Epílogo

Acariciou a protuberante barriga por cima do vestido, em seu dedo anelar a aliança de ouro brilhava pela consumação da sua união com seu amado youkai. Sentia-se cheia. Cheia pela enorme barriga e por quase ter devorado sozinha o churrasco inteiro que sua família preparara. Remexeu-se desconfortavelmente no sofá. Seus pés estavam inchados demais e olheiras arroxeadas destacavam em sua pele clara pelas noites mal dormidas. Izayoi, assim como Jakotsu a obrigara a colocar as pernas para cima impedindo-a que se excedesse quando a gestação chegava perto do fim. E era exatamente por isso que Rin Taishou se encontrava acomodada sobre o sofá, procurando a posição mais confortável para acomodar seu corpo agora rechonchudo pela gravidez.

Olhou por cima dos ombros e o burburinho continuou. Não fora capaz de esconder o sorriso ao ver sua família e amigos, todos reunidos. Sorriu ainda mais quando viu sua querida avó engatar uma conversa animada com Izayoi. Seu irmão também estava presente e trocava algumas palavras com Miroku, que possuía uma Sango pendurada em um de seus braços e até mesmo Kohaku acabara por vir. Vez ou outra Bankotsu olhava em sua direção, admirado por vê-la daquele tamanho e principalmente por se encontrar feliz em meio a tantas pessoas maravilhosas. Aquela era a sua família, e em breve teria a sua própria para construí-la ao lado do homem por quem se apaixonara perdidamente. Ayame e Kouga trocavam provocações logo atrás, o delegado não se incomodando com o fato de estar rodeado de pessoas.

Após a prisão de Naraku e Suikotsu, a pequena Taishou pode enfim respirar aliviada. Houvera muitas mudanças desde então, Sua vida dera uma guinada brusca a partir daquele dia. Sango e Miroku se casaram, sua avó e Bankotsu a visitava sempre que conseguiam, e até mesmo Jakotsu tivera seu salão completamente reformado, ainda mais belo que anteriormente, e aos poucos voltava a se reerguer. Seus clientes fiéis nunca o abandonaram.

Kouga cumprira com sua promessa, e usara suas táticas para fazer Suikotsu admitir tudo o que fizera. E em meio a tantas coisas que descobrira, ela soube a história por trás de sua obsessão. Ele amara uma mulher, seu nome era Sara Asano. Suikotsu tivera o desgosto de vê-la fugir para os braços de outro homem. A dor de sua traição o tornara uma pessoa rancorosa que jamais conseguira esquecer o calor dos braços de sua amada e então, por isso, buscou em outras mulheres algo que lhe recordasse dela, descontando sua fúria por se sentir abandonado, levando-as sempre a óbito por medo de ser mais uma vez esquecido e trocado, assim como a primeira fizera. Soube também que ele faria acompanhamentos com médicos psiquiatras durante sua longa estadia na prisão. Enquanto Naraku seguiria os próximos anos respondendo por todos os seus crimes, juntamente com Suikotsu. E como Jakotsu rogara aos quatro ventos: que eles aproveitem muito a comodidade que os outros detentos lhes darão.

Balançou a cabeça para os lados evitando pensar sobre o assunto. Rin havia prometido a si mesma em deixar tudo o que acontecera no passado. Precisava focar em sua vida a partir de agora, precisava pensar na vida que crescia dentro de si e que a fazia se sentir tão gorda como naquele momento. Por outro lado, o encanto que possuía sobre Sesshoumaru não havia se quebrado. Via nos olhos de seu youkai o quanto ele ainda a desejava, mesmo que estivesse com alguns quilinhos a mais. Seu peitoral malhado sempre se enchia de satisfação quando detinha o olhar sobre sua gigantesca barriga arredondada. Exatamente como ele fazia naquele momento.

Sustentou a troca de olhares, mordendo o lábio inferior provocadoramente quando ele colocou os olhos sobre si, como sempre vinha fazendo desde que ficara grávida. Era uma forma carinhosa de sempre averiguar se estava bem, e sempre que podia Rin o provocava de inúmeras maneiras, notando o desejo lascivo cruzar os olhos âmbares que tanto amava.

Lembrou-se de quando Sesshoumaru a levara de volta para casa naquela noite após tê-la feito o pedido nada romântico para que se tornasse sua noiva, e do quanto ele evitou em manter suas mãos longe de sua barriga, na época ainda plana e sem nenhum vestígio das temíveis estrias. Inuyasha resmungara por não ter sido avisado logo de cara, entretanto, ninguém desejava acabar com a lua de mel dos recém-casados. Antes que Sesshoumaru pudesse enfiá-la em seu quarto, Izayoi agarrou-lhe e pediu perdão por sua imprudência em deixa-la sair sozinha, completamente arrependida pelo enorme erro que cometera. Mas feliz por saber que Rin voltara sã e salva, com seu neto dentro do ventre. Olhou de esguelha e se encantou por ver sua doce vizinha agora nas pontas dos pés para depositar um casto beijo nos lábios de seu marido. Pegou-se imaginando ela com Sesshoumaru daqui a alguns anos, assim como sua doce vizinha.

