Ato I: Casamento

Capítulo 15: Bolo

G sabia que aquele momento chegaria. E isso apenas o deixava mais irritado. Giotto estava ao seu lado direito, o rosto mortalmente sério, Cozarto estava ao seu lado esquerdo com os braços cruzados em frente ao peito e com o maior olhar de repulsa e indignação que já vira. Nunca se sentira tão contra a parede, e isso apenas aumentava a vontade de gritar, chutar e socar os dois amigos, mas manteve isso sob uma máscara de frieza.

-Explique-se G. – Cozarto diz quebrando o silêncio, seus olhos carmesins olhando-o de cima

Os malditos haviam trabalhado para derrubá-lo psicologicamente, deixando-o sentado numa cadeira especialmente baixa enquanto mantinham-se de pé e deixando as cortinas parcialmente fechadas o que deixava o rosto deles semicobertos pelas sombras. Era um truque amador considerando que havia passado por coisas piores, mas não riu dos esforços do dois dessa vez.

-Eu já disse que não houve nada entre nós. – responde irritado batendo os dedos nos joelhos olhando Cozarto nos olhos – Fiore é noiva do meu irmão e a respeito por isso. – realmente respeitava, seu irmão não era do tipo que se abria a outras pessoas e ficou bem surpreso quando recebeu uma mensagem sobre o casamento dele. Segurou a vontade de cruzar os braços. Manter os braços cruzados significava duas coisas: que ele não estava aberto a responder ou mentiria.

-Então por que não diz de uma vez o que aconteceu? – pergunta Giotto estreitando os olhos – Nunca tivemos segredos uns com os outros.

Não é exatamente assim Giotto, eu tenho um ou dois segredos que pretendo levar para o túmulo, pensa franzindo as sobrancelhas. Suspira pesadamente enquanto escolhia as palavras que usaria.

-Como Fiore é de um clã diferente do meu, ela tem que passar um tempo com minha família para aprender algumas coisas sobre nós, assim como meu irmão está fazendo com a família dela. – começa tocando a ponta dos dedos e batendo-as num ritmo familiar – Meu pai insistiu que ela viesse falar comigo para que eu ensinasse a ela uma... – murmurou a última palavra um pouco mais baixo que o resto da frase

-Uma? – Giotto continua tentando ajudá-lo, mas isso só tornou as coisas mais embaraçosas.

-Uma massagem de corpo inteiro! – grita espantando os dois e coça as têmporas irritado – Eu aprendi a algum tempo e quando meu pai soube, achou que eu devia ensinar a ela como fazer para... para facilitar as coisas entre ela e meu irmão. – fez uma nota mental de colocar algumas cobras na cama do pai durante a noite por fazê-lo virar fofoca de empregadas.

Achou ter ouvido um esgar, mas então Giotto riu colocando uma mão em frente ao rosto para tentar abafar o som. Não sabia se queria estapeá-lo por começar a rir da vergonha dele ou se rir da cara estúpida de Cozarto. Segunda nota mental: amarrar o velho antes de colocá-lo no ninho de cobras só pro caso dele tentar fugir. Achou ter ouvido Giotto dizer "Ele não está mentindo" entre as risadas e sorriu de canto para Cozarto.

-Então esse alvoroço todo era só por causa de uma massagem? – pergunta Cozarto incrédulo, batendo a mão na própria testa.

-Você me deve desculpas. – fala cruzando os braços com um sorriso triunfante.

-Mas o que ouviram...

-Não é minha culpa que ela acabou gemendo alto a ponto de alguém ouvir! – grita com raiva, mas isso só deixou Cozarto ainda mais boquiaberto.

-Agora que esse mal entendido foi explicado, que acham de diminuir as fofocas a seu respeito G? – Giotto anda tranquilamente até a porta olhando brevemente para trás onde os dois estavam

-Adoraria. – ele levanta-se da cadeira, grato por poder esticar as pernas.


