Há Momentos

Disclaimer: Nada aqui me pertence. Que novidade.

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Abri os olhos somente para constatar que a fria e solitária realidade estava longe de parecer com o sonho que acabara de ter. Onde estava o calor do abraço de James? Muitos quilômetros daqui, com toda a certeza...

O barulho da chuva na janela do meu quarto chamou minha atenção, a água batia sem piedade no vidro. Tão sem piedade quanto Dumbledore foi ao dizer que, por ser uma nascida trouxa em tempos tão conturbados, o melhor que eu deveria fazer era ficar recolhida em casa. Sem visitas. Só eu, Petúnia e seu porco, digo... marido.

-Quanto tempo mais eu posso aguentar aqui? - murmurei. E a realidade é que, dane-se o que Dumbledore quer, está na hora de tomar uma atitude!

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Levantei da minha antiga cama num ímpeto. Não iria mais aturar aquilo tudo, não esta noite.

Sempre admirei a facilidade com que James e seus amigos conseguiam quebrar as regras, agora chegou a minha hora. Ficaria ele orgulhoso de mim? Só havia um modo de descobrir.

Dei uma olhada em meu quarto, agarrei meu casaco com uma mão, minha varinha com a outra e silenciosamente abri a porta do quarto.

O corredor estava deserto. Ótimo.

Desci as escadas correndo, a adrenalina já começava tomar conta de meu corpo quando abri a porta e senti as gotas de chuva baterem em minha pele como mil agulhas, e o vento gelado vir de encontro a mim, fazendo meus cabelos voarem para todos os lados.

Mas sabe de uma coisa? Eu não poderia me importar menos com isso, pois por semanas algo não me fazia sentir tão VIVA.

Escondi-me atrás de uma árvore próxima e de lá aparatei. Era tanta ansiedade que nem por um momento considerei hesitar, coisa que alguém como eu já teria feito há muito tempo em condições normais.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

Foi quando a vi. Ela estava toda embaçada, graças à chuva, mas era inconfundivelmente a casa que eu procurava, linda e imponente. E estava apenas há um quarteirão de distância.

Isso foi mais que o suficiente para me fazer ir correndo.

Condições atuais de Lily Evans

a) Toda ensopada.

b) Cabelos que eu duvido que poderei um dia desembaraçar.

c) Pijamas por baixo de um casaco surrado.

Foi assim que cheguei à frente daquela casa, e foi assim que bati, um pouco forte demais, na porta principal.

O horário e a situação, ambos totalmente inapropriados, nem passaram pela minha cabeça. Eu estava em uma missão.

Esperei alguns segundos com o coração quase saindo pela boca antes que a porta fosse aberta.

Olhos castanho esverdeados, com espanto, encontraram os meus. Suas mãos passaram por aqueles cabelos pretos mais bagunçados que o habitual.

Tentei falar algo, mas de minha boca não saiu nada. E talvez seja porque, lá no fundo, nós dois sabíamos que palavras não precisavam ser usadas em um momento como esse.

Por último, os braços de James me envolveram, e de repente nada mais importava.

Sofrimento? Isso existe mesmo?

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

Enterrei meu rosto entre seu pescoço e sua clavícula. Eu sabia que estava molhando todo o pijama de James, mas eu queria sentir seu cheiro até que meu cérebro decorasse cada detalhe dele.

Não sei bem quando foi que ele nos trouxe para dentro, só voltei à realidade ao ouvi-lo perguntar:

- Lily! Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

Sorri enquanto me afastava para poder olhar em seus olhos e responder – Agora? Melhor impossível. - fechei os olhos e colei nossos lábios ao mesmo tempo em que uma lágrima solitária escorria pelo meu rosto.

Após alguns segundos, James murmurou sobre minha boca:

- Belo penteado... se inspirou na medusa?

Abafei uma risada e respondi – Achei que ia combinar com seu pijaminha de hipogrifo.

James não segurou a risada.

- Te amo, chata.

- Eu te amo, babaca.

Não sabia que existiam tantas maneiras de se sentir a falta de alguém.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

Foi uma questão de tempo até eu secar minhas roupas com um feitiço e então seguirmos para a cozinha, onde James fez uma de suas únicas habilidades culinárias: chá.

Sentamos à mesa, nossas mãos entrelaçadas. Contei a ele sobre minhas últimas semanas solitárias e sobre minha operação de fuga. Sobre isso, sua exclamação foi:

- Nunca pensei que ficaria tão feliz em ver você quebrando regras, Lil's!

Mas eu sabia que com essa frase ele queria dizer bem mais que isso.

-Também fico feliz em estar com você, Jay. - respondi entre risadas.

-Isso é sério, Lily! Já temos um argumento pro Dumbledore te liberar.

- E de quebra colocar a gente na Ordem da Fênix. - foi minha brilhante dedução.

Já tínhamos um plano.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

- Conversar com Dumbledore vai ser a primeira coisa que faremos de manhã. - disse James, já de pé e puxando minhas mãos para que eu levantasse – Vamos lá, Lily. Já é tarde e você precisa descansar.

- Você não vai me mandar de volta, vai? - perguntei um pouco assustada.

- Mas é claro que não, Lily! - James riu – De agora em diante você fica comigo.

- Promete? - Eu sei que soou ridículo, mas eu precisava ter certeza de que não voltaria mais para o inferno que era minha prisão pessoal.

- Se eu prometo? Lily, agora não tem mais volta. - ele beijou o topo da minha cabeça, logo antes de entrarmos novamente na sala – Vai ser preciso um exército pra me fazer tirar os olhos de cima de você de novo!

E rindo, James me guiou escada a cima.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

-Clarice Lispector

NA: Depois de tanto tempo, espero não ter perdido o jeito de escrever! Hahaha! Saudades do FF. net!