Quem, além de você?

Foi como fugir pra nos proteger. Enquanto eu sorrir, ainda posso esquecer.

Entrou em sua sala como de costume, mas a distância que haviam criado nesses últimos dias machucava. Eles queriam desesperadamente estar perto, mas existia uma fortaleza de medo, mágoa e orgulho que os impedia cada vez mais.

- Eu estou avisando que vou passar o resto da semana fora.

- Alguma razão importante?

- Alguma razão que não interessa à você, mas sim, é importante.

House entregou à ela um documento e por segundos quase inexistentes suas mãos se tocaram. O gesto seria completamente inocente e natural se não fosse capaz de conduzir ambos os corpos a uma bagunça interna. Cuddy sentiu um arrepio e House sorriu involuntariamente, sem perceber que ela havia notado.

-Até semana que vem. – ela disse com dificuldade, sentindo necessidade de falar alguma coisa, seu coração acelerou e por um momento ela esperou ele responder, mas House não disse nada, apenas acenou e partiu, deixando o vazio em seu escritório tão presente quanto o vazio de seu coração.

Cuddy fechou os olhos e respirou fundo, então abriu sua gaveta e segurou uma passagem de trem que estava marcada para sexta-feira.

House terminava de arrumar suas malas sem fazer ideia de que ela também tinha planos para o final de semana e apenas um dia depois de sua partida, Wilson foi comunicado sobre a ausência de Cuddy.

- Eu só preciso que você fique no meu lugar amanhã. – ela pediu.

- Claro. – ele estranhou – Aconteceu alguma coisa?

- Não, eu só... Eu só quero sair desse ambiente um pouco. Vou fazer uma viagem curta de trem e volto amanhã mesmo.

- Quer que eu fique com a Rachel?

- Não, está tudo bem, ela vai ficar com a minha irmã. – sorriu triste – Obrigada, James. – deu um beijo em sua bochecha.

Cuddy permaneceu em seu escritório até o final da tarde e assim que seu expediente acabou foi para sua casa buscar Rachel e deixá-la na casa de sua irmã. Durante aquela noite quase não dormiu, pensando em todos os planos que havia feito para o dia seguinte há algumas semanas atrás. Era um dia grande, o dia mais importante em muito tempo, e agora, pensar em passar esse dia sem ele só a machucava.

- Hoje seria o nosso aniversário de namoro. – ele disse chateado e pela primeira vez sem medo de expor seus sentimentos. Estar perto dela ajudava, o forçava a encarar todas as suas dores.

- Eu sinto muito. – Thirteen realmente sentia – Você quer falar sobre isso? – perguntou tentando ajudá-lo.

- O que eu poderia falar? Que eu perdi a única coisa que realmente importava?

- Se ela realmente importa, você não pode deixá-la ir assim tão fácil. Esse não é o House que eu conheço.

- Eu só... Eu não quero mais sentir essa dor, eu tenho medo, você sabe, não lido muito bem com isso...

- Certeza?

- Tenho. Eu só preciso fugir de tudo isso, amanhã vai passar.

Cuddy embarcou prometendo deixar do lado de fora todos os sentimentos doloridos, ela só precisava esquecer, ou fingir para si mesma que essa possibilidade existia. Dirigiu-se para a cabine 29 e se sentou ao lado de uma mulher negra e sorridente, que seria provavelmente uns 15 anos mais velha do que ela.

- Olá. – Cuddy a cumprimentou.

- Olá, querida. – ela esticou sua mão – Jane Ford.

- Lisa Cuddy – sorriu.

- Primeira viagem de trem? – Jane perguntou.

- Sim. – riu – Como você sabe?

- Você parece um pouco nervosa.

- Eu enjôo um pouco, então tenho que tomar remédio e... Bom, eu sou médica e realmente não gosto de remédios. – disse, visivelmente chateada.

- Já teve algum problema com eles? – perguntou, tentando entender o medo dela.

- Meu namorado. – disse triste – Ex-namorado. - corrigiu

- Entendo... Vocês terminaram a pouco tempo? Você parece bem triste...

- É.. Hoje nós faríamos 1 ano de namoro.

- 1 ano? E você se envolveu tanto assim? – perguntou curiosa, ao perceber que ela estava bem machucada.

- Nós nos conhecemos há uns 25 anos..

