Disclaimer: Twilight e seus personagens não são meus. Pertencem a Stephanie Meyer, Intrinseca e a Summit Entertainment. Estou apenas me divertindo.


LIGHTS WILL GUIDE YOU HOME

Capitulo 21
Caminho Para a Liberdade

Forks, Washington, 25 de Março de 2011

É uma verdade universalmente conhecida que, quando desejamos que o tempo voe, ele finca os pés no chão e vice e versa.

Provavelmente já estava esfregando aquele mesmo ponto no chão há mais de dez minutos, absorta em meus pensamentos, quando me dei conta da mancha extremamente branca que consegui fazer no azulejo, até então, esverdeado da cozinha.

Era uma sexta feira particularmente quente – ou, bem, tão quente quanto se pode esperar que Forks pudesse ser – e eu estava completamente empenhada na missão de livrar toda e qualquer superfície de vestígios de grão de poeira que pudessem existir em casa. A casa inteira já estava cheirando a essência de pinho do desinfetante que eu estava usando para limpar e, embora eu fosse capaz de ver cada superfície plana brilhar como um bendito diamante, me sentia desafiada a continuar a esfregar tudo o que estivesse ao alcance das minhas mãos.

-Bella? – a parte consciente de mim foi capaz de ouvir Charlie chamar, da entrada, e eu respondi, me forçando a levantar e limpando o suor que tinha se acumulado na testa. – Que diabos aconteceu aqui? – ele perguntou, a testa franzida e o bigode tremendo de um jeito engraçado enquanto me lançava um olhar questionador.

-Eu estou limpando.- dei de ombros, secando as mãos em uma flanela encardida. Ele me lançou um olhar levemente reprovador, o bigode tremendo mais uma vez. – O que?

-Só um homicídio faz alguém esfregar o chão desse jeito, garota, e eu sei que você seria incapaz de matar um rato.- fiz uma careta, levemente insultada pelo seu comentário. Charlie se limitou a revirar os olhos e eu fui não pude reprimir um sorriso.

Charlie e eu estávamos nos sentindo mais confortáveis um com o outro, desde que voltamos a Forks. Isso ficava um pouquinho mais visível cada vez que passávamos algum tempo juntos. Não que nós não tivéssemos um bom relacionamento antes e também não queria dizer que, milagrosamente, tenhamos nos tornado melhores amigos - mas era bem óbvio que a viagem a Vancouver não causou danos.

Pelo contrário.

Foi mais ou menos como virar a página de um livro e começar um novo capitulo. Até o momento em que deixamos a rodoviária – e Renée e Phil, consequentemente – eu não tinha pensado no que aquele fim de semana tinha significado além de alguns dias estranhos ao lado da minha mãe. Não foi até colocar os olhos em Charlie e perceber que ele estava focado demais na mesma página de sua revista há mais de vinte minutos e perceber que aquilo tinha sido tão difícil pra ele quanto foi pra mim. Mesmo que ele não tenha passado tanto tempo quanto eu passei com minha mãe e seu novo marido. Mesmo que não tenha conhecido cada cômodo daquela casa ou visto e ouvido as coisas que eu vi e ouvi; eu consegui ver através da expressão contemplativa em seu rosto que, assim como eu, ele ainda estava tentando assimilar e entender o que tinha sido uma avalanche de novas informações.

.
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-O que foi? – ele perguntou, embaraçado, notando meu olhar curioso e levemente preocupado. Forcei um sorriso, procurando pelas palavras certas – me sentindo subitamente corajosa e desinibida.

-Como foi o seu final de semana, Charlie?

Ele franziu o cenho, baixando o olhar pra sua revista brevemente – embora eu tenha tido a sensação de que aquilo tenha levado algumas horas.

Eu quase podia ver as engrenagens funcionando no seu cérebro. Quase fui capaz de ver a balança pendendo enquanto ele pesava e também media cada palavra que estava prestes a dizer. Com verdadeiro espanto e admiração, eu vi enquanto meu pai baixava suas defesas, uma por uma, até que não restasse mais nada. E, por um momento, eu tive um vislumbre do homem em que ele se tornou naquele dia em que tudo ficou diferente. Eu vi decepção, medo, tristeza, mágoa - tudo refletido naqueles olhos castanhos tão parecidos com os meus. Cada linha de expressão e ruga ao redor dos olhos; os fios que começavam a ficar levemente prateados na têmporas, as mãos calejadas. Foi como se tudo ganhasse um novo significado, pra mim.

Se tratava de alguém que teve tudo por pouco tempo, e não estava pronto pra lidar com a perda.

Mas, mais do que isso: se tratava de alguém que não teve tempo suficiente pra tentar aprender a lidar com ela, porque não se tratava apenas da sua vida.

