"Você sempre consegue se safar, não é?"

"Nem sempre. Hoje seria nosso aniversário de um ano de namoro."

Thirteen estava surpresa com o House que encontrou, podia esperar qualquer reação menos a que ele estava tendo ao longo daquele dia, não disfarçava mais a dor com o sarcasmo, parecia que tinha perdido as forças para isso. Ele estava despedaçado, cada vez que falava sobre Cuddy seus olhos se enchiam de lágrimas.

Voltaram calados até o hotel e depois de jantarem Thirteen tentou conversar com ele, sentou em sua cama e olhou bem dentro de seus olhos.

Falar sobre seu irmão foi importante, tinha tirado um peso de seu coração. Quem sabe dividir sentimentos poderia ajudá-lo também?

"Obrigada pela compreensão."

"Dor e sofrimento são duas coisas que eu conheço bem."

"Falar sobre isso ajuda."

"Eu nem saberia o que dizer."

"Talvez você possa começar há exatos 365 dias atrás. O que aconteceu depois daquele acidente?" – Ela sabia que ele tinha ficado mal, Foreman havia lhe contado sobre a paciente que ele perdeu e a forma como o encontrou no saguão do hospital.

As lembranças de um ano atrás o levaram de volta àquela noite, tudo estava tão nítido que House podia sentir a dor que sentiu naquele momento.

Ele lutava todas as noites contra seus fantasmas para tentar ser alguém melhor para Cuddy e nada havia adiantado, ela iria se casar. Ouvir que ele era um nada e que ela não o amava partiu seu coração, nunca pensou que ela pudesse ser tão cruel com as palavras.

A dor de seu coração se manifestava em sua perna mutilada de um jeito insuportável, precisava cessar esse sofrimento mesmo que as conseqüências fossem grandes.

Iria perder todos os dias em que esteve na reabilitação, dias difíceis, de muita dor, mas não tinha outra escolha, com Vicodin ou sem Vicodin nunca seria feliz, nunca teria Cuddy de volta, tinha estragado todas as possibilidades de ficar com ela há muito tempo.

Em meio à sua luta, sentiu a presença da última pessoa que imaginaria estar lá.

I was alone in the dark when I met ya

You took my hand and you told me you loved me

A presença de Cuddy era como uma luz na escuridão em que ele estava mergulhado, sua declaração havia dissipado toda dor e sofrimento de seu coração.

"Eu terminei com Lucas..."

Seu peito se encheu de esperança, acelerando seus batimentos cardíacos a cada palavra de Cuddy.

"... Eu só consigo pensar em você."

Seus olhos azuis o encaravam de uma forma tão sincera que parecia um sonho.

"Preciso saber se podemos dar certo.."

Não era um sonho, era muito maior que isso. Ele estava certo em questionar os sentimentos de Cuddy, certo em achar que ela sentia algo por ele...

I was alone, there was no love in my life

I was afraid of life and you came in time

You took my hand and we kissed in the moonlight

Segurar em suas mãos era como mágica, a energia que vinha dela provocava em House a vontade de viver e ser feliz. Ser feliz com ela, pra ela.

"Eu te amo" House disse, saindo de seus pensamentos e encarando o olhar curioso de Thirteen.

"O que aconteceu foi a Cuddy mudando minha vida."

Thirteen percebeu que era tudo que ele diria, mas estava feliz em vê-lo confiar nela, não sabia o que dizer, então apenas sorriu e acenou com a cabeça mostrando que entendia o que ele estava passando.

House acenou de volta e se virou, mas não iria dormir, não agora que o começo de sua história com Cuddy estava tão vivo em seus pensamentos. Thirteen sabia que essa seria a noite dele, iria sofrer sozinho, assim como ela.

House se lembrou da primeira vez que fez amor com Cuddy. Era amor, em todos os sentidos, sem lugar para medo ou vergonha. Naquela noite ele entregou sua alma à ela assim que seus lábios tocaram o seu ponto mais fraco.

"Tudo bem... Eu te amo."

Cuddy fez o gesto mais nobre que ele podia esperar, mostrando que estaria sempre ali para amenizar sua dor. Isso significou muito.

Naquele momento ele estava repleto de amor e tudo que ele queria era mostrar à Cuddy que a amava também. Tê-la em seus braços mexia com todos os seus sentidos.

Eles fizeram amor sem pressa, aproveitando cada toque e descobrindo várias formas de prazer. O beijo era lento e seus corpos dançavam em um ritmo gostoso. Era uma sensação nova, a primeira vez que se sentiam completamente realizados no sexo, onde o desejo era tão forte quanto o amor.

Foi uma longa noite onde House alternava o peso de suas mãos com carinhos leves, sentindo o corpo de Cuddy reagir a cada contato. O encaixe era perfeito, como se tivessem sido projetados um ao outro.

I like the way how you're holdin' me

It doesn't matter how you are holdin' me

I like the way how you're lovin' me

It doesn't matter how you are lovin' me

I like the way how you're touchin' me

It doesn't matter how you are touchin' me

I like the way how you're kissin' me

It doesn't matter how you are kissin' me

Cuddy o segurava com delicadeza por mais que o quisesse com todas as forças. Era o encontro de dois corações que desvendavam sentimentos profundos e escondidos pelos dois durante tanto tempo.

Os corpos estavam cada vez mais quentes, Cuddy tinha uma força dominadora sobre ele a cada sussurro.

"Você é meu agora e eu sou sua."

Não existia mais nada, seu mundo era apenas ela. Eles.

Sua respiração estava cada vez mais fora de controle, ele tinha necessidade de mais, a abraçava de um jeito carinhoso e protetor, parecia que não ia soltá-la nunca.

