Capítulo 6: Planos e Vilões

As horas passaram. Às três e meia da tarde, Brianna e Allison estavam já prontas para saírem. Iriam até ao centro comercial mais próximo, que ficava a quinze quilómetros.

"Voltamos em breve, porque não vou, obviamente, andar a gastar muito dinheiro." disse Brianna. "Foi mais ideia da Allison irmos passear, mas não significa que vamos esbanjar dinheiro à toa."

"Combinámos a saída ontem, mamã, portanto vamos sair e não se preocupe com as despesas." disse Allison. "Temos de aproveitar para gastar o dinheiro, porque quando morremos ele fica cá."

"Está bem filha, mas também não é preciso gastarmos muito dinheiro, porque nunca sabemos o que pode acontecer no futuro e podemos precisar desse dinheiro que gastámos."

Rosemary surgiu de um corredor e, com passadas largas, chegou perto de Brianna, Allison e Bill, que estavam perto da porta de entrada da casa.

"Tudo pronto?" perguntou ela.

Rosemary seria a condutora da carrinha que as levaria ao centro comercial. Em troca, Allison prometa que lhe compraria algo que ela quisesse e Rosemary aceitara de imediato.

"Até logo, querido." disse Brianna, dando um beijo ao marido. "Tem a certeza que não quer vir connosco?"

"Não. Acho que vou ficar aqui a descansar." respondeu Bill.

"Você é que sabe." disse Brianna, encolhendo os ombros. "Mas se calhar até é melhor assim, porque se você fosse connosco ainda se lembrava de comprar coisas e gastava muito dinheiro, como é costume."

"Chega de sermões, mamã. Vamos embora." disse Allison, tocando no braço da mãe. "Até logo, papá."

As três saíram da casa. Allison tentava agir naturalmente, seguindo com a sua ideia de não contar já aos pais que estava a namorar com Randy, apesar de pensar várias vezes no seu agora namorado. Quando as três saíram mulheres sairam, Bill foi sentar-se num sofá e ligou a televisão. Faith espreitou de outra divisão e sorriu.

"Ok, é o momento certo." pensou ela. "Ainda bem que ouvi ontem a parva da Allison a convencer a mãe a irem sair. Agora tudo vai mudar para o meu lado. É só seduzir o Bill e pronto."

Faith foi rapidamente até ao seu quarto. Vestiu um uniforme vermelho de empregada doméstica, muito decotado e com uma saia minúscula. Sorriu ao ver-se ao espelho.

"Ainda bem que tenho este traje que usei no Carnaval." pensou ela. "Agora vai servir na perfeição para o meu plano."

Faith saiu do seu quarto e caminhou até à sala. Ao chegar lá, caminhou até a uma pequena mesa, onde Bill tinha pousado o comando da televisão. Pegou no comando e desligou a televisão. Bill olhou para ela e arregalou os olhos.

"Faith, mas que uniforme é esse?" perguntou ele.

"Não gosta?" perguntou Faith, de modo sensual, aproximando-se de Bill. "Eu acho que me fica muito bem. Realça a minha beleza natural e as minhas formas."

Faith tirou uma alça do uniforme e bamboleou-se.

"Se acha que o uniforme me fica mal, eu tenho solução. É só despi-lo e assim até fico mais à vontade."

Num gesto rápido, Faith tirou o uniforme, revelando uma lingerie vermelha e rendada. Bill arregalou os olhos e levantou-se do sofá.

"Mas o que é que você pensa que está a fazer?" perguntou ele.

"Acho que você já entendeu, patrão. Vá, a sua mulher não está aqui agora. Não me diga que não quer aproveitar para experimentar um pouco deste corpinho esbelto? Tem de aproveitar."

"Não quero nada. Eu gosto da Brianna e não quero mais ninguém."

Faith não se deu por vencida. Avançou para Bill e agarrou-o, começando a esfregar-se nele.

"Está doida? Pare com isso!" exclamou ele, tentando afastá-la.

Nesse momento, a porta da casa abriu-se. Allison e Brianna entraram, conversando.

"Filha, devia ter logo percebido que não tinha levado a mala consigo." disse Brianna. "Assim, não teríamos de ter voltado para trás. Como é que quer comprar alguma coisa sem levar o cartão de crédito consigo? Não que eu achasse mal ter cá ficado o cartão, porque assim não gastava dinheiro, mas depois ia queixar-se o tempo todo que estivéssemos no centro comercial. E já sabe que eu não tenho cartões, nem ando com muito dinheiro na carteira."

