Os finos flocos de neve caiam em meu rosto de forma passiva, transformando minha espera em algo agradável. Como de costume cheguei pontualmente ao local marcado e me postei a esperar por minha acompanhante, que pelo que eu bem a conhecia, chegaria atrasada.

Olhei lentamente a minha volta tentando obter de volta todos os momentos felizes e tristes que passei com ela ali mesmo, naquele pequeno parque infantil. Ainda me lembro de minha adolescência, quando eu em minha ignorância a destratava em frente a todos, sem nunca pensar que aquele seria meu maior erro, o maior de todos.

O silencio que pairava sobre o parque foi logo quebrado pelo som de passos mais a diante, sendo marcado por um ritmo acelerado. Ao longe vi uma pequena figura jovem se esgueirar pela rua, vindo em minha direção. Com o frio de inverno congelando minha face e meu corpo, comecei a andar em direção a mesma.

Envolvida por uma imensa camada de roupa e olhando diretamente para mim, senti um pequeno calor se instalar em meu peito, a esperança de vê-la ainda continuavam vividas em mim, apesar do tempo que havia se passado. Por trás da escuridão da rua, vislumbrei seus olhos verdes, tão parecido com os dela...

Ansiando por tomar aquele pequeno corpo em meus braços, não a deixei sequer falar ao se encontra de frente a mim, apenas a abracei, tentando me esquecer de tudo e de todos; tentando me esquecer de todas as maldades que eu fizera a ela, dos momentos em que lagrimas mancharam seu belo rosto, de nossa separação, de suas ultimas palavras e de que aquela que agora eu segurava em meus braços não era ela...

Estou arrependido, e se eu pudesse ver-la mais uma vez imploraria o seu perdão, não me importa sua cor, sua religião, seus status financeiros, sua família, suas manias, suas imperfeições... A única coisa que me importa é seu sorriso, sua forma gentil de tratar a todos, seus gestos amorosos, e seu modo único de amar ao próximo, simplesmente perfeita aos meus olhos, pena eu não ter tido um vislumbre de sua alma antes, realmente uma pena...

Com o corpo ainda junto de minha acompanhante e os braços em volta de sua cintura, tentei em vão achar em seu rosto algum traço de minha amada, mas era impossível achá-los, ela era única. Aquela em meus braços era a Miaky, não a Sakura, não a minha Sakura.

Inclinado um pouco a cabeça vi Miaky à espera de um beijo. Beijar, não era algo difícil nem desagradável, mas quando seu coração clama por uma pessoa o desejo de beijar qualquer um que não seja sua amada some por completo, tornando aquele ato em algo sem valor, igual a ver televisão, assistimos apenas por habito ou até falta do que fazer, não por gostarmos inteiramente.

Sentindo seus olhos tristes sobre mim, inclinei minha cabeça em direção a sua face e imaginei aquelas duas grandes esmeraldas, sua pele macia, seu nariz levemente arrebitado e seus lábios rosados e carnudos em minha boca, retribuindo o beijo de forma ávida, porém carinhosa como sempre fazia, segurei em seus cabelos ruivos, curto e sedosos deixando-os cair de minha mão. Pressionei seu pequeno corpo junto ao meu, tentando fazer aqueles breves segundos durarem para sempre, mas quanto duraria este para sempre? Provavelmente não o suficiente...não para mim...