As cenas daquela mesma noite povoaram sua mente e seu rosto ficou levemente corado.

Sesshoumaru a guiou para o quarto, com a clara desculpa de que Rin passara por momentos tensos diante de seu estado atual e que ela precisava repousar. O que não deixara de ser uma verdade, no entanto, ela podia ver as promessas lascivas nos olhos ambares e sentir o desejo dele colado em seu quadril quando a arrastou para dentro de seus aposentos. Com uma delicadeza que jamais vira, ele a pousou sobre o centro da cama admirando-a com seu olhar faminto ao mesmo tempo em que seu peito subia e descia em sinal de expectativa.

- Permita que este youkai a devore como a noiva dele hoje, pela primeira vez.

A pequena estremeceu ligeiramente com o tamanho desejo presente na voz de seu amado noivo. Sim, Sim e Sim. Ela precisava disso! Precisava ter as mãos de Sesshoumaru em seu corpo o quanto antes e que ele a amasse como sempre fazia.

- Ele a tocou em algum lugar? – a indagação soou enraivecida. – Conte-me o que ele fez doce Rin. – Sesshoumaru inclinou o corpo para frente, apoiando ambas as mãos no colchão macio, aprisionando o corpo de Rin por entre seus braços recheados de músculos.

- Ele não fez nada Sesshy... – garantiu a ele.

- O que é esta maldita marca em seu rosto então? – levou uma das mãos até seu rosto e acariciou a região que Suikotsu a atingira.

Como imaginarara. Seu corpo ficara marcado.

Rin não foi capaz de responder a pergunta e com a ânsia de comprovar suas suspeitas com seus próprios olhos, Sesshoumaru arrancou-lhe a roupas as pressas. Franzindo o cenho por encontrar a brancura da pele de Rin com alguns arroxeados que não estavam ali quando a vira pela última vez. Correu as enormes mãos por seus cabelos platinados como se aquilo acalmasse seus nervos e o impedisse de ir até onde Suikotsu estava apenas para terminar o que já havia feito.

- Eu deveria ter o matado quando tive chances. – grunhiu com os dentes cerrados, as mãos em punhos prontas para desferir a raiva em alguém. – Está doendo?

- Não, eu estou bem. – Rin deslizou a palma das mãos por seus braços, sentindo as ondulações de seus músculos rígidos.

- Ninguém tocará mais no que é meu! – rugiu ele. – Este youkai promete a sua Rin. Aquele maldito verme não fará mais nenhum mal a você.

Sorriu. Ela confiava em Sesshoumaru mais do que tudo e sabia o quão verdadeiro aquelas promessas eram.

- Eu acredito em você Sesshy! – Rin o puxou para si com delicadeza e só assim conseguiu tê-lo relaxado. Seu semblante fechado se suavizava à medida que seu enorme corpo respondia á proximidade do corpo dela contra si. – Mas agora vamos esquecer o que aconteceu e pensar apenas em nós.

Era o que Sesshoumaru deveria fazer. Mas tirar da mente o inferno que Suikotsu causara, levava tempo. O youkai admirou-a em silencio. Sua humana era tão bela e tão madura, estava completamente disposta em deixar os tormentos para trás para continuar a seguir sua vida junto consigo, ao seu lado.

- Este youkai sempre pensou. Desde o momento em que ele colocou os olhos em você.

O sorriso que ela lhe presenteou o fez puxar a respiração com mais força.

- Esta Rin acredita em você, sempre acreditou. – tirou uma mecha platinada que lhe caiu no rosto, aproveitando para acariciar as marcas em suas bochechas.

A distância se dissipou quando os lábios de Sesshoumaru se chocaram contra os seus, arrancando-lhes suspiros e gemidos. Suas enormes mãos se infiltraram abaixo de si, erguendo-a pelas arredondadas nádegas para acomodá-la melhor no centro da cama. Rin teve as costas acomodadas nos lençóis macios, ele quebrou o contato de suas bocas apenas para apreciá-la de cima. Varrendo o olhar por cada mudança nova no corpo de sua humana, enquanto seu membro pulsava por libertação. Ela era tão adorável! Suave em cada curva, cheirosa em cada milímetro de sua pele sedosa.