Alguns segundos antes Fiore espirrou e passa uma das mãos em frente ao nariz. Será que estou doente?, pensa com certo desgosto. Estaria se casando em alguns meses, não queria estar caída na cama por uma doença de um país estrangeiro. Volta as mãos aos ombros do garoto de cabelo ruivo que praticamente ronronava enquanto deslizava a mão por seu pescoço e ombros da mesma maneira que G havia mostrado e ri baixinho.

-Enma, é minha vez! – reclama o mais novo dos três. Ele tinha cabelos e olhos castanhos, e de certa forma, tinha o rosto parecido com o do primo de Giotto. O garoto Enma gemeu baixinho, dessa vez de desgosto, levantando-se e dando lugar ao outro.

Tsuna tinha vindo naquele dia como prometera e trouxera várias pedrinhas para fazer uma pulseira que havia gostado. Natsu, o mais novo, havia seguido-o porque essa parecia ser a obrigação dele. E o ruivo Enma, não tinha muito que fazer e resolveu ficar com os amigos. Não viu problema em mostrar aos três como fazer algumas pulseiras (felizmente ela tinha comprado mais pedras falsas numa loja próxima ao palácio). Enma e Tsuna pareceram ter ganhado algum campeonato ao terminarem as que faziam pela felicidade com que falavam, Natsu apenas riu dos outros dois.

Com certeza eles eram os clientes mais fáceis que encontrara. Admiravam-se com qualquer peça que ela fazia e faziam questão de pagar por tudo que usaram para montar os próprios acessórios. Agora eles estavam particularmente interessados nas máscaras que ela trouxera, a maioria era branca e de rosto inteiro porque assim ela podia cortar e pintar da maneira que gostassem mais. Enquanto massageava Natsu, viu Enma levantar a máscara negra com estrelas prateadas que havia pintado.

-Ainda não estar secas. – fala em sua tentativa da língua de Caelum e o garoto põe ela de volta na mesa em frente a janela para que elas secassem mais rápido com o sol. Tsuna terminou de pintar uma com um sorriso e mostrou-a a eles.

-Que tal?

-É para você? – pergunta Enma, Natsu estava de olhos fechados enquanto massageava sua nuca – Não parece com as que você normalmente usaria.

-É para Reborn, um dos preços pela minha tarde de folga. – ele põe a máscara que havia cortado junto com as outras quatro no sol.

-Não entendo como vocês gostar tanto de festas escondidas. – os três riem e não pode evitar um sorriso.

-Bailes à máscara costumam ser os preferidos, especialmente porque essa sexta é dia dos Mascarados. – fala Enma sorrindo timidamente, já notara que ele era o mais tímido dos três.

-E todo o país comemora o dia dos Mascarados. A festa vai durar até o sábado de manhã – Tsuna sorri contente olhando outra das máscaras que havia feito, mas seu sorriso diminui um pouco depois de alguns segundos.

-Algum problema? – pergunta preocupada que as máscaras tivessem borrado, mas o garoto olhou-a com um sorriso triste. Esqueceu-se completamente da massagem com a preocupação. Dependendo do quanto estivesse borrada, ainda dava para consertar, afinal a festa de máscaras seria apenas na noite seguinte.

-Só lembrei que daqui dois meses irei casar. – ela franze as sobrancelhas. Casamento devia ser uma ocasião feliz, a celebração da união de duas pessoas que se amavam; então por que ele parecia tão triste?

-Tsuna está sendo forçado a se casar. – responde Enma respondendo a dúvida que devia estar escrita por seu rosto.

-Mas isso é tão triste. Ninguém deveria casar sem ser por amor. – responde e ao ver que eles lhe olharam com dúvida, percebe que havia falado em seik. Repete a frase da melhor forma que podia na língua deles.

-É o único jeito de poupar o país de uma guerra. – Tsuna diz com um suspiro esfregando os cabelos – Não sei se posso fazer isso.

Franze as sobrancelhas vendo o moreno sentar-se na cama de G com os ombros caídos, como se tivesse sido derrotado e estivesse sendo levado à execução.

-Você podia fugir. – sugere e vê todos os olhos voltarem-se para ela – Eu posso levar você no meu cavalo e pegar um navio para Seik. Ninguém te encontraria quando chegasse lá e não precisaria se casar com alguém que não ama.

