Uma venda em seus olhos a impedia de ver para onde estava indo, mas isso não importava, ela estava com ele. Mãos entrelaçadas a levavam para uma surpresa, a segunda do dia.

House estava ansioso enquanto caminhava pela areia, tinha a bengala em uma das mãos e seu maior presente em outra.

A brisa que vinha do mar balançava o vestido dela, ele respirou fundo e sorriu.

VERÃO

Pelas ruas, flores e amigos me encontram vestindo o meu melhor sorriso.

O dia amanheceu quente como de costume, ondas tubulares e ventos fortes agitavam o mar de Oahu. Eram quase 6 horas da manhã quando Keoni acordou e pegou sua prancha para fazer exercícios.

Keoni gostava de surfar logo cedo, quando a praia ainda não estava cheia de turistas, isso lhe dava a sensação de que ela pertencia apenas à ele. Ele foi criado nessa praia desde pequeno, seu pai o ensinou a surfar quando tinha apenas 4 anos, ele era o melhor surfista que os campeonatos do Havaí já haviam conhecido, era uma pena que tivesse morrido tão cedo. Depois de 16 anos, o surf era a maior herança que tinha deixado para Keoni.

Ele trabalhava em uma loja de pranchas de surf para ajudar sua mãe e seus irmãos, mas sempre sonhou em ir para a cidade estudar, tinha terminado o ensino médio e há dois anos guardava dinheiro para sua faculdade, sua mãe ganhava pouco e eles ainda não tinham o suficiente.

O mar estava mais agitado que o normal, mas ele nunca se intimidava com ele, quanto maior fosse a onda, maior era o seu prazer em dançar por ela. Keoni subiu em sua prancha, nadou o mais longe possível e esperou.

Os ventos trouxeram a onda perfeira e ele começou a dropar por ela, já estava quase no final quando sentiu um desconforto e uma falta de ar. Ele desmaiou e bateu as costas com força em alguns corais, machucando o ombro.

Alguns surfistas estavam na praia e correram para salvá-lo, ele estava inconsciente e tinha água em seus pulmões. Quando chegou na areia, fizeram a ressucitação e ele voltou a respirar, mas ainda estava muito fraco.

Ezera, um dos surfistas que tinha salvado Keoni, saiu o mais rápido que conseguiu para trazer o médico.

Ele estava dormindo quando Ezera bateu em sua porta. Sua casa ficava em um canto distante da praia, mas tinha uma vista linda.

Ele gostava de dormir com o barulho do mar e de acorda sentindo sua brisa. Os habitantes da praia de Oahu o admiravam como se ele fosse um super-herói, todos podiam contra com ele para diagnosticar e tratar suas doenças, ele não cobrava nada. Sua renda vinha de um pequeno hospital em que trabalhava durante o dia, como chefe do Pronto Socorro. Seus maiores casos eram fraturas e intoxicação por alimento, mas ele estava feliz, dentro do possível.

Se levantou um pouco tonto porque tinha passado mal na noite anterior, graças a quantidade exagerada de ostras que havia comido, pegou sua bengala e caminhou até a porta.

"Doutor House, desculpa te chamar tão cedo, mas aconteceu um acidente na praia. Nós conseguimos salvá-lo do afogamento, mas ele está muito fraco."

House trocou de roupa rapidamente e seguiu Ezera.

Keoni foi mandado para o hospital onde House trabalhava, ele tinha perdido muito sangue com o machucado em seu ombro, os enfermeiros deram alguns pontos e enfaixaram seu braço deixando-o imobilizado. House chegou no momento em que ele estava recebendo remédios para dor.

"Vicodin? Acho que é muito forte pra ele."

Ele pegou o prontuário do médico que estava com Keoni e disse que iria cuidar dele.

"Eu cuido desse caso, pode voltar ao Pronto Socorro."

O médico foi embora e House começou a ler o histórico médico de Keoni.

"Aconteceu alguma coisa antes de você se desequilibrar e cair da prancha?"