A primeira região que Sesshoumaru a tocou foi em sua barriga. Um gesto coberto de admiração e satisfação. Imaginar que sua barriga cresceria com o tempo e que lá dentro Rin gerava um pedaço de si, o enchia de possessividade. Seus seios se tornariam mais cheios, seus mamilos mais pontiagudos, e infernos, como ele aprovava as sutis mudanças no corpo de sua noiva.

- Eu fiquei com medo da sua reação. – admitiu quando ele acariciou mais uma vez seu ventre. – Não foi algo que estávamos planejando, nem ao menos conversamos sobre o assunto. Mas quando você veio até mim, mesmo já sabendo sobre a gravidez, a maneira como lidou com a situação me fez se sentir a mulher mais feliz do mundo.

Fungou quando sentiu os olhos queimarem pelas primeiras lágrimas que começavam a surgir. Oh, benditos hormônios da gravidez.

- Acredite doce Rin, estou disposto dar-lhe toda a felicidade que deseja. – seu coração se encheu quando o viu inclinar-se sobre si e raspar o cumprido nariz no vale entre os seios, cheirando-a profundamente enquanto descia e se detinha em sua barriga. – Este youkai a venera a cada dia mais. – Piscou os olhos para afastar as lagrimas. Aquilo havia sido uma declaração? – Minha Rin precisa ser preparada?

Deslizou a mão até o ponto mais prazeroso de seu corpo e estimulou o seu clitóris rosado e entumecido. Seus grandes lábios se dividiram dando passagem para o que dedo dele a lubrificasse com sua própria umidade. A pequena soltou um ofego pela boca. Remexeu-se de encontro aos dedos de Sesshoumaru e jogou a cabeça para trás, extasiada. Céus, aquilo era tão bom. E parecia que a gravidez apenas aumentava sua fome por aquele homem.

- Parece que não! – ele rosnou em sinal de aprovação.

Sua Rin estava tão pronta, tão receptiva para ele. Afundou um dedo dentro de si e deliciou-se com a sensação de tê-la tão úmida, tão escorregadia.

- M-Me sinto mais sensível. – confessou.

- Este Sesshoumaru a deixará ainda mais. – prometeu.

Ouvi-la gemer seu nome apenas o incentivou a aprofundar as caricias. Ele sentia seu cheiro, e por Deus, sua Rin estava tão excitada ao ponto de se contorcer em seus braços. Enterrou os dedos em sua entrada ao mesmo tempo em que o polegar circulava seu botão sensível. A visão da mão do youkai por entre suas pernas lhe tirava toda a concentração. A sensação gostosa crescia em seu ventre e parecia explodir a qualquer instante. Sesshoumaru estava sendo tão cuidadoso, tão delicado lhe tocando como se tivesse medo de machuca-la agora que sabia que ela carregava um filho dentro do ventre. E mesmo com movimentos suaves, o calor se concentrou em suas entranhas e seria questão de tempo para os primeiros sinais de sua libertação começassem a surgir.

- E-Eu estou... – ela gemeu entre sua frase. – E-Eu vou... – puxou o lençol com uma das mãos e o mordeu para abafar seu gemido.

- Eu quero ouvi-la gemer. – puxou o lençol de seu rosto, o som de seu gemido se intensificando cada vez mais. – Assim doce Rin, conte ao seu youkai que está gozando. Apenas eu sou capaz de fazê-la gozar desse jeito. – lambeu o lóbulo da orelha, provocando-a. Ele adorava assistir as reações que lhe causava no corpo.

- S-Sesshy... – seu nome veio acompanhado de um gemido.

Suas pernas tremularam e seu canal estreito se apertou por entre os dedos que a saboreavam com avidez. Seus quadris se ondularam e ele soube que ela estava perto. Perto o bastante para ordenhar seus dedos que a invadiam e permitir que seu mel escorresse por entre eles. Seu clitóris protestou, pulsando bem abaixo do polegar do youkai e um leve desconforto subiu pelo ventre. Estava tão sensível pela brincadeira que os dedos de Sesshoumaru lhe proporcionaram que Rin se pegou pensando que aquilo era demais para si. A qualquer momento se derreteria! Suas pernas pareciam gelatinas. Arfou em sinal de satisfação, seu centro se contraiu, seu peito subia e descia a medida que recuperava o fôlego perdido. Tentou fechar as pernas, mas ele a impediu. Rin sentia-se quente em seu interior. Seu youkai nunca esteve tão certo! Apenas ele era capaz de levá-la as nuvens.

- Sinta. – ordenou quando tirou os dedos de dentro de si e os posicionou bem a frente de seu rosto. – Sinta o mesmo sabor que faz este youkai ir à loucura.

Mirou seus dedos estendidos rente ao seu rosto. Sorriu provocadoramente, ela não perderia a oportunidade de atentá-lo. Rin envolveu os dedos do youkai com gula, sentindo seu próprio gosto na boca. Enrolou a língua e o chupou com força, arrancando um rosnado de seu noivo. Roçou os dentes com suavidade, ocupando-se mais em sorver seus fluídos que mordiscá-lo. Maldita provocadora.