Ele sorriu para ela, mas ainda era aquele sorriso triste.

-Obrigado Fiore, mas não posso fugir disso. E se eu fugisse com você, mesmo que ninguém conseguisse nos impedir, a culpa disso tudo cairia em cima de G e ele seria condenado a morte por ter raptado um membro da família real, mesmo que eu tenha concordado.

Sinceramente, esses caeluns e suas leis estúpidas. Era por isso que ela nunca deixaria de amar sua terra natal. Seik era uma terra de liberdade, aventura e descobrimentos. Se você não quisesse morar com seus pais, era só sair de casa; se não queria casar, bastava dizer isso e tudo seria cancelado. Nada devia privar a liberdade dos jovens para experimentar e descobrir, desde que eles não prejudicassem outras pessoas com isso. E talvez por isso, lá no fundo, ela entendeu por que G queria tanto ficar. Para evitar que aqueles garotos perdessem a única coisa com a qual eles eram acostumados a viver. Liberdade.


Depois de uma muito divertida tarde de folga Tsuna andava pelo corredor que da ala oeste planejando voltar ao seu quarto e tomar um banho frio; passava pelo quarto de Giotto quando ouviu seu nome ser chamado. Virou-se vendo o primo vir em sua direção com passos cambaleantes com um sorriso torto no rosto corado.

-Tsuuu-uuu~! – cantarola o loiro abraçando o primo (mais caindo por cima dele).

-Giotto, o que houve? – pergunta segurando o loiro, parecia que ele cairia a qualquer momento e um cheiro forte atingiu-lhe as narinas – Você andou bebendo?

-Nope. – responde ele e dá outro sorriso torto, o rosto corado demais para parecer sério – Eu tenho que me arrumar ou (hic) G reclama comigo pelo resto da semana.

Tsuna franze as sobrancelhas. Giotto não era do tipo que se embebedava, mesmo em festas o primo nunca passou de dois copos de vinho fraco. E com certeza ele não beberia antes de uma festa desse porte quando teria uma reunião oficial com os outros que ficariam aqui (afinal no dia dos Mascarados, não haveria espaço para nada além de festas). Olha para os lados vendo que não havia ninguém no corredor. Era melhor que ninguém o visse nesse estado.

-Primo, porque você não entra e se troca? – pergunta Tsuna e sem esperar uma resposta empurra-o para o quarto.

-Tem razão~. – responde ele com outro sorriso torto e cambaleia até a mesinha de chá onde apoia uma mão para manter-se de pé – Você é um bom menino Tsu~. – fala enquanto o garoto fechava a porta.

Tsuna olha para o primo que agora cantarolava uma melodia qualquer. O que devia fazer?Tinha que pedir ajuda, mas não estava confiante em deixar o loiro sozinho naquele estado.

-Que roupa eu devo usar? – pergunta Giotto quando termina sua pequena canção, encostando o dedo ao queixo e franzindo um pouco as sobrancelhas, ele ainda estava com um sorriso bobo demais para parecer que falava sério. Com um suspiro, adianta-se a frente do primo.

-Eu pego para você. – fala Tsuna e abre o guarda-roupa do primo. Enquanto procurava o terno que Giotto disse que usaria, joga os pijamas sobre uma cadeira (sério Giotto? Você governa o país e não é capaz de manter o guarda-roupaarrumado?)

-Eh~. Não sabia que era uma festa de pijamas. – comenta o loiro e vira-se vendo que ele havia tirado a camisa e vestia a camisa do pijama. Tsuna perdeu a conta de quantas vezes o loiro quase caiu ao vestir as calças. Encontrou o terno e deixou-o sobre a cadeira perto da mesinha.

-O que eu faço? – murmura o moreno para si mesmo esfregando as têmporas. Não podia deixar Giotto comparecer a festa daquela maneira. O que os nobres pensariam?! A imagem de um rei não era algo que se mudava facilmente. Não podia deixá-lo comparecer a reunião. Seria loucura!Um completodesastre! Ouve uma batida na porta e vira-se vendo G entrar. Sequer teve tempo para se sentir aliviado quando um vulto em azul e amarelo passou por ele.