"Eu senti um mal estar, fiquei sem ar e desmaiei. Eu nunca iria cair se não fosse por isso."

"Você já sentiu isso alguma outra vez? Está com febre ou tosse?"

"Eu… Eu tive um pouco de febre essa semana sim e senti algumas dores no tórax."

"Quebrou algum osso recentemente?"

"Sim, mas foi a minha perna, o que isso tem a ver?"

"Embolia Pulmonar, é provavelmente o que aconteceu com você. Acredito que tenha sido uma fratura exposta, então a gordura passou pela corrente sanguínea e chegou nos seus pulmões, isso fez com que você sentisse a falta de ar, o desmaio… Vamos fazer alguns testes e aí você poderá receber o medicamento."

"Você tem certeza que é isso?"

"Tenho, pode ficar tranquilo."

"Mas então você não pode me dar os remédios agora sem fazer o teste?"

House deu uma pequena risada.

"Eu costumava fazer isso, mas como estou querendo andar na linha, vou seguir o protocolo."

Keoni passou por alguns testes e recebeu o remédio assim que a Embolia Pulmonar se confirmou. House pegou mais alguns casos aquele dia e foi embora ao entardecer.

Durante o caminho de volta pensou no quanto sua vida tinha mudado nos últimos meses. Ele tinha seguido em frente e mudado radicalmente a forma de ver a vida. Mantinha ainda a curiosidade em casos difíceis mas não necessitava mais deles, estava tentando uma vida simples, sem preocupações e dor. Gostava dessa nova vida, desse novo House. Às vezes tinha vontade de explodir o Pronto Socorro e chamar todo mundo de idiota, mas ele se segurava, as pessoas ali não tinham nada na vida e precisavam da ajuda dele.

Era bom se sentir querido, seu coração estava tão machucado que sentir o carinho das pessoas estava lhe transformando em uma pessoa melhor. Eles não mereciam o House de antigamente, mereciam alguém que tivesse o mínimo de respeito.

Ele caminhou pela praia e chegou em sua casa a tempo de assistir o pôr-do-sol. Pegou uma cerveja na geladeira e se sentou em uma cadeira de balanço que ficava em sua varanda.

House gostava de descansar olhando o mar. Era quase uma terapia, de vez enquando se sentava com seu violão e tocava algumas músicas. Ele era uma pessoa solitária, mais do que jamais fora. Tinha seu vídeo game portátil, assistia sua novela, entrava na internet de vez enquando, mas sentia falta de ter alguém para conversar. Wilson costumava passar os finais de semana lá, mas às vezes tinha algum compromisso e não conseguia aparecer.

Quando se sentia muito sozinho ele saía para passear em algum quiosque ou ia em alguma festa. Nessa época do ano era difícil ter um dia em que não acontecesse um luau, a praia ficava cheia de gente e a música rolava até tarde.

House conseguia ouvir de sua casa tudo que acontecia na praia, em algumas horas a festa de inauguração do torneio de surf iria começar. Ele decidiu comer alguma coisa e passar por lá para se distrair.

Cuddy já estava indo embora quando encontrou Foreman e sua equipe. Ele estava comandando bem o Departamento de Diagnósticos, os casos demoravam mais para serem resolvidos e algumas pessoas morriam por isso, mas estavam salvando duas pessoas por mês, o que já era um grande avanço.

Falar o nome de House era proibido no hospital e em qualquer conversa pessoal com Cuddy, ela agia como se não o tivesse conhecido, mas seu coração a traía diversas vezes.

Cuddy estava namorando com Jerry, o amigo bancário de sua irmã, eles tinham saído algumas vezes depois do show que House tinha feito em sua casa e ela decidiu logo começar um relacionamento. Sua cabeça e seu coração gritavam por House e ela precisava de alguma coisa para se distrair e tentar esquecer.

Ficou brava com ele durante um mês, mas quando viu que ele não dava notícias percebeu que queria vê-lo de novo.

Cuddy queria ouvir um pedido de desculpas e queria perdoá-lo, mas o tempo passou e ele não apareceu. Ela guardava esse desejo a sete chaves no fundo de seu coração.

