O que não podemos deixar para trás

Resumo: Eu o amava até confessar meus sentimentos e ele rejeitá-los, ficar com outra e ainda ir embora. Agora, quatro anos depois, ele volta e quer que eu ainda sinta o mesmo de antes?

Disclaimer: "Twilight" pertence a SM. Acham que eu estaria aqui escrevendo fanfictions se fosse meu? Eu estaria no Caribe num horário desses!

Capítulo 24

SÁBADO

Não queria sentir mais nada além do próprio contato do meu lençol com o meu corpo. Minha cabeça doía, minhas pálpebras pesavam, até minha pele estava irritada com o mundo.

Abracei mais forte o travesseiro e suspirei fundo. Queria continuar dormindo o dia inteiro e não precisar sair mais da cama.

Senti meu estômago doer. Eu nem sabia há quanto tempo estava sem comer. Provavelmente a última coisa que comi foi a barra de cereal antes de Liam ir embora ontem de manhã.

Escutei a campainha tocar, mas não movi um dedo para sair da cama. O barulho só fazia aumentar minha dor de cabeça. Os meus ouvidos doíam.

O que será que vai acontecer comigo agora?

A campainha insistiu no toque, e eu insisti em ignorá-la.

SEGUNDA – cinco dias antes

Minha mãe sempre me disse que nossa felicidade é que traz o sucesso no trabalho, não o contrário. Quando estamos felizes, podemos fazer nosso trabalho melhor e com muito mais motivação.

Era assim como eu me sentia. Depois do jantar com Liam e meus amigos, dormi muito mais tranquila como há tempos não me sentia, mesmo depois que ele me deixou mais ansiosa para a chegada do fim de semana.

Mais animada com tudo, preparei minhas aulas para a semana inteira e fiz uma lista de compras. Não sei o que Liam estava preparando para nós, mas eu sentia que era coisa boa.

Há muito tempo que não me sentia assim. Nem na época de Edward, quando ele ainda estava solteiro e estávamos juntos como amigos, acordava tão empolgada para ir trabalhar e ter uma boa semana só para ficar com um tempo livre e ligar para Liam ou sairmos juntos para almoçar.

Ao chegar à escola, porém, dei de cara com a sala da coordenação fechada.

Olhei a hora pelo visor do celular e franzi a testa. Liam já deveria estar lá, será que havia alguma reunião?

Talvez estivesse atrasado, o que não era realmente um problema.

Passei novamente depois das aulas. Continuava fechado.

No final do dia, passei quase uma hora tentando ligar para ele, mas o celular dava fora de área.

TERÇA – quatro dias antes

Tentei novamente o celular de Liam e havia a mensagem da caixa postal. Blá, blá, blá, ligo assim que possível.

-Liam, por favor, é Bella... Liga pra mim, por favor. – minha outra mão tocou involuntariamente meu peito, exatamente onde eu conseguia sentir as batidas aceleradas do meu coração – Estou preocupada. Manda uma mensagem. Quero saber se está tudo bem.

Finalizei a mensagem sem deixar nenhum "beijo" ou um "abraço". Não queria perder as esperanças. Mas comigo a história era bem diferente...

Segundos depois, senti meu telefone vibrar novamente. Meu coração acelerou novamente, pensando em Liam retornando minhas ligações, mas era apenas Edward.

Edward Cullen ligando.

-Hmm... oi. – atendi meio hesitante. Não queria que ele percebesse o meu humor.

-Estou atrapalhando? – ele também parecia hesitar depois de, talvez, perceber meu tom.

-Hmm... não. Estava pensando onde vou almoçar – respondi por fim. Não era bom que ele recebesse em troca minha frustração pelo que estava acontecendo comigo.

-Liam não está por perto hoje?

Não respondi imediatamente, e Edward percebeu que tinha sim alguma coisa errada.

-Quer almoçar comigo? – ele perguntou por fim.

Olhei o relógio e dei um suspiro. Liam estava fora do alcance no momento, e sair com Edward Cullen me deixava mais inquieta...

Mas eu estava faminta.

-Onde? – perguntei.

-Há um restaurante italiano perto da sua escola. – consegui ver o sorriso na voz – Não vamos demorar. E em dez minutos posso apanhar você.

-Ok, sem problemas. Espero na entrada.

Dez minutos depois, Edward Cullen estava na frente da escola com carro e tudo. Subi sem hesitação e dei um sorriso quando encontramos os olhares.