-Amooor~! - G deu um passo para trás para manter-se de pé quando Giotto pulou em cima dele.

-O que infernos deu em você!? – pergunta o ruivo com uma veia saltando a testa.

-Eu fiquei com taaaaanta saudade~. – fala Giotto esfregando a bochecha no rosto de G, que franze as sobrancelhas com um 'Hã?' aturdido - Porque você não vem mais me ver bella~?

G encara Tsuna, ainda atordoado, como se perguntasse se aquilo era alguma brincadeira de mal gosto, mas o moreno estava tão surpreso quanto ele. Mas o que mais os surpreendeu foi Giotto falar um 'Io ti amo bella~' e então encostar seus lábios aos de G. E a reação do ruivo foi obviamente socar Giotto tão forte que o mandou voando inconsciente até a cama.

-G! - grita Tsuna correndo para o lado do primo.

-O. QUE. INFERNOS?!

-VOCÊ QUASE MATOU O GIO! - ao menos, Reborn disse que um soco bem aplicado poderia sim matar uma pessoa.

-ELE ME AGARROU! - o ruivo passa as costas das mãos pelos lábios várias vezes - O que infernos ele estava pensando?! - Tsuna aproxima-se do loiro vendo que ele havia ganhado uma grande marca avermelhada no lado direito do rosto. O moreno põe a mão sobre a testa do primo afastando alguns fios do rosto, como se não bastasse estar bêbado e ter levado um soco digno de um profissional de boxe o loiro estava ardendo em febre.

-G tem algo errado com o Gio! - fala assustado virando-se para o ruivo. G aproximou-se da cama com as sobrancelhas franzidas e põe a mão na testa do loiro.

-Ele está muito quente. Mas ele estava ótimo hoje de manhã. Me ajude a colocar ele na cama Tsuna - o 'colocar na cama' foi apenas girar o corpo de Giotto de maneira que as pernas ficassem sobre a cama; o ruivo olha ao redor procurando alguns panos que pudesse umedecer para ajudar a baixar a súbita febre e ele anda até a mesa circular que ficava no quarto do loiro. – Não me lembro do Giotto ter pedido algo para comer. – comenta analisando a bandeja que estava apenas com uma faca lambuzada em creme e algumas migalhas e pequenos pedaços de massa.

Ele aproxima a faca do nariz e faz o mesmo com os pedaços de massa. Olha brevemente para Giotto antes de voltar a atenção a bandeja. Tsuna põe-se ao lado do ruivo vendo que ele franzia a testa para as migalhas em suas mãos.

-Isso é bolo de creme? – pergunta pegando alguns dos pedacinhos e aproxima-os do nariz para sentir o cheiro quando G segura seu pulso.

-Acho que esse bolo tem alguma droga. – ele arregala os olhos assustado e olha para a cama – Se ele tivesse comido um pedaço ou dois, talvez demorasse um pouco para fazer efeito. Mas conhecendo seu primo, ele comeu esse bolo inteiro sem pensar duas vezes. Quem diria que esse amor por bolos poderia salvá-lo um dia?

-Por que alguém drogaria o primo? – ele franze as sobrancelhas, mas a resposta veio a sua mente. Ele não pode participar da reunião, foi o que ouvira no jardim.

-Talvez para causar um escândalo. – G volta para a cama sentando-se ao lado do rei adormecido – Giotto é conhecido como um rei calmo e controlado. Aparecer bêbado durante uma reunião tão importante quanto essa poderia arruinar qualquer aliança. – ele põe a mão sobre a testa do amigo, afastando alguns cabelos loiros que caiam sobre o rosto – Ele está mais quente. Por favor, Tsuna chame a Nanami e peça a ela para trazer água fria e algumas toalhas.

O moreno sai do quarto às pressas e segue até a cozinha, pegando alguns atalhos quando tinha a certeza de que ninguém o observava. A cozinha estava um tumulto de pessoas entrando e saindo e uma confusão de cheiros a medida que os pratos estavam sendo preparados. Encontra Nanami decorando um bolo de três camadas com um creme violeta.