- 25? – se surpreendeu – E vocês não se envolveram antes?

- Não. Nós ficamos na faculdade e depois de um tempo eu o contratei pra trabalhar no meu hospital, ele é medico também, mas é muito complicado... – seus olhos se encheram de lágrimas.

- Você é bem apaixonada por ele, não é? – segurou em sua mão com doçura.

- Completamente.

- E porque você está sofrendo assim? Não vale a pena tentar mais uma vez?

- Eu não sei. – deixou uma lágrima cair.

- Eu acho que 25 anos é tempo suficiente pra tentar mais uma vez. – sorriu - Um amor que durou tanto tempo não pode acabar de uma hora pra outra.

- Eu só queria fugir desse sentimento.

- Fugir, meu bem? Em todos esses anos você realmente sofreu mais do que foi feliz ao lado dele?

A pergunta de Jane ficou ecoando em seu consciente, Cuddy realmente havia sofrido muito ao longo desses anos, mas House sempre esteve por perto em seus melhores momentos, ela não conseguia imaginar um momento de felicidade em que ele não estivesse presente, mesmo antes de terem ficado juntos. Ele poderia ser como um veneno quando machucava, mas o que ela sentia quando estava com ele ia além de qualquer sentimento bom que ela já havia sentido. Não existia nenhuma outra pessoa no mundo capaz de fazê-la tão feliz e apaixonada. Estar com ele era um sentimento tão grandioso que ela não conseguia se imaginar sem ele ao seu lado. Por mais que ele fraquejasse em alguns momentos, ela tinha uma certeza dentro de si de que ele nunca a deixaria. Ela só conseguia pensar no quão idiota tinha sido terminar com ele por esperar demais quando ele realmente estava onde ela queria que ele estivesse, não importava o quão difícil havia sido pra ele.

Cuddy sentiu uma vontade tão grande de estar perto dele que passou a viagem inteira mais próxima desse sentimento do que havia estado em todos esses dias. Amor era tudo que ela conseguia sentir por ele. Sempre.

- Você tem certeza que não quer que eu fique com você? Nós podemos beber alguma coisa, conversar... – Thirteen perguntou pela décima vez.

- Tenho certeza, eu estou indo pra casa e amanhã é um novo dia.

Ele deixou Thirteen em seu apartamento e seguia para sua casa quando decidiu desviar o caminho. O céu estava escuro e os trovões indicavam a chuva que estava prestes a cair, mas ele precisava dar adeus a tudo que sentia por ela. Sofrer desse jeito o estava enlouquecendo, ele precisava seguir em frente.

Estacionou seu carro na rua anterior e caminhou lentamente ao prédio que havia sido reconstruído. Há exatamente 1 ano ele havia perdido uma paciente que o fez refletir sobre sua vida, embaixo daqueles escombros ele simplesmente pôde prever toda a dor que ela estava prestes a enfrentar e de uma hora pra outra, mesmo fazendo tudo que podia fazer, ele a perdeu. A dor daquele dia era tão insuportável que apenas uma pessoa poderia curá-la.

- House?

Ele fechou seus olhos e balançou a cabeça, tentando desviar aquela voz que ecoava, fazendo seu coração acelerar. Ele batia tão depressa que seu som interno conseguia ser mais alto que o som do último trovão, antes da chuva torrencial cair e molhar todo o seu corpo, congelando cada pedacinho da sua pele.

- House?

Ele a ouviu chamar novamente, mas isso era insano demais para estar realmente acontecendo, ele não conseguia acreditar que pudesse ser verdade até sentí-la se aproximando.

- Eu não imaginava que você estivesse aqui. – ela tocou seu ombro e ele se deixou levar pelo calor que envolveu seu corpo.

- Faz um ano, não é? – House se virou e sorriu, seus os olhos vermelhos.

- Você lembrou. – ela sorriu, sem tirar os olhos dele.

- Eu nunca vou esquecer do dia em que você me salvou. – disse, um pouco tímido.

- Eu não consigo esquecer também. – Cuddy se aproximou, ficando apenas a poucos centímetros de distância. – Parece que eu me aproximo mais de você a cada vez que eu tento me afastar. – deixou suas lágrimas caírem, sendo lavadas pela chuva – Eu não quero mais ficar longe de você. – encostou suas mãos nos braços dele – Fica comigo?