- Rin, está prestando atenção no que estou dizendo? – Jakotsu estalou os dedos rentes ao seu rosto, despertando-a enquanto lhe chamava a atenção.

A pequena piscou os olhos voltando a focá-los no amigo. Mas onde raios estava com a cabeça? Olhou ao redor reparando se mais alguém notara o fato de que sonhava acordada. Corou vergonhosamente por possuir tais pensamentos tão sujos quando estava rodeada de tantas pessoas. Corou ainda mais quando os olhos de Sesshoumaru se chocaram contra si e ela pôde ver que ele sentia sua excitação e a contemplava de longe. Ele notara! Oh, mas é claro que notaria. Céus, bendita marca traidora! Bendito hormônios da gravidez!

Voltou a mirar o olhar em Jakotsu que estava sentado no sofá ao lado do seu.

- Desculpe, estava pensando... – ajeitou-se no acento, puxando o vestido que se ajustava fortemente na região da barriga.

- Sim, eu reparei. – comentou com humor na voz. – Imagino que tipo de coisa anda se passando pela sua cabeça. Ainda acho injusto você ter roubado o primogênito de mim. Pensei que fosse minha amiga mulher e não uma fura olho!

Jakotsu fingiu limpar uma lagrima invisível e ela quase rolou os olhos pelo dramalhão do amigo.

- E eu te disse, não disse? Sua golpista. Foi só dar uma chave de coxa daquelas para conseguir ter uma algema de ouro no dedo. – segurou o riso quando o viu cruzar as pernas e jogar o cabelo para trás, teatralmente. – Agora está aí, buchuda. Você não vale nada! Por algum acaso você não sente remorso de ter aplicado o golpe da barriga?

Sua resposta veio em forma de risada, seguida por um revirar de olhos. Por mais que o amigo lançasse suas lamentações com um tom sério na voz, Rin sabia que tudo não se passava de uma brincadeira regada de provocações.

- Está olhando meu álbum de novo? – jogou um olhar em direção ao grosso álbum que Jakotsu folheava em suas mãos.

- Eu não me canso de olhar para ele! – admitiu o amigo, o olhar carregado de admiração. – Seu casamento foi tão lindo, Rin. As fotos ficaram ótimas! Claro, que o meu trabalho como maquiador e cabelereiro deu o tcham necessário que faltava.

Quanta modéstia, pensou a pequena.

- Está me chamando de feia?

- Quem? Eu? – colocou a mão dramaticamente no peito. – Que tipo de amigo você acha que eu sou? – fitou-a com o cenho contorcido, indignado com suas acusações.

- O tipo que diz mentiras só para me provocar! – rebateu.

- Assim você me ofende! – empinou o nariz, fingindo estar ofendido. – Alias, tenho que te agradecer por convidá-lo para o churrasco.

Rin seguiu seu olhar, notando os olhos de Jakotsu escurecerem à medida que ele indicava com um movimento de cabeça a direção que lhe roubava toda a sua atenção desde que chegara na mansão dos Taishou. Rin girou o pescoço e viu Hakudoushi conversando com seu irmão.

- Haky é a razão por você não tirar esse sorriso do rosto? – palpitou, compreendendo os olhares lascivos que o amigo lançava para Hakudoushi.

- Você tem duvidas? – Jakotsu desviou o olhar só para fita-la enquanto sussurrava para ela. – Olhe só para ele! – abanou a mão rente ao rosto, como se isso fosse capaz de espantar o calor que sentia. – Seu amigo é uma delicia!

- Pena que ele gosta de algo que você não tem!

Jakotsu enrugou o rosto e fez uma careta, em sinal claro de desgosto.

- Que nojo Rin, não precisava também jogar isso na minha cara!

A pequena inclinou a cabeça para trás e gargalhou alto pela reação do outro. Sua risada apenas foi interrompida pela presença de sua avó e de Izayoi que se aproximaram dos dois.

- Você quer mais alguma coisa, Rin? – Kaede lhe segurou as mãos com carinho. – Meu bisneto continua com fome?

- Aproveite que Inuyasha e Kagome estão na churrasqueira, querida. Tudo o que pedir, ele fará á você. Afinal, você tem prioridades aqui!

Izayoi contemplou sua barriga, com adoração.

- Não, eu estou bem! Já comi até demais, inclusive. Tenho a sensação que vou explodir a qualquer momento. – fez um leve trocadilho referente à sua gravidez.

Izayoi riu de seu jeito.

- Esse menino vai nascer com muita saúde! – sua doce vizinha comentou, sem deixar de admirar o tamanho gigantesco de sua barriga. – Se precisar de qualquer coisa, nos avise. Tudo bem?

