No capítulo anterior: Ray, com a ajuda da sua gata Vénus, conseguiu encontrar o caminho certo e conseguiu sair do espaço que Reyno tinha criado. Ray partiu a janela da sala de estar e entrou. Vénus atacou Reyno e tirou-lhe o seu relógio, que Ray partiu de seguida. A pulseira que estava a roubar a memória a Kai foi destruída e Kai recuperou as memórias. Logo depois, os ecrãs desapareceram e todos os que tinham estado nos espaços criados por Reyno apareceram também na sala de estar.

Reyno foi-se abaixo e começou a chorar. Apareceu um novo ecrã, que mostrou como tinha sido o último dia de vida de Kaiser. Ele terminara o ensaio com a sua banda e Reyno decidira que queria ir comer uma pizza. Os dois tinham saído, mas a caminho da pizzaria um ladrão de um banco disparou um tiro e acertou em Kaiser, matando-o, pelo que Reyno se achava culpado pela morte do namorado.

Zeo sugeriu que usassem o poder de todos os bit-bichos e tentassem resolver a situação. Ray pediu ajuda a todos os bladers com bit-bichos e com o poder conjunto de todos enviaram Reyno para o seu universo, para o dia em que Kaiser tinha morrido e Reyno, já sabendo o que se iria passar, decidiu que nesse dia não iriam sair, pelo que o namorado não chegou a morrer. Wyatt acabou por beijar Aki e Kai e Ray mimaram Vénus, pela ajuda que ela tinha dado.

Capítulo 100: Um Ano de Namoro

Depois do que acontecera com Reyno, Kai e Ray decidiram ir viajar sozinhos. Queriam afastar-se um pouco de tudo e aproveitarem o tempo que tinham ao máximo. Decidiram que iriam passar por várias partes do mundo, visitando vários locais e depois, quando quisessem, voltariam novamente ao Japão. Os outros despediram-se deles, desejando-lhes boa viagem e que eles ligassem com frequência e fossem dando noticias. Tala também partiu para se juntar aos outros ex-Blitzkreig Boys e Max e Tyson regressaram a Washington, para perto da mãe de Max.

Um dos primeiros locais que Kai e Ray decidiram visitar foi a aldeia dos Saint Shields. Verity tinha destruído grande parte da aldeia e Kai e Aki tinham contribuído com dinheiro para ajudarem na reconstrução, pelo que Kai estava curioso de ver como é que estavam os progressos nessa mesma reconstrução. Depois de saírem do aeroporto, Kai e Ray apanharam um táxi até à aldeia. A viagem durou quase duas horas, porque a aldeia se localizava num lugar montanhoso e isolado.

Quando Kai e Ray saíram do táxi, olharam à sua volta. Havia ainda vários sinais dos fogos que tinham deflagrado na aldeia e da destruição, mas já se viam algumas casas novas erguidas e terminadas. Ozuma e Mariam apareceram pouco depois, para cumprimentarem Kai e Ray. Não passou despercebido aos dois que Mariam e Ozuma tinham umas pulseiras estranhas nos braços. Ray perguntou se tinham algum significado.

"Sim, têm." respondeu Ozuma, abanando a cabeça e sorrindo. "Significam que os rituais terminaram e que eu e a Mariam somos oficialmente comprometidos."

"Então mas comprometidos apenas no sentido de namorados ou algo mais?" perguntou Kai.

"No sentido de comprometidos para um dia nos casarmos." respondeu Mariam. "Por aqui não há troca de namorados. É para a vida toda, a não ser em raras excepções. Portanto, quando se realizam os rituais, é porque temos a certeza de que estamos junto da pessoa certa, porque depois já não há volta a dar."

"Acho isso algo estranho e extremo." disse Kai. "Quer dizer, depois se se arrependerem da escolha que tomaram já não podem voltar atrás? Têm de se casar? Não há por aqui divórcios?"

"Existem, mas são muito raros. Só se houver uma razão muito válida para isso acontecer. Não é como os casais de outros lugares, que há mínima coisa se separam. Aqui temos tradições e obrigações." disse Mariam. "Mas por um lado até é bom. De qualquer das maneiras, vocês também têm alianças de namoro e isso é uma espécie de compromisso também."

"E para nós não é preciso uma tradição que nos mantenha juntos, mesmo que depois já não quiséssemos estar juntos." disse Ray. "Porque eu nunca me vou fartar de estar com o Kai, nem hoje, nem amanhã, nem daqui a uns anos. Nunca."

Kai lançou a Ray um sorriso de enorme felicidade e Ozuma e Mariam ficaram realmente impressionados. Quem diria, há uns tempos, que Kai poderia mudar tanto e tornar-se uma pessoa realmente feliz e sem medo de mostrar os seus sentimentos? O amor mudava realmente as pessoas.

Ozuma e Mariam guiaram Kai e Ray pela aldeia, falando-lhes sobre o que tinha sido danificado e o que estava a ser construído, sem deixarem de referir a enorme ajuda que fora o dinheiro que Kai e Aki tinham à aldeia. O chefe da aldeia, um homem idoso, mas que irradiava autoridade e respeito, aproximou-se deles. Ele cumprimentou Kai e Ray e ao saber que Kai era uma das pessoas que tinha doado dinheiro à aldeia, ficou bastante mais simpático.

"Não sabe como nos ajudou." disse o chefe da aldeia. "Com várias casas destruídas por aquela rapariga medonha com poderes da escuridão, ficámos em muito mau estado, como a aldeia nunca tinha estado. Não sabíamos como íamos conseguir sobreviver, sem as nossas casas e parte dos campos ardeu. Mas agora estamos a reconstruir as casas e a preparar a terra novamente. Havemos de nos erguer mais uma vez, de volta aos velhos tempos."

"Fico contente por poder ter ajudado com o dinheiro." disse Kai. "Não fiz mais que a minha obrigação."

"Não me parece que tivesse qualquer obrigação para connosco." disse o chefe da aldeia. "Afinal, nem sequer tinha vindo aqui antes."