"Eu sei, mamã, mas pronto, esqueci-me da mala, mas é só ir buscá-la e vamos já voltar para a carrinha." disse Allison, abanando a cabeça.

De seguida, as duas calaram-se, ao verem Faith a esfregar-se em Bill. Ele conseguiu afastá-la e depois tanto ele como Faith viram que Brianna e Allison estavam ali.

"Mas o que vem a ser isto?" perguntou Brianna, possessa e chocada. "O que se está a passar aqui?"

Faith abanou a cabeça, surpreendida por ver ali Allison e Brianna. Não esperava que elas voltassem para trás, mas talvez fosse algo bom para o seu plano. Bill deu alguns passos em direcção a Brinna e Allison.

"Querida, isto não é o que parece." disse Bill.

"Isso é o que os homens dizem sempre, quando são apanhados a trair as mulheres ou a fazerem algo que não devem." disse Brianna. "Eu vejo filmes e sei como é. Dizem isso para enganar as mulheres ou então estão mesmo inocentes, mas normalmente dizem isso quando são apanhados a meio de uma traição."

"Eu não te traí, Brianna!" exclamou Bill.

"Não tínhamos chegado ainda à parte do sexo, mas para lá caminhávamos." disse Faith, sorrindo. "Dona Brianna, já era tempo de saber a verdade. Eu e o seu marido temos um caso, desde que compraram a quinta e começaram a vir cá. Mas mantivemo-nos discretos. Agora já sabe."

"Papá!" exclamou Allison, chocada.

"É tudo mentira!" exclamou Bill. "Eu nunca tive nada com a Faith."

"Ai não? Então está a dizer-me que não me disse, mal a sua mulher e filha saíram, que queria divertir-se comigo?" perguntou Faith, fazendo-se de sonsa e olhando para Bill. "Até foi você que me comprou esta lingerie e tudo, para nos divertirmos os dois."

Brianna e Allison abriram a boca de espanto. Nesse momento, Rosemary entrou pela porta, parecendo aborrecida.

"Mas então e essa mala?" perguntou Rosemary. "Estava farta de esperar na carrinha. E porque é que vocês estão aqui as duas paradas ao pé da porta?"

Rosemary olhou para o resto da sala e viu Bill e também Faith. Arregalou os olhos.

"Credo, mas o que é isto?" perguntou Rosemary. "Faith, que roupa, aliás, que falta de roupa é essa?"

Faith lançou um olhar frio a Rosemary e não disse nada. Bill deu mais alguns passos em direcção à esposa.

"Brianna, acredita em mim. Eu amo-te e nunca te traí. Lembra-te das tuas desconfianças da outra vez e como estavas enganada." disse Bill. "Tu sabes que eu gosto de ti e apenas de ti."

Brianna hesitou, olhando de Bill para Faith. Faith abanou a cabeça, em negação.

"Porque é que está a negar, Bill? Diga a verdade. A dona Brinna merece saber tudo." disse Faith.

Bill virou-se para ela, furioso.

"Cala-te, rapariga estúpida! Mas que raio te passou pela cabeça? Eu não quero nem nunca quis nada contigo. Nunca traí a minha mulher!" exclamou ele.

Allison abanou a cabeça, sem saber o que pensar. Rosemary bufou.

"A Faith é uma grande parva. Então ela disse que teve alguma coisa com o patrão Bill? Que estupidez. Ela está a mentir." disse ela.

"Cala-se, sua gorda de um raio!" gritou Faith, encarando Rosemary.

"Não me calo nada, sua vadia! Que raio de espectáculo é este, heim? Estás a tentar separar os patrões para quê, para ficares com o dinheiro deles?" perguntou Rosemary. "És uma porca! Uma porca!"

Faith cerrou os dentes, furiosa. Allison respirou fundo, olhando para o pai e depois para a mãe. Eles estavam casados há muitos anos e apesar de tudo, Allison sabia que eles se amavam. Allison olhou para Faith de seguida.

"Faith, você tem noção de que está a fazer? Diga já a verdade." exigiu Allison.

"A verdade é que tenho um caso com o seu pai. Ponto final."

