Hey, oi gente, ou seja lá quem resolver ler essa fic... :p Enfim, só queria dizer que aqui vai mais um capítulo, na verdade o primeiro de verdade e blá,blá,blá sou lerda nas fanfics mesmo, mas, acreditem, eu as escrevo com todo o esforço possível, então, por favor, sem ódio, apenas paz e amor :3 okay, só para terminar, Sweeney Todd não é de minha invenção, nem suas músicas. Se fosse, acredite, a Helena, o Tim e o Johnny seriam meus bebezinhos queridos do coração *-*


Sweeney Todd era, de longe, um dos homens mais difíceis de lidar que Eleanor Lovett já conhecera em toda sua existência. E tal fato é algo de valor grandioso quando se pensa no tanto de pessoas que a padeira deveria ter tido contato em algum momento.

Com um revirar de olhos e reprimindo um grunhido de frustração, a mulher pegou a bandeja de comida cheia e, pelo odor, provavelmente estragada, que jazia na porta do barbeiro. Como tantas outras vezes, ele não havia comido nada. Nellie realmente não conseguia entender o porquê de ainda ter alguma esperança de fazê-lo comer. O homem era um cabeça dura irreparável. Não comia, não dormia, não vivia. Só respirava porque se não o fizesse iria empacotar antes de ter sua tão esperada vingança. Assim ele vivia seus dias cinzentos, pensando em se vingar e andando para lá e para cá na barbearia.

Ah, e assassinando a maioria dos clientes que vinham se barbear com ele.

Apesar de tudo soar tão estranho, (E quem diria que não é loucura?) a padeira não conseguia se ver longe daquele homem. Sim, ela estava apaixonada por ele. E, sim, havia mais de quinze anos que vinha nutrindo tal amor. Nutrindo, nutrindo e nutrindo, mas em troco de que, afinal? Até onde sabia o barbeiro não iria lhe notar nem em mil anos. Em sua mente, além da tão almejada vingança, somente existia ela, a loira maldita de olhos azuis e tão inocente, que apenas semeava náusea na boca do estômago da padeira. Sim, sim e sim. Eleanor não gostava de Lucy e, mesmo sabendo que a senhora Barker há muito já não existia mais, ela não conseguia deixar de sentir uma profunda tristeza a cada vez que pensava no sorriso encantador e na beleza angelical que a outra detinha. Tão diferente de si, que mais parecia um filhotinho de cruz-credo vulgar perto de Lucy.

Certo, ela sabia que a loira não estava morta, mas isso não a impedia de vê-la como tal. Afinal, uma mendiga não era nada quando comparado ao que se esperava de Lucy Barker.

Relutante, a padeira desceu as escadas carregando a bandeja com comida. É, ele não iria comer mesmo. Entrou em sua loja e, após jogar fora a comida estragada, pôs-se a lavar a louça.


- Bom dia, mãe! – Toby entrou lentamente na loja, cumprimentando Eleanor com um sorriso sonolento no rosto e espreguiçando o corpo.

- Ah, love, que bom que já está de pé! – Ela disse em um tom alegre ao girar o corpo em direção ao menino apenas para lhe lançar um sorriso e vê-lo se sentar num dos bancos à mesa. Tornou sua atenção ao que fazia, terminando de preparar o café da manhã para os dois. – Teve uma boa noite de sono, querido? – Perguntou enquanto rumava para perto dele com uma bandeja contendo a comida.

- Umfg marglvilna! – O menino exclamou de boca cheia, mal podendo ser compreendido por Lovett que revirava os olhos exageradamente, sem se dar ao trabalho de lembrá-lo de engolir antes de falar. – Ah, desculpa, mãe. – Ele falou percebendo o que tinha feito, corando um pouco e logo se recompondo. Bem, ela sabia que ele não era nenhum menino criado na alta sociedade, então Toby não imaginava que ela fosse esperar muito de si. – Eu dormi muito bem.