-Preste atenção, garota. – ele começou, sem levantar os olhos; a voz baixinha, mas firme, cheia de certeza. – Você precisa saber que, desde o começo, você foi muito amada, por mim e pela sua mãe. Nós dois sabemos que eu não sou o homem mais religioso do mundo, mas você foi um presente de Deus e eu nunca deixei de te ver dessa maneira. Desde pequena você era uma espertinha, então não tem porque mentir e dizer que as coisas foram fáceis, mas eu não mudaria nada. Eu não aprendi a ser o pai que uma garota especial como você merecia ter - não fui dado a brincar de casinha nem com as suas bonecas, e Deus sabe que eu nunca aprendi a fazer uma trança, mas eu fiz tudo o que meu coração disse que um bom pai deveria fazer. Durante meses, depois que sua mãe foi embora, eu acordei no meio da madrugada com medo de que tudo fosse um sonho e ela tivesse levado você também e então eu corria até o seu quarto pra ter certeza de que você estava la.

Sua voz, que até então soava falha, rachou, e ele tomou um momento para se obrigar a uma grande lufada de ar; o rosto vermelho e os olhos brilhando com enormes lágrimas não derramadas. Até aquele momento eu não tinha percebido que estava chorando e que a poltrona não estava balançando com o trajeto do ônibus, como eu imaginava que estivesse; eu tremia como uma folha jogada ao vento enquanto soluços silenciosos percorriam meu corpo.

Então ele continuou, depois do que pareceu uma eternidade:

-Eu sei que a sua mãe foi alvo do julgamento e ódio de muita gente pelo que fez, mas ao contrário do que todos pensam, perdoar Renée por ter ido embora foi muito fácil. Faz parte de amar uma pessoa abrir mão da própria felicidade pelo seu bem, e ela não estava feliz. Ela nunca foi. Eu me apaixonei por uma garota incrível que me fez querer ser tão alegre e espontâneo como os quadros espalhafatosos que ela pintava, mas não me preocupei em ver o que tinha abaixo da superfície. Eu sempre achei que aqueles lindos olhos não poderiam ser tão tristes quanto pareciam ser, pertencendo a alguém tão vibrante, mas acho que eu deveria ter prestado mais atenção. - ele sorriu, um sorriso saudoso meio triste, que me fez sorrir, também e finalmente levantou os olhos. Olhos castanhos, quentes e convidativos. – Eu sei que você pensa que ela foi egoísta por ter ido embora, mas talvez tenha sido a coisa mais altruísta que aquela mulher já fez. – não havia mágoa nem qualquer tipo de malicia por trás do que ele estava dizendo. Só gratidão. Charlie sendo Charlie.

Ele segurou minhas mãos entre as suas, deixando a revista de lado, e me lançou um olhar que fez com que qualquer duvida se dissipasse imediatamente. Naquele momento eu soube que, na minha frente, sorrindo de um jeito bonito com os lábios e - finalmente - com os olhos, estava o melhor ser humano que eu teria a chance de conhecer.

O meu pai.

-Dê uma chance a ela, Bella. Ela está diferente. Se esforçando pra ser melhor. – um suave aperto nas minhas mãos. Um pedido mudo. Eu sorri em resposta e ele me puxou rapidamente para um abraço.

-Pai?- ainda estava no seu abraço, quente e preguiçoso, enquanto o ônibus fazia uma curva e Vancouver ficava definitivamente pra trás. Ele me apertou um pouco mais em resposta. – São os mesmos olhos, não são?

E então, um minuto de silêncio que pareceu se arrastar pela eternidade. Eu já sabia a resposta antes de ouvir sua resposta, curta e clara.

-Sim.

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-Eu não matei ninguém, Charlie. – respondi, jogando a flanela sob o balcão da cozinha e vi quando ele reprimiu um sorriso. – Fiz o jantar.

Foram necessário apenas cinco segundos para que ele se rendesse e, tão dignamente quanto um homem faminto pudesse parecer naquele momento, fosse até as panelas ainda quentes no fogão. Ri silenciosamente enquanto observava a carranca cuidadosamente preparada se desmanchar diante do aroma convidativo de comida fresca.

Ele suspirou, me lançando um olhar enviesado, meio desconfiado.

Obriguei minhas pernas a se moverem tão rápido quanto podia para fora dali, tendo a desculpa de precisar guardar todas as coisas que tinha usado na limpeza para sair da cozinha e correr escada acima, temendo que ele mastigasse rápido o suficiente para prosseguir com o interrogatório.