"Olhe, eu estou a perder a paciência e se eu me irrito, ainda sou capaz de pegar nalguma coisa e mando-a contra si!" exclamou Allison. "Ninguém se mete entre o meu papá e a minha mamã porque eu não deixo. Mamã, não se deixe enganar por ela."

Allison tocou no braço da mãe. Brianna respirou fundo, pensando. Bill estava ali e Faith estava meio despedida. Depois pensou em coisas que tinham acontecido ao longo do seu casamento. Bill sempre demonstrara gostar muito dela. Anteriormente, tinha pensado que ele a estava a trair e não fora o caso. E nessa altura, tinha prometido algo a si mesma. Não iria faltar a essa promessa agora. Prometera não voltar a desconfiar do marido.

Brianna deu alguns passos em frente, passou por Bill e de seguida, quase correu para Faith. Chegou ao pé dela e deu-lhe um estalo com toda a força. Faith cambaleou para trás, chocada e sem esperar aquilo. Rosemary soltou um grito animado.

"Boa dona Brianna! Assim é que é!" exclamou ela. "Dê-lhe mais que é o que essa porca merece!"

"Faith, pegue nas suas coisas e ponha-se a andar daqui para fora, imediatamente." disse Brianna, furiosa, encarando Faith. "Seja rápida, antes que eu mande soltar os cães para a morderem. E não se atreva a voltar a pôr aqui os pés."

"Mas..."

"Nada de mas, sua lambisgóia. Pensa o quê, que se ia meter com o meu marido assim, é?" perguntou Brianna. "Você quer é o dinheiro, não é, sua vadia?"

"A Faith apareceu aqui na sala, depois de vocês saírem, trazia vestido um uniforme muito curto e depois começou a insinuar-se a mim e começou a tirar a roupa. Eu tentei livrar-me dela." disse Bill.

"Vá, ponha-se a andar daqui, Faith. Agora!" exclamou Brianna. "Está despedida e nunca mais quer ver a sua cara estúpida à minha frente Dá-me vómitos."

"Não me pode despedir!" exclamou Faith.

"Posso e já está feito. Fora, antes que eu lhe dê um murro nas trombas, ouviu? Já fui pobre e lutei com muitas mulheres nos saldos. Era pancada para todo o lado, a ver quem conseguia levar as melhores peças. Portanto, não me teste senão eu fico doida e você vai parar ao hospital."

Faith cerrou os punhos, furiosa.

"Isto não fica assim!" exclamou ela.

"Ai, que canseira, esta gente diz sempre a mesma coisa." disse Rosemary, aproximando-se de Faith. "Vá, rua, senão eu vou buscar uma vassoura. Andor daqui para fora!"

Faith correu para a cozinha e daí para o seu quarto, para arrumar as suas coisas. Rosemary foi atrás dela. Allison abanou a cabeça e suspirou.

"Ainda bem que isto fica resolvido. Depois do Melvin, agora tinha esta empregada de fazer isto." disse Allison. "Mas pelo menos não conseguiu o que queria. O papá não traiu a mamã."

"Claro que não." respondeu Bill. "Eu amo a Brianna. Sempre amei e sempre amarei, até que a morte nos separe."

Brianna, agora mais calma, acabou por sorrir ao marido. Aproximou-se dele de seguida e beijou-o. Allison foi rapidamente até ao seu quarto, para não atrapalhar.

A Vida da Família Lewis

Nesse momento, Rosemary estava à porta do quarto de Faith, a aguardar. Faith tinha poucas coisas para arrumar na sua mala e estava bastante zangada com o que tinha acontecido. Vestiu rapidamente uma t-shirt e umas calças. Rosemary bateu à porta do quarto.

"Despacha-te, senão os patrões vêm correr-te daqui para fora a pontapé." disse Rosemary. "Quer dizer, eu nem me importava de ver o espectáculo. Seria muito engraçado ver-te a ser escorraçada daqui da pior maneira possível, que é o que tu mereces na realidade."

Alguns minutos depois, Faith saiu do quarto. Rosemary abanou a cabeça.

"Óptimo, ainda bem que já estás pronta para ir embora." disse ela. "Eu nunca gostei de ti e afinal tinha razão para isso."

"Cala-se, sua gorda de um raio." disse Faith, passando por Rosemary. "Não preciso dos seus comentários parvos."

"E nós não precisamos de uma cobra nesta casa. Faz boa viagem e não voltes."

