Por quê não eu?

Eu encomendo um jantar só prá nós dois, se não tem nada pra depois, por que não eu?

House invadiu o notebook de Cuddy mais uma vez. Apesar de ter praticamente decorado sua agenda aquele mês, queria ver se não tinha nenhum evento marcado de última hora. Ele sabia que ela estava procurando namorado em sites de relacionamento, por isso fazia questão de estragar qualquer encontro que ela pudesse ter. Já tinha estragado três, nessa semana seriam quatro.

Ele procurou o último email e anotou o nome do restaurante, mandando de volta um email cancelando o encontro. Nessa noite Cuddy ficaria sozinha.

House devolveu o computador sem que ninguém o visse e foi sorrindo contar o feito para Wilson.

"Você nem imagina o que eu acabei de fazer."

"Estragou mais um encontro da Cuddy?"

Wilson estava prestando atenção em sua pesquisa e nem ligou muito para a presença de House.

"Eu estou tão previsível assim?"

"Se fazer isso toda semana quer dizer previsível, acho que você está."

House se sentou no sofá, pensando que a brincadeira já devia ter perdido a graça, mas ele gostava de mexer com ela.

"Eu só gosto de me divertir com a desgraça alheia e a Cuddy..."

"Você acha mesmo que é isso?"

Wilson cortou sua fala e olhou para ele como se estivesse claro o que ele estava fazendo.

"Eu não entendi o que você quis dizer."

"House... Ou você ficou cego de repente ou está muito apaixonado. Como eu estou vendo que a primeira não faz sentindo.."

"O quê?"

House deu uma longa gargalhada tentando disfarçar o nervosismo que aquelas palavras causaram.

"Você acha mesmo que só faz isso pra perturbar a Cuddy? Pelo amor de Deus, você está morrendo de medo que ela fique com alguém."

"Uh, o homem da racionalização começou a filosofar. O que mais eu estou fazendo? Escondendo minha paixão atrás da necessidade de infernizar a vida dela?"

"House, você não tem motivo pra infernizar a vida dela."

"Ela inferniza a minha."

"Você gosta."

"Dela infernizar a minha vida? Claro que não. Mas é divertido dar o troco."

"Só é divertido porque é ela."

"Não, eu posso muito bem infernizar a vida da Cameron e vai ser divertido da mesma forma."

"Tem certeza?"

"Claro que eu tenho."

"Então por quê você nunca faz isso?"

House já estava se levantando para sair dali, ele não gostava de ser pressionado e a conversa de Wilson estava fazendo sentido.

"Porque eu não tenho vontade."

Wilson apenas olhou pra ele, a resposta era óbvia, ele só tinha vontade de fazer aquilo com a Cuddy.

House fez uma careta e foi embora.

Ele gostava da Cuddy, gostava de deixá-la irritada e sentia até ciúme em vê-la com outro homem, mas não sabia como se relacionar com ela.

Ele faziam uma eterna e gostosa brincadeira de flertes, se ela de repente deixasse claro que não queria nada com ele, tudo iria perder a graça.

A conversa com Wilson tinha despertado um pensamento que ele insistia em tentar esconder. Existia, de verdade, um algo a mais nessa história. O flerte não era só flerte, as armadilhas não eram só armadilhas. Existia medo, ciúme e paixão. Ele simplesmente tinha se apaixonado por ela, não sabia exatamente desde quando. Era simples e complicado ao mesmo tempo.

Cuddy chegou no restaurante na hora marcada, mas seu acompanhante ainda não estava lá. Ela se sentou um pouco desconfiada, mas tentou esquecer esse pensamento, House já tinha estragado um número suficiente de encontros, ela não podia acreditar que ele iria estragar mais um.

Pediu algo para beber e esperou um pouco, mas ninguém apareceu, nem seu acompanhante, nem House segurando a placa: 'Te peguei mais uma vez.'

Estava tudo muito estranho.

Quando decidiu ir embora a recepcionista lhe entregou a conta junto com um bilhete.

"Desculpa fazer a senhora esperar, mas ele me pediu que te entregasse isso só quando você estivesse indo embora."

Cuddy deu um sorriso irônico e arrancou o bilhete de suas mãos, irritada por ele ter armado pra ela mais uma vez.

Hey Cuddy, gostou do encontro?

Desculpa te avisar só agora, mas seu acompanhante mudou o endereço do encontro de vocês. O endereço certo está aí embaixo, você tem até uma hora pra chegar.

Divirta-se,

Xx

Greg

Cuddy tirou o dinheiro da bolsa e se levantou, apertando o bilhete em suas mãos. Ela queria gritar tanto com ele que era perfeito saber que o endereço do bilhete era justamente o de sua casa. Ela iria até lá e ele iria se arrepender do que fez.

House estava sentado em seu sofá, sua perna doía mais que o normal, ele estava ansioso. Não sabia ao certo o que o tinha levado àquilo. A idéia era deixar Cuddy esperando sozinha e tirar uma da cara dela no dia seguinte, mas a conversa com Wilson despertou uma vontade adormecida.

Por mais que ele aparentasse ser muito seguro de si, House tinha medo de ser rejeitado por ela. Um encontro em sua casa seria mais tranquilo, se ela fosse até lá significaria alguma coisa, ela não perderia seu tempo apenas para brigar com ele.

Cuddy estacionou seu carro furiosa, em menos de 15 minutos já tinha chegado em sua casa. House sorriu quando a ouviu batendo na porta, foi atender imediatamente.

Ela estava com cara de poucos amigos e o empurrou entrando em sua casa já pronta para começar a gritar.

A sala de House estava escura, iluminada apenas pelas velas que estavam na mesa de jantar. Ele tinha preparado um jantar italiano.