Acenou com a cabeça, assistindo Izayoi e sua querida avó se afastarem devagar, com desculpas de que dariam um jeito na bagunça que o churrasco de Kagome e Inuyasha fizera na cozinha. Gostava de ver o quanto elas se tornaram tão unidas desde que Kaede conhecera sua doce vizinha.

- Qual é a sensação de ser mimada por todos? – Jakotsu quis saber.

Aquela era uma pergunta intrigante. E sua resposta variava do dia. Havia dias em que estava tão deprimente que ser paparicada com tanta frequência a incomodava. Principalmente quando cismava em fazer algo e todos a impediam alegando que deveria repousar, ou então seus pés ficariam inchados e gorduchos. Exatamente como naquele momento.

- Têm dias que me sinto uma rainha, há outros em que acho que sou um fardo a ser carregado.

- Porque pensa assim? – Jakotsu fechou seu álbum de casamento e o acomodou delicadamente sobre a mesinha de centro.

- Porque fazer coisas tão simples como colocar um sapato ou pegar algo caído do chão se tornou um enorme desafio. – tocou a barriga, insinuando que ela era a enorme causadora por dificultar seus obstáculos.

Jaky estalou a língua no céu da boca, absorvendo suas palavras. Um farfalhar de roupas se moveu bem atrás de si, e um prato branco surgiu acima de seu ombro direito, parando bem a sua frente.

- Mas admita, bem que você gosta quando é Sesshoumaru quem a ajuda. – a voz de Kagome se fez presente, e seu comentário denunciava que ela ouvira sua conversa com o amigo. – Inuyasha acabou de assar esses, você quer? – empurrou o prato de vidro em sua direção.

Até quando seus familiares e amigos continuariam a lhe empurrar tanta comida? Eles não enxergavam que ela estava a ponto de explodir?

- Me fazer engordar também se tornou um objetivo para todos! – Rin resmungou, emburrada. Um pingo de divertimento estava em sua voz.

Recusou o prato que lhe Kagome oferecia com um sorriso nos lábios.

- Essa é a parte mais divertida! – Sango jogou-se ao lado de Jakotsu, sedo acompanhada por uma Ayame sorridente.

- Quero ver quando for você a próxima gestante daqui. Não acharia tão divertido quanto agora.

- Sobre isso... – Sango fez uma pausa antes de continuar. – Meu casamento com Miroku ainda é recente, então não pensamos em ter filhos agora.

- Mas isso não quer dizer que não estejam praticando bastante! – Jakotsu alfinetou, deixando uma Sango com as bochechas escarlates.

- Você tem que jorrar veneno! Se não seu nome não seria Jakotsu! – a Senhora Houshi escondeu o rosto por entre as mãos.

Ayame pigarreou chamando a atenção de todas.

- Falando em casamento... – a ruiva esticou uma das mãos, e os olhares caíram diretamente para o solitário em ouro branco que destacava sobre sua pele bronzeada.

Ela suspirou encantada. Os olhos verdes sempre brilhando quando se detinham na peça.

- Então teremos mais um casamento para programar? – Sango esfregou as mãos unidas, em expectativa. Já pensando na possível mãozinha que daria para contribuir com a felicidade de sua amiga.

- Quando isso aconteceu? – Rin a questionou, interessada.

- Semana passada! – Ayame respondeu de prontidão.

- E só agora você nos conta isso? – Kagome fingiu falso aborrecimento.

- E-Eu não tive tempo! – a ruiva tentou se defender. – Estive muito ocupada desde então.

- Ah sim, nós sabemos o quão ocupada você estava! Vimos isso quando os dois não se desgrudaram desde que colocaram os pés aqui dentro. – o comentário de Jakotsu surtiu o efeito desejado, e a pequena ruiva sentiu o rosto queimar.

- Jaky está assim porque agora ele é o único solteiro entre nós! – Kagome recolheu o prato e girou nos próprios calcanhares, rumando para onde seu marido se encontrava.

- Não por muito tempo. – Rin teve um vislumbre de Jakotsu virando a cabeça, voltando a encarar Hakudoushi como se ele fosse sua presa, e ele, o próprio caçador.

Segurou a risada ao imaginar Jakotsu tentando chamar a atenção de seu amigo. Pobre Haky, teria que lidar com as investidas do outro que parecia muito disposto em fazê-lo notar sua presença naquela sala.

- Ele tem se mexido muito hoje? – Ayame pulou de um sofá para o outro, chegando mais perto de Rin.

- Hoje ele está mais quietinho, estou até estranhando. – correu as mãos pela barriga, um ato que se tornara tão natural que era rotineiro.