Faith saiu da casa pela porta das traseiras, carregando a sua mala consigo. Deu a volta à casa e quando viu, Brianna e Bill estavam a sair pela porta da frente.

"Ainda bem que se vai já embora." disse Bill.

"Você queria separar-me do meu marido, mas não conseguiu." disse Brianna. "Queria o dinheiro, mas não conseguiu. Azar o seu."

"Pois queria e não consegui, é verdade." disse Faith. "Mas não consegui agora. Lembrem-se que o mundo dá muitas voltas e tudo pode acontecer. No futuro…"

"Antes que diga mais alguma coisa e nós percamos a vontade de sermos minimamente simpáticos consigo, pode ir até ao portão de entrada." disse Bill. "O Larry está lá à espera para a levar à aldeia mais próxima. A partir daí, está por sua conta."

"E já estamos a ser bonzinhos demais. Devíamos era pô-la com as malas à porta e ir a caminhar a pé até à aldeia, mas enfim. Agora, fora daqui!"

"E os meu ordenado? Trabalhei alguns dias este mês e tenho de receber o ordenado, senão faço queixa de vocês à policia." ameaçou a Faith.

Bill tirou um envelope do bolso e lançou a Faith, que o agarrou.

"Tem aí a paga dos dias que trabalhou este mês. E agora, pela última vez, que isto já se está a tornar demasiado repetitivo, vá-se embora."

Faith lançou-lhes um olhar gelado antes de começar a caminhar em direcção ao portão da quinta.

A Vida da Família Lewis

Allison estava no seu quarto, a ligar a Naomi, contando-lhe todas as novidades.

"O quê? Tu começaste a namorar com o Randy? E a Faith tentou seduzir o teu pai?" perguntou Naomi, do outro lado da linha. "E só agora é que tu me ligas a contar isso?"

"A situação com a Faith só aconteceu há alguns minutos, Naomi. Estou no meu quarto, à janela e estou a ver que ela se vai embora." disse Allison, espreitando pela janela.

"Se realmente andou a tentar seduzir o teu pai, obviamente que a iam pôr daí a andar. Fizeram muito bem." disse Naomi. "E quanto a ti e ao Randy?"

"Bom, estamos a namorar, mas claro que os meus pais ainda não sabem, nem vão saber tão depressa." disse Allison. "Mas gosto dele."

"Acho bem. Ele parece ser muito boa pessoa. Espero realmente que o seja e que não seja um fingido, como o Melvin era." disse Naomi. "Sabes, eu saí ontem com um rapaz que trabalha na loja de conveniência ao pé da minha casa. Chama-se Fred e é muito simpático."

"Ai sim? Hum, cheira-me a romance. Conta-me tudo, Naomi."

"Não há assim muito para contar. É um rapaz simpático, cavalheiro, tem sentido de humor e é uma companhia agradável. Mas para já também não o conheço muito bem. De qualquer das maneiras, o encontro correu bem e já marcámos outro."

"Espero que ele seja realmente tão boa pessoa como tu descreveste. Claro que trabalhar numa loja de conveniência também não é ter um bom emprego… mas enfim, considerando que eu estou a namorar um trabalhador do campo também não posso falar muito." disse Allison. "Olha, na próxima semana devíamos ir as duas à manicura e podemos falar melhor do tal Fred. E claro, quero conhecê-lo, para o avaliar e poder dar a minha opinião."

Do outro lado da linha, Naomi riu-se.

"Está bem, Allison, fica combinado, mas nada de pedirmos à manicura para pintar as unhas com aqueles padrões esquisitos da última vez. Ficaram horríveis e as pessoas pensavam que tínhamos andado a esgravatar na terra. Isso não iria abonar muito para conquistar o Fred, isto se eu o quiser conquistar, depois de o conhecer melhor, claro."

A Vida da Família Lewis

Larry deixou Faith na aldeia mais próxima e ela arrastou a sua mala até ao primeiro café que viu. Sentou-se numa mesa e pediu um café.

"Que raiva! Saiu tudo ao contrário." pensou ela. "Não é justo! Devia ter dado tudo certo, para eu ficar rica de uma vez por todas. Agora devia estar a envolver-me com o patrão e assim conseguiria conquistá-lo ou depois poderia sempre chantageá-lo com a traição, ameaçando contar à esposa dele. Mas correu tudo mal…"

Uma empregada trouxe o café que Faith pedira e ela bebeu-o rapidamente.