Qualquer pessoa que convivesse com ela acreditaria que ela tinha seguido em frente, mas o que ela tinha era apenas um novo namorado, uma nova casa e uma habilidade incrível de mudar de pensamento quando ele vinha em sua mente.


House passeava pela praia quando encontrou Keoni sentado próximo ao mar, ele estava com uma aparência melhor e sorriu a o ver House se aproximando e sentando-se do seu lado.

"Se sente melhor?"

"Sim, obrigado."

"Você…Mora aqui há muito tempo?"

House não sabia como começar uma conversa amigável, estava tentando ser o mais gentil e atencioso possível, precisava de alguém para conversar, mesmo que esse alguém tivesse vinte anos.

"Eu nasci aqui. Meu pai era surfista e veio pra cá com minha mãe quando ela engravidou. Agora eu vivo com ela e meus irmãos."

"Você surfa também?"

"Surfo. Aprendi com ele. Vou participar do campeonato, espero que meu braço melhore logo, preciso conseguir o dinheiro do prêmio."

"Já sabe o que fazer com ele?"

"Eu estou guardando pra faculdade. Agora falta bem pouco."

"Faculdade do quê?"

Keoni sorriu pra ele.

"Medicina."

"Huumm, Medicina é um caminho sem volta. Já sabe a especialidade?"

"Não tenho certeza ainda, mas minha área preferida é o Sistema Endócrino. Sabe? Hormônios, obesidade, diabete.."

House se perdeu em seus pensamentos por alguns segundos e continuou a conversa um pouco mexido.

"Está tudo bem?"

"Não é que.. eu lembrei de uma… Lembrei da minha ex chefe. Ela era endocrinologista."

Keoni percebeu a mudança na expressão dele, House pareceu melancólico de repente.

"E por que lembrar dela mexeu tanto com você?"

House deu um pequeno suspiro e um sorriso desconcertado.

"Não imaginei que fosse. É só a especialidade dela, eu não tinha que ter lembrado… Estava indo tão bem."

"Às vezes a gente não consegue controlar os pensamentos."

"Sabe o que é pior?"

House se virou pra ele e começou a despejar todos os medos, decepções e sofrimento.

"…Eu.. Eu preciso falar. Não posso guardar essas coisas que dá câncer, já guardei por tempo demais..."

Ele estava se abrindo para alguém que nem conhecia e não sabia exatamente o por quê. Talvez ele tivesse gostado do menino ou precisava desabafar antes de juntar os sentimentos novamente e ter outra explosão.

"O pior é que ela me disse que eu não precisava mudar e depois terminou comigo por continuar o mesmo de sempre. Não faz sentido. Ela me machucou profundamente e depois estava feliz, fazendo um almoço, de casalzinho."

House tinha ficado incrivelmente irritado com aquela situação. Enquanto ele sofria e tentava juntar forças para se desligar da última parte que representava o que tiveram, ela estava feliz.

"Eu estava destruído e ela estava bem, não era certo, sabe? Então eu.. Destruí a casa dela."

"Você o quê?"

Keoni estava tentando entender, a história parecia mais complicada do que ele imaginou que pudesse ser.

"Eu me libertei. Foi bom, eu saí de lá bem mais leve. Ela não me amava o suficiente, eu entendi e estou bem agora."

"Até você se lembrar dela de novo?"

"Fazia meses que eu não me lembrava dela. Isso foi uma besteira, não vai acontecer de novo."

"E você veio pra cá por causa disso? Ta melhor assim?"

"Estou. Eu..mudei. Digo, eu me adaptei. A minha essência continua a mesma, mas se eu não desse um rumo na minha vida era capaz de me matar. Deus.. Eu fiz tanta besteira por causa dela."

"Você quer falar mais sobre isso?"

"Não. Claro que não, só falei por falar e pra não guardar mais rancor. Estou tentando viver livre de sentimentos ruins. Sou quase um cara agradável agora."