-Nana eu preciso de sua ajuda. – fala ele em voz baixa segurando o avental dela. Nanami olha para ele com um sorriso, mas percebeu a aflição em seu rosto e seu sorriso diminui até torna-se um estreitar de olhos

-O que houve? – pergunta ela também em voz baixa.

-Preciso que leve água fria e algumas toalhas ao quarto do meu primo. Com urgência, mas tente não chamar atenção demais.

Ela confirma e volta a decorar o bolo um pouco mais apressada do que antes enquanto Tsuna voltava ao quarto. Em menos de cinco minutos, Nanami apareceu com uma jarra com água fria e algumas toalhas. Ela coloca a jarra na mesinha de cabeceira ao lado da cama e limpa as mãos no avental que usava.

-O que houve? – pergunta ela ajoelhando-se ao lado da cama e delicadamente pousa a mão na testa do loiro.

-Mantenha a temperatura dele controlada enquanto eu vou procurar alguns remédios. – fala G levantando-se da cama – Tsuna, você vai ter que recepcionar os convidados enquanto ficamos aqui.

-Eh? – o moreno vira-se para G com olhos arregalados – Não tem como! Eu não sei o que fazer! – não era exatamente a verdade, mas nunca havia recepcionado ninguém além de Cozarto e Enma e eles não contavam porque já eram amigos de longa data da família.

-Você já participou de festas assim antes não é? – o moreno confirma relutante – Apenas faça o que via seu primo fazer até eu pensar em alguma coisa.

-Mas... – começa Tsuna apenas para ser interrompido por Nanami.

-Tsuna, eu sei que você consegue. Vamos ajudar você. Mas você tem que se trocar.

Tsuna olha para os dois antes de sair do quarto do primo e entrar no seu para tomar um banho e trocar-se. Era impossível ele fazer isso. Impossível! Sempre tremia quando falava com outras pessoas, sem falar que apenas acompanhar o primo nas festas não queria dizer que sabia como tratar e recepcionar a todos. Pelo amor de Deus, sequer conseguia lembrar o nome de todos os convidados!

Quanto mais pensava sobre isso, mais queria que um buraco se abrisse no chão para que se enfiasse nele. Volta ao quarto de Giotto abotoando a camisa social branca. Nanami havia colocado uma toalha umedecida na testa de Giotto, que suava frio. O loiro arfava e tinha o rosto ligeiramente franzido.

-Como ele está? – pergunta olhando para o primo com preocupação. Giotto virou a cabeça para o lado, a respiração entrecortada por algumas palavras que não conseguia entender.

-A febre baixou um pouco, mas ele está piorando. Deve ser alguma reação ao remédio.

G entra no quarto trazendo consigo uma xícara com um líquido alaranjado, provavelmente um chá, na mão direita enquanto na esquerda um pires com algumas bolinhas carmesins, que deixou em cima do criado mudo.

-O que é isso? – pergunta pegando uma das bolinhas e aproxima-a do rosto, vendo que na verdade era uma frutinha carmesim de cheiro forte.

-Quasar. – responde G

-Não tem outro jeito de desintoxicá-lo? – pergunta Nanami olhando das frutinhas para o ruivo com preocupação.

-Não temos tempo para fazer de outro jeito. A festa começa em dez minutos e alguns convidados já estão na entrada do castelo.

Nanami senta-se na cama e coloca as mãos por trás da cabeça de loiro, levantando um pouco sua cabeça. O loiro abre parcialmente os olhos reconhecendo a silhueta da empregada.

-Nana..mi. – chama ele baixo, colocando uma mão sobre o braço dela.

-Você tem que mastigar isso. – fala ela apoiando a cabeça dele com uma mão e com a outra pegou uma frutinha do pires e aproximou dos lábios dele. Giotto morde a fruta devagar fazendo uma careta provavelmente por causa do gosto.