"Eu herdei o dinheiro do meu avô, uma grande quantidade de dinheiro. Ele era uma pessoa má, que fez coisas más a muita gente, inclusive a mim próprio. Quando ele morreu e me deixou o dinheiro a mim e ao meu irmão, não o queria aceitar. Mas aceitei-o para poder ajudar quem precisasse." explicou Kai. "E este era um caso disso mesmo. Vocês precisavam, eu ajudei."

"E o que é que podemos fazer para retribuir a sua bondade?" perguntou o chefe.

"Não precisam de fazer nada… bom, mas se eu e o Ray pudermos passar aqui a noite, eu agradecia. A viagem até é longa e se fossemos só amanhã, sempre poderíamos descansar esta noite."

O chefe da aldeia disse que sim de imediato e que eles iriam ficar alojados na sua casa, que felizmente não tinha sido afectada por Verity e os seus poderes. O quarto tinha duas camas e eles ficariam bem alojados. Pouco depois, o chefe afastou-se para ir tratar de outros assuntos e Ozuma lançou um olhar a Kai e Ray.

"É melhor não mencionarem ao chefe que estão juntos." avisou Ozuma. "Como já perceberam, aqui temos costumes, regras e uma relação entre dois rapazes não seria muito bem aceite, portanto, é melhor deixarem que o chefe continue a ver-vos com grande reverência e não haja conflitos."

"Não queremos realmente conflitos." disse Ray. "Portanto, vamos tentar não quebrar as regras que têm aqui na aldeia."

"E trancar a porta antes de irmos dormir." acrescentou Kai.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Aya foi abrir a porta da casa alugada e deparou-se com Bob, que trazia um grande ramo de rosas vermelhas numa das mãos e o entregou a Aya. Ela ficou bastante surpreendida e sorriu intensamente.

"Espero que gostes, Aya." disse Bob.

"Gostar? Claro que gosto. Adoro flores." disse Aya. "Mas não esperava que viesses aqui agora."

"Hoje estou de folga." informou Bob. "Portanto tenho o dia livre e pensei que o melhor a fazer seria passá-lo com a minha namorada. Achas que foi má ideia?"

"Obviamente que não foi má ideia." respondeu Aya, sorrindo. "Foi uma excelente ideia e fiquei muito contente com a surpresa."

Logo depois do incidente com Reyno, Aya tinha-se encontrado com Bob e tinha-lhe dito tudo o que sentia. Não queria apenas sair com alguém para ir ao cinema ou jantar. Queria um namorado, que quisesse o mesmo que ela. Que quisesse uma relação séria que poderia ter futuro. Aya não queria uma aventura e se Bob não estivesse interessado em algo sério, seria melhor terminarem tudo por ali. Mas Bob estava interessado em algo sério e a partir daí tinham começado a namorar oficialmente.

"Então, queres ir dar uma volta?" questionou Bob. "Podemos ir comer uma pizza, por exemplo."

"Hum, pois, eu não aprecio muito pizza." disse Aya. "E acho que é melhor irmos comer outra coisa, porque a pizza pode dar azar."

Bob pareceu algo confuso e Aya disse-lhe para esquecer o assunto, mas tendo Kaiser, no outro universo, morrido quando ia comer uma pizza, Aya achava melhor evitar pizza de todo, nos próximos tempos. Os dois foram sair e mais tarde Bob veio trazer Aya de volta e deu-lhe um beijo apaixonado.

"Vemo-nos amanhã." disse ele. "Fica à minha espera que eu apareço para entregar o correio."

"Ficarei." prometeu Aya.

Quando Bob foi embora, Aya fechou a porta e foi até à cozinha. Aki surgiu e os dois falaram da saída de Aya, pelo que ela indicou que estava muito contente por namorar com Bob. Então, Aki decidiu falar com ela sobre os seus receios.

"Vocês estão a pensar casar?" perguntou Aki.

"Casar? Que disparate. Ainda agora eu e o Bob começámos a namorar, portanto nem estamos a pensar em algo como o casamento." disse Aya, abanando a cabeça. "Talvez no futuro, mas não para já. Mas porque é que perguntas, Aki?"

Aki mexeu as mãos, algo nervoso e embaraçado, olhando depois Aya olhos nos olhos.

"Eu tenho medo que tu te cases e te vás embora." disse Aki. "Quer dizer, desde que me lembro estiveste sempre presente, vivemos sempre juntos e agora podes ir viver com outra pessoa e vamos separar-nos."

"Oh, Aki, que disparate." disse Aya, aproximando de Aki e abraçando-o. "Nós nunca nos vamos separar realmente, meu querido."

Aya largou Aki e sorriu-lhe.

"Mesmo que eu me casasse com o Bob e fosse viver com ele, não íamos perder o contacto, Aki. Achas que eu não te ia ver ou não te telefonava?" perguntou Aya. "Além de que o apartamento do Bob até fica perto da mansão. Daqui a uns dias já voltaremos para lá, portanto o mais provável é teres-me por perto todos os dias, como sempre."

"A sério?"

"Claro que sim. Eu não te minto." disse Aya. "Nem ia querer ficar longe de ti. Lá por poder casar-me ou ir viver com outra pessoa, não quer dizer que te vá esquecer. A ti e a nenhum dos outros. Podes estar descansado."

"Mesmo assim vai ser difícil imaginar-me sem ti por perto durante todo o tempo." disse Aki. "Mas claro que quero que sejas feliz e se o Bob, no futuro, te pedir em casamento, vou apoiar-te na decisão de casares com ele, se for isso que queiras."

Aya abraçou Aki mais uma vez. Podiam não estar ligados por sangue, mas eram mãe e filho na mesma e o laço que os unia não podia ser quebrado de nenhuma maneira, tal como o laço que unia Kai e Ray.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Um dos locais que Kai e Ray tinham mesmo de visitar era a aldeia de Ray, pelo que isso não foi esquecido e eles foram até à aldeia, onde foram muito bem recebidos por todos. Ray e Kai treinaram um pouco de beyblade com os White Tigers, passearam pela montanha e depois aproveitaram para nadar um pouco no rio. Numa das noites, Ray, Melanie e Ronald estavam sentados na sala de estar da casa dos pais de Ray, enquanto Ray contava aos pais o que acontecera com Reyno.