-Está tudo bem? – ele franziu a testa.

-Está sim... – falei sem muito entusiasmo – Vamos pra onde?

-O Fair Italia. – ele deu aquele sorriso torto – Já foi lá?

-Não. – pelo menos eu não ia a um onde já tivesse estado com Liam.

E, claro, Edward não deixaria de comentar.

-O que aconteceu entre você e Liam?

-Nada. – dei um suspiro cansado. Era verdade, não havia acontecido nada – Ele não veio trabalhar nem ontem ou hoje e não está atendendo meus telefonemas.

As sobrancelhas de Edward arquearam com a informação. Segundos depois, ele estava dirigindo.

-Bem, se ele não está atendendo desde ontem e não veio trabalhar, alguma coisa séria deve ter acontecido. A direção já sabe?

-Se sabem, não quiseram me informar. – falei com outro suspiro – Estou muito preocupada, ele não deixa de me ligar desde que nos conhecemos.

-Do jeito que você fala, parece que foi há bastante tempo. – ele murmurou sem tirar os olhos da direção.

-Eu sei que não estamos há muito tempo juntos, mas as coisas estavam bem. – falei um pouco irritada. Não gostei do comentário, e ele parecia ter percebido isso.

-Olha, não quero brigar, Bella. – ele falou depois de um instante de silêncio – Eu sei que está preocupada. Procure saber com a direção geral o que houve. Talvez tenha acontecido alguma emergência familiar. Você sabe que ele tem uma filha e que ela sempre virá em primeiro lugar pra ele.

Edward tinha razão.

E agora eu estava preocupada com Sofia.

-E se tiver mesmo acontecido alguma coisa com ela? – agarrei instintivamente a manga da camisa dele e ele desviou por segundos o olhar da direção para encontrar o meu olhar – Será que ele também está bem?

-Acho que você tem que continuar tentando falar com ele, esperar um contato. – ele entrou numa curva e se concentrou na manobra antes de continuar, segundos depois – Mas é claro que acho que ele deveria te dar um aviso, falar o que está acontecendo e não simplesmente desaparecer.

Ao chegarmos ao restaurante, Edward me levou a uma das mesas reservadas. Puxou a cadeira e para mim, e sentou-se depois.

Não conversamos mais sobre Liam. Eu não queria conversar sobre Liam. Queria mudar de assunto. Não queria pensar em mais nada.

-Como estão as coisas na nova casa? – ele mudou de assunto, para meu próprio bem – Tudo funcionando direitinho?

-Quase. – dei um sorriso forçado – Quase tudo. Meu computador parou de funcionar ontem à noite. Simplesmente apagou e não liga mais.

-Você quer que eu veja o que aconteceu com ele?

-Você entende sobre isso? – perguntei em vez de responder. Mordi a cutícula porque estava cansada de morder meu lábio.

Edward me lançou um olhar incrédulo.

-Claro que sei. – ele falou num tom meio ofendido – Quer que eu veja agora?

-Não posso sair agora, mas... – ponderei por um momento – Mas você pode entrar e pegá-lo. Tem uma chave no vaso perto da cadeira da varanda.

-Você deixa a chave de casa dentro de um vaso na varanda? – ele voltou a me lançar um olhar de "você tá falando sério?"

-Depois que Emmett conseguiu fazer um peixe engolir minhas chaves, eu sempre deixo uma extra em outro lugar.

-Como foi que Emmett conseguiu fazer um peixe engolir as suas chaves? – ele pareceu meio assustado.

-Nem queira saber. – murmurei ao lembrar o que aconteceu.

-Mas...

-Não, Edward. – encerrei o assunto.

Fizemos o resto do percurso sem comentar de novo sobre Liam. Ele me deixou na porta da escola e acenou ao nos despedirmos.

Edward nunca saberia o quanto eu ficaria grata por não tocar mais no assunto.

QUARTA – três dias antes

Parei de novo na frente da porta de Liam e tentei entender o que havia de estranho.

Minutos depois, eu percebi: o nome dele como coordenador não estava mais lá.

Fiquei uns bons cinco minutos parada lá na frente, com outras pessoas passando por perto. Felizmente nenhuma delas quis falar comigo, porque eu tenho certeza de que soltaria alguma resposta atravessada.