House a invadiu sem dar nenhuma resposta, apenas seguindo o comando de seu corpo. Segurou firme em seu rosto e a beijou de um jeito novo, ela conhecia seus beijos apaixonados, quentes e até seus beijos doces e românticos, mas esse era novo, era uma mistura de todos esses sentimentos juntos, era forte, avassalador e tão perfeito naquele momento.

Ele abriu a porta com pressa, apoiando seu corpo no dela, pois a bengala havia sido esquecida no banco de trás do carro. Estavam completamente molhados e jogavam suas roupas geladas pela sala, aquecendo seus corpos com beijos quentes e toques apaixonados.
Cuddy o deixou nu antes que ele tivesse tempo de soltar seu sutiã e o puxou para o chão da sala, sentando sobre em ele em cima do tapete de centro. House apertou sua cintura com força, deixando marcas vermelhas em seu corpo, enquanto mordia seu pescoço e a fazia amolecer em seus braços.

Ela sorriu quando ele finalmente conseguiu soltar seu sutiã e viu seus olhos brilharem ao encontrar seus seios que já estavam rijos, apenas esperando por sua boca, que veio com mais força do que ela imaginava, mas com a intensidade ideal pra fazê-la gemer e agradecer por estar novamente com ele. House chupou seu seio se deliciando com os sons que ela tentava esconder, igual da primeira vez que transaram. Ele deu uma mordida de leve e a sentiu tão dele que era quase absurdo pensar de isso estava acontecendo de novo. Eles. Juntos. Fazendo amor. Os gemidos dela e o calor de seu corpo eram as únicas coisas capazes de prová-lo que isso não era um sonho.

Cuddy agarrou seus cabelos, prendendo seu rosto em seus seios enquanto movimentava seu quadril involuntariamente, apenas sentindo o quanto ele já estava excitado e exposto.
House acariciou seus braços e desceu suas mãos até a lateral da sua calcinha, retirando-a com a ajuda de Cuddy, que levantou seu corpo e finalmente tocou seu sexo, perdendo o fôlego antes mesmo dele penetrá-la.
House deu um sorriso safado e prendeu as mãos dela, torturando e fazendo ela aumentar a velocidade e gemer cada vez mais enlouquecida com ele.

"Hooooooouse" – ela gemeu quando seu clitóris encontrou algum atrito e não parou de se de movimentar até ele segurar suas pernas com força impedindo-a de se mexer.

Os olhos dele dançavam entre os seus e sua boca querendo sentir o gosto da sua língua mais uma vez. Ele lambeu seu lábio deixando-o ainda mais molhado e ela sugou com língua com um desejo insano, em um beijo voraz que aos poucos se tornou lento, cada vez mais apaixonado, cada vez mais aproveitando o momento.
House segurou em sua cintura e a levantou, penetrando-a assim que ela sentou novamente em seu colo, de uma forma lenta, mas completamente intensa.
Cuddy mordeu o lábio dele e ficou ainda mais excitada quando ouviu seu gemido rouco.
Tê-lo dentro de si era a sensação mais gostosa do mundo, porque não era apenas tesão, seu coração batia em um ritmo tão certo que seu corpo inteiro sentia os efeitos dessa paixão.
Ele a segurou com força e a deitou no chão sem deixar de invadí-la no mesmo ritmo, apoiou seus braços ao lado dela e sugou seu pescoço a penetrando com mais força. Cuddy gemeu baixinho em seu ouvido e o envolveu com suas pernas, aumentando o ritmo junto com ele, sem parar até sentir seu corpo tremer embaixo dele e ter uma libertação tão incrível e gostosa. Os gemidos de Cuddy quando chegou ao orgasmo fizeram House penetrá-la com mais força até gozar.
Ele descansou seu corpo em cima dela e Cuddy acariciou seus cabelos molhados. House se deitou ao lado dela e sorriu, aninhando-a em seus braços e retomando o fôlego para amá-la mais uma vez. A noite seria longa, mas ele queria algum conforto agora. Fazer amor no banho e sexo em sua cama era tudo o que ele queria essa noite.

Deixa isso passar e quando passar eu vou estar aqui te esperando. Pra te receber e sorrir dessa vez, que esse amor é tanto.