"Impressionante." disse Ronald, surpreendido. "Haver assim um mundo paralelo e ter chegado aqui um rapaz igual a ti. Era realmente igual?"

"Tinha o cabelo mais curto e vestia-se de maneira diferente, mas de resto sim, era igual a mim em termos físicos." disse Ray. "Mas diferente em termos psicológicos, com uma vida diferente, num mundo diferente."

"E porque é que não nos ligaste a contar isto?" perguntou Melanie, olhando para o filho. "Isto é algo grave. Tu podias ter ficado preso lá no lugar onde o tal Reyno te enviou e o Kai podia ter sido raptado e levado daqui."

"Mãe, eu não liguei porque não queria estar a falar em algo assim tão sério através do telefone." respondeu Ray. "Achei melhor contar-vos pessoalmente o que tinha acontecido. Mas felizmente acabou tudo em bem."

"Sim, sim, mas podia não ter acabado." disse Melanie. "Vocês parecem que atraem o azar, sempre com problemas em volta da vossa relação, mas não com problemas na própria relação, o que é interessante até certo ponto."

"E parece que nem mesmo no outro universo estavam separados." disse Ronald, coçando o queixo. "Parece que realmente está destinado que tu e o Kai fiquem juntos."

"E de qualquer das maneiras, o Kai já faz parte desta família." disse Melanie. "E acho que ele sabe isso."

Nesse momento, Kai passou no corredor, segurando a bebé Aurora, que lhe agarrava um dedo com as suas mãos minúsculas. Kai virou-se para a sala e sorriu abertamente a Ray e aos seus pais. Eles sorriram-lhe de volta. Aurora começara a chorar muito, mas mal Kai lhe pegara, tinha ficado muito mais calma e Kai, que pensara que não tinha jeito nenhum para bebés, começara a repensar na sua situação e em como realmente tinha mudado. Agora tinha uma bebé nos braços. No passado, tal coisa não lhe passaria pela cabeça.

"O Kai sabe que faz parte da família." disse Ray. "Mais do que nunca."

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Hilary e Zeo estavam a caminhar pelo parque da cidade, de mãos dadas, enquanto iam conversando. Zeo estava um pouco nervoso, pois tinha de dizer algo a Hilary e tinha algum receio sobre como é que ela ia reagir. Quando ficou mais pensativo, Hilary notou que ele estava mais alheado.

"Passa-se alguma coisa, Zeo?" perguntou ela. "Estás muito pensativo."

"Eu… bom, tenho algo para te dizer." disse Zeo, olhando a namorada nos olhos. "E não sei se vais gostar de ouvir."

Os dois pararam de andar e largaram as mãos. Hilary sentia o coração a bater mais depressa. Zeo estava misterioso e não fora logo directo ao assunto.

"O que me queres dizer?" perguntou Hilary. "Tu… vais acabar comigo?"

"Acabar contigo?"

"Sim! Vais acabar o namoro, é isso? Deixaste de gostar de mim?"

"Isso é um disparate." disse Zeo, passando uma das mãos pela cara de Hilary. "Obviamente que não deixei de gostar de ti. Acredita que eu te amo muito."

"Então o que é que tens para me dizer afinal?" perguntou Hilary. "Fazes tudo soar tão grave…"

"O meu pai quer que eu vá passar uns tempos com ele." respondeu Zeo. "Ficou super entusiasmado com a situação do universo paralelo e quer-me por perto para fazer algumas experiências, não em mim, claro, mas no sentido de descobrir mais informação sobre os mundos paralelos, para me fazerem milhentas perguntas e também para estudarem sobre o que é que os bit-bichos e os seus poderes podem ter a ver com os universos paralelos."

"E quanto tempo é que o teu pai quer que fiques lá?" perguntou Hilary.

"Bom… uns dois meses." respondeu Zeo.

"Dois meses?" perguntou Hilary, suspirando. "Podia ser pior."

"Não estás aborrecida?"

"Obviamente que não estou muito contente por pensar que o meu namorado vai estar longe de mim por dois meses, mas considerando que pensei primeiro que querias acabar tudo comigo e depois que talvez ficasses longe por um ano ou algo assim, menos mal." disse Hilary, agarrando nas mãos de Zeo. "Mas voltas, não voltas?"

"Volto, prometo que sim." respondeu Zeo. "A investigação é responsabilidade do meu pai. Eu vou apenas tentar dar uma ajuda e depois volto para o Japão, porque gosto de estar aqui e é aqui que tu estás."

Hilary sorriu e os dois trocaram um beijo.

"Mas voltas mesmo, não voltas? Se tu depois dos dois meses me disseres que afinal ficas por lá, eu juro que apanho o próximo avião e vou lá buscar-te à força."

"Não vai ser necessário." disse Zeo. "Eu também não vou partir já. Talvez daqui a alguns dias. De qualquer das maneiras, eu ligo-te todos os dias. É uma promessa."

Hilary acenou afirmativamente e abanou a cabeça, beijando Zeo de seguida. Iriam estar longe um do outro por dois meses, mas não era isso que iria fazer o namoro terminar, pois gostavam bastante um do outro e talvez a distância fizesse a relação ficar ainda mais forte do que já era.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

A viagem de Kai e Ray continuou e os dias foram-se passando. Em Espanha, mais precisamente em Madrid, Kai e Ray encontraram-se com Raul e Julia, dos F Dynasty e descobriram que iria haver uma reunião de todos os fãs do clube de fãs de Kai e Ray no dia seguinte.

"Vocês deviam ir." disse Julia, abanando a cabeça. "Afinal, é uma reunião do vosso clube de fãs e portanto vão estar presentes pessoas que gostam bastante de vocês. Eu e o Raul divertimo-nos imenso quando o nosso clube de fãs se reuniu e nos convidou para nos juntarmos a eles."

"Tirando um ou outro maluco obcecado por nós." disse Raul.

