O que não podemos deixar para trás

Resumo: Eu o amava até confessar meus sentimentos e ele rejeitá-los, ficar com outra e ainda ir embora. Agora, quatro anos depois, ele volta e quer que eu ainda sinta o mesmo de antes?

Disclaimer: "Twilight" pertence a SM. Acham que eu estaria aqui escrevendo fanfictions se fosse meu? Eu estaria no Caribe num horário desses!

Capítulo 1

Observei com frieza um dos alunos levantar a prova várias e várias vezes, como se estivesse passando a limpo a resposta do borrão para a folha oficial.

Como se ele pudesse me enganar.

O dito aluno percebeu que eu o observava e pareceu assustado. Eu ergui uma sobrancelha e voltei a ler o livro que trouxera para ocupar o tempo enquanto a turma fazia prova.

Olhei para uma das paredes, na qual um relógio marcava sem atraso que faltavam dez minutos para o término.

-Mais dez minutos. – falei, evitando contato visual. Preferi olhar a página do meu livro.

Os minutos passaram e o restante da turma começou a levantar aos poucos, entregando a prova e indo embora. Alguns desejaram boa noite, outros bom final de semana e eu retribuí como pude, sorrindo ou articulando algumas palavras. Inclusive para o espertinho no canto que colava achando que eu não via.

-Boa noite, senhorita Swan.

-Boa noite, senhor Moore.

Optei por ser formal, claro. O que não aplacou a vontade de erguer uma sobrancelha de novo e encará-lo.

Acho que ele percebeu que não poderia discutir comigo e preferiu ir embora, deixando-me sozinha na sala.

Ali, fiquei contente com o silêncio e o vazio. Arrumei minhas coisas, coloquei as provas na pasta para me divertir com as respostas no final de semana e peguei minha bolsa. O assistente da limpeza entrou na sala e desejou boa noite também quando me preparei para sair.

No corredor, deixei escapar um suspiro de alívio.

Era sexta-feira. Yay para mim.

Irei para casa e me divertirei com mais uma parte da maratona da minha série favorita.

Meu trabalho estava atrasado e com ensaios para corrigir se arrastando há semanas porque minha amiga Rosalie Hale fez questão de me viciar numa série de tevê. Não havia como eu parar de ver House M.D. Digo, nada me fazia parar de ver, nem o trabalho se acumulando em cima da mesa. Eu não dava a mínima para a série até ela me convencer a ver alguns episódios num dia.

No final, acabei levando todas as temporadas em DVD da casa dela para a minha.

Pensei em ver mais um episódio hoje... não... dois episódios... talvez três, e daí corrigir a primeira parte dos ensaios ainda hoje.

Okay, talvez quatro e uma pequena parte dos ensaios.

Suspirei.

Vício em séries era bem assustador... Eu simplesmente não consigo fazer mais nada até acabar de ver tudo. Mal me concentro no planejamento das aulas durante a semana. São como drogas. Acho que essas pessoas que veem séries deveriam ser chamadas de usuárias, não telespectadores.

Dirigi-me à sala dos professores pronta para assinar o livro de ponto e ir embora para casa.

O mais rápido possível porque quero ver House.

Normalmente eu não apareço na sala dos professores. Prefiro chegar e ir direto para a sala, ou fazer como numa consulta ao médico: entro, falo oi e pego minhas coisas e vou embora. Alguns professores do meu departamento, Literatura Inglesa e Americana, têm o costume de me chamar para conversar, mas não sinto ânimo de fazer amizades com colegas de trabalho.

Nunca mais.

Entrei e alguns falaram boa noite. Retribuí com um cumprimento, visualizando por um momento quem estava ali.

Duas professoras do meu departamento e colegas-professores de outros cursos. Direito, Administração, Pedagogia... Trabalho aqui há quase um ano e não os conheço por nome, apenas por rosto. Apenas conheço e converso com os meus colegas de departamento.

Se eu for despedida, vai ser por conta da minha falta de sociabilidade. Eles não poderão me acusar de ser incompetente com meu trabalho ou de os alunos não gostarem de mim.

Ao entrar, sem querer quase derrubei um dos professores de História, um conhecido meu. De muito tempo.

Alto, louro, sotaque texano. Formado em História, especializado em História Americana, principalmente no que se refere à Guerra Civil. Professor Jasper Whitlock.

Sei praticamente tudo sobre ele, mas ele não se lembra de mim. Ainda bem.

A última coisa que quero é que ele lembre quem eu sou. Que já nos conhecemos antes. Que ele e eu tínhamos um amigo em comum.

Que tenhamos de falar sobre ele.

Jasper deve ser ainda amigo dele, mas como nunca conversamos...

-Desculpe. – ele disse com um sorriso.

Sorri, pedi desculpas e entrei.

Essa foi a primeira vez que conversei com ele. Com certeza ele não lembra que já almoçamos juntos num dia de domingo com o referido amigo dele.

Peguei minha pasta, deixei alguns livros e saí. Ninguém notou quando eu entrei. Ninguém se importou com minha saída.

Encontrei minha picape no mesmo ponto onde estacionei horas antes. A minha surpresa foi ver Jasper parado próximo ao carro ao lado dela.

-Qual o horário mesmo do voo? Se for tarde... Não, não... Acho que dá tempo sim... Vou passar em casa então...