"O que é que eu vou fazer à minha vida agora?" perguntou-se ela. "Está muito difícil de arranjar empregos e o que eu queria era ter muito dinheiro e não fazer nada. Não me apetece ter de arranjar outro emprego e trabalhar imenso..."

Faith estava embrenhada em pensamentos, quando uma cadeira foi puxada e alguém se sentou perto dela. Olhou para a pessoa e viu que era Melvin. Abriu a boca de espanto.

"Você? O que está aqui a fazer?" perguntou ela.

"Digo-lhe se me disser porque é que tem essa mala enorme consigo." disse Melvin. "Vai viajar?"

"Não. Expulsaram-me da casa onde eu trabalhava. Você sabe, para os pais da sua ex-namorada." disse Faith.

"Ai sim? E o que é que você fez para a mandarem embora?"

"Não tem nada a ver com isso." disse Faith, bruscamente. "Não tenho de lhe estar a dar justificações, nem se quer tenho de responder às suas perguntas."

"Está irritada. Hum, sabe, eu vim para aqui porque estou a preparar um plano para me vingar dos Lewis." disse Melvin. "Talvez esteja interessada em ajudar-me."

Faith pareceu desconfiada. Faith não confiava facilmente em ninguém, pois já tivera decepções na vida, com pessoas em que confiara e a partir daí, começara, à partida, a desconfiar de todos. Porém, poderia confiar em alguém, se tivesse algo a ganhar com isso.

"O que quer dizer com isso? O que é que eu posso ganhar se o ajudar?" perguntou ela.

"Pode ganhar muito dinheiro."

Faith abanou a cabeça. Dinheiro era o que sempre quisera. Melvin disse-lhe para irem conversar para outro lado e foram até um pequeno parque que havia na aldeia. Não havia ninguém por perto e Melvin explicou o seu plano.

"Então, aceita juntar-se a mim? Só tem coisas a ganhar." disse ele.

Faith hesitou, mas depois acenou afirmativamente.

"Está bem, eu ajudo-o. Quero o dinheiro." disse ela.

"Óptimo." disse Melvin, sorrindo. "Portanto, vamos executar o plano na semana que vem. A Allison e a família vão arrepender-se de me terem expulsado da vida deles e me terem negado a possibilidade de ser rico. Agora, quero saber como podemos entrar na quinta sem sermos vistos. Deve saber, com certeza."

"Sim, sei." disse Faith. "Vou explicar-lhe, mas olhe lá, quando é que quer realizar este plano."

"No próximo fim-de-semana."

"Mas aí a família vai estar na casa. É muito mais difícil com eles lá e…"

"Eu não quero apenas roubar a casa." disse Melvin. "Isso seria demasiado fácil. Não, eu quero, além de lhes roubar o que eles têm e ganhar algum dinheiro com isso, vingar-me deles. Quero pregar-lhes um susto."

"Um susto? Que tipo de susto?" perguntou Faith, ficando desconfiada. "Eu não quero estar a meter-me em nada mais do que o que tínhamos falado. Você já está a levar isto para outra situação."

"Oiça, vamos fazer um assalto. É esse o plano, portanto, o que é que acontece quando há um assalto e há pessoas na casa assaltada? Os assaltantes intimidam as pessoas da casa. Você não tem de fazer nada, tem apenas de ir roubar as coisas e a ajudar-me a entrar na quinta sem ser visto. Eu intimido-os sozinho. É apenas para lhes pregar um susto."

Faith hesitou, mas depois acenou afirmativamente.

"Está bem, está bem. Eles merecem. Mas é só um susto. Também não quero que lhes faça mal, de todo. Um susto valente irá bastar-lhes."

Melvin acenou afirmativamente, contente por ter uma parceira agora. Faith era-lhe útil apenas porque conhecia bem a quinta e as melhores maneiras de lá entrar e vaguear sem serem vistos. Mas Melvin mentira e queria mais que pregar um susto à família Lewis.

A Vida da Família Lewis

No fim-de-semana da semana seguinte, Allison e a sua família estavam novamente na quinta. Naomi e Rosemary também estavam na quinta nesse fim-de-semana. Nessa manhã, Naomi e Allison estavam a ter aulas de equitação com Randy, no picadeiro.

"Isto até é divertido." disse Naomi, em cima de um cavalo. "Se tivermos cuidado, nem tem grande perigo."