Os quatro estavam numa pastelaria bastante requintada da cidade e estavam sozinhos a um canto, para poderem ter privacidade e ninguém os vir aborrecer. Tinha sido Julia a convencê-los a irem até ali, pois era um dos seus locais favoritos na cidade e a pastelaria servia bolos bastante bons. Kai recostou-se na sua cadeira.

"Não sei se estou muito disposto a ir a uma reunião do clube de fãs." disse Kai. "Primeiro, nem sequer fomos convidados."

"Porque os fãs não sabiam que vocês viriam para aqui." disse Julia. "Caso contrário, eles fariam questão de vos convidarem para que vocês comparecessem, como é mais do que óbvio. Vocês não estão curiosos de verem as pessoas que gostam de vocês, vos apoiam e ouvirem-nas?"

"Eu e o Ray estamos a fazer esta viagem para estarmos os dois juntos e aproveitarmos o tempo. Não sei se isso engloba juntarmo-nos a sei lá quantas pessoas para ouvirmos falar de nós."

"Eu até estou curioso." disse Ray, pensativo. "Quer dizer, nunca estivemos assim com os fãs e se calhar eles merecem que estejamos presentes, nem que seja só por um pouco. Se não gostarmos, inventamos alguma desculpa e vimos embora."

Kai não parecia muito convencido. Não gostava de muitas pessoas juntas, a não ser que fosse num estádio de beyblade e mesmo assim estando ele no meio do estádio e as pessoas nas bancadas.

"Se não quiseres ir, não vamos, Kai." disse Ray, apertando a mão do namorado. "Também não era algo que tivéssemos planeado e se não fossem o Raul e a Julia a contar-nos, nem saberíamos disto. Claro que se não formos ver como é, talvez no futuro venhamos a tentar imaginar que teria sido, mas como não fomos…"

"Pronto, está bem. Amanhã vamos lá conhecer esses tais fãs." disse Kai, suspirando. "Mas ficas avisado que se algum desses fãs for maluco e te tentar beijar, apalpar ou fazer algo que eu não ache correcto, quando sairmos de lá, vão haver menos alguns dentes na boca dos nossos fãs."

Na manhã do dia seguinte, Julia e Raul foram ter com Kai e Ray ao hotel onde eles se tinham hospedado. Depois partiram os quatro a pé, em direcção ao local onde se iria realizar o encontro do clube de fãs. Kai estava algo nervoso, mas tentava disfarçar, para não dar parte de fraco. Ray sorriu-lhe, agarrando-lhe a mão.

"Vai correr tudo bem." disse ele.

"Espero bem que sim." disse Kai. "Espero mesmo que sim."

Quando o grupo chegou ao pavilhão que onde se iria realizar o encontro, Kai percebeu logo que as coisas provavelmente seriam piores do que ele pensara, visto que logo à porta havia um enorme cartaz dele e Ray, retirado da revista Love Life, entre outras fotografias e em letras garrafais havia a informação de reunião de clube de fãs. Uma jovem que estava à porta e tinha uma t-shirt com uma estampa da cara de Kai e Ray, soltou um gritinho ao vê-los.

"Ai meu Deus! Não posso acreditar!" gritou a jovem. "São o Kai e o Ray!"

Logo de seguida, a jovem perdeu os sentidos, desmaiando e caindo no chão. Julia e Raul baixaram-se sobre ela, enquanto Kai abria a boca de espanto perante o que acabara de acontecer.

"Boa, agora estamos a fazer as pessoas desmaiar de emoção." disse Kai, sarcasticamente. "Fenomenal."

Pouco depois, a jovem recuperou os sentidos, mas ainda assim pareceu bastante abalada por ver Kai e Ray. Ray puxou Kai e entraram no pavilhão. Era melhor do que estarem mais tempo perto daquela jovem, não fosse o caso de ela desmaiar mais uma vez. Raul e Julia foram atrás de Kai e Ray. Ao entrarem no pavilhão, Kai e Ray ficaram realmente surpreendidos.

O pavilhão estava decorado com grandes faixas e fotografias deles os dois. Fotografias que tinham saído em jornais e revistas, normalmente na altura em que Kai e Ray estavam a participar nos campeonatos mundiais. Havia pessoas por todo o lado, com t-shirts estampadas com imagens sobre Kai e Ray e também algumas frases, com chapéus em forma do cabelo de Kai ou de Ray ou então nas formas dos seus bit-bichos. A um canto tinha sido montada uma banca que vendia lembranças variadas, desde velas, beyblades, camisolas, lenços, entre outras coisas, todas com imagens de Kai e Ray.

"Isto aqui parece um santuário dedicado a vocês." disse Raul. "Têm aqui mais do dobro de fãs do que eu e a Julia tínhamos."

"E de várias idades. Olha ali aquela velhota. Já deve ter passado dos sessenta anos e anda ali a abanar uma bandeira com a cara do Ray. Kai, cuidado, senão a velhota ainda te rouba o namorado." disse Julia, sorrindo maliciosamente.

Kai lançou-lhe um olhar aborrecido. Logo depois, alguns fãs viram Kai e Ray e em segundos todas as pessoas ali reunidas já estavam a vê-los, a falarem sobre eles ou a aproximarem-se. Kai e Ray viram-se rodeados de pessoas que começaram a falar com eles, elogiando-os, pedindo-lhes autógrafos e Kai sentiu que alguém lhe apalpou o rabo, mas não conseguiu perceber quem foi.

Depois de minutos a serem abordados por praticamente toda a gente presente, a multidão deu-lhes algum espaço. Kai e Ray, juntamente com os gémeos, vaguearam pelo pavilhão. Havia um palco a um canto e pouco depois uma fã subiu ao palco e começou a falar de todos estarem felizes por Kai e Ray estarem ali e também sobre como o amor deles era bonito. E falou, falou e falou. A determinada altura, Kai puxou Ray e os dois saíram do pavilhão.

"Então Kai, esta situação não era mesmo ao teu gosto, pois não?" perguntou Ray.

