O piano

45. Nervosismo

Acordei nervosa e desfocada, o que não deveria ser possível.

Há anos fazia esse tipo de apresentação e ficar desfocada e nervosa não era do meu perfil.

Logo depois que Edward e eu terminamos de fazer planos, ele me deixou no hotel e fizemos planos de não ensaiar e nos concentrar apenas na apresentação. Isso significava que só tínhamos trocado duas mensagens, sem mais nenhum tipo de comunicação com o mundo exterior.

Marcamos de nos encontrar às cinco da tarde. O concerto seria às sete da noite.

Ao chegar pontualmente às cinco, entrei no meu camarim e encontrei três grandes buquês. O primeiro era dos meus pais – eles sempre mandavam um para minhas apresentações; o segundo era uma lembrança dos pais de Edward – desejavam boa sorte e que estariam me vendo.

O terceiro era de Edward. O cartão dizia apenas "estou esperando".

Saí do camarim e fui procurá-lo pelos corredores, segurando a case do meu violino, como sempre.

Encontrei-o já sentado no banco junto ao piano. Ele percebeu minha presença e virou o rosto para que eu visse aquele sorriso torto e de confiança.

Sentei-me também, de costas para ele.

-Nervosa? – ele perguntou.

-Deu pra perceber?

-Deu pra... sentir. – ele falou com hesitação – Está nervosa com o quê?

-Com o que vai acontecer depois da apresentação. – falei com toda sinceridade.

Edward ficou em silêncio. Ele parou de sorrir, virou o rosto e olhou o teclado.

-Vamos fechar os olhos. Vamos pensar nisso depois.

E eu, mesmo com receio, assenti.