- Só tente não se engasgar, meu anjo. – Ela sorriu, bebendo um pouco de chá(?) – Com o tanto de gim que você anda bebendo, acho difícil não dormir bem. – Comentou levantando uma das sobrancelhas e encarando o menor de forma acusadora. Entretanto, sem resistir ao encanto que a criança exercia sobre si, Nellie levantou o corpo e, apesar de todas as expectativas negativas do garoto – o medo fazendo com que perdesse um pouco de sua cor – ela simplesmente plantou um beijo maternal em sua testa e, segurando o rosto dele entre suas mãos, o encarou. – Eu falei sério quanto a não se engasgar, Toby. Você é jovem demais e precioso demais para que eu te deixe escapar assim tão fácil.

Sem saber o que falar. Extasiado com todo o amor que emanava de sua mãe. Toby apenas assentiu levemente quando ela terminou de falar. Abrindo um sorriso infantil por fim, lágrimas ameaçando sair por seus olhos e ele as segurando o máximo que podia, sem querer parecer um fraco ao chorar por nada.

Falhando em tal tentativa quando Eleanor o abraçou num rompante amoroso depois de perceber a felicidade que ela podia causar em alguém.

- Toby, querido, está tudo bem? Eu te machuquei? – Ela perguntou confusa, preocupação ocupando sua voz, ao ouvir um soluço abafado pelo menino. Soltou-o de imediato, afastando-se um pouco para poder observar bem como ele estava.

Achando graça da expressão da mãe, Toby pôs-se a rir. Não podendo evitar o que sentia, era apenas um instinto infantil. Ele era somente uma criança, no fim das contas.

- Desculpe, mãe, - falou rapidamente, tentando ao máximo evitar a bronca que estava por vir ao notar a mudança no rosto da padeira. – estou bem, prometo, foi apenas felicidade. Felicidade por saber que você gosta de mim de verdade e não como se vê por aí nas ruas com tantas pessoas falsas. – Sorriu para ela. Dessa vez o menino quem a puxou para um abraço, apesar do tamanho diminuto. – Eu te amo. – Falou com a voz saindo abafada pelo tecido do vestido em que escondia o rosto, mas ainda assim se fazendo ouvir no lugar silencioso.

- Pois saiba que eu também lhe amo, querido. – Respondeu com suavidade. Uma das mãos acariciando os cabelos do menino, enquanto a outra o envolvia, mantendo-o junto a si. – Agora vamos, vamos que está quase na hora de abrirmos. – Falou retornando ao seu normal e, com certo pesar, soltando Toby de seu enlaço.

Apressada como sempre, Mrs. Lovett movia-se pela loja pensando que mais um dia atarefado estava por vir. Um sorriso tristonho plantado em seu rosto ao pensar em um certo barbeiro que tanto andava para lá e para cá no cômodo acima do seu.

- Toby, querido, ajude-me a arrumar as mesas, faz favor! – Nellie gritou para o menino por cima do ombro enquanto abria a pesada porta que levava à escada em direção a fornalha. – Vou só buscar umas tortas lá embaixo e já volto. – Completou fechando a porta atrás de si e descendo ao alcance do forno, tirando uma travessa de dentro do objeto de metal.

Estava para colocar uma das tortas que havia preparado para assar, quando ouviu o barulho conhecido do alçapão da cadeira do barbeiro se abrindo, o que indicava mais uma vítima do homem, ou, como ela gostava de pensar, menos um para compor a escória de Londres.

Sim, Eleanor Lovett ainda tinha um pedaço de si que não fora corrompido pelos agouros da vida e buscava ver um ponto positivo nos acontecimentos. Claro que, para sua segurança, essa sua parte radiante era sufocada na maior parte do tempo, assim a padeira não precisava se preocupar com falsas esperanças. Não que fosse fácil tentar não imaginar uma vida pelo mar com seus dois homens favoritos, mas ela sabia muito bem que ficar alimentando tal sorte de pensamentos somente iria feri-la de qualquer forma. Até onde sabia Sweeney nunca se livraria da sina que era o amor por Lucy. Jamais esqueceria a esposa maravilhosa que tivera.

Com um suspiro ela desviou o corpo daquele que caia deliberadamente em sua direção. Aproveitando que já estava ali embaixo resolveu dar logo um jeito no mais novo cadáver em seu chão. Agachou o corpo, então, pegando pela axila o homem e começando a despi-lo e depois moê-lo. Salvo alguns respingos de sangue em seu rosto e braços, Eleanor havia adquirido uma ótima habilidade em desmembrar pessoas, quase não se sujando ou deixando qualquer rastro incriminador.