Fingi que não o vi e entrei logo. Ele falava ao celular. O único problema era que eu teria que esperar o telefonema acabar para dar a partida na picape e não atrapalhar com o barulho de turbina de Boeing dela.

Assim que o vi guardar o celular no bolso da calça, dei partida na minha preciosa e fui embora.

Cerca de vinte minutos depois, eu já estava em casa. Meu apartamento ficava perto da escola, o que era uma vantagem para quem precisava sair de casa no horário de trânsito ruim.

Deixei minhas coisas em cima da mesa para ver as mensagens na secretária eletrônica.

A primeira era de meu pai.

-Bells, aqui é Charlie. O que é esse Skype que o Jake sugeriu que eu colocasse aqui no laptop que você me deu? É isso que você falou que deixa as ligações mais baratas? Ligue pra casa, mesmo que seja do tal Skype. É um nome engraçado. Skype. Parece de cachorro.

BIIIIP.

Charlie e as grandes batalhas tecnológicas que ele precisa enfrentar.

A outra era de Renée, minha mãe louca.

-Filha, mudei de celular de novo. O outro fugiu de mim. O novo número é...

Renée e os celulares fugitivos. Um belo enredo de livro. Eu ainda vou escrever isso.

BIIIIP

Rosalie Hale veio logo em seguida:

-Bella, já terminou a maratona? Preciso emprestar os DVDs pro Emmett. Ele já 'tá enchendo a paciência aqui. Já posso ir buscar?

-Só se forem os primeiros... – murmurei casualmente, como se ela estivesse ali para responder. E se estivesse, ela ia me chutar até eu aprender a responder decentemente.

Decidi tomar banho e preparar um rápido jantar. Tenho que terminar esses DVDs antes que Rose apareça para sequestrá-los.

Sim, banho para começar a noite.

Enquanto senti a água quente tocar a pele e os cabelos, não sei como lembrei o dia em que conheci Jasper Whitlock.

Um domingo no enorme condomínio da família do nosso amigo em comum.

Do amigo que eu achava que seria para sempre.

Ele, segurando meu braço e me aproximando da mesa onde Jasper estava sentado para me apresentar ao grupo. Havia apenas duas mesas, e eu quis sentar na outra porque Rosalie era a única que eu conhecia.

-Pessoal, esta aqui é Isabella Swan... amiga de Rosalie.

O grupo à mesa me saudou segurando uma lata de cerveja. Quase todo mundo tinha uma bebida.

-Você já conhece Paul, Seth, Eric... aquele é Jasper e a fadinha irritante ao lado é namorada dele, Alice Brandon.

O casal a saudou. Alice deu um sorriso simpático e assentiu a cabeça, bufando depois para o comentário. Ela tinha um sorriso lindo que compensava o pequeno tamanho dela, e eu nunca o esqueci.

E Jasper nada mais fez que falar "oi" num sotaque texano.

Isso já havia sido há mais de quatro anos.

Como o tempo passa rápido. Lembro-me desse dia como se fosse ontem.

Senti o movimento dos meus dedos no cabelo, esfregando meu shampoo de morango, diminuírem quando lembrei-me também do rosto dele.

Balancei a cabeça e voltei a esfregar os dedos nos fios com força, para me livrar assim dessa lembrança.

Cerca de quinze minutos depois, já estava com meu pijama favorito e arrumando o sofá para ver mais quatro episódios de House M.D enquanto esperava a comida aquecer no micro-ondas.

Mais dez minutos depois, estava no meu lugar no sofá, com controle numa mão, prato de comida na outra, e sorrindo como uma boba quando comecei a ouvir a música da aberturar tocar no aparelho.

Talvez cinco episódios não matassem taaanto assim meu trabalho no final de semana.

Eram assim todas as noites nos últimos quatro anos: sozinha, dificilmente saindo para encontrar meus amigos ou colegas de trabalho, fazendo o possível para esquecer o que se passou entre ele e eu.

-Oi. – notei o sotaque texano de Jasper – Edward falou muito sobre você, Isabella.

-Bella. – eu o corrigi e o vi sorrir – E o que mais que Edward falou sobre mim?

-Que você veio de Forks, gosta de ser chamada de Bella, seu pai é chefe de polícia, estuda Literatura na Universidade de Washington e adora comida italiana. – a namorada de Jasper respondeu sem rodeios.

Senti meu queixo cair. Ao meu lado, ele coçou a cabeça e sorriu completamente sem jeito.

Limpei minha garganta e, fingindo indignação, encarei-o, colocando as mãos nos quadris.

-Você contou TUDO a respeito de mim?

-Hmm... – ele fingiu fazer um enorme esforço para pensar e curvou os lábios num sorriso torto – Acho que não contei sobre você ter dois pés esquerdos e viver tropeçando...

-Oh, ele falou sobre isso, sim. – Jasper comentou.

Aí eu fingi uma indignação ainda maior:

-EDWARD CULLEN!

Pisquei e balancei a cabeça. Não queria mais pensar naquelas coisas.

Evitar pensar o máximo possível nele – primeira das regras que Rosalie impôs para esquecer o que passei.

Esquecer o que Edward Cullen me fez passar.


Nota: Primeira história... espero que gostem! Digam o que acharam nos comentários! :)

Um beijo, Marie