Dei um suspiro que me deixou ainda mais cansada. Resolvi ir embora e encerrar meu dia num pote de sorvete, sem ainda ouvir uma única palavra de Liam.

QUINTA – dois dias antes

Meu relógio de mesa marcava mais de onze da noite quando meu telefone tocou e me assustou. Sabe aqueles momentos que você sabe que vai mergulhar em sono profundo? Pois é.

Se fosse outra ocasião, eu desligaria o celular e só voltaria a olhar o display no dia seguinte. No entanto, pensar que talvez fosse Liam me fez imediatamente esquecer a inicial irritação.

Estiquei o braço, peguei meu telefone, vi quem era e me sentei na cama.

Liam.

-Liam... – falei já um pouco ofegante, mesmo sem ter feito esforço algum – O que houve?! Onde você está?

-Bella, eu... – houve uma longa pausa e fiquei calada. Senti que não tinha nada que eu pudesse falar e que o ajudasse a continuar.

Acho que só depois de quase um minuto ele continuou:

-Aconteceu uma coisa... com Sofia.

Lembrei imediatamente do que Edward falou naquele dia sobre Sofia. Claro que Liam sumiria se acontecesse alguma coisa com ela e só voltaria a entrar em contato se e quando tivesse tempo.

Mas não era hora pensar com egoísmo. Sofia também era uma preocupação minha.

-O que houve? Ela está bem?

-Ela... – ele respirou muito fundo, como se quisesse escolher as palavras – Ela teve um acidente... no domingo à noite... e descobriram uma coisa a mais nos exames dela.

Senti um nó enorme na garganta.

-Liam... onde você está? Posso ir até onde você está? – ia ser difícil pegar transporte público quase à meia-noite numa quinta-feira, mas teria que haver um jeito de chegar lá.

Escutei uma risada curta e sem graça.

-Na verdade... – ele deu outra pausa, mas completou rápido para sanar minha agonia – Queria saber se eu podia passar aí... Não tomo banho desde segunda. E ainda estou com a mesma roupa de domingo à noite.

-Oh... – deixei escapar – Pode... Claro que pode... Você vem agora? Quer comer alguma coisa também?

-S-sim... – desta vez, consegui escutar a voz embargada dele – Por favor, Bella.

-Você vem dirigindo? Vem agora?

-Sim. Acho que em uma hora estarei aí.

Olhei o relógio da mesinha. Ele ia chegar depois da meia-noite.

-Pode vir. Estarei aguardando.

SEXTA – depois da meia-noite

Aqueci o resto do meu jantar e preparei alguns sanduíches naturais enquanto esperava por Liam. Não era muita coisa, mas tinha sopa e espaguete, além dos sanduíches e suco de laranja que preparei para ele. Tinha vinho tinto também, mas duvido muito que Liam ia querer beber algo alcoólico quando estava numa situação tão angustiante.

Olhei o relógio do celular que tinha grudado comigo agora pela enésima vez.

00:38.

Liam ia chegar a qualquer momento.

Aproveitei para ver checar e responder meus emails pelo celular. Havia vários de Emmett, todos com uma piadinha ou uma corrente maluca. Um de Rose avisando que eu estava há dias sem ligar para ela e que queria de novo um jantar com todo mundo.

Vai sonhando.

E havia também um email de Edward.

De: Edward Cullen [ at cullendesignandhome ponto com]

Para: mim [bellaswan at gmail ponto com]

Assunto: Computador

Bella, posso passar que horas para pegar seu computador?

Sinto-me mal de ter que pegar a chave extra... Você deveria era parar de fazer isso. Ter chave em qualquer canto da varanda é perigoso. Port Angeles não é o lugar mais seguro no mundo.

Qualquer coisa, pode me ligar.

Edward.

Olhei de novo pela janela, esperando ver o carro de Liam. Nada ainda.

Como ficar sem computador também é um assunto urgente, resolvi responder logo o email dele e deixar o de Rose para depois de conversar com Liam.

De: mim [bellaswan at gmail ponto com]

Para: Edward Cullen [ at cullendesignandhome ponto com]

Re: Computador

Pode passar hoje à noite. Mas sábado é melhor, estarei o dia todo em casa.

Pensei um pouco antes de acrescentar uma parte que talvez interessasse a ele, já que pareceu bem preocupado naquele dia.

Liam mandou notícias. Sofia sofreu um acidente e ele estava cuidando dela.