"Tudo bem. Estarei aqui quando quiser não falar dela."

"Obrigado e.. Desculpa, é que eu me sinto tão sozinho aqui. Mas me fala de você. Já me abri demais pra alguém que eu não conheço, você precisa me dar alguma história em troca."

Keoni estava gostando da conversa, ainda não tinha entendido exatamente o problema deles, mas iria descobrir aos poucos.

Cuddy estava no estacionamento quando recebeu uma mensagem falando sobre sua paciente, ela tinha piorado e estava indo para cirurgia.

Ela pediu para Marina passar a noite com Rachel porque ficaria de plantão, depois avisou Jerry, desmarcando o jantar que teriam. Ele ficou um pouco chateado porque já estava com saudades dela, mas ela não sentiu nada demais. Ela nunca sentia falta dele porque ele não dava espaço, algumas vezes isso fazia bem ao ego dela, mas na maior parte do tempo ela se incomodava.

A operação de Juliet foi assistida por Cuddy, até ela ter certeza de que tudo correu bem. Quando ela foi pro quarto, Cuddy ficou cuidando de seus remédios pós-operatórios.

A operação tinha sido realizada com sucesso e Juliet estava bem, mas tinha um semblante um pouco chateado.

"Aconteceu alguma coisa, querida?"

"O meu namorado.. Fugiu quando soube da cirurgia e até agora não voltou."

Cuddy sabia o que ela estava sentindo, decepção e talvez medo, mas mesmo assim tentou animá-la um pouquinho.

"Tenho certeza que ele está preocupado com você. Ele deve aparecer logo."

"Às vezes eu fico triste, sabe?"

"Eu sei querida. Nessas horas tudo que queremos é ter certeza e não apenas esperar que a pessoa que amamos esteja do nosso lado. Isso machuca bastante."

"É…"

Juliet deu um longo suspiro enquanto Cuddy passava a mão em seu braço para reconfortá-la.

"…Mas eu entendo."

"Como?"

Cuddy ficou surpresa por ela entender a ausência do namorado.

"Eu entendo ele não estar aqui."

"Você não acha que ele deveria estar?"

Ela se sentou na cama de Juliet para conversar com ela.

"Sabe aquela história? O príncipe salva a princesa e vivem felizes para sempre? Eu sou o príncipe da nossa história, por mais que desejasse ser a princesa. Mas a gente não escolhe quem ama, né? O Lucke se faz de forte, mas é frágil demais por dentro. Eu queria que ele ficasse perto, mas prefiro que ele fique bem. Se ele estivesse aqui na hora da cirurgia ia se desesperar e fazer alguma besteira."

"Mas você está chateada por ele não estar aqui."

"Eu fico chateada, mas então ele aparece e ilumina o meu dia."

"Você não se importa em ficar triste? Isso vai acontecer sempre."

Juliet olhou dentro dos olhos de Cuddy, um olhar calmo e sincero.

"Eu já me importei. Já tentei procurar outra pessoa mas cheguei à conclusão de que a vida não tem graça sem um pouco de drama…"

As duas sorriram e Juliet continuou.

"…Na verdade eu ficaria pior se ele não existisse na minha vida."

"Você ainda é nova Juliet, tem muito tempo pela frente."

"Eu sei. Mas eu sinto como se ele fosse feito pra mim. É um sofrimento gostoso, digo, eu me sinto viva, sabe?"

"Não sabia que você era masoquista."

Cuddy piscou para ela e Juliet riu da brincadeira.

"Eu só sou uma menina apaixonada."

"Espera, fala mais alto que eu não ouvi."

Lucke estava na porta do quarto de Juliet, segurando um buquê de lírios brancos.

"Demorei demais?"

Juliet sorriu.

"Demorou o suficiente pra eu lamentar a sua ausência com a doutora Cuddy. Ela já deve até ter se cansado de me escutar."

Lucke se aproximou dela e lhe deu um beijo na bochecha.

"Eu demoro, mas eu venho. Eu sempre venho."

Ele fez uma careta, entregou as flores e se apresentou para Cuddy.