"Não é que eu não aprecie que haja pessoas que gostem de nos ver juntos e que por uma vez não nos estejam a tentar separar, mas acho que para mim chega." disse Kai. "Não preciso de fãs a puxarem pela minha relação contigo, nem de ouvir discursos aborrecidos de alguém que sabe realmente pouco sobre a nossa história."

"Então o que é que propões que façamos agora?"

"Vamos dar uma volta pela cidade, só nós os dois. Vamos almoçar num bom restaurante e de tarde, não sei, aproveitamos para namorar." respondeu Kai. "Só nós os dois, sem o Raul, a Julia ou fãs por perto."

"Parece-me uma óptima ideia." disse Ray, sorrindo.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Wyatt deu um abraço ao seu irmão e Wallace devolveu o abraço. Shirley, a noiva de Wallace, também abraçou Wyatt, com um enorme sorriso nos lábios. Shirley gostava dele, pois Wyatt era boa pessoa e arrumado, pelo que não fazia confusão no apartamento, mas a verdade é que ela estava feliz por o ver ir-se embora e ter novamente o apartamento apenas para ela e o noivo.

"Tens a certeza de que isto é a melhor ideia?" perguntou Wallace.

"Tenho a certeza absoluta." respondeu Wyatt. "Vou voltar a onde pertenço. De qualquer das maneiras, não me esquecerei do que fizeste por mim, deixando-me ficar aqui. Tu e a Shirley, claro. Mas o apartamento é apenas vosso e já estive aqui demasiado tempo."

"Se algum dia precisares de algum lugar para ficar, já sabes que podes ficar aqui." disse Wallace. "Para ficar tudo bem, só era necessário que tu e o pai fizessem as pazes."

"Talvez um dia isso aconteça… no fundo ainda não perdi a esperança, mas para já vou viver a minha vida ao máximo." disse Wyatt. "Vá, agora vou indo. Também não vamos fazer nenhum drama disto. Até parece que vou para outra cidade ou outro continente. Depois ligo-te."

Wyatt saiu do apartamento e pouco depois estava a entrar num táxi. O táxi levou-o directamente até à mansão de Kai e Aki. Wyatt saiu do táxi, com a sua mala. O portão da mansão estava aberto e Wyatt passou por ele. Finalmente as obras de reconstrução estavam terminadas e a mansão voltara a ser habitada mais uma vez. Quando Wyatt chegou à porta da mansão, ela abriu-se, revelando Aki, que sorriu.

"Finalmente chegaste." disse Aki. "Entra."

Wyatt entrou na mansão e pousou a mala no hall de entrada. Aki fechou a porta, depois aproximou-se de Wyatt e beijou-o. Desde a altura do incidente com Reyno, em que Aki se pusera à frente de Wyatt, levando com um ataque e Wyatt beijara Aki pela primeira vez, as coisas tinham mudado entre os dois. Wyatt, apesar de ter indicado logo a Aki que não estava apaixonado por ele, quis dar-lhe a oportunidade que Aki queria ter.

Assim, os dois tinham começado a andar ainda mais juntos, a beijarem-se, primeiro como uma espécie de amigos coloridos, que depois passaram a namorados, com um pedido de Aki. Wyatt hesitara em aceitar o pedido de namoro, mas estava tudo a correr tão bem com Aki que não queria desapontá-lo ou ferir os seus sentimentos. Aceitara e não se arrependia disso.

"Fico mesmo contente por teres voltado para cá." disse Aki. "Ainda bem que aceitaste o meu convite."

"Não iria recusá-lo." disse Wyatt, sorrindo. "Afinal, passei bastante tempo nesta mansão e se tu queres eu esteja aqui, eu estou."

"Mas espero que tenhas vindo por quereres e não apenas porque eu pedi."

"Eu queria voltar, sim. E queria estar perto de ti."

"Não te arrependes mesmo de estarmos juntos?" perguntou Aki. "Quer dizer, eu pedi-te em namoro e tu aceitaste, mas…"

Wyatt colocou um dedo nos lábios de Aki, silenciando-o.

"Não me arrependo nada. Talvez me arrependa apenas de não te ter dado uma oportunidade mais cedo." disse Wyatt. "Acho que devia ter visto que tu eras a pessoa certa para mim, mas a verdade é que não percebi isso logo."

"Mas achas mesmo que sou a pessoa certa para ti?"

"Agora, sim, acho que sim." respondeu Wyatt, sorrindo. "Acho mesmo que sim."

Aki puxou-o para mais um beijo, que Wyatt retribuiu. Ainda não amava Aki, não da mesma maneira que gostara de Tala, mas começava a gostar mais e mais de Aki e sabia que ele nunca o abandonaria. Wyatt começara a perceber que nem sempre o amor vinha assim de repente, mas construía-se aos poucos e sabia que com mais algum tempo, iria construir o amor com Aki e teriam uma relação sólida. Não voltaria a ser abandonado e finalmente poderia ser feliz com alguém de confiança.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Durante a sua viagem, Kai e Ray passaram por locais novos e outros onde já tinham ido anteriormente. Em Berlim, na Alemanha, decidiram ir dar uma volta e acabaram por ir ter ao mesmo centro comercial onde Anne se tinha atirado a Kai e onde, mais tarde, Nina e os outros tinham visto Kai, já depois de pensarem que ele estava morto.

"Não sei se este centro comercial me trás boas recordações." disse Kai. "Aliás, porque é que andamos sempre em centros comerciais? Nem gosto nada disto."

"Eu sei, Kai. Viemos aqui comprar apenas um livro que eu quero e depois vamos embora." prometeu Ray. "Não quero passar que passemos o nosso dia enfiados num centro comercial."

Kai acenou com a cabeça, em concordância. Eles dirigiram-se a uma livraria e Ray comprou o livro que queria. Depois saíram da livraria e quase esbarraram com uma cara conhecida. A jovem olhou-os, surpreendida por os ver ali. Era Lucy, amiga de Anne, que Kai e Ray já não viam desde que tinham deixado Berlim.

"Kai, Ray, que surpresa ver-vos por aqui." disse Lucy.