-Tsuna, você precisa descer e recepcionar os convidados. – fala G colocando-se na frente do mais novo enquanto pousava as mãos sobre os ombros do rapaz. Move os olhos alaranjados de Giotto para encarar os vermelhos de G.

-Mas o Giotto...

-Vamos cuidar dele. – fala ele com convicção apertando de leve os ombros do moreno e dá um pequeno sorriso tentando tranquilizar o garoto – Não se preocupe, você pode fazer isso. Só leve os convidados até o salão e espere.

Ele confirma, sem realmente ter certeza de que poderia fazer aquilo ou não, e dá uma última olhada no primo que mastigava mais algumas daquelas frutinhas. Olha novamente para G e então sai do quarto. Abotoa o terno enquanto descia as escadas para chegar ao hall de entrada. Sentia o estômago embrulhar mais a cada degrau. Viu que algumas empregadas estavam a postos junto dos degraus.

Vai dar tudo certo, pensa numa tentativa falha de acalmar-se. Assim que para junto as escadas, os guardas abrem as portas para o salão para que os convidados entrassem. Três homens e uma mulher descem as escadas enquanto conversavam algo animadamente. Um deles vestia um kimono branco e azul, estava de braços dados com a mulher e um passo a frente dos outros dois, o que parecia ser o mais velho estava a esquerda do casal e também usava um kimono este porém azul escuro e o outro que era obviamente o mais novo usava um terno com uma camisa social azul escura que estava com os dois primeiros botões desabotoados, a mulher usava uma yukata branca com desenhos que variavam entre dourado e rosa próximo a barra, e azul e lilás nas mangas.

Tsuna engole em seco. Reconhecia o mais novo como o rapaz que vira no jardim quando caçava Natsu e o que vinha a frente, pois já o havia visto algumas vezes pelo castelo ou nas reuniões que espionava. Ele sempre fora gentil e Giotto o considerava um amigo. Forçou-se a dar um sorriso e deu alguns passos a frente parando em frente aos três.

-Alteza. – fala Ugetsu Asari curvando-se, gesto que os outros três repetem.

-É um prazer vê-lo lorde Asari. – fala tentando soar o mais próximo possível de tranquilo. Eles ficam eretos novamente e o lorde dá um sorriso tranquilo.

-O que houve? Parece nervoso. – comenta e ri brevemente.

-Um pouco. – admite com um sorriso tímido – Por favor, sintam-se a vontade. A festa iniciará em breve. – fala ele e uma das empregadas aproxima-se deles fazendo uma reverência.

-Por favor, me acompanhem e mostrarei seus lugares. – fala a empregada mantendo os olhos baixos.

Ela vai em direção ao salão acompanhada pelos três homens, viu a mulher lançar-lhe um sorriso encorajador por cima do ombro antes de voltar a conversar com lorde Asari. Tsuna suspira um pouco aliviado. Quatro já foram, faltavam apenas duzentos e nove. Porque Giotto tinha que convidar tantas pessoas para uma festa?, pensa com um gemido. Isso é claro, sem contar os acompanhantes, empregados pessoais e guardas de cada comitiva. O salão ficaria cheio em breve e já podia sentir o cheiro vindo das cozinhas.

Olha na direção do salão vendo os três que lorde Asari havia trazido como acompanhantes. A mulher era obviamente a esposa de Asari, podia perceber a maneira que ele segurava a mão dela ou diminuía o ritmo para acompanha-la. Dificilmente via o lorde de Piogge com uma dezena de guardas como alguns lordes insistiam em ter 'em nome da segurança', mas apesar do jeito despreocupado, sabia que Asari era o melhor espadachim do reino. No torneio, vira-o derrubar dez homens de armadura armados até os dentes usando apenas uma espada de madeira e o seu kimono.

-Jovem mestre. – Tsuna teve que impedir seu coração de saltar pela boca quando Alberto surgiu ao seu lado.

-É você Alberto. – suspira esfregando as têmporas tentando acalmar seus nervos em frangalhos – Da próxima vez faça algum barulho.

-Mas eu o chamei. – fala o empregado arqueando um pouco a sobrancelha. Suspira abanando a mão para evitar o assunto – G-san pediu para ajudá-lo com os convidados.