Beijos,

B.

Foi só eu finalizar que escutei o motor suave do R8 se aproximar de casa. Olhei pela janela e vi Liam já estacionando o carro.

Quando ele saiu, senti meu coração pesar. Ele parecia muito abatido, magro e, sim, realmente estava com a mesma roupa de domingo passado.

Abri a porta e esperei que ele subisse os três degraus da varanda com uma força sobre-humana. Parecia que realmente ele não tinha mais forças.

Frente a frente, ele me deu um sorriso fraco. A barba estava por fazer e ele tinha manchas de café na roupa. Dava para sentir o cheiro ruim de longe, mas pouco me importava.

-Entre, Liam... – falei com suavidade. Ele nem protestou, entrou logo e tirou os sapatos e as meias.

Não falamos mais nada. Fomos direto para meu quarto, onde ele ficou sem jeito, olhando para as paredes, mas sem comentar nada.

-Tire a roupa e coloque isso... –entreguei a ele um roupão antigo do meu pai e uma toalha limpa – Fique à vontade – falei – Pode demorar o tempo que quiser. Tem um barbeador feminino também em cima da pia. Pode usar, é novo. Vou pegar um cesto limpo para você colocar suas roupas. Vou colocar pra lavar e secar, ficarão prontas num instante.

Liam não questionou nada. Simplesmente assentiu e foi direto ao banheiro do meu quarto, trancando-se lá.

Levei apenas alguns minutos para pegar um cesto de roupa na área e levar ao meu quarto, posicionando-o próximo ao banheiro.

-Liam, tem um cesto aqui fora... joga sua roupa e eu vou colocar pra lavar.

Saí do quarto e fui preparar a máquina, separando também algumas peças minhas para a lavagem. Alguns minutos depois, voltei ao quarto e peguei o cesto com as roupas de Liam.

Joguei tudo de uma vez na máquina e calculei o tempo para lavagem e secagem. Acho que daria para Liam comer, descansar e conversarmos um pouco.


-Você gosta mesmo de deixar suas visitas satisfeitas. – Liam comentou ao escolher os sanduiches – Mas temo ter que comer pouco, ou vou passar mal.

-Há quanto tempo está sem comer? – perguntei curiosa.

-Desde segunda... fiquei tomando café o tempo todo.

Já sem barba e usando meu roupão, ele comia os sanduíches depois de tomar uma pequena porção de sopa. Ele reclamou que estava com fome, mas que não deveria comer muito por conta do estômago. Eu entendia, pois já havia passado por isso antes por causa de Edward.

-Você chegou a dormir?

-Não. – ele balançou a cabeça – Não tive como.

Silenciosamente, ele terminou o sanduiche e tomou mais um gole de suco.

Esperei que ele terminasse de comer antes de irmos para a sala.

Estranhamente, senti uma coisa ruim. E não era por Sofia.

Eu já sabia o que ia acontecer.

De novo.

-Ela caiu da escada da casa da mãe dela... – ele começou suavemente, bebendo lentamente enquanto olhava fixamente um ponto qualquer à frente – A mãe levou ao hospital e eu só soube horas depois... Cheguei em casa depois do nosso jantar, liguei para Sofia para dizer boa noite e ninguém atendeu. Liguei pra mãe dela e ela já estava no hospital. Ela tinha quebrado o braço, eu corri pra lá e discutimos...

-Na frente de Sofia? – perguntei com suavidade, tocando a mão dele.

-Não... por Deus, nunca brigamos na frente dela. – ele respondeu com veemência – Mas eu fiquei... perdão da palavra... puto por ela não ter ligado antes. Ela disse que só não queria atrapalhar e que ficou com medo de eu brigar com ela por Sofia ter se machucado quando estava aos cuidados dela. E nem fiquei com raiva disso. Foi mais por não ter avisado o que tinha acontecido.

Dei um suspiro cansado, e ele me imitou. Dividir a guarda era complicado. Experiência própria. Eu já tinha sofrido inúmeras quedas, e meu pai não ficou sabendo nem da metade porque minha mãe não quis contar por medo da reação dele.

-Depois que discutimos, o médico trouxe as radiografias de Sofia... – ele baixou a voz – Ele disse que tinha uma coisa nelas, uma coisa que não devia estar lá. E não era só o osso quebrado.

Fechei os olhos, esperando que ele continuasse. Eu já temia o que ele ia dizer.