Com as tortas já prontas Nellie seguia para as escadas quando mais um corpo desabou pelo buraco da barbearia.

- Pelo visto ele não está em um humor nenhum pouco tolerável. – Resmungou pensando que teria bastante trabalho com as vitimas que Sweeney teria durante todo o dia. Por hora resolveu deixar o novo cadáver para mais tarde, estava na hora de abrir já.


Diferentemente de Eleanor, Sweeney Todd já não possuía uma parte esperançosa em si. Na verdade, duvido muito que ele ainda soubesse, ou sequer suspeitasse, o que era a esperança em sua essência. Para Mr. Todd apenas um sentimento, além do desprezo por toda a humanidade, existia. E esse certamente era a vingança. A busca pela sua tão almejada vingança era a única ideia que o mantinha de pé mesmo enquanto parecia que o juiz jamais viria até sua loja.

Caminhava pela barbearia como já era seu costume diário. A mente pensando sobre as diversas formas de matar o juiz. Todas elas acabando com o velho asqueroso tendo sua garganta cortada logo após descobrir quem era Sweeney Todd. O olhar de surpresa que imaginava no rosto do homem formando um sorriso demoníaco no rosto pálido do barbeiro.

- My friends, - cantava agora, os olhos vidrados na lâmina prateada em sua mão – you shall drip rubies.

Parou subitamente ao ouvir o som de passos, ficando na defensiva imediatamente. Percebeu que o som que se seguia era o da bandeja de comida que havia deixado intocada do lado de fora de sua loja. Imaginou, então, que só poderia ser Mrs. Lovett na porta, ou o menino, mas era mais provável que fosse a mulher.

Suspirou exasperado, já esperando que ela tentasse entrar e começar com a mesma ladainha de sempre. Será possível que ela não percebesse nunca o quanto ele não se importava?

Sweeney mantinha-se de costas para a porta, olhos fixos na janela, esperando ouvir o característico sino badalando e indicando que alguém entrava. Contudo nada aconteceu e o silêncio reinou, sem a voz feminina insistindo em chamar atenção. Apurou os ouvidos para o que poderia estar acontecendo então, percebendo, por fim, apenas o som das botas dela descendo as escadas e mais nada. Ninguém o chamava. Sem tentativas de conversas, ou de fazê-lo comer algo.

O que tinha de errado com a padeira? Será que ela...

Balançou a cabeça tirando a mulher de sua mente. Não tinha porque se importar. Não tinha porque pensar nela.

Era melhor começar a trabalhar. Um pouco de distração viria a calhar.

Mais uma vez o som de passos, mas dessa vez a porta se abriu e um homem entrou na loja. O primeiro cliente do dia.

Sweeney sorriu mais uma vez e, por mais que parecesse ser genuína felicidade por ter clientes, percebia-se um pouco da instabilidade do humor do barbeiro. Um arrepio percorrendo o corpo do homem sentado na cadeira. Podia ser frio, é claro, mas, para Mr. Todd, parecia óbvio que era um medo que nem mesmo o próprio homem notara estar sentindo.

Aproximou a lâmina do cliente. Já jogando no ar a mesma conversa de sempre, com as perguntas esquematizadas para arrancar as informações necessárias para o seu trabalho.

Era simples o esquema. Solitários morrem e aqueles com família, ou qualquer um que vá sentir sua falta, ficam. Essa era a sua rotina.

Os olhos brilharam ao ouvir tudo o que precisava e lá se foi a mão do barbeiro percorrendo o pescoço de sua primeira vítima do dia em um movimento gracioso com a lâmina. O homem na cadeira mal tendo tempo de processar o que acontecia.

- You shall drip rubies, my friends. Precious rubies. – Cantava admirando o sangue que escorria. O pé alcançando o pedal e inclinando a cadeira de forma a lançar o corpo pelo buraco.

Mais um dia começava.


bjs para todos, leiam e deixem um review se quiserem e puderem :3