Cuddy perdeu a fala quando percebeu que o jantar era para os dois, se esquecendo completamente porque tinha ido brigar com ele.

"O que é isso?"

Ela se virou pra ele com uma expressão completamente diferente da que estava minutos antes. Era um misto de encantamento com receio. House sentiu um frio na barriga quando olhou pra ela.

"Um jantar."

"Um encontro?"

Ela sorriu esperando que ele dissesse que sim e ele percebeu.

"O que você quiser que seja."

Cuddy sabia que ele era orgulhoso demais para assumir que era um encontro, mas agora as coisas faziam sentido pra ela também.

"Se você quisesse sair comigo era só pedir, não precisava me fazer de palhaça na frente de possíveis pretendentes."

"Possíveis pretendentes? Você só não perdeu o meu respeito porque não sabia como eles eram, nenhum fazia o seu tipo."

"Claro, porque você sabe o meu tipo melhor do que eu."

"Sei que não era nenhum deles."

"Meu Deus, como você é inteligente. Por que eu nunca pensei em te chamar pra sair antes?"

Cuddy gostava desse joguinho tanto quanto ele, nenhum dos dois dava o braço a torcer.

"Eu fiquei com dó, achei que você tivesse ficado com fome."

"E eu decidi vir aqui assaltar sua geladeira pra me vingar."

House se aproximou de uma cadeira e puxou, pedindo que ela se sentasse.

"Só aproveite o jantar. Tenho certeza que vai ser o melhor encontro que você teve em meses."

Agora era um encontro.

Cuddy sorriu e se sentou. Ele serviu seu copo com vinho e se sentou do outro lado da mesa, de frente pra ela.

Era gostoso passar um tempo com ele fora do hospital, ele tinha uma conversa agradável e conseguia ser delicadamente educado, quase uma outra pessoa. Então era isso que ele escondia embaixo do House irônico e mal humorado, um homem sensível. Sensível e completamente sexy. Cuddy se lembrou do quanto se sentiu atraída por ele da primeira vez que o viu. Ele era lindo.

"Posso te fazer uma pergunta?"

Ele a tirou de seus pensamentos.

"Claro."

"Por que você insiste em procurar namorado pela internet? Você é linda, não precisa disso."

Cuddy sorriu, querendo dizer que o motivo era não ter encontrado ninguém como ele.

"Eu só quero encontrar alguém e me apaixonar."

"E você não sabe que essas coisas só aparecem quando a gente não procura?"

Na verdade essa pessoa já tinha aparecido, há muito tempo atrás, ele só não tinha percebido ainda.

"Mas não custa tentar."

Ele se levantou e foi até o rádio.

"Quer ouvir alguma coisa? Eu tinha separado alguns discos que a gente ouvia na faculdade."

House estava um pouco nervoso, sem saber o que fazer. Queria perguntar porque ela nunca pensou em sair com ele, ele esteve por perto, sempre. Até com o Wilson ela saiu, tudo bem que eram amigos, mas isso não vinha ao caso.

Ela nunca percebeu que ele estava ali?

Ele colocou um disco e se sentou no sofá, pedindo que ela se sentasse ali também para continuarem a conversar.

Ela se levantou da cadeira cambaleando um pouco, devia ter bebido vinho demais. Foi até o sofá oposto e se sentou bem longe dele.

Sentia borboletas em seu estômago, como se fosse uma adolescente no primeiro encontro. Com ele diferente, tudo era diferente.

"Por quê você sentou tão longe? Vem aqui."

Ele disse com a voz mais sensual do que o normal e apontou para o assento ao lado dele, estava seguro agora, ela estava com medo de se aproximar.

"Você está com medo de mim, Lisa?"

Cuddy hesitou por um momento, ouvir seu nome a deixou desconcertada, ela não sabia o que dizer e nem como agir, apenas se aproximou, sentando-se ao lado dele e sentindo uma onda de calor percorrer seu corpo com a aproximação.

House percebeu o quanto ela tinha balançado e foi se aproximando mais, fazendo os corpos de ambos tremerem de desejo.

Já estava bem próximo dela quando olhou fundo em seus olhos, ele queria dizer tudo que estava sentindo, o que sempre sentiu.

Cuddy percebeu que ele estava tentando dizer alguma coisa e esperou, seus olhos brilhavam de ansiedade, mas ele não disse nada.

House chegou mais perto e a puxou para um beijo selvagem e apaixonado, sem dizer uma palavra.

Cuddy sentiu um arrepio quando pensou no que tudo aquilo significava. O jogo tinha terminado, eles finalmente se deixaram levar pelo instinto.

House puxou seu cabelo para trás e foi beijando seu pescoço. Ela estava tão envolvida que não conseguia pensar em nada, apenas entregou seu corpo para que ele fizesse o que quisesse com ela.

Ele tirou sua roupa completamente e a deitou no sofá, se encaixando no meio de suas pernas enquanto a deixava cada vez mais excitada com beijos e chupões.

Seu corpo tinha uma urgência de mais de vinte anos, ela o queria dentro dela imediatamente. House a penetrou forte, liberando toda a vontade que guardava com ele por todos esses anos.

Eles transaram loucamente durante toda a noite, pareciam dois adolescentes descobrindo o sexo. Nenhum dos dois havia sentindo tanto prazer e desejo em um mesmo dia, talvez quando transaram pela primeira vez, mas essa era bem melhor.

Agora já era tarde demais pra voltar atrás, os dois tinham se entregado.

House ainda estava dentro de Cuddy, sentindo seu corpo se contorcer em mais um orgasmo quando sussurrou em seu ouvido.

"Eu estarei disponível sempre que você quiser."

Ela apenas respondeu gemendo seu nome com todo o prazer.

Você tá nessa, rejeitada, caçando paixão.

Eu com a cara mais lavada digo: Por que não?