Seus gemidos eram como música aos ouvidos de House.

...it won't be long 'til we make vows, I bet ya

I thank the Heavens above that I met ya

No dia seguinte House acordou com o coração um pouco mais tranqüilo, porém doía de qualquer forma. Thirteen já havia preparado suas coisas e o esperava em frente ao carro, tinha decidido que tentaria uma conversa mais uma vez, mesmo que tivesse que descobrir à força, ele tinha feito isso com ela, por que não ser radical dessa vez?

"Ta melhor?"

"Sim, to bem."

"Vai me contar o resto da história? Depois da parte em que a Cuddy muda sua vida? Acho que seria bom saber por que ela terminou com você."

"Acho que também seria bom contar pra todo mundo que você matou seu irmão. Nunca se sabe o quanto você pode ser perigosa pra equipe."

Thirteen estava mais feliz com o House sarcástico, essa forma de proteção o distraía um pouco.

"Temos 2 horas até chegar em casa, você vai acabar me contando."

"Não."

"Eu posso te perturbar até lá."

"Tenta. Eu não vou dizer nada."

"É um direito que eu tenho, te contei a minha história e agora você me conta a sua."

"Eu não acredito nessas coisas."

Thirteen sorriu.

"House..."

"Não foi nada."

Ela continuou o encarando.

" Foi...Um Vicodin."

"Não foi o Vicodin."

"Oh meu Deus, você tava lá escondida?"

"Ela não terminaria com você por causa do Vicodin."

"Você estudou psiquiatria e esqueceu de me contar?"

"Por que você ta mentindo?"

"Eu não to mentindo."

"E o que acontece com o 'Todo mundo mente' ?"

"O que você quer?"

"Qual o motivo do Vicodin?"

House percebeu que não tinha como escapar e decidiu se abrir com ela. Contou sobre como Cuddy apareceu em sua casa depois do acidente e sobre a suspeita de câncer há algumas semanas atrás.

"Eu não consegui lidar com a idéia, eu não suportaria."

" E você simplesmente aceitou?"

"O que?"

"Você nunca aceitou as ordens da Cuddy, por que acatou essa decisão sem tentar.."

"Eu disse que faria melhor." House cortou Thirteen.

"E só mostrou que não poderia fazer... Digo, você se casou."

Thirteen tinha ouvido sobre Dominika quando ele falava com Foreman no telefone.

"Eu só queria mexer com ela."

"Eu sei. E tentou mexer da forma errada. Machucar a Cuddy vai te machucar mais ainda. Você diz que pode fazer melhor e se casa? Imagina como ela deve ter se sentido."

"Eu não sabia o que fazer, eu só tentei estragar tudo mais uma vez."

"Mostra pra ela que você pode fazer melhor."

"É tarde demais."

"Nunca é tarde demais. "

Thirteen estava confiante que House ouviria seu conselho.

"Você não a perdeu, ela está por perto todos os dias. Você precisa do que? De mais um acidente pra reavaliar o que é realmente importante?"

Enquanto ele estava pensativo, ela continuou.

"Escuta, se eu tivesse uma única chance de poder ser feliz eu não jogaria pro alto. Não tente sofrer mais do que você já está sofrendo. Você não é indiferente a esse sentimento, não finja ser."

As palavras de Thirteen foram certeiras. Ele não era indiferente. Vicodin, prostitutas, casamento, ele queria mostrar que estava bem, que conseguiria sobreviver sem Cuddy, mas não adiantava. Nem ele nem qualquer outra pessoa acreditava nisso, estava claro em seus olhos o quanto ele sofria.

House estava em um processo auto destrutivo, culpando-se por ter estragado a última chance de se feliz. Ela precisava saber se eles poderiam dar certo e eles não deram, era o fim da linha, ela não ia perdoá-lo, ele não iria mudar.

Mas existia alguma coisa dentro dele que lhe dava esperança. Seu lado racional sempre fora maior que o emocional, em qualquer outra situação ele não lutaria se achasse que pudesse perder, mas por Cuddy valia a pena lutar. O amor que sentia por ela era mais forte que o medo de fracassar novamente. Ele havia mudado, ele havia escolhido ser feliz com ela. Não era verdade que ele escolheria a si mesmo antes de qualquer outra pessoa porque ele escolheria ela, ele sempre escolheria ela.

'A dor acontece quando as pessoas se importam.' Mas amenizar a dor apenas pra se mostrar forte diante de alguém que ama não é uma prova de amor?

Ela não poderia se apoiar se ele estivesse quebrado, ele não poderia mostrar seu medo pra assustá-la ainda mais. Voltar a usar o remédio que mais lhe trouxe sofrimento não era fácil.

Ele havia escolhido ele ou ela?

Talvez ele devesse tentar mais uma vez, talvez devesse apenas dizer pra ela tudo que não havia conseguido dizer aquele dia. Se ela lhe desse mais uma chance seria o homem mais perfeito do mundo, ele poderia ser perfeito pra ela. Se ela não quisesse, tudo bem, a tentativa teria valido a pena. De um jeito ou de outro ele sairia desse sofrimento que estava acabando com ele.

Cuddy estava se trocando para ir ao trabalho, a presença da ausência de House a torturava cada dia mais. Nunca a falta de alguém havia se tornado tão presente. Ele estava em sua pele, em seu coração, em seus pensamentos e em cada pedaço de sua casa, na sala, na cozinha, no quarto de Rachel, em sua cama e até embaixo dela. Sentia falta das brigas e de como ele sempre a surpreendia depois delas.

Enquanto pegava sua bolsa e passava pela sala, lembrou da última briga que acabou terminando com uma declaração de amor.