Aos poucos outros lordes e famílias nobres chegavam com suas comitivas, alguns vindos das acomodações do castelo, outros vindos de pousadas próximas da capital. Tsuna recepcionou-os da melhor forma possível (Alberto sussurrava o nome dos nobres a medida que eles chegavam, sempre discreto demais para que alguém percebesse), mas a medida que o tempo passava ficava mais preocupado com o estado do primo enquanto o número de pessoas chegando ficou maior do que o poderia falar devidamente.

Para sua sorte, G havia descido as escadas vestindo uma calça social preta e uma camisa branca, os cabelos ainda estavam um pouco úmidos e parecia que ele só tinha passado a mão por eles. O ruivo ajudou-o a cumprimentar os convidados e levá-los ao salão. Quando todos haviam chegado e se acomodado em suas devidas mesas, Tsuna foi para a mesa que ficava mais a frente e senta-se.

-Onde está Giotto? – pergunta observando os convidados que conversavam em voz baixa

-Ele já devia estar aqui. – responde o ruivo vasculhando meticulosamente o salão e então seus olhos movem-se para a entrada – Lá vem ele.

Tsuna olha para entrada onde vê que Giotto entrava usando um terno cinza escuro e uma capa negra cuja parte interna era forrada em vermelho escuro, Nanami seguia um passo atrás mantendo a cabeça baixa. Todos se levantam com a entrada do rei e apenas quando Giotto toma seu lugar ao lado de Tsuna é que os convidados sentam-se.

-É gratificante receber a todos aqui nesta noite em que não apenas comemoramos a aliança entre nossos reinos, mas a fortalecemos através dos laços inquebráveis que somente existem através da união entre duas pessoas. – fala Giotto, sua voz calma e firme ressoando em todo o salão – E é com um prazer ainda maior que recepciono a vocês na minha casa. Por favor, divirtam-se e aproveitem as festas. – o discurso dele foi seguido por algumas palmas e gritos de pessoas mais ao fundo.

Tsuna olha para o primo vendo que ele estava um pouco pálido e suas mãos tremiam levemente quando ele colocou o guardanapo sobre o colo. Giotto percebeu o olhar do primo e sorriu carinhosamente.

-Está tudo bem Tsu. – fala ele segurando brevemente a mão do moreno e em seguida faz um gesto com a mão para que Nanami se aproximasse.

-Majestade? – pergunta ela inclinando-se para que sua cabeça estivesse na mesma altura que a dele

-Me traga um pouco mais daquele chá, por favor. E peça ao Natsu para vasculhar as cozinhas.

-Imediatamente. – ela endireita-se e sai discretamente, misturando-se com o movimento dos empregados que iam e vinham para servir todas as mesas.

-Porque o Natsu tem que vasculhar as cozinhas? – pergunta Tsuna, um dos empregados colocou em frente a eles taças com vinho branco seco e torradas com peito de peru, algumas frutas e legumes cortados e queijos diversos como aperitivo.

-A empregada que levou a bandeja até o meu quarto não deve ser daqui. – responde enquanto bebericava um pouco de vinho – Natsu cresceu nas cozinhas então ele conhece cada pessoa que entra e sai desse castelo. Como G não pode sair, conto com ele para reconhecer quem era.

Tsuna olha para G que estava sentado ao lado esquerdo de Giotto. O ruivo tinha uma expressão séria e vasculhava o salão com o olhar atento, a raiva dele formava uma aura quase palpável ao seu redor como se desafiasse quem quer que tenha drogado Giotto a tentar isso de novo. Olha para os rostos no salão, alguns muito novos, outros muito velhos, e havia muitas mulheres, mas qualquer um deles podia ser o mandante. Era em momentos como esse que odiava não saber em quem podia confiar ou não.


Olá pessoas!

Desculpe por todo esse tempo sem postar, devido a uma série de complicações não pude acessar o

Mas para compensar aos leitores, postarei um cap a cada dia até estar igual ao SocialSpirit, onde eu conseguia acessar a fic.

Então espero que gostem! :]