Alcancei o celular, depois de fechar a porta do meu quarto, na esperança de ver uma nova mensagem de Edward confirmando sua chegada, mas obviamente não tinha nada. Bufei, resignada, me jogando na cama de maneira desleixada, sem me importar com o suor e a sujeira grudada na minha roupa. Eu não encontrava uma expressão que fosse suficiente pra descrever o estado lamentável de ansiedade em que eu estava desde a noite anterior, quando me dei conta de que, em menos de vinte e quatro horas, eu veria Edward depois do que parecia uma eternidade. E o que, na verdade, era o real motivo para meus nervos estarem em frangalhos; eu não sabia como reagiria perto dele, depois do que aconteceu na noite de ano novo.

Meus esforços para tentar me convencer de que aquela noite, aquele beijo, não tinham sido reais, não foram o suficiente.

Ter ido pra Vancouver. Encontrar Renée e conhecer sua nova vida. A chance de ter um momento único com meu pai. Por um momento, eu achei que tudo isso fosse o bastante para me fazer esquecer a situação com Edward por algum tempo. Achei que estaria tão focada nas novas descobertas que não teria chance, espaço, pra me preocupar com qualquer outra coisa, já que, diante de tudo isso, aquele beijo deveria ser o menor dos meus problemas.

Obviamente não era.

Acordei com uma mensagem particularmente alegre me desejando bom dia e me lembrando que em menos de 12 horas estaríamos juntos, nos empanturrando de pizza. Isso foi o suficiente para me jogar para fora da cama como se tivesse sido eletrocutada e me lançar em uma busca desenfreada por distração. Eu não me lembro de já ter feito uma faxina como a que eu fiz, de maneira tão completa e tão depressa. Eu literalmente limpei a casa inteira. Preparei o jantar de Charlie, organizei a estante de livros do meu quarto, arrumei meu guarda roupa, o quarto do meu pai (o que, na verdade, ocupou mais tempo do que eu achei que fosse levar), fiz o dever de casa pendente e, completamente desgostosa com a rapidez com que as partículas de poeira pareciam se mover pelo ar, voltei a limpar o primeiro andar.

Eu estava dividida entre a euforia de estar com ele novamente, e raiva de mim mesma por ter sugerido aquele jantar. Algum tempo depois – depois de finalmente desistir de ficar encarando a tela do meu celular - consegui reunir forças suficientes para me arrastar até o banheiro, não sem antes ter certeza de que minha toalha estava la. E, enquanto me despia preguiçosamente, esperando a água do chuveiro esquentar, estava mortalmente atenta ao fato de que Edward conseguia bagunçar comigo mesmo sem se esforçar.

-Bella! – a voz de Charlie soou, parcialmente abafada por conta da água do chuveiro e também graças a porta fechada. Respondi com um resmungo alto suficiente pra ele ouvir, mal humorada de repente. – Preciso dar um pulo na delegacia, tudo bem? – um novo resmungo da minha parte, e mesmo com o barulho do chuveiro e a porta entre nós, fui capaz de ouvir um grunhido de sua parte.

Ouvi o barulho de suas botas se afastando rapidamente, e suspirei, iniciando o ritual de lavagem dos meus cabelos. Pouco antes de enfiar a cabeça embaixo do chuveiro para tirar a espuma, ouvi suas botas parando em frente ao banheiro e novas batidas na porta. Não me preocupei em sair debaixo do jato de água quente para ouvir seus novos grunhidos, me limitei em gritar uma rápida despedida enquanto ele se afastava mais uma vez.

De repente, eu percebi o quanto estava cansada. Meus músculos, ossos – cada pelo do meu corpo estava sentindo o resultado das atividades daquele dia. Mas, mais que isso, eu estava mentalmente cansada. Os acontecimentos do fim de semana e a perspectiva de ter de lidar com Edward aquela noite me fizeram suspirar, enquanto uma parte de mim me alertava dizendo que era muita coisa para lidar de uma só vez, implorando por um descanso. Pensei na minha cama, quente e convidativa, e encostei a testa contra a parede fria de azulejos, sentindo o jato de água quente nas minhas costas, lentamente desfazendo alguns nós e me ajudando a pensar com clareza. Só me obriguei a terminar meu banho quando a água quente começou a esfriar, me sentindo imediatamente culpada com o pensamento de Charlie ser obrigado a tomar banho na água fria, quando chegasse da delegacia.

Ainda consciente do meu estado de letargia, me enxuguei devagar, olhando brevemente para a roupa suja no chão, não me sentindo particularmente atraída pela ideia de descer as escadas para colocá-las na máquina de lavar. Ignorei a vozinha que estava murmurando insistentemente que eu tinha acabado de limpar o banheiro e me arrastei porta afora, sem me preocupar em secar o cabelo ou enrolar um toalha na cabeça, deixando um rastro de pequenas poças d'água e pegadas ao longo do corredor.

