só com seu velho marido dentro de casa.

− Acho que nós deveríamos ter tido mais filhos... – Winry disse se virando (nunca largando os braços de Edward) para a saída da estação.

− Bem que eu quis, você que cortou o barato – Edward quis mais filhos no passado, mas Winry reclamou que não era uma vaca parideira e que já teve um menino e uma menina. O que mais ele queria?

− Ah, que seja. Vamos embora. Temos que ligar para o Al e dizer que Úrsula já está no trem e ele tem que pegá-la na estação de lá. Será que ele vai esquecer?

− Ele deve estar mais ansioso que você, faz anos que ele não lida com adolescentes. Ele vai enlouquecer com essa menina. – Edward disse rindo e prevendo os problemas de seu irmão ao tentar controlar sua filha de 17 anos.

− Eles vão aprender a conviver. – Ela disse mais animada e sorrindo ao lembrar que Alphonse só tivera um filho com Mei, que já era adulto há muito tempo.

E assim foram conversando toda a caminhada para casa. Ora de mãos das, ora abraçados e andando devagar. Pareciam dois namorados. Eles sabiam que iria ser difícil se acostumar com a falta da menina na casa, mas sabiam também que iriam ter que se acostumar. Era mais uma fase que estavam dispostos a passar juntos.

FIM


N/A: Então, gente, esse foi o último e demorado capítulo. Desculpe mesmo a demora! Eu sempre lembrava desta fanfic, mas não conseguia terminar, tudo que escrevia parecia ruim até que essa noite eu estava sem sono e resolvi terminar (já tinha 70% pronto).

Espero que vocês tenham gostado da história. Não tinha muita pretensão no começo, mas com todo mundo que adicionou no alerta e favoritos (e até comentaram!) eu fiquei muito animada.

Bem, espero que tenham gostado. Boa leitura!

E obrigada para a Pinky-chan2 que me ajudou com a revisão deste capítulo. É ela que sempre me salva!