Rin se remexeu incomoda, sentindo um leve desconforto. Uma pontada em seu baixo ventre a manteve em alerta. Acariciou a região, massageando com movimentos circulares.

- Essa criança vai ser bastante ativa! – Sango comentou antes de abandonar o sofá e seguir em direção á cozinha. – Querem uma cerveja? – ofereceu.

Jakotsu fez uma careta a oferta e Ayame negou com uma das mãos.

- É tão desconfortável assim? – Ayame notou-a mudando de posição mais uma vez, tentando se levantar. – Me diga o que quer que eu pego á você.

Soltou um suspiro. Depender das pessoas estava se tornando cansativo. Sorriu á Ayame por sua ajuda e lhe disse que desejava um copo com água. Prestativa como sempre fora, Rin assistiu sua amiga se afastar em direção a cozinha atrás do que lhe pedira. E foi então que a tormenta aconteceu.

A pequena sentia-se pegajosa. O calor do ambiente passou a irritá-la, mas não foi apenas por esta razão que a fazia sentir daquele jeito. O vestido longo se tornou ainda mais justo em suas pernas, o tecido colado contra sua pele a fazia se sentir presa. E foi um rápido olhar para baixo que a fez soltar um grunhido abafado, preso dentro da garganta.

Ergueu o olhar e viu Jakotsu concentrado em seu celular. Ele não parecia ter notado...

- Jaky... – ela o chamou com a voz baixa.

- Humn...?! – ele desviou o olhar da tela por alguns instantes, apenas para fita-la. – O quê foi?

A pequena olhou para baixo, seu olhar subiu novamente e se encontrou com os olhos interrogativos de Jakotsu. Sua respiração se acelerou e ela puxou o ar com mais força. Sua feição coberta de surpresa fez com que o estomago de Jakotsu se revirasse. Aquilo não era um pressentimento muito bom...

- Porque está molhada? – foi tudo o que ele dissera antes de jogar o aparelho para o lado. – Ai. Meu. Deus! – a compreensão se instalou em seu semblante. – Rin, você está em trabalho de parto? A bolsa estourou?

Ele se levantou em um único pulo. Os olhos tão arregalados quanto o fato de ter sido surpreendido.

- Céus, chegou a hora! Dê adeus a sua apertada...

- Nem sequer termine a frase! – a pequena o interrompeu.

Diabos, aquele não era momento para as piadinhas de Jakotsu!

- Respira fundo, assim. – mostrou a ela a maneira certa com que deveria respirar. – Você está sentindo alguma coisa? Me diz o que fazer! O que eu faço? Eu estou perdido!

Se sua contração não houvesse se manifestado, ela teria rido da histeria de seu amigo. Mas tudo o que conseguiu fazer foi presenteá-lo com uma careta de dor.

- Vá chamar alguém! – ela o instruiu.

Jakotsu olhou ao redor, e apenas eles se encontravam na sala. Os restantes dos presentes estavam ou na cozinha, ou nos fundos da mansão onde ocorria o churrasco.

Com promessas de que não demoraria a voltar, Jakotsu correu na ponta dos pés na direção que provinha o som de conversas que se instalavam ao ar. Esbarrou em uma Ayame no meio do caminho quando fora passar pela porta da cozinha, o resultado de seu esbarrão a fez tomar um banho com o copo de água cheio que ela segurava com tanto cuidado em uma das mãos.

- Mas que merda Jakotsu! – a ruiva o xingou, olhando diretamente para o estrago em sua roupa, agora, molhada. – Porque tanta pressa? – indagou para o próprio vento já que ele sumira de seu campo de visão antes mesmo de se desculpar.

- Aya! – a voz de Rin a fez se esquecer do seu pequeno problema que tivera com Jakotsu, para dar-lhe a devida atenção.

A respiração de Rin estava alterada, ela pode analisar. Algo estava errado e ela começava a achar que isso tinha a ver com a estranha corrida que Jakotsu fizera para fora. Vendo-a daquele jeito até parecia que...

- Ele vai nascer...

Ayame mal conseguira terminar sua frase quando um aglomerado de pessoas surgiu logo atrás de si, empurrando-a do meio do caminho para que liberasse a passagem.

A primeira pessoa que a alcançara fora Sesshoumaru. Seu youkai forte parecia estar sem folego, como se o ar lhe faltasse nos pulmões. Sua enorme mão cobriu a bochecha esquerda de Rin, enquanto a outra afastava alguns fios escuros grudados em sua testa. Sua pulsação estava acelerada, e a palma de suas grandes mãos suavam.

Em instantes o sofá fora rodeado por todos os seus familiares e amigos. Vê-los todos com expressões preocupadas em suas faces a fez se sentir ainda mais amada por aquela família.

- Está doendo? – foi a primeira pergunta que ele fizera.