"Olá, Lucy." disse Kai, que não se esquecera do nome da pessoa que lhe contara a verdade quando ficara sem memória e também fora raptada com ele. "Digo o mesmo. Não esperava ver-te."

Depois de uma breve troca de palavras, Lucy convidou Kai e Ray para irem tomar um sumo com ela e eles acabaram por aceitar. Dirigiram-se à área das comidas e bebidas, sentaram-se numa mesa e fizeram os seus pedidos. Depois Lucy olhou atentamente para Kai e Ray.

"Fico contente por sabe que continuam juntos." disse ela.

"Continuamos, claro." disse Ray, agarrando a mão do namorado. "Se bem que temos tido alguns problemas com pessoas que nos querem separar e isto já depois do que aconteceu com a Anne."

"Compreendo." disse Lucy, abanando a cabeça. "Não deve ser fácil serem-se conhecidos e terem pessoas a fantasiar que querem ser vossos namorados ou namoradas e depois a tentarem mesmo ficar com um de vocês. Mas quando há realmente amor, supera tudo, pelo menos é a minha opinião."

Kai e Ray acenaram afirmativamente com as cabeças, em concordância.

"E como é que está a Anne?" perguntou Kai.

"Está a ser tratada e medicada. Para já está muito mais controlada e os médicos mostram-se optimistas de que ela vá recuperar e, apesar de provavelmente continuar a ter de ser medicada, que depois poderá levar uma vida praticamente normal." disse Lucy. "Ela às vezes fala de vocês. Está realmente arrependida do que fez."

Ray esperava realmente que Anne estivesse arrependida e de futuro não voltasse a tentar fazer algo para o separar a ele e a Kai. Já tinham tido outras pessoas a tentar separá-los, portanto já bastava.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Max e Tyson estavam, nesse dia, a entrar num dos edifícios dos PPB All Starz. Depois do que acontecera com Verity, houvera grandes obras para reparar os danos que ela fizera, mas agora estava quase tudo normal. Max e Tyson estavam ali naquele dia porque Judy queria ver como estavam as coisas por ali e eles tinham-na acompanhado. Judy ainda andava de braço ao peito, mas não tinha feitio para ficar parada em casa, a recuperar.

"Tenho já de começar a pensar no próximo campeonato mundial." disse Judy, abanando a cabeça. "Talvez reforçar a equipa, mudarmos de estratégias…"

"Mãe, tens muito tempo para isso." disse Max. "Ainda falta bastante tempo para começar o próximo campeonato mundial."

"Mas tem de se planear com antecedência."

Pouco depois, Judy afastou-se para ir tratar de uns assuntos e Max e Tyson decidiram ir dar uma volta pelos edifícios. Quando iam a passar num corredor, avistaram Alan e Allison a saírem de uma sala. Ao vê-los, Allison sorriu abertamente.

"Max e Tyson, que bom encontrar-vos aqui." disse ela. "Não pensava que viessem aqui tão depressa."

"Viemos com a mãe do Max." disse Tyson. "Mas parece que tu é que não sais daqui agora."

"Ora, o Alan passa aqui muito tempo, portanto venho cá fazer-lhe companhia." disse Allison. "Não é, Alan?"

"Exactamente." disse Alan, sorrindo.

Os dois tinham-se realmente entendido e Tyson ficava satisfeito com isso, porque Allison já o tinha esquecido, Alan já não era um rival pelo coração de Max e estando os dois felizes, continuariam juntos.

"Bom, eu e o Alan vamos à noite ao cinema." disse Allison. "Não acham boa ideia irem connosco? Teríamos uma saída de casais."

"Pois, mas eu e o Max já temos planos." mentiu Tyson. "De qualquer das maneiras, fica para outra altura."

Allison encolheu os ombros. Depois Max e Tyson afastaram-se e Max pegou no braço do namorado.

"Porque é que lhes mentiste?" perguntou ele.

"Ora, porque não estou para os aturar, Maxie. A Allison é muito fantasiosa e o Alan… sei que ele é teu amigo, mas sinceramente mais vale que ele não esteja muito por perto."

"Estás com medo que ele me roube de ti?"

"Pode acontecer, portanto mais vale prevenir do que remediar. Eu confio em ti, Max, mas não confio muito no Alan."

"Está bem, está bem, também não importa se vamos ou não sair com eles." disse Max. "Mas podíamos ir sair os dois."

"Pode ser. Podíamos ir a um restaurante. Oh, aquele que tem óptimo marisco, por exemplo ou então aquele a que fomos e tem óptimas carnes grelhadas."

Tyson começou a recitar vários restaurantes onde já tinham comido e Tyson, sendo como era, gostara da comida de todos. Max suspirou e abanou a cabeça.

"Ok, Tyson, já percebi a ideia. Tu só pensas em comida ou quê?"

"Claro que não. Que injustiça, Max. Eu também penso em ti." respondeu Tyson. "E se tivesse de escolher entre comida e a ti, escolhia-te a ti."

Max sorriu e puxou Tyson para um beijo rápido. Não sabiam quanto tempo iriam ficar ainda em Washington, provavelmente até Judy estar recuperada e de seguida, em princípio, continuaram com a sua digressão pelo mundo. Mas Max e Tyson também não estavam muito preocupados com o que fariam a seguir. Queriam viver o presente e desde que estivessem juntos, estavam bem.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Foi na Grécia que aconteceu algo que fez Ray ficar ainda mais orgulhoso do namorado que tinha. Ray não tinha dúvidas de que Kai era uma pessoa corajosa, mas certo dia, em que eles tinham ido visitar Atenas, a capital da Grécia, decidiram passear pela cidade, para a conhecerem melhor. Ambos gostavam de caminhar a pé e ver tudo de perto, em vez de andarem de táxi, pelo que foi o que fizeram nesse dia.

Ray conseguira apenas convencer Kai a visitar um dos museus da cidade, visto que Kai não era grande apreciador de museus. Depois, comeram num restaurante que tinha comida que nenhum deles gostou muito, devido a ser diferente do que estavam habituados a comer e continuaram o seu passeio pela cidade.