"Agora gosto muito mais de cavalos do que dantes." disse Allison, que estava montada noutro cavalo, ao lado de Naomi.

"De cavalos e de um certo tratador de cavalos também." disse Naomi, rindo-se.

Allison e Randy trocaram um olhar e sorriram um ao outro. Quando a aula terminou, Randy foi com elas até à porta da casa principal.

"Vou deixar-vos sozinhos. Não tenho muito jeito para fazer de vela" disse Naomi. "Até já."

Naomi entrou em casa. Allison olhou à sua volta e, não vendo ninguém, beijou Randy. Quando se separaram, Randy falou.

"Devíamos contar aos teus pais que estamos juntos." disse ele. "Estive a pensar muito nisto durante toda a semana e não é como se estivéssemos a fazer nada de mal. Gostamos um do outro e pronto. Acho que se mantivermos o nosso namoro em segredo, quando contarmos os teus pais podem ficar aborrecidos por não lhes termos dito logo e isso pode causar problemas."

"Não sei se é boa ideia contarmos aos meus pais que estamos juntos, Randy."

"Porquê? Não gostas de mim?"

"Claro que gosto!" exclamou Allison. "Não duvides disso."

"Então tens vergonha por eu não ser rico, nem usar roupas finas, nem ter muitos estudos..."

"Não é isso. Eu não tenho vergonha de ti, mas os meus pais podem não gostar muito que já estejamos a namorar. Quer dizer, aquilo com o Melvin aconteceu há tão pouco tempo. Se apareço com outro namorado tão depressa, não sei, podem não gostar nada. E podem despedir-te. Não quero isso. Achas que eles podem ficar zangados se não lhes contarmos, mas o problema é que também pode acontecer o mesmo se lhe contarmos. É melhor ficarmos como estamos agora."

Randy hesitou, mas depois suspirou, encolhendo os ombros.

"Está bem, tu é que sabes." disse ele.

"Ouve, estamos fazer isto pelos dois." disse Allison, pegando-lhe nas mãos. "Não quero que os meus pais me proíbam de te ver ou algo assim. Não iria suportar estar longe de ti, por isso é que prefiro estarmos a namorar às escondidas do que assumirmos o namoro e depois quererem separar-nos."

"Por agora, fazemos como tu queres, Allison, mas mesmo que os teus pais não aceitem o namoro, se for essa a tua vontade, ficas comigo na mesma. Somos maiores de idade e podemos tomar as nossas decisões." disse ele. "Agora, resta saber se, na eventualidade de te zangares com os teus pais e eles deixarem de te dar dinheiro, se ficarias comigo ou escolherias os luxos a que estás habituada."

"Randy…"

"Pensa nisso. Eu abdicaria de tudo para estar contigo. Farias o mesmo por mim?"

Randy acabou por virar costas e se afastar, regressando aos estábulos. Allison suspirou.

"Ele tem razão. Tem mesmo razão. O que é que é mais importante para mim?" perguntou-se Allison. "Um namorado atencioso, que gosta de mim, mas não tem posses ou a vida de luxo, as compras e tudo o que estou acostumada? Ele é muito mais perspicaz do que eu pensava e apontou algo que eu estava a tentar ignorar. Somos muito diferentes e se um dia casarmos não posso esperar viver com os mesmos luxos de agora. Passei muito tempo a viver uma vida normal, digamos, mas desde que os meus pais ganharam a lotaria, tudo mudou para melhor. Não sei se estou preparada para voltar a ter uma vida simples. O Randy não iria, com certeza, aceitar viver do dinheiro dos meus pais e que eu estivesse sempre a esbanjar dinheiro. Ai, o que é que eu faço à minha vida?"

Ainda confusa e sem saber o que fazer, Allison entrou em casa. De uma esquina, Faith e Melvin espreitaram.

"Parece que a tua ex-namorada anda enrolada com o Randy." disse Faith. "Afinal, eu pensava que ela tinha gostos muito chiques, mas enganei-me. Prefere homens a cheirar a cavalo. Por isso é que não aceitar casar contigo."

"Cala-te!" disse Melvin, zangado. "Ela trocou-me por aquele fedorento, mas vai arrepender-se."

"Melvin, olha lá, nós vamos só roubar os Lewis e pregar-lhes um susto. Mais nada. Foi o que combinámos."

"Obviamente que sim." disse Melvin. "Vá, agora põe a máscara e entra pelas traseiras. Tira tudo o que encontrares de valor."