Ela acenou negativamente. Sua contração viera há alguns minutos atrás e Rin suspeitava de que demoraria mais alguns minutos para que uma nova lhe alertasse de que seu filho estava vindo ao mundo.

- Isso é bom, mas não quer dizer que uma nova contração não venha. – Kaede, a mais velha e mais sábia entre os demais se manifestou, sem sair ao lado de sua neta.

- Precisamos leva-la ao hospital. – Izayoi se pendurou no ombro de Inu no Taishou, buscando manter a calma e o raciocínio em seus braços.

- Antes eu preciso de um banho! – Rin puxou o vestido molhado, incomodada por se sentir tão pegajosa.

- Não temos tempo para isso, querida. Não sabemos quando virá a próxima contração. – Izayoi a aconselhou.

- Eu vou preparar o carro. – Inuyasha buscou no bolso de sua calça as chaves de sua caminhonete, sendo seguido por um Kouga disposto em ajuda-lo.

Sesshoumaru não foi capaz de desviar os olhos de sua Rin. Como se qualquer reação por parte dela o mantivesse em alerta. Um novo desconforto se instalou em seu baixo ventre e ela enrugou a testa como um reflexo para a dor.

- Ai meu Deus! - Jaky colocou a mão teatralmente sobre a testa e jogou o corpo bambo em direção á pessoa mais próxima de si.

Imitando um desmaio repentino, Hakudoushi o segurou evitando que seu corpo se chocasse contra o chão.

- Só faltava isso! – Bankotsu resmungou quando foi ao seu socorro e ajudou Haky a sustentar o corpo inerte do outro.

Jakotsu possuía dois homens fortes com mãos incrivelmente grandes, capazes de fazer um tremendo estrago. Oh céus, ele estava no paraíso!

- Vamos deixá-lo no outro sofá! – o platinado instruiu e ambos o arrastaram para a outra extremidade da sala, abandonando seu corpo largado sobre o sofá de couro.

- Liguem para o obstetra de Rin e avise que estamos indo para o hospital. – O youkai ordenou ao alto.

Sentindo-se na obrigação de ajudar. Izayoi se afastou do marido para correr em direção ao telefone mais próximo. Ficar sentada apenas assistindo não lhe agradava em nada.

- Vocês duas, venham me ajudar a buscar a mala de Rin e do bebê no quarto. – Kagome puxou Ayame e Sango, fazendo-as acompanha-la para o andar de cima.

Uma nova careta de dor fez o corpo de Sesshoumaru se enrijecer. O som sofrido que partiu de sua boca no momento em que ela jogou a cabeça no encosto do sofá era como espadas que o perfurava. Seu miúdo corpo se chacoalhou, Rin segurou os braços do sofá com força, fincando suas cumpridas unhas no couro caro.

- Isso querida, continue assim. Respire desse jeito! – Kaede a instruía, segurando a outra mão de sua neta. – Você está indo muito bem!

- Ela consegue se levantar? – Kohaku se aproximou, com boas intenções em seus gestos.

Mas recebeu um rosnado em sinal de aviso para que continuasse onde estava, e se ousasse tocar em sua humana Sesshoumaru arrancaria suas mãos fora.

- Agora não... – Miroku sussurrou, lhe segurando o braço e puxando seu cunhado para trás.

Entendendo a silenciosa ordem partir de Sesshoumaru, Kohaku recuou alguns passos com ambas as mãos erguidas para o alto, mantendo-se o mais seguro que conseguia. Sua relação com o mais velho dos Taishou ainda era esquisita, por mais que ele já houvesse deixado claro de que Rin o pertencia.

A volta de Inuyasha e Kouga foi o que quebrara a tensão que envolvia o territorialista youkai.

- Você quer que eu dirija o carro? – seu meio-irmão se ofereceu.

- Eu posso fazer isso, filho. – o patriarca caminhou até Inuyasha apanhando as chaves de suas mãos.

Quando uma nova contração a atingiu, Rin agarrou o bíceps forte de Sesshoumaru e o apertou com toda a força que possuía. O intervalo de uma contração e outra pareciam diminuir a cada instante.

- Este youkai vai te levantar, tudo bem? – ele colou sua testa contra a dela. O âmbar sempre buscando o brilho do castanho. – Minha Rin e o filho que carrega ficarão bem!

Passou um dos braços sob seus joelhos e o outro se instalou em suas costas, facilmente a levantando, erguendo-a do sofá. Apertou seu delicado corpo contra seu peitoral tomando o máximo de cuidado para não machuca-la. Ela rodeou seu pescoço com os braços e afundou sua cabeça na curva de seu pescoço másculo.

- Se segure firme neste Sesshoumaru, doce Rin.