"Temos ainda várias coisas que ver na cidade." disse Ray. "A Acrópole, a Praça Syntagma, o Estádio Olímpico de Atenas…"

"Pois, estou a ver que vamos ver mesmo tudo." disse Kai. "Quer dizer, não é que não seja divertido ver a cidade, mas tudo talvez seja demais. Devíamos guardar algumas coisas para outra altura, quando cá voltarmos, daqui a uns anos."

"Hum, então já estás a planear que daqui a uns anos vimos aqui, continuando juntos e apaixonados…"

"Obviamente. Tens dúvidas?"

"Nenhumas." respondeu Ray, sorrindo.

Os dois viraram para uma nova rua, quando começaram a ouvir gritos. Repararam então que um prédio de três andares que havia a meio da rua estava a arder. Fumo espesso saía do segundo andar. Duas pessoas saíram a correr do prédio, enquanto várias pessoas que iam a passar na rua pararam para ver o que se passava. Algumas pegaram nos seus telemóveis para ligarem para os bombeiros.

Mais uma pessoa saiu do prédio a correr. Kai e Ray aproximaram-se das outras pessoas, olhando para o prédio em chamas. Kai retraiu-se um pouco. Ficara com bastante receio do fogo pelo que acontecera na mansão de Voltaire, onde causara um incêndio e quase morrera por causa disso. Segundos depois uma mulher idosa saiu do prédio, amparada por um homem.

"Ai, o meu neto ainda está lá dentro!" gritou a mulher. "Ele estava no quarto e eu estava a falar com a vizinha. Ele ainda está lá dentro. Tenho de ir lá."

"Não, não pode." disse o homem, que era um dos vizinhos. "Está tudo a arder. Ainda morre."

"Mas o meu neto está preso no terceiro andar." disse a mulher, começando a chorar. "Ele só tem cinco anos. Ai, o meu querido neto…"

Todas as pessoas se entreolharam, horrorizadas. Uma criança estava presa no prédio e mesmo que os bombeiros chegassem dentro de poucos minutos, já a criança podia ter morrido. Kai olhou para o prédio, imaginando como estaria a criança. Depois, avançou para a mulher idosa.

"O seu neto está no terceiro esquerdo ou direito?"

"O quê?"

"Esquerdo ou direito?" perguntou Kai, novamente.

"Esquerdo."

No momento seguinte, Kai desatou a correr e entrou no prédio em chamas. Ray arregalou os olhos, surpreendido e ficando subitamente cheio de medo. O que é que Kai estava a pensar?

"Ai não, ele foi tentar salvar a criança." pensou Ray. "Mas é muito perigoso. O prédio está a arder e eu não quero perder o Kai. Ele quase morreu uma vez devido a um incêndio… se agora lhe acontece algo de mal…"

Ray aguardou, com as mãos unidas, murmurando uma prece. Alguns segundos depois, ouviu-se uma pequena explosão no segundo andar e algumas janelas estilhaçaram-se. Ray ficou ainda mais nervoso, indeciso sobre se também deveria entrar no prédio e tentar encontrar Kai. Porém, antes que Ray pudesse tomar uma decisão, viu Kai a sair do prédio, com uma criança nos braços.

Kai tinha o cabelo algo chamuscado e o seu cachecol também, mas de resto, parecia bem, pelo que Ray suspirou de alívio. A mulher idosa aproximou-se logo de Kai e pegou no neto. A criança chorava, assustada, mas o perigo já passara. As pessoas que estavam presentes murmuram entre si e algumas bateram palmas a Kai.

"Foi muito corajoso." murmurou uma mulher.

"É verdade. Entrar assim num prédio em chamas, para salvar uma criança." disse um homem. "É de louvar."

"Ai, muito obrigada por ter salvado o meu neto." disse a mulher idosa, olhando para Kai. "Nunca me esquecerei do que fez. Obrigada."

Pouco depois os bombeiros chegaram, juntamente com uma ambulância. Os bombeiros conseguiram apagar o fogo, apesar de terem alguma dificuldade. Ray insistiu que Kai deveria ser visto pelos paramédicos da ambulância, apesar de não ter nenhum dano visível e Kai acabou por concordar, mas não ficara realmente afectado. Depois, Kai e Ray foram embora e Ray olhou para o namorado.

"Pregaste-me um susto de morte, Kai." disse Ray. "Qual é que foi a tua ideia, de entrares assim naquele prédio em chamas? Eu percebo que querias salvar a criança, mas partiste assim sem mais nem menos. E se tivesses morrido? Como é que eu ficava?"

"Desculpa Ray, mas não foi algo planeado." disse Kai. "Senti apenas que tinha de salvar a criança e não havia tempo para pensar ou hesitar, porque a criança podia morrer queimada ou por inalação do fumo."

Ray suspirou, abananado a cabeça.

"Não posso ficar realmente aborrecido por teres salvado uma criança, mas da próxima vez ao menos avisa antes de te colocares numa situação perigosa." disse Ray. "Não te quero perder."

"Eu sei. Lamento ter-te preocupado…"

Ray olhou para Kai e depois pegou-lhe numa das mãos.

"Não faz mal. Eu sabia que eras corajoso, mas agora ainda estou mais orgulhoso de ti." disse Ray. "Ter um namorado que anda aí a salvar vidas, não é para todos."

Kai sorriu e deu um beijo rápido a Ray. Kai continuava ainda a ter medo do fogo, porque não era algo com que se pudesse brincar, mas agora tinha a certeza que, de futuro, não seria isso que o impediria de fazer o que achava ser correcto.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Aya entrou na sala de estar da mansão e serviu os sumos de laranja naturais a Aki, Wyatt, Nina e Seena. As duas irmãs Richsmile tinham vindo visitar a mansão, tendo feito uma pausa na sua viagem pelo mundo. Os seus namorados, Tom e Joe, não estavam presentes, visto que Tom fora visitar a família e Joe andava a dar uma volta pela cidade.

"Oh, que pena que o Kai e o Ray não estão aqui." disse Nina, abanando a cabeça. "Gostava de os ver novamente. Afinal, parece que já não os vejo há tanto tempo. Desde que eu comecei a viajar com a Seena."