Faith acenou afirmativamente, colocou uma máscara preta na cara, para lhe esconder a identidade e dirigiu-se à porta das traseiras. Quando Melvin viu que ela tinha entrado na casa, tirou uma pistola do bolso e sorriu maliciosamente.

"Isto vai ser divertido." pensou ele. "Os Lewis vão pagar pelo que fizeram. E aquela gorda da Rosemary também, se estiver por cá. E quanto à Faith, bom, se for uma boa parceira, continua viva. Até lhe acho alguma graça e foi útil, porque com o conhecimento que ela tem da quinta, conseguimos entrar aqui sem sermos vistos e sem qualquer problema. Mas se a Faith me der problemas, acabo com ela."

Alguns segundos depois, Melvin caminhou até à porta da frente da casa. Não iria esconder a sua cara, pois não esperava ter vítimas vivas para o poderem denunciar. Faith era a excepção. Para que não desconfiasse de que iria matar todos, falara-lhe várias vezes de que pretendia pregar apenas um susto aos Lewis.

Melvin abriu a porta e entrou na casa. Abanou a cabeça. Eram muito estúpidos de deixar as portas assim abertas já que qualquer pessoa podia entrar. Fechou a porta sem fazer barulho. Brianna e Bill estavam na sala de estar a conversar.

"Está doido, Bill? Gastar dinheiro a contratar outra empregada?" perguntou Brianna. "Isso é deitar dinheiro à rua. Não vê como está a economia? Tem de se poupar, senão qualquer dia estamos na penúria."

"Brianna, querida, nós temos muito dinheiro e com a minha empresa e de futuro esta quinta, continuaremos a ter. Ouve, despedimos a Faith e é preciso ter uma empregada aqui em casa para tratar de tudo." disse Bill. "É algo essencial."

"Mas nós temos a Rosemary."

"Ela só vem cá ao fim-de-semana como nós e por vezes nem são todos os fins-de-semana. Precisamos de alguém que esteja aqui todos os dias, para tomar conta da casa. Caso contrário, quando cá chegarmos temos a casa toda suja, desarrumada e sabes que a Rosemary não consegue tratar de tudo num fim-de-semana."

Brianna hesitou, suspirando depois.

"Está bem, querido, talvez tenha razão. Mas pagar mais um ordenado custa sempre…"

"Eu não me preocuparia com isso." disse Melvin, avançando para perto de Bill e Brianna.

O casal levantou-se do sofá onde estavam sentados e encararam Melvin. Ele ergueu a pistola. Brianna soltou um guincho e Bill colocou-se à sua frente.

"O que é que você está a fazer aqui?" perguntou Bill. "E para que é essa arma?"

"Adivinhe ex-sogrinho." disse Melvin, rindo-se. "Allison, onde estás? Estou à tua espera!"

Melvin gritou bem alto. No andar de cima, Naomi e Allison, que estavam agora no quarto de Allison, ouviram a voz e entreolharam-se.

"Não te parece a voz do Melvin?" perguntou Naomi.

"Ai, eu espero bem que não. Nunca mais o quero ver. Espero que ele não tenha tido a coragem de cá voltar para nos aborrecer." disse Allison.

De seguida, as duas saíram do quarto e pouco depois estavam a descer as escadas.

"Não, filha, fuja!" gritou Brianna. "Fuja daqui!"

"Calada sua estúpida." disse Melvin, apontando-lhe a arma.

Naomi e Allison chegaram ao fundo das escadas e viram Melvin. Ele apontou-lhes a pistola. Allison abriu a boca de espanto e Naomi arregalou os olhos.

"Vocês as duas, já para aqui. Agora!" exclamou Melvin.

Allison e Naomi mexeram-se rapidamente e colocaram-se ao lado de Brianna e Bill. Melvin sorriu maliciosamente.

"Ainda bem que estão aqui todos reunidos." disse Melvin. "Reunidos para morrerem."

"Estás louco?" perguntou Allison. "Perdeste a cabeça de vez?"

"Não, não estou louco, nem perdi a cabeça. Mas vou vingar-me. Gastei muito tempo a conquistar-te e afinal não fiquei rico. Portanto, vão pagar com as vossas vidas pela humilhação de me terem expulsado daqui e por não te teres querido casar comigo, Allison."

Continua no próximo capítulo, que será também o último.