"Bom, eu vou deixar vocês sozinhos um pouquinho, mas volto logo para te monitorar."

"Deu tudo certo na cirurgia?"

Lucke viu que ela estava bem, mas ainda estava preocupado.

"Não se preocupe, está tudo bem com ela."

Cuddy saiu do quarto e os observou durante um tempo pelo corredor, era estranho, mas ela sentiu um pouquinho de inveja da cena.

"Sério mesmo que eu estou com inveja de sofrer?"

A presença de Lucke tinha deixado Juliet radiante. Cuddy sentia falta de se sentir assim e pensava que às vezes era melhor sofrer por amor do que nunca amar alguém. O único problema era sua felicidade andar tão junto com sua dor e estarem presas em um corpo tão longe dali.

House estava gostavando de ouvir a história de Keoni, principalmente as fofocas sobre as pessoas que moravam ali, mas já estava tarde e ele decidiu voltar pra casa. Se despediu dele e prometeu assistí-lo na competição de surf. Seria bom, ele iria se distrair.

Enquanto caminhava de volta pra casa reparou que era noite de lua cheia, a lua estava linda, imensa. Ele foi andando próximo ao mar, molhando seus pés e pensando em Cuddy. Ela adorava lua cheia. Adorava também praia, mar e provavelmente teria se interessado na história de Keoni.

"Damn…Eu estava indo tão bem. Três meses jogados no lixo por uma especialidade."

Pensar em Cuddy era como regredir a um tratamento de desintoxicação. Ele tinha que viver um dia após o outro tomando o máximo de cuidado para não pensar nela e se manter mentalmente são por causa disso.

"E de repente eu estou pensando nela graças a um surfista. Eu não mereço isso. Conversar com Wilson era mais seguro."

Ele permaneceu resmungando até chegar em casa e adormecer, morrendo de medo de sonhar com ela.

Cuddy estava voltando para dar mais um remédio à Juliet quando encontrou Lucke saindo do quarto. Ele ia passar na cantina para comer alguma coisa antes que ela fechasse, já estava tarde e ele passaria a noite com ela.

"Hey, Doutora Cuddy, ela já adormeceu. Eu vou comprar alguma coisa e já volto."

"Claro, sem problemas eu só vou dar mais alguns remédios pra ela."

Lucke agradeceu e já ia saindo quando Cuddy o chamou de volta.

"Lucke… Espera. Eu preciso te perguntar uma coisa."

Lucke se aproximou dela e esperou sua pergunta. Ela deu um longo suspiro e pensou em como poderia perguntar.

"É…"

"Sim?"

"Escuta…É…Uma curiosidade minha na verdade."

"Pode perguntar, doutora, não tem problema."

"Por que você não… fica com ela nas cirurgias?"

Lucke sorriu e respirou fundo.

"Ela reclamou pra você?"

"Não, na verdade, não, mas…"

"Eu tenho medo."

Ele cortou Cuddy e começou a explicar o medo que sentia em perdê-la.

"Eu conheço a Juliet desde quando éramos pequenos, Ela é a mulher mais incrível que eu já conheci. Eu sei que não posso ser tão dependente, mas eu preciso dela, morro de medo só de pensar em perdê-la. Quando ela ficou doente eu quase perdi meu eixo…Não suporto vê-la sofrer, dói mais em mim do que nela."

"Mas você não acha que ela fica chateada em não te ter aqui?"

"Ela fica, eu sei. Eu tento mudar, não é fácil, mas um dia eu vou chegar a ser o homem perfeito pra ela…."

Cuddy percebeu o quanto ele fora sincero, esse medo não era culpa dele.

".. E ela sabe que eu sempre estou com ela. Quando é amor a gente sente, mesmo de longe."

Cuddy deu um pequeno sorriso e concordou com ele. Lucke se despediu e foi para a cantina, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

"Quando é amor a gente sente, mesmo de longe."

Sentiu uma dor tão profunda em seu coração quando pensou nele. Será que ele ainda pensava nela?