Atenta ao que ele dizia, ela apertou ainda mais o aperto dos braços em seu pescoço. Escutou ao longe Izayoi anunciar que conseguira falar com sua obstetra, assim como identificara os passos de Kagome, Sango e Ayame que desciam os degraus da escada aos pulos.

Sesshoumaru a carregou para fora atravessando a porta de entrada, e só a liberou quando a acomodou confortavelmente no estofado de couro do banco traseiro da caminhonete de Inuyasha. Inu no Taishou foi quem conduzira o veiculo em direção ao hospital, enquanto seu primogênito segurava fortemente as mãos de sua humana, sussurrando palavras encorajadoras ao pé de seu ouvido.

O intervalo das contrações diminuía a cada quadra percorrida, e Rin pegava-se conversando com a própria barriga, acalmando o pequeno apressado que ansiava em vir ao mundo.

- Aguente só mais um pouco. – Sesshoumaru pedia á ela, completamente perturbado por vê-la sentir dor.

- C-Céus, dói muito... – a pequena chupou uma respiração profunda.

Com o pisca-alerta ligado, a chegada ao hospital se tornara rápida. Abi, a obstetra de Rin, foi quem os recebera na entrada. Encaminhando-a prontamente para ser avaliada na sala de parto. Sesshoumaru dera entrada no hospital, entregando todo o tipo de documento que lhe era exigido. Enquanto seu pai não saia do seu lado, em nenhum instante.

O murmurinho alto invadiu os domínios do hospital, e nenhum dos dois precisou girar o pescoço para se dar conta da chegada de sua família e amigos. Vez ou outra uma enfermeira olhava-os com cara feia, pedindo para que se mantivessem em silencio, afinal ali era um hospital.

A sala de espera se tornou cheia, todos ansiosos pela chegada de uma nova vida. Os minutos se passavam lentamente para aqueles que se encontravam a beira da ansiedade. E quando menos esperavam, o anúncio de uma das enfermeiras o encheram de sorrisos. Rin passava bem, seu parto fora ótimo e o novo Taishou possuía muito folego em compensação ao seu pequenino tamanho. Isso era o que seu choro alto lhe dizia. Ela ainda lhes disse que ele era um garotão forte e pesava mais de três quilos.

- A paciente já está no quarto, podem visita-la um de cada vez. – a enfermeira os instruiu.

Mas quem dissera que a ansiosa família foi capaz de ouvir suas palavras?

Empurrando uns aos outros, eles rumaram unidos até o quarto indicado, como uma corrida para ver quem chegava primeiro. Corrida esta que, o youkai fora quem ganhara.

Sesshoumaru girou a maçaneta do quarto, se detendo na entrada quando os orbes âmbares se fundiram na imagem de sua humana, com um pequeno homenzinho em seus braços maternos. O sorriso dela iluminando suas feições. Transbordando felicidade até mesmo em seus olhos brilhantes.

O youkai a assistiu estender uma das mãos o convidando para se aproximar.

- Venha vê-lo Sesshy. Ele é tão lindo! – a emoção cruzou sua voz embargada.

O youkai se aproximou, sentindo os olhares curiosos bem atrás de si. A essa altura Izayoi já chorava copiosamente, seguida de suas amigas. Até mesmo Jakotsu tentava espantar as lágrimas para não borrar sua perfeita maquiagem.

Sua primeira reação foi afundar o nariz em seus cabelos escuros, inalando o forte cheiro materno impregnado em suas entranhas. E foi então que seu olhar caiu, para o pequeno adormecido nos braços da mãe.

- O filho deste Sesshoumaru é perfeito, doce Rin. – uma das garras brincou com a penugem platinada coberta por sua pequenina cabeça.

Rin concordou com um sorriso gigantesco no rosto. Sim, ele era perfeito!

Deixou que cada um tivesse o prazer de segurá-lo nos braços. Choros e sorrisos inundaram o quarto hospitalar. Rin olhou para cada um deles. Aquela era a sua família! Pegou-se pensando no tamanho da sorte que ela possuía.

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Amados meus, Louca Obsessão chegou ao fim e estou com o coração na mão pelo termino dela! Eu me diverti, ri, chorei enquanto escrevia essa fanfic e amei loucamente cada um de vocês com o extremo carinho que me receberam. Primeiramente, quero agradecer cada um que dedicou um pedaço do seu tempo para acompanhar essa fanfic. Eu não podia deixar de agradecê-los por isso. Obrigado pelo carinho e por todo o incentivo, pela paciência para comigo, pelos comentários, pelas críticas que nos fazem abrir os olhos e principalmente por algumas amizades que adquiri por meio daqui! Vocês são fantásticos e eu sentirei falta de cada um, mas lembre-se que sempre estarei aqui. Isso não é um adeus. Desejo a todos um ótimo 2016, espero revê-los em breve. Um grande beijo amados, EU OS AMO s2