"Eles andam agora a viajar pelo mundo, mas vão ligando a dar noticia." disse Aki. "Não sei se viram na televisão a notícia de que o Kai salvou uma criança, na Grécia, na semana passada."

"Ai sim?" perguntou Seena, curiosa. "Como é que isso foi?"

Aki e Wyatt contaram o que sabiam. Depois a conversa foi evoluindo, passando de Verity para Reyno. Nina pareceu muito entusiasmada com tudo e com pena de não ter estado presente para ver tudo de perto. Seena foi mais contida do que a irmã mais nova, fazendo uma ou outra questão.

"E apesar de tudo, eles continuam juntos." disse Nina, suspirando. "É algo tão romântico…"

"O facto de alguém de um universo paralelo tentar raptar o nosso namorado não tem nada de romântico." discordou Seena. "Mas realmente, fico contente por eles continuarem juntos. Só de me lembrar que muita coisa aconteceu por eu ter beijado o Ray naquele centro comercial, no Brasil…"

"E depois o Kai e o Ray lá se entenderam e revelaram os seus sentimentos." disse Wyatt. "Eles foram feitos um para o outro. Então e vocês, estão a pensar ficar muito tempo no Japão?"

"Nem por isso." respondeu Seena. "Foi só uma curta paragem e depois continuaremos a nossa viagem."

"Vamos para a Austrália a seguir, para ver cangurus." disse Nina. "Estamos todos entusiasmados com isso. Mas depois voltaremos qualquer dia e espero que o Kai e o Ray já estejam por aqui para os vermos."

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Os dias foram-se passando e Kai e Ray estenderam a sua viagem até uma data especial. Depois disso, iriam regressar ao Japão e continuarem com as suas vidas. Enquanto viajavam, houve muitas coisas que passaram despercebidas e desconhecidas aos dois. O facto de Tala ter começado um relacionamento com Bryan, o facto de Devlin, colega no centro de apoio, ter convidado Paula para sair e ela ter dito que não ou o facto de Johnny ter sido forçado a marcar o casamento com alguém que não amava, porque tinha mais amor ao dinheiro da família do que à liberdade.

Outras coisas que tinham escapado a Kai e Ray tinham sido a situação de Amy, estagiária dos All Starz, começar a interessar-se por Kenny, o facto de Lilian, a jornalista da revista Love Life, estar a planear fazer uma reportagem sobre a mansão de Kai e Aki ou o facto de Cole, o ex-escravo, ter sido abandonado pela mulher rica com quem se envolvera e ter acabado por começar a vender o corpo na rua para poder sobreviver.

Mas Kai e Ray não queriam saber nada disso, porque não lhes dizia respeito e a viagem que estavam a fazer servia para se focarem neles mesmos e não nos outros. Naquele dia, eles estavam no último destino da sua viagem, antes de voltarem ao Japão. Estavam de volta ao Rio de Janeiro, tendo alugado uma casa para os dois. Naquele dia em particular, os dois foram dar uma volta pela cidade. Ao ver os becos, Ray estremeceu ligeiramente.

"Ainda me lembro muito bem do dia em que te encontrei caído no beco e cheio de sangue." disse Ray, segurando a mão do namorado. "Foi algo horroroso. Fiquei tão preocupado e com medo de que morresses…"

"Mas não morri e tu doaste sangue para me salvares." disse Kai. "E é melhor não pensarmos nas coisas más. Há muitas coisas boas relacionadas a esta cidade. Foi aqui que nos declarámos e começámos a namorar. E é por isso que estamos aqui outra vez. É o mais importante. As outras memórias más não são para aqui chamadas agora."

Ray acenou afirmativamente. Os dois passaram o dia sempre juntos e depois foram jantar a um restaurante bastante moderno. Regressaram então novamente para a casa alugada e sentaram-se os dois na varanda da casa, olhando para o céu estrelado. Tudo parecia calmo naquele momento.

"Nem acredito que já passou um ano." disse Ray. "Que estamos mesmo juntos há um ano."

"Parece que foi há mais tempo, com tudo o que aconteceu." disse Kai. "O Voltaire, o campeonato mundial, a Anne, a Renata e a Marlene, a Verity, o Reyno… aconteceram tantas coisas, em várias partes do mundo. Mas nós ainda aqui estamos, juntos."

Ray acenou afirmativamente e deu a mão ao namorado. Naquele dia fazia exactamente um ano desde que os dois se tinham declarado e começado a namorar. Fora por isso que tinham decidido passarem alguns dias no Rio de Janeiro, exactamente o local onde tudo tinha começado.

"Achas que de futuro também vamos ter tantas coisas a acontecerem na nossa vida?" perguntou Ray.

"Não sei, mas na verdade espero que não." respondeu Kai. "Agora quero paz. Viver em paz contigo. Não peço mais nada."

"É também o que quero."

"Bom, se não nos separaram até agora, não me parece que nada nos separe. Venha quem vier ou o que vier, nós superamos a situação." disse Kai. "Mas espero que nada surja para se intrometer entre nós ou nos complicar a vida a nós ou a quem gostarmos."

"Ok, não vamos pensar nisso." disse Ray, levantando-se da cadeira onde estava sentado e sentando-se ao colo de Kai. "Hoje é dia de coisas boas e não das más."

Ray entrelaçou os braços à volta do pescoço de Kai e os dois beijaram-se. Um ano passara desde que tinham começado a namorar, muitas coisas tinham acontecido, com eles e também com muitas outras pessoas. Kai e Ray estavam focados em serem felizes um com um outro e depois de já terem enfrentado tantas coisas, pelo menos estavam certos de que se amavam tanto que nada os poderia separar. O resto não importava.

Fim

E assim termina a história. Espero que tenham gostado das aventuras de Kai, Ray e dos outros e também de tudo o que de bom e de mau lhes aconteceu ao longo destes cem capítulos. Agradeço por todos os comentários recebidos, principalmente a Kamy Jaganshi, pelos seus comentários de apoio. Até uma próxima história.