Parei rapidamente no topo da escada, observando a sala vazia, confirmando a ausência de Charlie e então olhando mais uma vez para a bagunça do banheiro, dizendo a mim mesma que levaria as roupas para o andar de baixo antes que ele chegasse.

Girei a chave, quando finalmente alcancei meu quarto, e me encostei preguiçosamente na porta, suspirando pesadamente, cansada demais para manter os olhos abertos...

... apenas tempo suficiente para sentir uma vibração estranha e um perfume que definitivamente não era do meu sabonete ou shampoo.

A voz rouca e tensa soou em um tom moderadamente baixo, mas alto o suficiente para que fizesse cada pelo do meu corpo se arrepiar, antes mesmo que eu estivesse a chance de abrir os olhos.

-Pelo menos você está de toalha, dessa vez.


N/A: Hm, oi. Alguém ainda lê isso aqui?

São exatamente 04:41 da manhã do dia 13/11/2016, e eu ACABEI de terminar esse capitulo. Depois de um hiato de quase dois anos – caraca! – eu finalmente trago um capitulo novo.
Eu tenho o começo de um outro capitulo 21, escrito (completamente diferente desse e, na minha opinião, muito ruim), na minha pasta de documentos do google drive, que eu não pretendia terminar tão cedo, mas, cara, do nada eu me peguei lendo o ultimo capitulo postado dessa fanfic e, BAM!, bateu inspiração pra escrever. Reli tudo de novo porque nem eu lembrava onde tinha parado e coloquei as mãos na massa. E eu preciso dizer, que eu já tinha me esquecido como é libertador (sem trocadilho com o titulo do capitulo, juro) escrever. A vida é tão corrida e tanta coisa acontece – rotina, problemas e problemas – que fazer uma coisa que se ama por prazer acaba ficando em segundo plano.
Acho que pedir desculpas pelo enorme sumiço não é suficiente e também acho que já ta todo mundo mais que careca de ficar lendo desculpa de autor sem vergonha que nem eu, então vou me limitar a dizer que já tenho os próximos dois capítulos em andamento, porque, XESUS, eu to realmente inspirada e querendo dar um final feliz pra esses limdos.
Eu AMEI escrever esse capitulo. Enquanto eu escrevi a cena da Bella com o Charlie, eu só conseguia pensar que o meu pai emprestou a personalidade pro pai da Bella e eu cheguei a ficar com lagrimas nos olhos escrevendo.
(Um dos motivos do meu afastamento e falta de inspiração se deve a meu pai ter desenvolvido uma doença cronica pulmonar que deixou ele muito fragilizado e que o impede de levar uma vida normal, sem poder trabalhar, sair de casa com tanta frequência e sofrendo com o clima doido de São Paulo, além de ficar extremamente deprimido por conta disso)
Foi um momento necessário que fecha um ciclo, principalmente pro Charlie e deixa MUITA coisa subentendida. Agora vamos focar em Beward que agora vem o excesso de açúcar. Prestenção se você é diabético.

SE É QUE ALGUÉM VAI LER ISSO, NÉ uheuehuehuehue
Peço desculpas se a qualidade da escrita diminuiu, mas faz muito tempo MESMO que eu não me dedico a minhas histórias. Por favor, galera, me digam qual a impressão sobre o capitulo. Vocês querem que eu continue? Porque nem vale a pena continuar escrevendo se ninguém for ler D:
Mandem sugestões, criticas, dinheiros, receita de bolo, e tal.

SweetCherryBomb, Ginny M. Weasley P, Mone, Bmasen, GabyThais, Karolzinhaa, Anacarol202, Rahh, 28Lily, Marica Si, SusaaCullen, , Jesstew e pollydbh: GENTE, EU POSTEI! Nem sei se vocês vão ler isso aqui, mas mesmo depois de tanto tempo gostaria de agradecer o carinho e dizer que Dudu e Bellinha vão ter o final feliz que eles merecem! Espero que vocês tenham gostado! Mil Beijos!

Que todos tenham um 2016 lindo, cheio de bençãos e muito amor! (só treze dias atrasada, quase nada)

Ja ne,
Sam :~


PS: Perdão pelos erros de ortografia e, muito provavelmente, digitação encontrados ao longo do texto. Estou, novamente, usando um word maravilhosamente desconfigurado, sem corretor automático e isso, somado ao fato de que eu AINDA não dormi aumenta em quase noventa por cento as chances de eu ter cagado o capitulo inteiro. Não deixem me avisar, por favor! Boa noitZzZzZ