O peso no coração ficou mais forte.

-Eles acharam algumas coisas... crescendo e se espalhando pelos ossinhos da minha Sofia... – ele apertou a minha mão mais forte e notei como os olhos dele lacrimejavam – Eu não pensei em mais nada. Fiquei direto no hospital com a mãe dela. Sofia não parava de chorar. Só ontem contamos pra ela o que o médico encontrou.

-Deve ter sido muito difícil – foi a coisa mais óbvia que já falei. Mas eu não sabia o que mais poderia dizer.

-Sim, foi... porque ela não entendia nada. Ela não entendia porque não podia voltar pra casa. Ela não entendia porque tinha tanta gente tirando sangue e fazendo exames, porque não parava de entrar naquelas máquinas que a deixavam enjoada...

-Mas o que aconteceu? Os exames voltaram? O que vão fazer? – perguntei de uma vez.

Claro que eu já sabia qual seria uma das respostas. Eu nem precisava ter perguntado.

-O médico disse que ela precisa começar o tratamento imediatamente. – ele falou com a maior seriedade possível – Mas não aqui. Aqui não tem tratamento adequado pra ela. E eu quero o melhor pra minha Sofia.

-Claro... – balancei a cabeça e forcei um sorriso – Isso é lógico, claro que vocês vão procurar o melhor tratamento pra ela. E onde é? Seattle?

-Não. – ele engoliu em seco – Califórnia. Vamos pra lá no domingo.

-Oh. – afastei-me um pouco dele. Nossas mãos se separaram.

Vamos. Ele falou no plural.

-Já arranjamos uma casa lá, entramos em contato com os médicos. Está tudo certo. Pedi afastamento da escola, comprei as passagens, paguei o aluguel. – ele não tirou os olhos de mim – Vamos ficar lá o tempo que for necessário até Sofia se recuperar, porque eu sei que ela vai.

Liam era determinado.

Forcei um sorriso.

É claro que ele estava determinado. É claro que ele ficaria com a filha. É claro que ninguém ficaria por mim.

Isso não é hora, Bella. Não é hora. Não é hora. Isso não é hora...

-Claro que ela vai se recuperar, Liam. – falei com toda a sinceridade necessária para esconder o meu sentimento pelo que já sabia que ia acontecer, segurando a manga do roupão – É ótimo que esteja ao lado dela. Tenho certeza que daqui a alguns anos você será visto como o maior herói que ela já conheceu.

Ele tocou a minha mão esticada e sorriu.

-Eu... – afastei-me do toque dele e forcei mais ainda o sorriso – Vou ver se sua roupa está pronta. Vai querer dormir um pouco aqui?

Ele ficou em silêncio. Depois balançou a cabeça num sim. Sim, ele queria dormir um pouco.

-Vou preparar o sofá da sala. Você pode terminar de comer aí, ok?

Ficamos em silêncio. Ele preferiu só assentir.

Dei as costas e fui em direção à área de serviço, mas parei a poucos passos da porta ao ouvi-lo de novo:

-Sofia sempre vai ser minha prioridade, Bella.

Virei o rosto e dei outro sorriso.

-Claro que vai.

SÁBADO

Coloquei um travesseiro em cima da cabeça para abafar o barulho da campainha, mas foi por pouco tempo que a mantive. O silêncio voltou a predominar e eu gostei de ouvir minha própria respiração.

Não sei quanto tempo se passou, mas depois escutei outra respiração além da minha dentro do quarto – alguém estava ali, mas eu estava cansada demais até para virar o rosto e ver quem havia entrado.

-Bella? – a voz de Edward estava suave e calma.

Assustei-me com ele, de todas as pessoas, estar ali, mas não me movi. Continuei deitada, com olhos fechados, tentando apagar tudo o que aconteceu durante a semana para sempre da minha memória.

-Entrei com a chave que estava no vaso... – ele continuou explicando com a voz calma – Fiquei preocupado.

Senti a cama se mover e forcei meus olhos a abrirem. Edward havia sentado perto de mim, e estava me observando com o cenho franzido.

-Oh, Bella... – eu o ouvi murmurar. Fechei novamente os olhos e ignorei o peso mudar na cama.

Em segundos, ele estava deitado e me abraçando.

E chorei nos braços dele.


Nem sei se alguém ainda lê isso aqui. Desculpa, a demora, gente.